Eu tinha traçado uma meta, e me recusava a desistir. Claro que uma parte de mim sabia que era inútil, que seria apenas mais uma tentativa de me humilhar, de me magoar. Mas sabe quando você simplesmente ignora a verdade, mesmo quando o Anjinho está certo, você só escuta o Diabinho?! Pois bem, era assim que eu me sentia.

Minha vida escolar tinha se resumido aos dias em que ela ia ao colégio, os outros dias eram considerados apenas buracos entre os nossos calendários. Apenas mais um tempo para pensar em qual seria o próximo passo.

Mas o fato é que o próximo passo nunca acontecia. Na teoria, ele era perfeito, sem falhas. Mas na prática, eu me deixava levar pela timidez, pelo receio ou pela simples bobagem mesmo. É aquele negócio de olhar pra quem você ama e mal pronunciar duas palavras sem fazer uma piada imbecil ou simplesmente não conseguir falar mais. Aí surge aquele silêncio constrangedor logo seguido pela retirada estratégica do ser amado, e você passa o resto do dia se sentindo um lixo, pensando em como você desperdiçou AQUELA chance.

Isso para mim já tinha virado rotina. E eu me sentia ainda pior, porque isso só a fazia me ver como uma adolescente boba, como mais uma das tantas alunas que ela esqueceria em poucos meses. Eu queria ser bem mais que isso, queria que ela se lembrasse de mim, queria que ouvir meu nome trouxesse a ela (boas) lembranças.

Admito que estava sendo ambiciosa, mas é a paixão que nos deixa assim. Ficamos obsecados. Foi assim que eu vi que precisava dar um passo a frente. Ficar ali esperando que ela caísse nos meus braços não ia me levar a nada.

Então, comprei um livro que tinha poesias com o nome dela, eu já conhecia o livro mas foi só ali que ele realmente se tornou importante para mim. Procurei alguma poesia que transmitisse pelo menos um pouco do que eu sentia. Anotei um trecho e entreguei pra ela, meio discretamente (mas nem tanto assim). A abracei e coloquei o minúsculo papelzinho na mão dela. Como eu vibrei com a minha capacidade, achei que poderia fazer qualquer coisa. Hoje, olhando para trás, penso que não faria isso novamente, agiria de alguma outra forma, mas estou aqui para relatar fielmente o que ocorreu e é assim que vai ser.

Bom, depois de concluir a primeira fase do meu \"brilhante\" plano, eu teria que lidar com a segunda, que era também a mais difícil, a consequência. Eu não fazia idéia de como ela reagiria. Imaginei que a diretora iria me chamar, ou que ela me ignoraria, ou me xingaria. Também, claro, pensei no lado bom, ou impossível. Pensei que ela se diria completamente apaixonada, que fugiriamos até o subsolo e fariamos amor em cima de um dos carros. Ou que ela ficaria confusa, e eu a convenceria com um beijo doce.

Enfim, passados alguns dias, nada disso aconteceu. E eu me corroía por dentro, querendo saber o que ela achou. Sem saber de nenhuma outra solução, simplesmente perguntei se ela havia gostado, e ela respondeu que sim, com um sorriso tímido que ainda hoje me derrete só de pensar.

Ela havia gostado, ótimo! Hoje em dia, mal sei eu se ela realmente leu, ou se pegou o bilhete e jogou na lixeira mais próxima. Mas pra que me torturar mais, além da minha situação atual (que ainda não vem ao caso). Mais tempo se passou, e não fiz mais nada além daquele bilhete. Tudo voltou ao normal, à estaca zero. Eu perdia a maior parte do dia sonhando com as possibilidade, ao invés de tentar realiza-las. Quando chegaram as férias, pensei que fosse pirar. E era pior ainda quando eu lembrava que as férias eram só uma prévia do que viria a seguir. O ano iria acabar, juntamente com a minha vida de colegial. Logo nossos caminhos estariam completamente opostos, e ela provavelmente me esqueceria...

Notas finais
Desculpem se os capítulos estão pequenos. Obrigada por lerem, espero que gostem e review please^^