Dark Angel
5 Capítulo IV - Loucura
Notas iniciais
AVISO AOS TRIPULANTES: Para os leitores de estômago fraco eu tenho um conselho. Não leiam a “matéria” em itálico.
Rachel se sentou de frente para o computador, a madrugada já ia alta quando acessou o site de buscas.
Finn estava dormindo em seu quarto, não haviam trocado nenhuma palavra desde que ele chegara no apartamento de Quinn e nem durante o jantar. Ele havia tentado falar com ela, mas ela estava irritada de mais para dar atenção a ele e as suas desculpas. O caminho até o seu apartamento fora silencioso e desconfortável e só o deixara subir após ele muito insistir, mas não cedera as vontades dele de se reconciliar na cama. Ele ficará irritado e fora dormir.
Rachel estava com uma taça de vinho na mão enquanto olhava para o cursor que piscava na barra de pesquisa. Estava dividida entre digitar a pesquisa e ter a sua curiosidade saciada ou em continuar sem saber de nada.
Sempre que falavam do assassinato ficavam tão perturbados, mas ela sempre associou isso ao fato de serem pessoas próximas, mas tinha uma frase de Edgar que não lhe saia de sua cabeça.
Tomou a taça de vinho que estava pela metade em um gole antes de bater a taça na mesa e respirar fundo. Digitou com os dedos trêmulos “Annabelle Fabray”.
Alguns links surgiram na tela e ela foi descendo pela página até que achou um que poderia saciar sua curiosidade por completo. Era uma espécie de blog onde o cursor simulava uma gota de sangue.
Seus olhos começaram a descer pelas palavras enquanto seus lábios se mexiam silenciosamente conforme ia lendo.
A socialite mais conhecida pela sua filantropia e por sua beleza irá ser conhecida agora pelo seu brutal assassinato. Os grandes jornais do país estampam em suas capas a notícia de sua morte e da única herdeira da Fabray Enterprises, mas nenhum deles falou dos detalhes macabros do caso. Tem quem diga que a própria poderosa, e agora viúva, Quinn Fabray ou o seu capacho/cunhado Kyle Kingson pagou para que a história fosse mais adocicada para os leitores, mas só aqui neste magnífico e inescrupuloso blog, meu caro leitor você irá saber de todos os suculentos detalhes.
Segundo fontes a formosa Annabelle Fabray deixou de ser tão formosa assim. Relatórios da polícia, cedidos tão carinhosamente pela minha fonte anônima, citam uma vasta lista de torturas sofridas pela esposa da bilionária. Ao que parece a modelo inglesa teve um dos volumosos seios extirpado, bem, alguém sabe se era silicone ou não. A região genital estava extremamente machucada devido a violentos atos sexuais ao qual ela fora submetida, alguém quis converte-la a boa e velha ordem de cristo. Homens e mulheres é óbvio!
Ela teve uma parte de seu brilhante e sedoso cabelo loiro escalpelado. Alguns dentes quebrados e dedos também e ao que parece o objeto usado para isso fora um martelo. O sorriso de milhões de dólares se foi assim como a diversão da Fabray. Mas creio que a melhor tortura, e particularmente a minha favorita, fora obriga-la a ver a morte e o esquartejamento da pequena Melissa Fabray.
Segundo os relatórios a menina fora morta quase cinco dias antes da mãe e além disso o local do cativeiro dava todos os indícios de que Annabelle realmente assistiu a filha morrer como um porco.
Fontes dizem que o esquartejamento começou pelos pés e seguiram…
Rachel correu para o banheiro e quase não teve tempo de chegar a privada antes de vomitar tudo o que estava em seu estômago, vomitou até a bile subir queimando sua garganta. Sentiu as mãos de Finn segurando seus cabelos para longe de seu rosto, as lágrimas queimavam seus olhos e desciam por sua bochecha.
– Rach… — Ele sussurrou assim que a morena apoiou a testa contra a porcelana fria. – Rachel vem aqui, o que você está sentindo.
Ele se sentou no chão e a trouxe para o seu colo, acariciou as costas da mulher que chorava sem dizer uma palavra.
– Quer ir pro hospital? – Ele murmurou.
Rachel negou com a cabeça e tentou alcançar a pia para poder se lavar, Finn a ajudou ainda achando que deveria levar a morena para o hospital.
– Deita. – Ele murmurou a vendo lavar o rosto. – Eu vou te trazer um pouco de chá.
Rachel apenas acenou com a cabeça e retirou a camisa que usava, estava suja de vômito. Tomou um banho tentando apagar as imagens que se formavam em sua mente, os sussurros que lhe falavam aos ouvidos. Os gritos de terror.
Abriu o box com violência e conseguiu chegar a privada para colocar mais bile para fora. Chorou tentando controlar o tremor de seu corpo.
Se enrolou no seu roupão e foi atrás de Finn, o encontrou sentado na frente do computador. Estava pálido e parecia enjoado, quando finalmente ele ergueu os olhos castanhos encontrou ela parada na porta da cozinha com as lágrimas correndo por seu rosto.
– Por quê você foi procurar isso? – Sussurrou com a voz grossa.
– Eu estava curiosa. – Fechou os olhos sentindo a garganta arder. – Queria saber porque ela se manteve reclusa.
– Bem… — Ele pigarreou. – Se o que está aqui for verdade… eu também iria ficar recluso.
Rachel soluçou abraçou o próprio corpo tentando espantar o frio que sentia.
– Você sabia? – Rachel sussurrou.
– Não, nunca soubemos dos detalhes. – Finn fechou a página e bateu a tampa do notebook o fechando. – Apenas que… Quinn havia pagado os dois resgates que haviam pedido, mas eles haviam matado as duas.
– Você acha… acha… que…
– Que é verdade? – Finn murmurou olhando para o notebook. – Bem… eles tem… fotos que parecem bem verídicas.
– Fotos? – Rachel soluçou cobrindo os lábios com as mãos. – Ah meu Deus…
Finn se assustou quando ouviu a chaleira apitar encima do fogão. Se levantou pegando outra caneca e colocando um saquinho de chá, serviu duas canecas de chá.
– Eu só… — Finn parou antes de se virar segurando as duas canecas, caminhou até a morena e com cuidado deu a caneca para que ela segurasse. – Eu acho que… é real.
– Por quê? – Rachel tomou um gole do chá sentindo o sabor da camomila.
Finn a guiou para a sala e a colocou sentada no sofá antes de tirar a caneca das mãos pequenas e a colocar no chão próximo a sua.
– Existe um boato… — Finn segurou as mãos de Rachel. – Dizem que faltava algo nos dois corpos. Dizem que arrancaram os dois corações e eles nunca foram encontrados.
Rachel voltou a chorar e rapidamente se escondeu no peito de Finn que a abraçou.
*
Quinn puxou o capuz descobrindo a cabeça, sua mão tremia quando colocou o arco sobre a mesa. Se sentou em uma cadeira e rapidamente deixou as mãos voarem para os cabelos claros.
Não era. Aquela não era Annabelle.
Era o pensamento que se repetia em sua cabeça como um mantra desde que impedira o estupro de uma mulher loira e de olhos azuis há pelo menos uma hora. Deixara uma flecha bem alojada na cabeça do homem que segurava a faca contra o pescoço claro da mulher.
O soluço estrangulado saiu por seus lábios enquanto seus olhos continuavam secos, sua respiração estava desregulada e o corpo tremia. Não sentiu quando caiu no chão desmaiada.
*
– Quinn! – Kyle lhe chamava sacudindo o seu corpo. – Merda. Quinn!
Abriu os olhos verdes e rapidamente os fechou.
– Puta que pariu. – Kyle resmungou suspirando aliviado. – Achei que você tivesse morrido.
– Eu estava respirando. – Quinn respondeu de mal humor.
– Bem… dessa vez você conseguiu. – Kyle suspirou. – Você está em todos os jornais, sejam eles na televisão ou no papel.
Quinn abriu os olhos e se sentou.
– Todos querem saber quem foi a mulher que matou o ladrão. – Kyle continuou vendo que ela se levantava e tirava o colete. – A vítima diz que esta mulher saltou de cima de uma sacada e atirou uma flecha na nuca do homem que queria assalta-la, mas ele dizia que iria fazer outras coisas depois. Que ela era linda e não deveria…
– Eu sei o que ele falou. – Quinn falou o olhando por cima do ombro.
– Você matou alguém. – Kyle se levantou.
– Ele iria mata-la. – Quinn caminhou até um pequeno banheiro que tinha ali e rapidamente ligou a água fria, lavou o rosto esfregando com força. – Iria mata-la ou iria fazer com que ela deseja-se estar morta.
– Quinn. – Kyle parou na porta do banheiro. – Por favor…
– Eu já sei o que você vai falar Kyle e não eu não vou voltar a ter encontros com uma psicóloga. — Quinn segurava nas bordas da pia com força. – Foi perda de tempo.
– Você só ficava parada lá sem dizer nada. – Kyle abriu os braços. – E não tomava os remédios que o psiquiatra receitava.
– Eu não estou louca. – Se endireitou e olhou para ele.
– Ninguém disse que você estava. – Kyle retrucou. – Mas é natural ficar traumatizado depois…
– Depois de que? – Quinn se aproximou e prontamente enfiou o dedo no peito dele. – O que você acha que está fazendo? Trazendo a Berry e o Hudson aqui? Acha que eu vou me apaixonar por ela e esquecer minha esposa e minha filha?
– Eu quero que você volte a viver. – Kyle gritou antes de abaixar a voz. – E não que tire a vida de alguém.
– Ele mereceu perder a vida. – Quinn cuspiu de volta.
– Não é você quem decide isso. – Kyle balançou a cabeça.
– Por quê? – O empurrou pelo peito. – Alguém decidiu que a minha filha de três anos merecia perder a vida.
Kyle ficou calado antes de se mover para sair do porão que Quinn havia convertido em seu refúgio. Parou antes de descer o primeiro degrau da escada.
– O que eles fizeram… — Sua voz estava baixa, mas ela podia ouvir. – Foi horrível. E eu não vou dizer que aquele homem ontem… não merece-se a morte, mas eu sou obrigado a dizer que o teu sofrimento não justifica isso. Isso tudo. – Abriu os braços tentando abarcar toda a sala. – Por mais que você me odeie por dizer isso, eu tenho que dizer… Annabelle não gostaria que você se vingasse dessa forma.
– Eu nunca vou saber o que Annabelle iria ou não gostar. – Quinn respondeu sem se virar para ele.
Ouviu os passos dele descendo as escadas e pode finalmente se sentar na mesma cadeira que se sentara durante a madrugada. O colete estava aberto deixando o top amostra e a barriga plana com a pele clara.
– Sabe… você mentiu para ele. – A voz suave acariciou seus ouvidos, os contornos de uma mulher se mexeu nas sombras. – Duas vezes…
Annabelle veio caminhando até Quinn que ergueu a cabeça para encara-la.
– A primeira foi que você está sim… — Parou acariciando os cabelos claros da esposa. — …louca… — Se sentou no colo de Quinn e lhe deu um sorriso divertido. – E é óbvio que eu estou aqui, meu amor.
Quinn suspirou olhando para o rosto da mulher, ergueu a mão acariciando a bochecha da esposa.
– Sempre fui louca, você que nunca percebeu. – Sussurrou sem desviar os olhos da mulher em seu colo.
–Eu sempre soube, mas era mais louca que você. – Passou os braços pelo pescoço de Quinn a abraçando.
– Concorda com ele? – Quinn sussurrou.
– Você sabe muito bem a minha opinião. – Annabelle sussurrou repousando a cabeça no ombro de Quinn.
Quinn a abraçou com força.
– Não me deixe. – Sussurrou.
– Nunca. – Annabelle sussurrou.
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