Dark Angel

6 Capítulo V - Abstinência


Notas iniciais
E pela primeira vez fora de Diário... o capítulo terá uma citação.. espero que gostem.

Sabe… eu resolvi fazer algo diferente nesse capítulo de Dark Angel… algo que eu nunca fiz longe de Diário, mas que eu sinto que devo fazer. Começar o capítulo com um pensamento meu. Então… vamos lá…

Eu acho lindo, a forma como algumas pessoas(eu me incluo nisso) conseguem falar de amor. É tão poético e inspirador, né? Pois é… eu ainda acredito em tudo aquilo, mas ultimamente eu tenho tido uma visão alternativa, sabe?

Eu tenho pensado no amor como uma droga. Sim, uma droga. Eu sei que existe um livro e um filme que diz algo parecido com isso… eu nunca vi… talvez eu deva procurar ver ou ler.

O amor é uma droga, daquela que vicia quando você prova a primeira vez. E você vira o refém do fornecedor e enquanto ele te fornece essa droga ele vira o teu Deus.

É um barato diferente… é como… aquele orgasmo que te deixa em um estupor, que você sente que o teu sangue sumiu do teu corpo e você mal consegue se mexer. Mas passa. Sempre passa. E você sempre vai querer mais.

O problema é quando o teu fornecedor decide suspender a “venda” e você continua na fissura.

E aí vem a abstinência. Dói. Dói muito.

Algumas pessoas tentam suprir a falta substituindo por outras drogas… outros fornecedores… mas ela sabe bem lá no fundo que não é o mesmo. O vício dela é outro.

E então as consequências surgem, normalmente você vai atrás do seu antigo fornecedor e tenta força-lo a te dar essa droga. Você fica violento, mal humorado, deprimido… você precisa da droga pra se sentir… feliz.

E como todo bom viciado você vai ignorar o que a sua família diz, os seus amigos, quem vier falar como você sobre isso. E muitos vão até tentar te livrar desse vício a força, mas você só vai se livrar disso quando você quiser se livrar disso.

Talvez você tenha recaídas e em algumas vezes o barato vai voltar tão forte que você vai achar que não é viciado e que tudo aquilo é perfeitamente normal. Mas… às vezes o barato vai diminuindo até que, você vai se perguntar porque se viciou por aquilo. Não me leve a mal.

O fornecedor e a droga continuam os mesmos, mas você mudou. Se tornou insensível aquela sensação.

Você acha que está limpo e que aquilo nunca mais vai acontecer, mas então… quando você menos espera irá surgir outro fornecedor com uma droga nova.

E sabe todo aquele esforço que você fez pra ficar limpo? Toda a dor. Toda a raiva. Todas as lagrimas. Todas as conversas. Sabe tudo isso?

Vai pelo ralo, por que você se vicia de novo e tudo se torna um ciclo.

Eu cheguei a uma conclusão enquanto pensava em tudo isso. Enquanto minha mente criava essa parábola eu percebi que… todos nós não passamos de meros viciados de uns e fornecedores de outros.

Isso é loucura, certo?

Ou será apenas a minha… abstinência?

*

Quinn suspirou olhando para Annabelle, a mulher estava parada contra uma das janelas altas do quarto. A luz morna do início da manhã lhe tocava a pele pálida com um toque dourado, os cabelos claros tinham adquirido cachos nas pontas, estavam naturais e soltos caindo por seus ombros.

– A primavera está chegando. – O sorriso era calmo, Annabelle fechou os olhos respirando fundo como se estivesse sentindo o cheiro de um campo de flores.

– Irei mandar cultivar as suas flores. – Quinn estava sentada em uma poltrona, seus olhos vidrados na mulher. – Quantas azaléias forem possíveis e em qualquer lugar que possa ser plantado.

Annabelle olhou para ela por cima do ombro com um sorriso amoroso.

– Das cores mais variadas. – Se levantou com um movimento seguro e prontamente se aproximou da esposa, suas mãos repousaram nos quadris delgados.

Quinn inclinou a cabeça, seus lábios roçando o ombro nu, a pele era tão macia.

– Peça para plantarem tulipas vermelhas…

– No canteiro central do Central Park. – Quinn completou com um sorriso. – Nosso primeiro beijo. – E uma rosa de cada cor no seu jardim favorito.

Annabelle a olhou por cima do ombro, estavam tão perto.

– Continuara a me amar mesmo que as flores morram, mesmo que fiquem murchas?

Quinn apoiou sua testa sobre a da mulher, a respiração pesada saiu pelas suas narinas.

– Irei te amar por mais de uma primavera. – Sussurrou com a voz mais doce que conseguiu. – Irei te amar a cada verão que as castigar com o seu calor. Irei te amar a cada outono que vier levando as flores embora. Irei te amar a cada inverno gelado que soterrar as pobres flores. E a cada nova primavera irei mandar plantar todas as flores outra vez, será sempre o meu voto de fidelidade e de amor eterno.

Annabelle tinha os olhos azuis presos nos olhos verdes de Quinn, ergueu a mão esquerda e tocou a bochecha de Quinn.

– Mesmo se você se apaixonar por outra mulher?

– Não irei me apaixonar. – Sussurrou de volta.

– Não diga isso. – Sorriu para as sobrancelhas franzidas de Quinn. – Um dia você irá se apaixonar outra vez e irá ter outra família.

– Eu não quero isso. – Quinn murmurou sentindo os olhos traidores se encherem de lágrimas e a mandíbula tensionar.

– Isso não é um querer. – Annabelle continuou sorrindo. – Me diga, mesmo se você se apaixonar por outra mulher ainda irá me amar a cada primavera?

– Irei te amar por toda a minha vida e após ela. – Retrucou com a voz séria.

– Eu sei… — Annabelle roçou seus lábios nos de Quinn em um beijo casto. – Eu acredito.

*

Annabelle passava os dedos pelos casacos caros que estavam no closet.

– Vou dizer outra vez para você doar essas roupas. – Resmungou sabendo que a esposa iria lhe ouvir. – São ótimas roupas e estão aqui inúteis.

– Elas tem o seu cheiro. – Quinn encolheu os ombros mesmo sabendo que Annabelle não poderia lhe ver, remexia na estante que havia no quarto.

– Elas poderiam estar vestindo alguém e o protegendo do frio. – Annabelle saiu do closet e olhou para a mulher que examinava os livros com o cenho franzido. – Então faça um leilão e venda uma parte e doe para um orfanato.

– Vou pensar nisso. – Quinn resmungou se esticando para pegar um álbum pesado que estava na última prateleira. – Mas posso fazer uma doação a qualquer orfanato que você quiser.

– Ótimo então venda essas roupas. – Annabelle cruzou os braços ouvindo o grunhido de Quinn. – Solte esse álbum de fotos antigas, por favor.

Quinn a olhou, estava prestes a abri-lo quando notou a sombra de tristeza nos olhos da esposa.

– Eu queria vê-la. – Respondeu com a voz mais baixa.

– Eu também, mas não consigo aceitar que só posso vê-la através de uma foto. – Annabelle se aproximou segurando o rosto de Quinn entre as mãos. – Solte esse álbum e venha ver Melissa comigo, em nossas memórias.

Quinn soltou o álbum o deixando cair pesadamente na cama, deixou Annabelle lhe conduzir até a cama e se deitou com ela.

Entre sussurros e carinhos lembraram da filha com sorriso e lágrimas. Lembraram de seus primeiros passos, da forma como era o seu sorriso, dos olhos claros que pareciam mudar de cor como os de Quinn, da primeira palavra…

Annabelle se aconchegou contra o ombro de Quinn traçando a linha da clavícula na pele clara. Quinn mantinha os olhos fechados ouvindo os sussurros da esposa.

– Quem é ela? – Annabelle sussurrou de repente.

–Quem? – Quinn franziu as sobrancelhas sem abrir os olhos.

– A mulher que Kyle insiste em fazer entrar na sua vida. – Annabelle continuou com o tom de voz calmo e baixo. – Rachel Berry.

– É uma atriz da Broadway. – Quinn respondeu suavizando as sobrancelhas. – Ele diz que ela canta muito bem, é noiva de um dos gerentes de projeto da Enterprises.

– Ela é noiva? Então porque Kyle insiste em tentar…

– Criar um clima romântico? – Quinn zombou. – Seu irmão acha que é o cupido, ele não entende o que realmente significa ter o amor da sua vida. Acho que ele nunca vai entender isso, está acostumado com esses amores vazios e passageiros. Seu irmão precisa sofrer por amor para conseguir entender o seu significado.

– Acha que o sofrimento é a única coisa que gera compreensão?

– Acho que o sofrimento te faz ver certas coisas sobre outra perspectiva, nem sempre é preciso sofrer para se ver, mas algumas pessoas só entendem através da dor. – Quinn encolheu os ombros tentando não incomodar a esposa. – Seu irmão não entende a falta que você me faz.

– Mas eu estou aqui. – O sussurro contra o seu ouvido fez a Fabray estremecer.

– E é por isso que eu não preciso de Rachel Berry ou qualquer outra que ele insista. – Quinn sorriu virando o rosto para olhar os olhos azuis da mulher. – Eu te amo tanto Annabelle.

Annabelle sorriu erguendo o rosto para roçar seus lábios nos de Quinn.

– Eu quero dançar. – Sussurrou contra os lábios carnudos da Fabray com uma risada travessa.

Quinn sorriu se levantando da cama, mexeu no aparelho de som que estava do outro lado do quarto e deixou a música baixa sair pelas caixas de som.

– Sua favorita. – Envolveu os braços ao redor da cintura de Annabelle que envolveu seu pescoço, começaram a se balançar no ritmo da música.

– Ela é bonita? Essa Rachel Berry…

– Ela tem o seu charme. – Quinn sorriu vendo a boca da esposa se apertar levemente. – Mas nunca será você.

– Mas você a acha bonita? – O tom de voz de Annabelle subiu um pouco assim como as sobrancelhas.

– Querida. – Quinn deixou o sorriso morrer e parou a dança, seus braços se estreitaram ao redor da cintura da mulher em seus braços. – Você é linda e ela apenas… charmosa.

– Então eu não sou charmosa?

– Annabelle você é uma dama inglesa. – Quinn retrucou arqueando a sobrancelha antes de se afastar a girando com uma mão. – Charme e elegância correm pelas suas veias. Não existe e nem existirá mulher mais elegante e charmosa do que você.

– Nada corre em minhas veias Quinn. – Annabelle tomou o rosto de Quinn entre suas mãos. – Estou morta.

– Pare com isso.

– Eu estou morta Quinn. – Annabelle sorriu deslizando um dedo pelo lábio inferior da loira. – Nem coração eu tenho.

– Annabelle pare. – Quinn se afastou dela indo sentar na cama, segurou os cabelos os puxando de leve. – Pare de falar assim!

*

Kyle chegou em casa deixando a emprega pegar seu casaco e a pasta que levava. Sorriu para Rachel que estava ao seu lado, a morena parecia nervosa.

– Será que ela vai gostar? – Sussurrou para ele. – Não posso me demorar.

– Será rápido, não vamos discutir os detalhes hoje. – Kyle sorriu para ela. – Eu adorei a ideia. Ah você está ai Dave, por favor, chame a Quinn para mim e diga que a Senhorita Berry está aqui.

Dave era um senhor de cabelos brancos e olhos castanhos bem cortados, ele trabalhava para a família Fabray desde que tinha os seus belos 30 anos e se recusava em seu aposentar. Dizia que iria parar de trabalhar no dia em que desencarnasse, mas não pode recusar que fossem contratadas mais pessoas para ajuda-lo a cuidar da casa.

– A senhora Fabray não se sentiu muito bem hoje senhor Kyle. – Dave sentiu o queixo tremer. – Ela não saiu do quarto e recusou qualquer tipo de alimento.

– O que? – Kyle olhou para ele antes de desviar os olhos para Rachel.

– Ela passou o dia deitada na cama e ouvindo a mesma música.

– A música de Annabelle? – Kyle correu a língua pelos lábios secos.

– Sim senhor.

– Mande preparar uma sopa, bem forte e quente. – Kyle tirou o paletó e rapidamente enrolou as mangas. – Ela irá comer, Rachel se você puder esperar só um pouco eu irei busca-la.

– O que está acontecendo? – Rachel olhou para ele sem esconder sua preocupação.

– Hoje é um… dia ruim… — Kyle acenou com a cabeça lentamente antes de subir.

*

Quinn estava deitada na cama olhando para Annabelle que mexia em suas coisas as colocando na ordem que gostava.

– Você está com fome? – Se virou para a loira deitada.

– Não. – Quinn respondeu com um suspiro. – Já disse que te amo?

Annabelle sorriu indo se deitar ao lado dela, a beijou nos lábios deixando seu nariz resvalar no da loira.

– Eu te amo. – Annabelle sussurrou contra os lábios dela.

A batida forte na porta fez Annabelle sorrir ainda mais quando Quinn gemeu baixinho.

– Quinn! – A voz de Kyle chegou abafada. – Abre a porta.

– Não. – Quinn respondeu, com os dedos tirou os fios de cabelos de Annabelle do ombro da mulher e prontamente passou a dar pequenos beijos pela pele.

– Quinn abre a porta agora! – Kyle mandou irritado. – Eu vou arrombar.

Quinn revirou os olhos sentindo a risada de Annabelle contra o próprio pescoço.

– Abra a porta. – Mandou enquanto se deitava na cama. – Provavelmente meu querido irmão quer saber porque você não saiu do quarto o dia todo.

Quinn rosnou e se levantou da cama, andou até a porta pisando duro e a abriu com força.

– O que é? – Rosnou irritada.

Kyle não se retraiu.

– Você não comeu e nem saiu do quarto o dia inteiro. – Ele acusou.

– E? – Quinn franziu as sobrancelhas. – O que você tem haver com isso?

– Quinn eu não quero que você…

– Você não tem querer Kyle. – Quinn estreitou os olhos. – Aprenda uma coisa, a vida é minha e eu vou fazer com ela o que eu quiser. Se eu quiser me enfurnar no quarto e ficar sem comer é o que eu vou fazer.

– Juro por Deus que eu vou mandar te internar. – Kyle respirava pesadamente. – Você está definhando.

Quinn cruzou os braços e o encarou.

– Estou ótima, apenas não quis ver ninguém hoje.

– Rachel está lá em baixo.

– E? – Quinn perguntou de novo com as sobrancelhas franzidas. – O que ela quer? Você marcou outro jantar?

– Ela tem uma proposta de negócios que eu acho que você deveria ouvir. – Kyle respirou fundo tentando manter o controle. – É um projeto para as crianças e eu acho que você vai gostar de financiar.

– Ok. – Quinn deu um passo para trás e bateu a porta na cara do cunhado.

Apoiou as mãos contra a moldura da porta ouvindo Kyle bater contra a madeira e a chamar irritado.

– Você deveria descer. – Annabelle apareceu atrás de seu corpo, as mãos frias esfregavam suas costas. – E comer um pouco da sopa que Dave está fazendo. Por favor, por mim.

Quinn acenou com a cabeça e abriu a porta de supetão assustando Kyle, passou por ele o empurrando com o ombro.

Notas finais
@just_someone13 e ask.fm/PSomeone