Dark Ages

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Essa história surgiu em uma aula de geografia, e graças a minha melhor amiga (♥) estou postando ela aqui.
É a primeira fic que posto e espero muito que vocês gostem!!
Miss D.

Ela sabia. Sabia que pagaria por tudo que fez, mas não achava que seria tão cedo.

Mas aquele dia não seria esquecido facilmente. O dia em que aqueles homens de preto, que julgavam ser enviados de Deus. Aqueles homens, que a prenderam, e que jogaram-na em seus ombros como se fosse um mero saco de batatas. E naquele momento ela jurou, jurou que eles pagariam, pagariam por tudo que fizeram-na passar. Por todas as torturas, por todas as surras, por todas as tentativas de fazê-la falar. Mas ela, ela ria, gargalhava e os mandava pro inferno.

Ela se sentia livre, quando via o medo estampado nos olhos daquelas crianças, daquelas pessoas que ela matou. Ela gargalhava ao escutar o grito de desespero, e sorria abertamente ao escutar os sussurros pedindo por piedade. Mas nada se comparava com o brilho se esvaindo dos olhos de cada um, do último suspiro, e da última lágrima de desespero. Eles tinham que sofrer também, sofrer com ela sofreu.

Ela não merecia ter passado por tudo que passou. Sua mãe a beira da loucura depois do assassinato de seu pai. Por que fizeram isso com ela? As pessoas sempre a olhavam diferente, como se a qualquer momento ela fosse ter um surto. Ela era só a filha da louca da casa no final da vila. A casa onde todos os dias escutavam-se os gritos, os gritos de sua mãe. Ela era só uma criança! Não merecia isso tudo. Ela se escondia em baixo da cama e tapava os ouvidos, na tentativa falha de não escutar a dor de sua mãe, de não escutar o desespero.

E, naquele momento que foi carregada por aqueles homens, ela lembrou. Lembrou do dia em que sua mãe se matou. Ela foi no quarto, chamou sua mãe e a mesma não respondeu, tornou a chamar, sem obter resposta ela entrou. Viu sua mãe com o lençol em volta do pescoço e os olhos abertos, um corte no braço que escorria sangue que pingava no chão, formando uma pequena poça, e na parede estava escrito com sangue de sua mãe “eu lamento”.

Ela fez a primeira coisa que veio a sua cabeça. Ela fugiu. Sabia que a mandariam para lugar ruim, embora sua vida não fosse uma das melhores, ela preferia morrer ao ir para um orfanato.

Mas as pessoas disseram que sua mãe foi assassinada. Assassinada por ela, e começaram a cogitar a ideia de ela também ter matado seu pai. E então ela fugiu, fugiu para o mais longe que pode.

Estava a beira da floresta, quase morta, quando um homem a encontrou. Ela achava que ele queria ajudá-la, ele a alimentou, ele a ensinou varias coisas, ele a transformou em um monstro.

Quando amarraram-na diante daquelas pessoas, ela lembrou do primeiro ser que matou. Era um coelho branco, pobre coelho. Hora errada e local errado. Ela chorou a noite toda, perguntando a si mesma o que o coelho tinha feito pra ela. Mas ela lembrou. Foi ele! Ele que mandou que ela matasse o coelho! A culpa era dele, sempre seria dele. Ele prometeu doces para ela, e no final, ela nunca os teve.

Naquele momento ela sentiu raiva, raiva de ter matado o coelho, raiva dele tê-la influenciado, raiva de sua mãe ter a deixado sozinha, raiva do bêbado de seu pai, raiva de si mesma. Ela foi na cozinha, sabia onde ele guardava as facas. Ele bebia todas as noites e dormia no chão. Mas ela queria olhar nos olhos dele, malditos olhos! Ela o acordou, assim que ele abriu os olhos ela enfiou a faca na garganta dele e viu o medo nos olhos dele, e o brilho indo embora, o sangue jorrando para todos os lados, sujando sua roupa e seu rosto, formando uma no chão. E então ela sorriu.

“Eu lamento”.

Foram as palavras que ela sussurrou no ouvido do homem morto a sua frente. E desde de esse dia ela soube que ninguém poderia protegê-la além dela mesma.

Quando enrolaram a corda envolta de seu pescoço, quando ela escutou as pessoas chamando-a de bruxa, de assassina, ela apenas sorriu.

“Nos encontramos no inferno, filhos da puta”

E ela foi enforcada, como todas as pessoas acusadas de assassinato eram enforcadas. Mas isso era pouco para tudo o que ela fez. Queimaram-na, como toda pessoa acusada de bruxaria deveria ser queimada.

Mas ninguém conheceria toda a história. Ela era só uma criança atormentada pelo seus pesadelos e seu maldito passado. E ela encontrou uma válvula de escape, e toda vez que eles a atormentavam ela matava. Matava a sangue frio, matava porque era a única coisa que sabia fazer, era a única coisa capaz de fazê-la esquecer seus tormentos.

Ninguém nunca saberia a história de Ammy. Pois no final, todos são esquecidos, assim como ela foi esquecida.

Notas finais
Coeteeeee se tiverem gostado, e comentem do esmo jeito se não tiverem gostado!
Miss D.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!