Dark Angel

9 Capítulo VIII - Início


Notas iniciais
Olá! ENGLAND! ENGLAND! ENGLAND!

Quinn estava sentada na mesa do escritório que mantinha em casa, seus olhos revistavam os papéis e relatórios sobre a mesa enquanto anotava algo em um bloco de notas lateral. A caneca de café repousava já fria na sua frente enquanto o celular se mantinha no silencioso do outro lado. Já era um pouco depois das nove da manhã e ela só havia comido uma fruta qualquer antes de se trancar no escritório, Kyle tentara falar com ela, mas recebeu o silêncio em troca. A batida suave na porta lhe arrancou uma leve carranca, Dave entrou sem receber a autorização.

– Me perdoe senhora, mas a senhorita Berry está lá embaixo junto com dois cavalheiros.

Quinn ergueu os olhos para encará-lo, permaneceu em silencio apenas acenando com a cabeça. Olhou para os relatórios e se levantou deixando a caneta sobre o bloco de notas.

Dave arqueou as sobrancelhas vendo a patroa passar por ele já sem a carranca que exibia quando ele entrara.

Quinn desceu as escadas cantarolando mentalmente, estava animada em poder contar a ideia que tivera para a morena. Pelos seus cálculos seria o momento mais do que oportuno para que tudo estivesse pronto.

– Rachel. – Entrou na sala com um sorriso leve, seus olhos registraram momentaneamente o homem magro e o loiro que estavam parados próximo ao quadro de Annabelle. – Eu não estava te esperando.

– Eu te liguei umas dez vezes. – Rachel se adiantou com um sorriso tímido. – Peço desculpas por aparecer assim de repente e ainda trazendo visitas.

– Não se preocupe, acabei deixando o celular no silencioso. – Quinn a abraçou brevemente antes de a soltar e olhar para os dois homens. – É um prazer, me chamo Quinn e os senhores são…?

– Eu sou Sam Evans. – O loiro se adiantou estendendo a mão. – Sou engenheiro e este é Kurt Hummel…

– Ah sim, eu já ouvi um certo burburinho com o seu nome. – Quinn apertou a mão de Sam, mas seus olhos estavam em um Kurt rosado. – Além do mais você é o cunhado de Rachel e eu creio que você é o namorado dele.

– Exatamente. – Sam sorriu tranquilo.

– Eles não aceitam o pagamento. – Rachel soltou de uma vez, olhava para o perfil de Quinn ainda estava surpresa com o abraço repentino.

– Oras… — Quinn olhou de um para o outro. – Sentem, por favor, vamos conversar sobre isso.

Se acomodaram nos sofás e Dave prontamente apareceu oferecendo algumas bebidas.

– Chá. – Quinn sussurrou com um sorriso. — Aceitam?

– Café, por favor. – Os três falaram juntos arrancando uma risada de Quinn.

– Obrigada Dave. – Quinn apoiou o queixo no polegar enquanto os dedos estavam na linha de seu maxilar. – Agora… por que não aceitam pagamento pelo trabalho de vocês?

– Não queremos participar do projeto pensando em ganhar dinheiro e sim pelo prazer de participar. – Kurt explicou ainda trêmulo, estava nervoso de estar de frente para a mulher.

– Eu entendo isso, mas vocês irão gastar material e tempo nisso. – Quinn apontou.

– Não queremos o pagamento. – Kurt sorriu simplificando as coisas.

– Então me deixe ao menos pagar os materiais e disso eu não abro mão. – Quinn ergueu a mão para calá-lo.

– Nisso eu acho que vocês tem que concordar. – Rachel tentava conter a risada.

Ambos se entreolharam antes de Sam concordar com a cabeça. Quinn sorriu buscando o olhar de Rachel.

– Se entendi bem Sam vai cuidar dos cenários, mas ele é engenheiro. – A loira perguntou querendo alguma explicação mais completa.

– Meu pai possui uma pequena marcenaria, eu aprendi a mexer com madeira desde muito pequeno. – Sam explicou antes de Rachel.

– Entendo. – Quinn fechou a mão direita roçando os dedos contra a palma da mão. – Eu vi um teatro.

– Isso é maravilhoso, mas ainda não pedimos os direitos autorais. – Rachel franziu as sobrancelhas.

– Eu já solicitei que um advogado de minha confiança procure se informar sobre isso. – Quinn a tranquilizou. – Mas na verdade o teatro irá demandar um pouco de trabalho.

– Como assim?

– Há algumas noites um teatro pegou fogo próximo ao Harlem. Era um teatro antigo e abandonado, eu vou comprar e reformar este teatro e encima dele irei criar um programa de teatro para crianças e adolescentes, de qualquer renda. – Seus olhos verdes fitaram os olhos escuros de Rachel que brilharam entusiasmados. – O programa é uma ideia a princípio, mas o teatro vai realmente sair do papel. Quero converte-lo para algo da sociedade com preços acessíveis, além do mais ele vai ter um nome sugestivo.

– E qual seria? – Rachel perguntou encantada.

– Neverland. – Quinn olhou para a estante onde havia um retrato da filha. – A terra do nunca, onde iremos permanecer como eternas crianças.

Quinn abaixou os olhos por um momento apenas para se recompor antes de ergue-los, Rachel lhe olhava com carinho enquanto os outros dois trocavam olhares entusiasmados.

– É uma ótima ideia. – Sam concordou. – Aquela área necessita de algo assim.

Dave entrou carregando a bandeja com o bule de café e o de chá, uma jarrinha de leite, uma de mel e o açucareiro além de alguns pequenos pãezinhos com um potinho de geléia e outro de creme. Pousou a travessa na mesinha e olhou para Rachel.

– Com licença, eu já volto. – Quinn se levantou na mesma hora. – Dave pode servir.

Quinn se retirou apressada, Dave sorriu para os três e voltou a olhar para Rachel.

– Como gostaria do seu café? – Sorriu bondosamente.

– Com um torrão de açúcar, por favor. – Rachel curvou a cabeça, Dave prontamente a serviu.

– O senhor? – Olhou para Kurt.

– Um pouco de leite e dois torrões de açúcar. – O moreno pediu sentindo o rosto esquentar de novo.

Dave preparou e prontamente se virou para Sam.

– O mesmo que ele, por favor.

Quinn entrou segurando um tubo preto, parou ao lado da mesinha e desenroscou a tampa.

– Posso servir seu chá senhora?

– Claro. – Quinn sorriu puxando o tubo de papel para fora.

Dave coou as ervas, adoçou com um pouco de mel e adicionou leite.

– Espero que esteja do seu agrado como sempre e para acompanhar alguns scones caseiros. Foram feitos agora a pouco ainda estão quentes, espero que gostem. – O senhor sorriu antes de sair.

Quinn se ajoelhou próximo a Sam e abriu o papel revelando um esboço do teatro.

– É o projeto básico, é claro que eu não fiz medições já que não tinha as plantas do prédio, mas é como eu enxergo o projeto.

Sam se curvou deixando a xícara encima do pires para poder dar uma boa olhada, seus olhos brilharam enquanto rastreavam os desenhos primários.

– Isso parece bom. – Comentou em voz baixa. – Muito bom, gostei do hall principal.

– Eu pensei nos teatros antigos. – Quinn apontou para as colunas. – Percebe aqui e aqui?

– Sim, sim… — Sam passou os olhos. – Gostei do anfiteatro também, dividido em três fatias com dois andares… da uma boa acústica.

Kurt e Rachel se entreolharam com um sorriso cúmplice.

– Ótimo, fico feliz que tenha gostado, vou entrar em contato com o seu chefe. – Quinn acenou com a cabeça. – Posso contar com você?

Sam a encarou arqueando as sobrancelhas.

– Fala sério?

– Existem certas coisas com as quais eu não brinco. – Quinn se levantou, deu a volta na mesa e pegou a xícara. – Olhe, examine e depois me diga se acha que consegue.

Sam voltou seus olhos para o papel examinando a fachada, tomou um gole do café concordando com a cabeça. Quinn tomou um gole de chá e olhou para Rachel que tinha um sorriso singelo nos lábios.

*

Kurt entrelaçou o braço ao de Rachel enquanto caminhavam, Sam já havia ido para o escritório carregando aquele projeto de planta. O loiro havia ficado quieto desde o momento em que saíram do apartamento de Quinn.

– Ela é sempre tão…

– Misteriosa? Intensa? Encantadora? – Rachel sugeriu olhando para o lado contrário. – Sim, em todos os momentos desde que a conheci.

Kurt arqueou as sobrancelhas olhando para o perfil da cunhada.

– E você parece encantada. – Kurt a empurrou com o ombro. – Mas eu não te culpo, a aura que ela exala é… extremamente atraente. Imagino que quando a esposa era viva elas fizessem um par e tanto.

Rachel olhou para ele. – O que sabe sobre Annabelle?

– Bem, não muito. – Kurt deu de ombros. – Apenas o que comentam no circuito, ela nem sempre era tão meiga e educada. Já ouvi dizer que ela atingiu a Fabray como um míssel e nem foi por amor e sim por interesse.

– Mas ela era uma modelo internacional, não precisava disso. – Rachel franziu as sobrancelhas.

– Bem… é o que dizem… — Kurt a olhou com um sorriso. – Que ela era extremamente bonita, mas era uma verdadeira predadora sexual.

– Eu não acredito nisso. – Rachel protestou.

– Eu também não, acho que é mais inveja do que qualquer outra coisa, mas sabe como é… depois que morremos as pessoas tendem as nos santificar.

– Eu não sei Kurt… — Rachel mordeu o lábio.

– Convenhamos, ela ter largado o trabalho para se casar foi um tanto quanto drástico. – Kurt deu de ombros. – Talvez a Fabray tenha pedido.

– Quinn não parece ser esse tipo de pessoa.

– Ela pode ter mudado. – Pararam no sinal, Kurt ergueu os olhos olhando para o sinal luminoso. – Pessoas mudam, mas vamos mudar de assunto… me fale sobre o casamento, já começaram os preparativos?

– Temos conversado sobre isso. – Rachel o puxou para atravessarem. – Ontem ele sugeriu que nos casássemos no início do outono no lado do Central Park.

– Hnnn… romântico. – Kurt sorriu a olhando. – As folhas começando a cair, uma ornamentação elegante, o lago ficaria bonito. Tenho que dizer que estou surpreso com o meu irmão.

– Eu também fiquei. – Rachel olhou para baixo com um sorriso tímido. – Mas adorei a idéia, ele parece mais animado agora que podemos finalmente marcar a data.

– É claro que ele está, é uma coisa ligada ao sexo masculino. – Kurt resmungou. – Eles querem saber que podem garantir o sustento da casa, é algo tão machista e prosaico.

Rachel colocou a mão no bolso do casaco suspirando.

– Eu queria que ele fosse menos preocupado com o trabalho, que me desse um pouco mais de atenção, às vezes eu sinto falta de conversar com ele.

– Eu sei querida, eu sei… — Ele usou um tom de voz apaziguador. – Mas lembre-se que você também tem trabalhado de mais.

– Eu sei… eu sei… os dois estão errados.

– Acho que vocês deveriam conversar e resolver isso antes de marcarem uma data definitiva.

– Você está certo, mas eu tenho medo dessa conversa. – A morena murmurou. – Podemos nos acertar ou nos separar e isso me deixa apavorada.

– Você ainda o ama?

– É claro que amo, mas já não é aquela paixão avassaladora, entende?

– É normal, o tempo faz diminuir. – Kurt abriu a porta do restaurante para ela. – Mas existe a chance de vocês se acertarem.

– Naquele dia em que jantamos juntos, nós quatro? Eu e ele tivemos uma conversa e ele prometeu que iria mudar e até agora ele tem feito por onde.

– E você vai tentar mudar também?

Rachel se sentou e ficou em silencio antes de concordar com a cabeça.

*

Kyle colocou uma boa dose de gim nos dois copos com gelo e pôs a água tônica encostando a lata na beirada dos copos e duas rodelas de limão para cada.

– Me explique de novo… — Ele começou pegando os copos e enquanto falava para a cunhada. – É um negócio de risco?

– Não, já analisei as dívidas do prédio, podemos fazer uma proposta adequada. – Quinn pegou o copo e prontamente tomou um gole.

Estavam sentados na sala de estar, Quinn estava em uma poltrona enquanto Kyle ocupava o sofá.

– E quanto vai custar a reforma? – O loiro soltou um gemido quando bebeu.

– Vai custar um pouco mais, mas eu analisei as contas das Indústrias, vamos apertar por uns seis meses apenas.

Kyle a olhou curiosamente.

– E o custo disso na sua vida, quanto vai ser? – O loiro sorriu, soltou uma risada quando a cunhada revirou os olhos. – Ah vai, você está feliz. Se isso te faz feliz então amanhã eu vou apresentar a proposta para o dono do edifício.

– Está hipotecado, terá que ir no banco. – Quinn tomou um gole antes de parar. – Quero que você me acompanhe até o banco.

Kyle arregalou os olhos com um sorriso descrente.

– Sério?

– Eu vou resolver tudo o que for referente a esse teatro. – Quinn suspirou desviando os olhos para o quadro de Annabelle. – Ela iria gostar disso.

Notas finais
@just_someone13 e ask.fm/PSomeone