Dark
3 Blaack Wave
Notas iniciais

Black wave coming, will it hit?
I can taste the fear, yeah, it's written on my lips
Sipping on a cold one, waiting on the rinse
Woke up with an omen tatted on my wrist
Black Wave — K.Flay
Entro no grande salão repleto de mesas, cheias de jovens almoçando. Os especialistas também estão aqui, e pelos trajes posso dizer que estavam treinando. Vou até a fila para pegar o almoço, parando a alguns metros atrás de Aisha.
“É que o Vaso brilhou assim que você tocou nele” Ela diz impressionada, olhando para Musa em sua frente e pegando uma bandeja. Elas não me notam.
“Minha mágica está sempre ligada. Torna lugares cheios um pesadelo” Musa pega uma bandeja também, fazendo careta. Então, seus olhos violetas viajam pelas pessoas ao redor. “Doris está com dor. Aquele garoto, assustado e estressado, como um coelho prestes a ser atacado” Ela diz, olhando para o calouro que Riven atormentou na festa. A fada da mente olha para o pai de Terra. “Preocupado e hesitante. Ou é azia. É difícil distinguir.”
De repente, Musa está olhando para mim, os olhos violetas intensos em minha direção. Pego minha bandeja e me afasto rapidamente, abaixando o olhar.
“O que acabou de acontecer?” Ouço Aisha perguntar sorrindo, notando o olhar de Musa sobre mim. Sento-me na mesa com Terra e Bloom, dando-lhes um sorriso inseguro. Elas retribuem, e fico aliviada por elas me deixarem sentar com elas.
“Eu não consigo ouvir nada de Emma. Total e absoluto silêncio” Musa diz, repousando a bandeja na mesa e olhando para mim enquanto se senta na minha frente.
“Sério?” Bloom questiona, surpresa. “Por quê?”
“Essa é a pergunta de um milhão de dólares" A fada da mente responde, dando uma garfada na comida. Reviro os olhos.
“O quê?” Uma voz questiona, e noto Stella na ponta na mesa acompanhada por Sky. Ele sorri para mim.
“Musa não consegue sentir as emoções de Emma” Terra explica.
“É porque ela não as têm. Ela é apenas escuridão” Stella diz, acidamente. Cerro a mandíbula.
“Não é por isso” Musa protesta, ao mesmo tempo que Sky chama a atenção da loira. Sempre me defendendo da cruel Stella.
“É por causa da hipnose” Sky diz, e fulmino-o com olhar. Ele olha-me sem entender. Suas tentativas de me salvar sempre me fodendo mais.
“Você consegue controlar mentes?” A voz de Terra sai duas oitavas mais alta, e ela está visivelmente nervosa, confirmando o porquê não queria que elas soubessem disso.
“Entre outras coisas” murmuro, mexendo minha comida distraidamente com o garfo.
“Que coisas?” Bloom pergunta, curiosa. Dou de ombros.
“A maior parte da mente humana é escuridão, o inconsciente” explico. “Isso me permite hipnotizar, criar ilusões, acessar e implantar memórias…”
“Levar alguém à loucura. Matar." Stella interrompe. Todos olham-me assustados, com exceção de Sky, que me conhece o suficiente para saber que eu nunca faria algo assim.
“Quer experimentar?” questiono, sorrindo maliciosamente e permito meus olhos brilharem como pequenas galáxias. Stella vacila por alguns segundos, antes de mudar rapidamente de assunto.
“Então, temos um plano para recuperar meu anel” A loira começa, abrindo um mapa em cima da mesa.
“O que é isso?”
“É Alfea. A linha pontilhada é a barreira” Terra explica, sorrindo. “Quando era criança…”
Desligo-me do que ela está falando, e noto Sky sentar-se ao lado de Bloom, perguntando como ela está. Sorrio, pensando que eles seriam fofos juntos. Stella parece discordar, lançando olhares fulminantes para os dois.
“Sky?” A loira diz, fazendo meu amigo se levantar, e colocando a mão em seu bíceps. Bloom olha-os ressentida. “Onde acha que o prenderam?”
“Há um limite de prédios fora da barreira onde poderiam prender essa criatura. Tem o estábulo e o moinho” Ele diz, apontando o mapa em cima da mesa.
“Eu apostaria no estábulo” digo, fazendo-os olhar para mim.
“Sim, meu pai reforçou as vigas quando acorrentou um cavalo ferido” Terra complementa.
“Então nós temos que entrar lá e pegar meu anel” Stella diz.
“Estranho como você fala ‘nós’” Aisha observa ironicamente.
“É, parece mais coisa sua” Musa fala, arqueando uma sobrancelha fina.
“É, exceto que não foi eu que perdi” Stella ataca, olhando para a ruiva.
“Quando vamos?” Bloom questiona, e todos nós olhamos para ela.
“Ok, vou ser direta: Bloom, você não controla sua magia. Isso se conseguisse canalizar. Má ideia." Aisha diz para a ruiva, balançando a cabeça.
“Perdi o anel. Vou recuperar” Bloom argumenta, decidida. Ok, devo dizer que admiro essa garota.
“Acho que vocês estão fazendo uma tempestade em copo d’água” Stella diz. “O Queimado está preso e apagado, certo?”
“Sim, meu pai tem utilizado óleo de Zambak. Eu posso trazer mais” Terra oferece.
“Eu vou com vocês” falo. Stella me olha azeda. “Conheço a floresta melhor do que todos aqui.”
“Ótimo. Obrigada por ajudar, Terra e Emma. E obrigada, Bloom, por se responsabilizar.” Stella diz. Reviro os olhos. “E, obrigada, as outras, por nada.”
“Me avisem quando forem” Bloom pede, levantando-se da mesa e saindo. Sky segue-a, deixando uma Stella revoltada para trás.
Aproveito a deixa e também me levanto, deixando minha bandeja no coletor, caminhando em direção à saída. Ando pelos corredores, agarrando a alça da minha mochila com força sempre que alguém me lança um olhar desconfiado. Ótimo. Primeira aula e já sou a porra de uma aberração para a escola toda.
Saio no jardim, e respiro profundamente o ar da tarde. O sol aquece suavemente minha pele pálida quando me afasto mais da construção, e ouço passos atrás de mim. Viro-me assustada, e noto Musa a alguns metros de distância.
“Você está me seguindo?” questiono, semicerrando os olhos em sua direção enquanto paro.
“É proibido andar aqui?” Ela arqueia uma sobrancelha, passando por mim. Sorrio, e corro para alcançá-la.
“Não sabia que você apreciava a natureza” digo, e ela olha para mim como se eu fosse burra.
“Eu sou uma fada, Emma” ela diz, e sinto-me corar, franzindo os lábios.
“Faz sentido, sim” murmuro, fazendo uma careta. Ela ri. Encaro-a por alguns segundos. “Então, você não pode dizer o que estou sentindo?"
“Em alguns momentos, sim” diz, piscando os olhos no glorioso violeta. Arregalo os olhos, fazendo-a rir.
“Quais momentos?” questiono, de repente muito preocupada com o que ela sentiu quando eu estava perto dela. Ela dá de ombros.
“Quando você abaixa sua guarda” Musa responde. Franzo as sobrancelhas. “Só aconteceu duas vezes. Aquele dia na cerimônia e hoje de manhã.”
“E o que você sentiu?” pergunto, cautelosamente.
“Felicidade” Ela sorri, olhando-me. Sorrio também.
“Então, hipnose, ein” Musa muda de assunto, arqueando as sobrancelhas impressionada. Estamos caminhando próximas ao lago.
“Sim. Eu poderia te convencer a me dar seus fones” brinco, e ela semicerra os olhos em minha direção, ameaçadora.
“Não ouse, loira em miniatura” ameaça, e eu rio com o apelido.
Então, outro pensamento me atinge. “Ei, será que eu consigo te hipnotizar?”
“Não sei” Musa revela, franzindo as sobrancelhas em reflexão. Então, ela pára na grama, virando-se para mim. “Quer tentar?”
“Tem certeza?” Ela concorda, então sorrio animada. Ninguém nunca deixa espontaneamente ser hipnotizado. Essa garota é realmente diferente da maioria das pessoas.
Ela sorri, virando-se completamente para mim, e aproximo-me um pouco dela. Encaro profundamente seus olhos castanhos como chocolate derretido, e noto como eles são bonitos. Sinto meus olhos brilharem, e sei que o costumeiro verde claro agora é como uma pequena galáxia.
“Musa” Minha voz é baixa e rouca, extremamente sedutora para qualquer ouvinte. A garota olha-me fixamente. “Diga-me como sou incrível”
“Você é incrível, Emma” Ela ecoa, sua voz baixa, enquanto ainda olha-me intensamente, suas pupilas dilatadas. Meu coração acelera ao som de suas palavras.
“Deu certo!” digo, sorrindo alegremente. Seus olhos piscam violetas, e ela sorri.
“Na verdade, não” Musa responde, e meu sorriso some.
“Você não pode iludir as pessoas assim!” protesto, frustrada.
“Mas devo admitir, você é bem convincente” ela diz, agora com um sorriso torto no rosto bonito, enquanto passa a língua pelos lábios.
“Bem, não o suficiente” retruco, fazendo beicinho. Ela ri.
“Tenho certeza que qualquer outra pessoa iria fazer exatamente o que você mandasse” ela tenta me confortar, e reviro os olhos.
“Você é literalmente a primeira pessoa que se oferece para ser hipnotizada” digo. “Ninguém gosta de ter sua mente invadida.”
“Bom, eu invado a mente dos outros toda hora” ela dá de ombros, e sorrio.
“Menos a minha” acrescento presunçosamente.
“Não se ache tanto, estou sentindo você exatamente nesse momento” Ela pisca os olhos violetas para mim, sorrindo maliciosamente.
Antes que eu possa respondê-la, meu celular vibra, obrigando-me a parar de olhá-la. Vejo a mensagem de Stella dizendo que elas estão indo atrás do Queimado agora, para encontrá-las próxima à fronteira leste.
“Tenho que ir” digo. Sorrio para ela, mordendo o lábio. “Obrigada por me deixar tentar te hipnotizar”
“O prazer foi meu” Musa sorri, piscando um olho para mim.
Afasto-me, caminhando lentamente até nosso ponto de encontro. Vejo as três meninas caminhando em direção à barreira, e observo que Aisha não permitiu que Bloom viesse sozinha.
“Não precisa estar aqui, Aisha” Stella olha descontente para a fada da água quando eu me aproximo.
“Que idiotice! Precisam de mim” A outra responde. “Vão fazer o quê? Você ilumina, a Bloom acende a fogueira?”
“E eu detenho o Queimado” acrescento sorrindo, chegando perto das três garotas. Stella revira os olhos, enquanto Aisha e Bloom sorriem com minha presença.
“Eu a consertei” Stella diz, olhando para Bloom, enquanto recomeçamos a caminhar.
“Emoções ruins não são confiáveis” Aisha retruca. “São limitadas. Seu método não a ajuda a longo prazo.”
“Nenhuma das duas está ajudando agora. Podemos fazer isso?” Bloom corta, olhando para a floresta.
“Ótimo. Todas calmas e serenas” Uma voz faz meu coração acelerar, e olho surpresa para Musa, junto com Terra.
“Achei que você não viria” Olho para a fada da mente.
“Não queremos que vocês morram antes da formatura” Ela responde, sorrindo.
“E aqui está o zambak” Terra diz, mostrando um pequeno potinho em suas mãos.
Atravessamos a barreira, eu tomando a dianteira, e após alguns minutos chegamos ao pequeno estábulo. Imediatamente sinto que há algo errado. Profundamente errado, e isso me faz parar. Fico para trás quando as meninas se afastam em direção à construção.
Olho ao meu redor, sentindo as sombras. Elas estão diferentes, como se estivessem mais frias, fazendo minha pele arrepiar.
Elas estão tentando me dizer algo.
Ouço o grito de Terra nos chamando, e corro para onde elas estão. Stella e Aisha param ao lado de Terra e Musa no alto da pequena colina, olhando aterrorizadas algo abaixo.
“Oh, não!” choramingo desesperada, notando os vários corpos ensanguentados de soldados no chão. E, encostado contra uma árvore com os olhos interamente negros, Silva.
Corro desesperada barranco a baixo, sentindo as meninas ficarem tensas atrás de mim.
“Silva, sou eu. Emma” digo exasperada parando perto dele, quando o soldado aponta sua adaga para mim. Ele possui diversos ferimentos sangrentos em seu rosto, e sinto meus lábios tremerem. Musa e Terra estão ao meu lado agora. Olho para Musa, que está com uma expressão de dor, e fico preocupada.
“Sr. Silva, o senhor foi infectado, nós vamos ajudar” Terra diz, erguendo as mãos para cima.
“Silva, vai ficar tudo bem” digo, tentando me aproximar, mas Musa agarra minha mão, impedindo-me. Olho para ela, e ela está com uma expressão de sofrimento no rosto enquanto olha fixamente para o homem ferido, os olhos piscando violeta.
Terra usa seus poderes para desarmar Silva, forçando-o a soltar sua adaga e prendendo suas mãos contra a árvore. Ela se aproxima, já pegando o pequeno vidro contendo Zambak, a fim de controlar a infecção do homem, e pede ajuda de Musa. A fada da mente está claramente perturbada com todas as emoções do homem ferido.
Então, ouço um sussurro. Na verdade, é como uma sensação. Um pinicar em minha nuca que faz meu corpo inteiro ficar tenso.
“Onde estão as outras meninas?” questiono, minha voz soando sombria. Terra olha para mim assustada, enquanto Musa ainda está olhando atordoada para Silva.
“Foram atrás de Bloom” Terra diz, franzindo as sobrancelhas.
“Há algo errado” aviso, e Musa agora olha para mim, ainda perturbada. “Cuidem dele, por favor” imploro, antes de sair correndo em direção à parte escura da floresta.
Corro em alta velocidade, desviando-me das raízes e folhas no chão, na direção em que as sombras me instruem. Após alguns minutos, avisto os cabelos flamejantes de Bloom, andando em uma pequena vala, mas meu alívio dura pouco. Alguns metros de distância da ruiva, ainda oculto pelas sombras, uma figura horripilante está parada.
“Bloom!” grito em desespero, correndo tão rápido que meus pulmões ardem enquanto tento alcançá-la. A ruiva se vira para trás em minha direção, e de repente um rugido animalesco faz ela olhar para frente novamente, onde a criatura finalmente saiu das trevas.
Continuo a correr desesperadamente, começando a canalizar as sombras ao meu redor, aumentando-as e fortalecendo-as. Após alguns segundos encarando fixamente o Queimado, Bloom lança uma enorme rajada de fogo em direção à criatura, que continua a correr tentando alcançá-la. Noto em desespero que ele vai matá-la.
Então, sinto a escuridão dentro de mim, clamando ferozmente para sair.
Pela primeira vez em minha vida, abro mão do controle. As sombras roxas e pretas avançam em alta velocidade em direção ao Queimado, envolvendo-o e levantando-o do chão, impedindo que ele alcance Bloom. A criatura ruge de ódio, agora olhando para mim, e permito as trevas consumirem seu interior. O Queimado grita de dor, ainda incapaz de se mover, enquanto a vida que lhe resta é rapidamente drenada de seu corpo deformado. O som de desespero enquanto sua vida é sugada pelas sombras preenche a floresta escura.
Então, uma enchente de água o atinge, empurrando seu corpo contra um enorme galho de uma árvore caída. Olho assustada para Aisha, parada a alguns metros ao meu lado.
“Como você conseguiu matar um Queimado sozinha?” Ela questiona, olhando-me em choque.
“N-não sei. Eu nem sabia que conseguia fazer isso” digo, desnorteada, olhando para minhas mãos pálidas. Ela me olha espantada, então vira-se para a ruiva.
“Você está bem?”
“Estou” Bloom responde, ofegante, escalando os galhos em direção ao corpo do Queimado.
“Você tem mais controle do que eu imaginei” Aisha diz, virando-se para Bloom. Desço o barranco até elas, aproximando-me da criatura morta.
“Foi um elogio? Está me elogiando agora?” Bloom questiona, irônica.
“Vamos pegar o anel de Stella” Aisha corta. “Onde está?”
“Acho que ele enfiou dentro dele” diz Bloom enojada, e abaixo-me para ver um leve brilho dourado enfiado em sua carne queimada.
“Então, você vai…” Aisha diz, olhando para Bloom.
“Eu não!” a ruiva nega, com nojo.
“Eu pego” interrompo, a voz baixa, erguendo as mãos e fazendo as sombras perfurarem sua carne, capturando o anel brilhante. Trago-o até minha mão, fazendo as sombras desaparecem, e as duas fadas me olham admiradas.
“Uau, poderes muito úteis, realmente” Bloom diz, e eu franzo as sobrancelhas, entregando-lhe o anel.
Que porra aconteceu comigo?
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