Daredevil

4 Capítulo 4 - Capricious


Notas iniciais
perdão pela demora, mas quando se tem faringite e escola metendo o pau em você é difícil achar inspiração.

Sentiu falta de algo o esquentando. Esticou o braço para procurar por alguma coisa que não sabia o que era, mas achou nada fora os lencóis macios e a quantidade exagerada de travesseiros. Sua mãe sempre exagerava na quantidade de maciez de sua cama, mas ele gostava.

Ouviu passos ecoando pelo quarto. Resmungou algo que nem ele mesmo entendeu e se enfiou mais fundo nos lençóis. Sabia que já devia estar tarde graças ao calor que sentia em suas costas que deveria ser o sol vindo das janela semiabertas, mas mesmo assim não queria acordar. Seu pai deveria estar entrando para o tirar da cama com um beijo na testa e um empurrão de ombro, mas ele só queria continuar sonhando.

Foi quando lhe ocorreu que nem sua mãe muito menos o seu pai estavam ali.

– Young Lord, está na hora de acordar. Já passa do amanhecer — a voz calma e sombria sussurrou ao que abria as janelas, a luz violenta queimando os olhos ainda fechados de Ciel. O garoto se sentou, com esforço, na cama, o pensamento de acordar sem o carinho de sua família ainda o assombrando.

– Bom dia — respondeu, mal humorado, coçando o olho com o punho. O moreno se ajoelhou à sua frente e começou a desabotoar sua camiseta de dormir. Mais uma vez os arrepios lhe ocorreram, o obrigando a engolir em seco com o que seu coração batia fora do ritmo.

– Se não se importa, aproveitei o tempo livre enquanto o senhor dormia para contratar alguns empregados. — disse Sebastian, se ponto de pé para guardar a camiseta branca e pegando a roupa do dia de Ciel de uma das gavetas — Se algum deles não o satisfizer, vou logo procurando um substituto. — o menino se alarmou. Empregados? Tinha, sim, pessoas que trabalhavam em sua casa quando ele era mais novo, porém eram amigos de longa data de seus pais que se faziam disponíveis para os ajudar, ainda mais com o bom salário oferecido. Agora, ter estranhos trabalhando para ele? Era uma imagem um tanto quanto desconcertante.

Foi arrancado de seus pensamentos com o que o adulto abotoava suas calças e lhe entregava um bonito chapéu. Foi então, ao colocar a cartola na cabeça, que Ciel franziu o cenho e perguntou:

– Quem você é, afinal? — sua voz saiu fria e dura. Normalmente, seria doce e tímido, mas algo entre os milhões de recentes acontecidos tinha mexido com ele. Mexido de um jeito que transfomara sua alma em um amargo peso em suas costas.

– Sebastian Michaelis. Seu mordomo — respondeu, oferecendo uma profunda reverência antes de endireitar o tronco e checar o relógio de bolso. — Creio que já seja a hora do almoço. Deseja, mesmo assim, tomar um café?

– Me faça carne. Salada para acompanhar. De sobremesa, um pedaço de torta. De damasco — Decidiu não perguntar mais nada e apenas falou o que queria, sem pensar muito. Não apenas era o que sua mãe fazia em dias especiais para ele, mas o garoto também tinha a estranha certeza que Sebastian faria qualquer coisa que ele pedisse, por mais impossível que fosse.

Melhor que pedisse, qualquer coisa que ele mandasse.

xxx

– Estes são Baldroy, — um homem alto e forte com cara de bobo se curvou, sorrindo. — Finnian, — um outro menino, menor e magro, pulou de felicidade antes de fazer sua reverência. Ciel teve que observá-lo umas três vezes antes de concluir que, de fato, se tratava de um garoto. — E Mey-Rin. — uma mulher com óculos exageradamente grandes se curvou, quase deixando os óculos se espatifarem no chão. Mas que belos empregados, o garoto concluia com certa ironia, por mais que não tivesse nada com o que se preocupar. De algum modo, sabia que Sebastian sempre lhe ofereceria o melhor.

– Estão ótimos. Já podem começar a trabalhar — disse, com um sinal de mão acompanhando e já fazendo os três empregados correrem, baterem um contro o outro e finalmente se estabelecerem em seus postos de trabalho.

– Incrível como o senhor não é exigente — disse o mordomo, seu antebraço roçando contra o ombro de Ciel. Mas como é alto, e elegante pensou. — Não esperava nada menos — um sorriso torto cresceu nos lábios finos do adulto, sua voz penetrante deixando o menino em um certo transe.

Sebastian ofereceu a palma da mão para o garoto. Ciel, hesitante, já sabia o que aquele gesto queria dizer. Pousou sua pequena e delicada mão nos longos e largos dedos do homem, que o segurou com firmeza e carinho e direcionou os dois até a luxuosa sala de jantar. Nesse caso, almoço.

Puxou a cadeira para o pequeno lorde se sentar, na cabeceira da mesa demasiada grande para tão poucas pessoas, e começou a trazer os pratos de comida, todos os que Ciel havia pedido. Tão rápido assim?

– Pedi para Baldroy já ir preparando sua comida enquanto o senhor descia as escadas. É um pouco descuidado, o loiro, mas é excelente cozinheiro — como se lesse a sua mente, o homem de cabelos pretos disse. Ciel assentiu, provando uma garfada da comida. A carne chega desmanchava em sua boca, a salada salgada no ponto certo. E a cada prato que chegava, era mais uma descoberta de sabores únicos e deliciosos, enchendo sua boca d'água a cada novo cheiro que sentia.

Chegou a hora da torta de damasco e creme, que Sebastian afirmou ter sido feita por ele. Era a coisa mais deliciosa que já havia provado e, por incrível que pareça, melhor até que a de sua mãe. E, mais incrível ainda, é que ele conseguia provar o carinho com o que ela tinha sido feita, quase o mesmo carinho que sua mamãe colocava em todos os seus pratos. Isso fez seus olhos arderem em vontade de chorar.

– Muito obrigado, Sebastian. — disse o garoto ao terminar de comer, a voz falha e baixa. A esse ponto, já sentia uma mudança nele mesmo. Uma mudança tão drástica que se xingou internamente por mostrar tal fraqueza com um simples almoço. Mas o moreno, ao contrário, sorriu satisfeito e compreendedor. — Agora, mande Mey-Rin arrumar meu escritório, vou começar a ver os papéis da empresa que meu pai me deixou. Faça questão que todos estejam lá, e leia pelo menos a base de todos antes que eu suba para começar o trabalho, me explicando um pouco da ideia básica da empresa. Isso é uma ordem.

– Sim, meu lorde. — e se curvou, o sorriso sombrio e malicioso lhe enchendo os lábios.

Notas finais
estou um tanto em dúvida se o romance e desejo de SebaCiel está indo devagar ou rápido. Ou na medida certa.
Opiniões? Sugestões? Tapas?