Dark Angel
29 Epílogo
Era uma vez um anjo. Um anjo que tinha perdido sua fé, você se pergunta como um anjo poderia perder sua fé, mas a verdade é que a escuridão rastejou sobre sua pele alva e lhe tomou a alma. Suas asas brancas se rasgaram e sangraram e ele perdeu seu apoio caindo contra o profundo abismo do desespero que era o nada.
O anjo não sentia. O anjo não reagia. O anjo apenas existia. Existia sem esperanças e sem amor.
Um belo dia Deus se apiedou desta pobre e perdida alma que um dia fora seu bravo soldado e enviou para este anjo um pequeno anjo da guarda.
O anjo relutava em deixar o pequeno anjo se aproximar, sua escuridão era densa demais e poderia macular o pequeno anjo. Mas o pequeno anjo era persistente e sua alma caridosa não poderia simplesmente permitir que aquele anjo, que um dia fora um grande guerreiro, sucumbisse ao horror que era aquela escuridão.
Aos poucos o pequeno anjo conquistou a confiança do anjo guerreiro e fora o guiando para longe da escuridão. Tratando suas feridas. Lavando sua alma. Lhe purificando. Lhe cobrindo outra vez com o amor de Deus, acalmando seu coração e lhe alimentando o espirito debilitado.
O anjo guerreiro ainda fora atormentado por um demônio, mas Deus e sua lei acabou por absorver aquele anjo tão maltratado.
Deus não abandonou aquele anjo, mesmo quando o anjo ficou sem nada. Porque seu amor é bondoso. O amor de Deus é misericordioso. Não espera nada de suas crias e apenas os aceita com seus defeitos e suas qualidades.
O amor de Deus nos fornece caminhos e nos lembra a todo instante que sempre é possível recomeçar.
Deus nos ensina que sem amor nada somos, nada produzimos e nada existe.
O meu Deus me ensina a amar e a me elevar em perdão e aceitação. O meu Deus não me castiga, pois, me dotou de sabedoria para que eu entendesse até que ponto devo me castigar e quando começa o perdão.
O meu Deus é o Deus católico, é o Deus cristão, é o Deus muçulmano, é a união da sabedoria hindu, a sabedoria budista. Meu Deus é onipresente e onipotente.
Meu Deus pode não existir para você, mas não se preocupe, pois, ele não se recente contigo. Ele te ama assim como amou o anjo guerreiro quando ele deixou de acreditar.
Mesmo quando tudo estiver perdido Deus irá te apresentar uma segunda chance. Basta você aceitar. Basta você se perdoar.
Quando ao anjo guerreiro… bem…
– Peço a atenção a todos para a primeira dança da Senhora e Senhora Fabray.
Quinn segurou a mão de Rachel e a levou para o meio do prédio de pedra, a morena sorria para ela totalmente encantada. O casamento fora uma surpresa mais do que bem-vinda, Quinn havia preparado tudo sem que ela soubesse. A visita a ilha era apenas uma visita para que a morena visse como tinha ficado tudo antes da inauguração do Instituto Renascer começar a funcionar.
O Instituto Renascer era uma ideia produzida pelas duas mulheres. Um lugar seguro para crianças e jovens abandonados ou em situação de risco. Um lugar onde eles teriam educação e acompanhamento, um lugar onde teriam a chance de ser algo mais do que apenas uma cria do sistema. Um lugar para renascerem.
– Qual música você escolheu? – Rachel apoiou a mão no ombro de Quinn.
– Hnnn… — Quinn aproximou o lábio do ouvido de Rachel. — Silly girl, pretty girl do you not see? What a spell your sweet love has cast on me… girl I pray it never will this trance be broken…
Rachel sorriu ouvindo a música suave tocar enquanto Quinn lhe guiava na dança lenta sussurrando as palavras como se elas fossem o maior segredo do universo.
– Rachel Berry… — A loira fechou os olhos. – Rachel… Berry… eu tenho tanto para te agradecer. – Cheirou os cabelos de Rachel. – Você me deu um destino. Você me deu uma vida para que eu pudesse dividi-la com você. Você me salvou e eu sou tão grata por isso… você me curou Rachel, teve paciência e amor para me esperar estar pronta. Rachel Berry você me devolveu a fé… a esperança… e o amor e de todas a maior delas fora o amor.
Rachel respirou fundo tentando conter suas lágrimas.
– Você só errou em uma coisa. – Passou seu rosto pelo de Quinn enquanto falava baixinho, suas testas apoiadas. – É Rachel Fabray. E se por qualquer motivo que fosse eu acordasse agora e isso não passasse de um sonho… eu iria atrás de você… Quinn Fabray… eu iria atrás de você nem que para isso eu tivesse que ir te buscar no inferno, meu anjo negro. Minha protetora, minha amante… meu amor.
Quinn se inclinou e a beijou com delicadeza, com carinho, com ternura. Ela era o seu anjo branco, seu anjo banhado de luz e amor. Sua cura. Sua sanidade.
O seu amor.
Rachel Berry havia pago a sua dividia com aquele anjo. Seu anjo negro.
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