Dark

1 Can You Feel My Heart


Notas iniciais
Olá, gente!! A Musa é minha crush suprema, então tive que escrever essa fic. Espero que gostem!

Tradução da música
Você consegue ouvir o silêncio?
Você consegue ver a escuridão?
Você consegue restaurar o que foi destruído?
Você consegue sentir, você consegue sentir meu coração?

Can you hear the silence?
Can you see the dark?
Can you fix the broken?
Can you feel, can you feel my heart?

Can You Feel My Heart? — Bring Me The Horizon

Caminho pelos jardins lotados de adolescentes, em direção aos portões, por onde alguns alunos ainda estão chegando. Noto os olhares admirados dos alunos novos sob a construção imponente de Alfea, e não deixo de achar engraçado. Estou tão acostumada com a escola que esqueço como ela pode parecer mágica à primeira vista.

Sinto olhos sobre mim, e levanto o olhar. Encontro um par de olhos lindamente violetas encarando-me profundamente, e apenas sustento o olhar da garota morena a vários metros de distância, incapaz de olhar para outra direção. Ela pisca, seus olhos voltando a um castanho chocolate, e ela desvia o olhar rapidamente. Sinto meu coração acelerado em meu peito.

“Ei, ai está minha fada favorita” Riven diz, surgindo ao meu lado enquanto passa as mãos ao redor dos meus ombros. Reviro os olhos para o garoto alto de cabelos castanhos bagunçados.

“Tire as mãos de mim, Riven” ordeno, contorcendo-me sob seu toque. Ele finge fazer um beicinho.

“Também senti sua falta, Emma” ele diz, soltando-me. “Você está muito gostosa, como sempre.”

“E você fede a maconha” retruco, fazendo o rir. Riven é um pé no saco, mas, apesar disso, ele é meu amigo. E um dos únicos que não tem medo de mim.

“Cadê Sky?” questiono, procurando o loiro em meio a multidão. Então, localizo-o parado em frente a uma garota ruiva, sorrindo. “Deus, esse menino não perde tempo.”

“Pare de secar as calouras” Riven diz, quando nos aproximamos do par.

“Riv, me dá um segundo” O loiro alto diz, impaciente.

“Por quê? Vai ir atrás dela?” questiono, arqueando uma sobrancelha enquanto observo a ruiva se afastar.

“Não” Sky diz defensivamente. Reviro os olhos, e Riven avança para abraçá-lo de um jeito passivo-agressivo. Eles se separam e o loiro se volta para mim, sorrindo.

“Quanto tempo, Emm” ele diz, puxando-me sem autorização para um abraço. “Eu estava morrendo de saudade.”

“A gente se viu ontem, seu idiota” resmungo, mas também sorrio. Crescemos juntos em Alfea, então ele é praticamente meu irmão.

“Ei, eu também quero um abraço!” Riv protesta vindo em minha direção, e tento fugir dele. Porém, seus braços fortes envolvem meu corpo pequeno com força, erguendo-me do chão.

“Pare com isso, Riven!” brando, nervosa com os olhares que estão sobre nós.

“Você está muito tensa, querida. Quer fumar um?” ele oferece, ironicamente, me devolvendo de volta ao chão.

“Mais tarde” digo, fazendo-o sorrir maliciosamente.

“Boa sorte no primeiro dia como caloura” Sky diz, rindo.

“Vou ter que dividir meu quarto pela primeira vez. Isso vai ser uma merda” reclamo, franzindo os lábios.

“Várias meninas juntas e uma possível briga de travesseiros usando somente calcinhas? Para mim, parece o paraíso” Riven fecha os olhos sonhando, um sorriso estúpido no rosto. “Você pode imaginar Emma de calcinha, Sky?”

“Eu não preciso imaginar” Sky diz, arrogantemente. Bufo, revirando os olhos, lembrando-me da vez que nadamos no lago com nossas roupas íntimas de madrugada.

“Bastardo sortudo” Riv diz, olhando para Sky com raiva.

“Se for acontecer, eu te mando uma mensagem” respondo, ironicamente. Os meninos sorriem. “Eu tenho que ir. Até mais tarde”

Afasto-me em direção à entrada do colégio, caminhando pelos corredores conhecidos em direção ao quarto que foi-me designado. Paro em frente à porta, com a placa de “Winx” acima, e abro-a hesitante. Não é como se eu já não tivesse vindo aqui antes, mas da outra vez ele estava vazio.

Há três dormitórios, e obviamente Stella irá ficar sozinha, então serei obrigada a dividir um deles com outras duas meninas. Caminho até o meu, hesitando na porta quando noto que as garotas já estão aqui. Uma delas é Terra, que também cresceu em Alfea com seu irmão, uma vez que são filhos do responsável pela estufa. Nunca realmente conversamos, e eu acho que ela tem medo de mim. Não posso culpá-la.

Ela está colocando vasos de plantas abaixo da janela, que já está repleto deles.

A outra é a garota dos olhos violetas que vi mais cedo. Meu coração constata isso com um salto considerável, e meu estômago dá um nó. Por que estou assim? Por que justo ela precisa ser minha colega de quarto?

Ela está sentada na sua cama com um notebook no colo e com os fones de ouvido no pescoço.

“Então, qual seu nome?” Terra questiona para a morena.

“Musa” ela responde. Combina com ela perfeitamente.

“Terra” a loira sorri, colocando mais uma planta em cima da mesa. Elas ainda não me notaram.

“Oi” cumprimento-às, hesitantemente. Mordo o lábio quando vejo a garota bonita virar a cabeça para me olhar. Terra está com um olhar arregalado para mim. Vejo que será um ano difícil.

“O-oi, Emma” Terra finalmente diz, nervosa, e fico aliviada por ela não me ignorar.

“Olá” A garota diz, seus olhos viajam pelo meu corpo. Seus cabelos escuros estão presos em dois coques, e ela está com uma calça jeans escura e uma jaqueta vermelha por cima de uma camiseta roxa. As argolas douradas em suas orelhas cachoalham ao redor de seu rosto quadrado quando ela se vira para verificar a reação de Terra.

Obrigo-me a caminhar até minha cama, que é em frente à da garota morena, e onde meus pertences já estão perfeitamente organizados. Tenho uma estante de livros aos pés da cama, com alguns dos meus livros favoritos, e uma cômoda com minhas roupas. Riven zomba que eu sou a garota perfeita. Notas perfeitas, aparência perfeita e organização perfeita. Bom, minha madrinha nunca permitiu menos que a perfeição. E agradar a diretora de Alfea era especialmente difícil.

E, além disso, manter tudo isso foi a forma que encontrei de disfarçar meus poderes. Eu busco usar roupas o mais inofensivas que consigo, para que ninguém desconfie de quem eu sou. Uma fodida fada da escuridão.

Ninguém gosta da escuridão, das trevas. Isso é um consenso mundial. E ser uma fada com esses poderes, a única em todo o reino, não era agradável. A maioria das pessoas que por ventura descobriam, tinham medo de mim. E é terrivelmente difícil para uma criança crescer sendo temida, sem sequer ter feito nada.

Mas eu sobrevivi.

“Espaço compartilhado, Terra” escuto uma voz atrás de mim, e noto Stella parada na porta de nosso quarto, com sua aparência impecável. “Todo mundo adorava o jardim secreto por ser um segredo.”

“Na verdade, a mensagem do livro é que não se deve manter as coisas belas em segredo, se não, não podem ser aproveitadas” Terra corrige educadamente, sorrindo para a loira. Sento-me na cama, pegando na mesinha ao lado da cama o livro sobre controle da magia que estou lendo.

Stella olha feio para ela, e Terra muda algumas plantas de lugar rapidamente. A loira olha-me com desprezo antes de sair da sala, e reviro os olhos.

“Ela parece um amor” diz a morena sarcasticamente, desarrumando sua mala. Controlo um sorriso.

“Ela está só se divertindo” Terra defende-a, sorrindo ansiosamente. “Eu sei, não choca ninguém. Terra, a fada da terra, que curte plantas. Que doideira, eu sei, coisa de família. Eu tenho uma prima chamada Flora, minha mãe se chama Rose e o meu pai trabalha na estufa da escola. Por isso conheço gente do segundo ano. Cresci perto de Alfea, assim como Emma, então…” Ergo os olhos do livro quando ouço meu nome.

“Se a Stella é do segundo ano, por que ela está com as calouras?” pergunta a garota dos fones.

“Pois, é… é… Eu não sei bem.” Terra gagueja. Arqueio uma sobrancelha silenciosa, sabendo muito bem que ela está mentindo. Stella está aqui porque cegou a porra da melhor amiga. “Acho que é uma questão administrativa. Porém, eu não falaria nada sobre isso com ela. Vamos todas concordar com um ‘quem se importa?’”

A garota ilumina os olhos em um tom de roxo rosado novamente com um sorriso leve no rosto antes de puxar os fones de volta para os ouvidos. Acho que ela não gosta muito de conversar.

“Quer uma suculenta?” Terra questiona, obrigando a garota a abaixar o fone novamente. “Estão na moda, não dão trabalho, como você. Não que eu te conheça”.

Sorrio levemente, mordendo meu lábio, as meninas distraídas demais para verem minha reação.

“Se eu aceitar, você para de falar?” A garota devolve, impaciente. Uau, ela tem atitude. Porém, essa atitude parece magoar Terra, e quando ela percebe isso rapidamente completa. “Terra, foi brincadeira.” Ela estende a mão, pegando a planta e colocando-a na cabeceira ao lado de sua cama.

“Na verdade, essa aqui…” Terra diz, pegando uma nova planta. Contudo, a garota está de costas com seus fones no ouvido novamente, mas pela sua linguagem corporal eu posso dizer que ela está ouvindo perfeitamente.

“Eu aceito” intervenho, agoniada pela garota morena que está claramente desesperada para ser deixada em paz. Terra olha para mim, surpresa. “Acho que sou capaz de mantê-la viva.”

Terra arregala os olhos horrorizados, claramente não entendendo minha piada. A morena está olhando para nós pelo canto do olho.

“É brincadeira, eu vou cuidar dela” argumento, e sinto uma pontada de tristeza quando Terra entrega a pequena planta hesitante, como se estivesse entregando sua filha para morte. Franzo os lábios, pegando a pequena suculenta e colocando-a na minha cabeceira. Sinto o olhar da morena em minhas costas.

Uma batida na porta chama a minha atenção, e olho para ver uma garota negra de cabelos trançados e compridos. Ela está com um vestido vermelho e branco, e seu rosto possui um sorriso simpático.

“Vocês cresceram em Alfea?” ela questiona, olhando para mim e para Terra. Acho estranho ter uma pessoa falando voluntariamente comigo. Mas lembro que é porque ela não sabe meu poder.

“Minha madrinha é a diretora” digo, e ela ergue as sobrancelhas.

“Sim, infância estranha, vou te contar…” Terra começa a falar sobre sua experiência. Porém, a garota interrompe.

“Eu nadei hoje no lago e foi ótimo, mas sabem me dizer se aqui tem algum tipo de piscina?”

“Nadar?” pergunta Terra.

“Sim, nado duas vezes por dia todo dia.” A garota informa, encostada na porta. Fada da água, provavelmente.

“Mas você acabou de chegar.” Terra diz, confusa.

“Sabe o que significa ‘todo dia’?” A fada da água devolve, arqueando as sobrancelhas.

“O mais perto é o lago dos especialistas. Mas ninguém nada lá. Não por querer.” Terra informa. “Aquele lago imundo só serve para servir de colchão para os especialistas em treinamento.” Faço uma careta lembrando de todas as vezes que caí dentro dele.

A garota na porta sorri, antes de sair, voltando-se para sua parte do quarto. Vejo a garota ruiva que Sky estava conversando mais cedo lá dentro, sentada em sua escrivaninha e de costas para nós.

Alguns minutos depois é a hora da cerimônia de recepção, então todas nos levantamos para ir em direção ao saguão, exceto a ruiva e Stella. Sigo-as pelos corredores, ficando um pouco para trás. Descobri que a fada da água se chama Aisha.

O salão está repleto de mesas com comidas, e as acompanho até uma delas, onde elas começam a pegar algumas coisas. Desligo-me por alguns momentos da conversa delas, olhando ao meu redor distraidamente. Estão todos com copos de bebidas nas mãos, e penso que a bebida de Riven provavelmente seria batizada. Bom, a minha também, se ele estivesse aqui. Aguardando ansiosamente para a festa à noite, que sei que ele e Sky estarão.

“Quem viu o corpo do pastor?” Terra diz, e volto minha atenção para o diálogo. “Ele devia ser velho. Todos envelhecem. Todos morrem.”

“A decapitação da velhice chega de fininho mesmo” A garota dos fones diz, e sorrio de sua ironia.

“Aconteceu com minha avó quando estava no bingo. Só caiu.” Aisha continua, também sorrindo.

“Não é uma crítica, mas…” Musa muda de assunto, olhando para a fada da água pegando vários biscoitos em suas mãos.

“Eu como um milhão de calorias por dia” Esclarece a outra. “Se eu não nadasse, seria enorme”

“Eu dançava. Entendo” Musa explica.

“E você, loirinha? ” Aisha questiona, fazendo todas olharem para mim.

“Eu corro. Mas estou sem fome” Dou de ombros.

“Falando nisso…” A fada da água começa a se afastar, indo nadar.

“Segunda rodada. Caramba! Duas vezes, todo dia. Não era zoeira” A morena ao meu lado diz, com as sobrancelhas arqueadas, já colocando seus fones de volta aos ouvidos.

“Você a ouviu mais cedo” Terra acusa quando Aisha se afasta, e Musa olha-a confusa. Merda. “No quarto, você estava com os fones e me ignorou, como se não ouvisse, mas ouviu Aisha” ela aponta, irritada.

“Às vezes, uso meus fones quando não quero falar” Musa justifica, sorrindo desculpando-se.

“Sim, parece que isso ocorre muito perto de mim” Terra retruca, amarga.

“É coisa minha. Não é nada com você” A morena argumenta, culpada por tê-la magoado.

“Já falou bastante. Eu também” A loira diz, afastando-se e deixando-nos sozinhas.

“Não é culpa sua. Daqui a pouco ela supera” Fico surpresa quando me ouço falando, porém me incomodou ver Musa chateada. Ela se vira para me encarar, e noto que ela é alguns centímetros mais alta que eu.

“Espero que sim” ela resmunga, suspirando.

“Parece difícil ser uma fada da mente” ofereço, olhando para seu rosto bonito. Por que estou puxando assunto com ela?

“Como você sabe?” questiona, surpresa. Dou de ombros.

“Não sei, foi mais um palpite” digo, não querendo evidenciar como eu prestei atenção nela nesse pouco tempo que a gente se conhece.

O silêncio recai sobre nós novamente, porém, para minha surpresa, ela não coloca seus fones de volta aos ouvidos.

“Por que as pessoas parecem ter medo de você?” Musa pergunta, olhando-me com curiosidade genuína. Fico tensa com seu questionamento, minha respiração presa na garganta. Aparentemente, ela também me observou. “Você não tem exatamente uma aparência ameaçadora” aponta, olhando-me de cima a baixo.

“Sou uma fada da escuridão” digo, em voz baixa. Um sorriso amargo surge em meu rosto quando digo: “Ninguém gosta da escuridão”

“Então é por isso que você é diferente” ela reflete, mais para si mesma, enquanto encara-me intensamente.

“Como assim?” pergunto, confusa. Ela é a primeira fada da mente que eu conheço, então não sei como seria minha mente para uma delas.

“É como se sua mente fosse silenciosa” Ela inclina a cabeça para o lado, seus olhos brilhando violetas por um momento. “Mas eu sinto sua vibração. É totalmente diferente.”

“Isso é bom?” questiono, franzindo as sobrancelhas em uma careta.

“Sim” ela sorri torto, e meu coração acelera novamente. O que está acontecendo comigo? “Sua mente é diferente. Serena.”

“Essa é, definitivamente, a primeira vez que alguém usa o adjetivo ‘serena’ para me descrever” digo, surpresa. Musa ri.

“Acho que Musa ainda não descobriu que você é uma aberração, já que ela está sorrindo” Stella diz acidamente, surgindo ao nosso lado. Meu sorriso desmancha na mesma hora. “Você não deveria estar trancada em um porão escuro? Toda essa luz deve te ofuscar.”

“A única coisa me ofuscando é você, parecendo a porra de uma árvore de Natal” retruco, e seu sorriso arrogante vacila minimamente.

“É melhor do que se vestir como uma santinha comportada do caralho” A loira devolve, olhando para minha camisa branca e saia xadrez. “Você acha que assim as pessoas não vão notar que você é uma aberração? É só questão de tempo” Ela sorri ironicamente, se afastando sem esperar por uma resposta.

Cerro a mandíbula com força, ódio pulsando em minhas veias. Começo a andar rapidamente em direção à saída, ignorando Musa chamado meu nome, enquanto desvio-me das pessoas.

Quando o ar do dia invade meus pulmões, começo a correr para longe do prédio, sentindo lágrimas escorrerem por minhas bochechas. Corro em direção à floresta cheia de sombras, ultrapassando a barreira que protege Alfea, e adentrando em meio às árvores altas. Tudo está silencioso, com exceção dos barulhos da floresta, e vou até uma área particularmente mal iluminada, onde o sol não consegue invadir.

Uma pessoa normal ficaria assustada com toda escuridão, mas não eu. A escuridão é meu lar.

Notas finais
E aí, o que acharam? Digam-me, estou super insegura que ninguém vai gostar kkkkkk