Dark Angel

1 Capitulo O1 – Segredo.


Capitulo O1 – Segredo.

– Colbie, sua vadia, acorda! – a voz extremamente irritante de Maddlyn ecoou em meus ouvidos, fazendo com que eu resmunga-se contra a almofada provocando um som estranho e engraçado.

– Me deixa Mad. – falei rouca quando ela me destapou, fazendo com que o frio das manhãs geladas do Canadá envolve-se a minha alma num tremendo e colossal Iceberg.

– Vamos chegar atrasadas na aula por sua culpa. – ela bufou tacando um travesseiro meio duro em minha cabeça enterrada no travesseiro, fazendo com que eu bufa-se irritada.

– Dane-se, Mad. – falei jogado o seu travesseiro de volta em sua cara, mesmo não a conseguindo ver sabia que lhe tinha acertado em cheio.

– Colbie, eu vou contar até três. Se você não vier, eu invoco o seu anjinho caído! – falou prontamente.

Assim que ela falou isso eu abri os meus olhos tão rápido como um relâmpago e me joguei para fora da cama, caíndo de cara no tapete peludo em forma de coração rosinha mas me levantei rapidamente, apontando um dedo em seu rosto enquanto falava.

– Se atreva a brincar com essa porra e eu enfio meu dedo em seu olho! – ela revirou os olhos.

– Louca. – falou visivelmente irritada, jogando uma camiseta em minha cara. – Se vista logo.

Ela saiu de meu quarto batendo a porta com tudo. Respirei fundo, me jogando na cama novamente, olhando o teto de meu quarto enquanto que os raios de Sol entravam pela janela aberta. Eu vou matar essa Maddlyn, pode deixar.

Maddlyn é minha irmã mais velha. Dezoito anos, mandona, ignorante, e uma tremenda filha da puta. Tenho vezes que tem um sonho que meto bala na cabeça dela, mas acho que isso é pura relação de irmãs que se odeiam mutuamente. Só que ela sabe ser chata, ela é tipo, professional nisso. Quando ela fica nas gracinhas até que eu supero, demora mas supero, mas quando ela toca no assunto “anjo caído” eu simplesmente não a aguento mais. Ela passa dos limites. Só porque ela não acredita não quer dizer que ele não esteja aqui, eu sei que ele está aqui. Eu nunca o vi, nunca fui rápida o suficiente, mas eu sei que ele está lá. Ele me dá sinais que está lá. Eu sei que ele está sempre do meu lado. Minha mãe e Mad me chamam de louca porque eu falei disso com elas, agora até as amigas de minha mãe me chamam de estranha, mas isso não me importa. É com esse anjo que eu desabafo, que eu falo, que choro. De um jeito ou de outro ele está lá para mim. Tudo aconteceu á quatro anos atrás, quando eu tinha doze anos. Eu estava chorando, e bom, um papel caiu do meu lado. Lá estava escrito “por favor, não chora”. Foi muito intrigante e assustador, mas eu já estou acostumada com ele, mesmo nunca o tenha visto ou falado diretamente com ele. Pelo que ele escreve, ele não pode aparecer na minha frente. Já perguntei o que ele era, se era o meu anjo da guarda. Ele falou que era tipo isso, só que ele não era bem um anjo da guarda. Ele falou que ele foi banido do Paraíso por um erro que não cometeu e agora ele não pode ser considerado um “anjo” por ele falou que ele não servia o bem. Ele falou que servia o mal. Mas eu o entendo, sério que sim. Ele foi traído injustamente, e ele é uma boa pessoa. Ou devo dizer anjo?

No entanto ele nunca me contou porque se revelou a mim. Ele nem falou seu nome. Não era suposto eu saber que ele existia, mas acho bom eu saber. Assim eu posso agradecer-lhe, porque sempre que algo errado acontece comigo ele me protege. Em todo momento ele me livra dessas coisas. Dois anos atrás, eu iria cair da escada, e provavelmente iria rachar a cabeça e ter uma hemorragia faltal pois estava sozinha em casa, mas… eu não caí. Simplesmente vi a sua sombra e depois eu estava no topo das escadas novamente. Mas uma coisa posso falar: Ele me apertou bem forte, e os seus braços são quentes. Tão mas tão quentes.

– COLBIE DESÇA AGORA OU EU VOU TER DE PUXAR SUA ORELHA! – ouvi Maddlyn gritar assim que eu estava vestindo a minha regata cavada preta, por cima de um top faixa roxo. Coloquei uma calça moletom baggy cinzenta e as minhas Air force brancas e surradas.

– Tô indo irmã dos Infernos. – falei colocando a caixa de palavras em minha mochila. Sabe, se no caso eu tiver um tempinho de falar com o Justin no meu cantinho especial no colégio.

– Se apresse. – ela falou bufando, escorada na porta. Assenti fechando a mochila e a joguei num som ombro, passando por ela reto e pulei as escadas, como sempre animada e desportiva.

Peguei numa panqueca e passei Nutella nela. Não me importo se é gordiçe, Nutella é vida. Enchi a boca com a panqueca e Mad revirou os olhos enquanto que olhava as suas unhas pintadas cuidadosamente de rosa clarinho. Ela vestia uma blusa soltinha com um decote enorme, uns shorts que mais pareciam calcinha e uns saltos altos vermelhos, assim como a blusinha. Lábios vermelhos, olhos quase nulos de maquiagem e cabelos cacheados e perfeitinhos. Revirei os olhos. Ela odeia o meu jeito desengonçado e eu odeio o jeito patricinha dela. Cara, se existe uma coisa que me irrita é andar vestida feita vadia e ter o cabelo parecendo uma bagaça.

– Podemos ir? – perguntou fazendo cara de nojo.

– Tá né, impaciente. – falei dando um beijo na cara de minha mãe que ficava rindo da nossa tão famosa briguinha e um beijo na cara de meu pai que ficava lendo o jornal esparramado no sofá. Mad não deu beijo nenhum, apenas saiu porta fora com nariz empinado. Um dia vou rodar minha mão na cara dela, fato.

Entrei no carro dela, porque ela tem dezoito anos e como ela ama pedir dinheiro emprestado ao papai ela pode comprar tudo o que quiser. Ela pode, mas eu não. Revirei os olhos abrindo a janela e ela bufou, carregando no botão para fechar e eu bufei, clicando no botão para abrir novamente. Ela desistiu puta da vida, ela sabe que sou mais teimosa que ela e eu acabaria por ganhar.

Ela anda numa escola diferente da minha, graças a Deus, mas como nossos pais são muito protetores e não me deixam ir de Skate para a escola eles bem que obrigam a Mad a me dar carona para a escola. Não me queixo, é legal botar a cabeça para fora da janela e sentir o vento batendo no rosto enquanto que Mad fala que eu sou um projeto de garoto. Tá, e daí? Prefiro o meu jeito do que dar pra todo mundo feito ela.

– Tchau louquinha, se comporta como um anjo! – ela falou irónica assim que saí do carro quando chegamos no colégio. Lhe dei um sorriso debochado.

– Dê pra muitos hoje, e cuidado para não quebrar a unha enquanto arranha os manes. Paz! – falei fazendo o sinal da paz com os dedos. Ela saiu cantando pneu e se eu não tivesse desviado teria perdido meu pé. – VAI COM O DIABO FILHA DA PUTA! – gritei acenando para o carro, ouvindo a sua buzina e ri fuzilando as pessoas que me olhavam estranho, como que se eu fosse louca. Tá, e daí? Prefiro ser louca do que… é, você já deve saber o que eu vou falar.

Assim que dei um único passo na escola eu caiu duro no chão porque uma vadia qualquer decide me nocautear. Assim que voltei á consciência revirei os olhos com raiva ouvindo a risada mais alta do mundo. Tem sem alguém mais irritante que Maddlyn. Minha melhor amiga, Cathy. Mas não conta pra ela, tá bom?

– Bom dia anjinho! – falou debochada me ajudando a levantar. Sacudi as minhas roupas e encarei ela.

– Vou só ali em minha casa pegar o meu Skate para te nocautear junto! – esbravejei com raiva fazendo ela rir.

– Você chegou cedo hoje. – falou com um sorriso torto.

– Minha irmã é uma vaca, falou que estávamos atrasadas. – grunhi. – Só pra ela chegar mais cedo na escola e dar uns pega com todo garoto. – cruzei os braços fazendo cara de pensativa. – Tenho que me vingar.

– Tá né, eu te ajudo. – a olhei. – Compra uma mexa de cabelo moreno, do cor do dela. Quando ela tiver dormindo, pega a mexa que tem de ser grande e uma tesoura. Acorda ela com risadas enquanto que você tem as coisas na mão e ela vai ficar puta da vida quando pensar que você cortou o cabelo delicado e precioso dela. Fim! – ela falou jogando as mãos no alto. Ri sorrindo de canto.

– Você é macabra. Mas tá legal, eu curti. Vou fazer isso! – falei jogando o meu cabelo loiro e longo para trás.

– Ei, onde está o seu boné? – ela perguntou e eu revirei os olhos.

– Mad queimou ele. Ela disse que era para garotos. – ela fez careta.

– Essa eu matava. – assenti.

Seguimos juntas para os armários que eu abri com o joelho na porta, porque o colégio tá podre e os armários ainda mais. Ela riu.

– Você vai partir isso algum dia, Colbie. – falou pegando os livros do seu armário, já aberto. Como o armário dela pode não ser emperrado? Caralho, essa mina vai trocar de armário comigo. Ela tem de trocar comigo!

– Cala a boca. – falei jogando as coisas necessárias dentro de minha mochila e coloquei a caixa de letras no armário. Ela me olhou.

– Vamos fazer hoje? – ela perguntou animada.

– Eu não sei. – falei suspirando de seguida.

Cathy era a única que não me julgava de louca quanto a isso. Bem, porque ela também já viu essas coisas aconteceram. Eu falei para ele que não precisava ter medo dela, que ela é de se confiar. Sempre que alguma de nós toca nesse assunto nós paramos de agir como nós e ficamos um pouco mais apreensivas. Tipo, é um assunto sério. O anjo caído significa tudo para mim, e eu não consigo ficar fazendo graça de cinco em cinco segundos quando falam desse assunto. É demasiado tenso para eu me sentir normal.

– Tenho saudades dele. – suspirei, batendo minha cabeça com força na porta do armário o fechando, provocando dor em minha cabeça. – Tá, acho que vamos mesmo. Você já sabe, depois do almoço, no nosso cantinho! – falei piscando e ela assentiu, fazendo um toque comigo e logo de despediu. Como pode ver, nós agimos como garotos. Toque é coisa de garoto, mas quem liga? Eu concerteza não.

Respirei fundo e me dirigi á sala de aula para ter a porra de Química. Ótima maneira de começar uma segunda-feira! – sente só o sarcasmo. A única coisa boa é que eu vou falar com o anjo, isso se tiver sorte.