Dare To Dream

6 Um pedido insistente


Notas iniciais
Oláa! Capítulo demorou, mas tá aí! Boa leitura Xx

Ao ler as pequenas letras flutuantes da página parda eu já previa muitos olhares sobre a capa dura verde. As pessoas estranham ver alguém lendo um livro real. Com o infinito conteúdo digitalizado e a tecnologia avançada, ler no papel "saiu de moda", os livros ainda estão por aí, sendo desprezados, jogados pelos cantos. Ainda sim me prendo ao livro de poesias que encontrei na sala de estar, a escrita simples me chamou a atenção e em suas palavras encontrei um refúgio.

Canção da liberdade

"diante da luz do sol da manhã,

sobre o calor do amanhã, pelo caminho

ao bater da cachoeira nas pedras

e as sete cores, um passarinho

_

se não seguir em frente,

pode perder, ou enfraquecer

por medo

de nada poder

_

o pássaro que não sabia

nem ao menos voar

com coragem sacudiu

suas asas sem brilho

_

deu o primeiro impulso e livremente

partiu ao céu azul, as nuvens acima

abaixo as águas a refletir

os obstáculos por todo lado"

O livro deve ter sido escrito a pelo menos cinquenta anos, quando foi proibida a escrita de livros que levassem a imaginação, essa que tem uma aula só para ser banida de seus pensamentos. A racionalização.

Paredes de metal vazias cercam a sala, surge a imagem de nuvens refletida por projetores, com o pensamento temos que dissolver as imagens sonhadoras que passam a nossa frente.

Sinto um toque em meu quadril, desvio a atenção do livro e jogo o cotovelo para trás atingindo um plano duro, ao me virar dou de cara com um largo sorriso malicioso e cabelos loiros ligeiramente arrumados para cima em um topete. Ethan é do tipo irritante, que faz qualquer coisa para ter todas as garotas aos seus pés, é aquele tipo que quando quer algo, consegue.

– E aí, cachinhos dourados? – ele diz se aproximando, quase tocando em meu cabelo.

Bato na mão dele o afastando, reviro os olhos e lhe dou as costas. Ando, quase correndo, na direção das salas de aula, ele me alcança facilmente. Ao meu lado ele tenta puxar assunto.

– O que foi? Acordou estressada hoje? Ah é, tem razão… isso é impossível.

Não acredito que ele fez uma tentativa de piada, sem olhar em seus olhos provoco a sua autoconfiança.

– Essa foi péssima.

– Foi péssima mesmo, mas pelo menos consegui fazer você falar algumas palavras.

Ignoro-o, não estava afim de falar mais nenhuma palavra com ele.

– Eu li o seu resumo da Teoria das Emoções, e é ótimo, muito bom mesmo.

Só temos uma aula sobre as emoções que se baseia na teoria delas, temos que absorver o seu conhecimento e repudiá-las o tempo todo. Tinha postado o resumo pra prova no grupo de estudos na semana passada, um grupo que até onde sei ele nem faz parte. E ele leu algo que eu escrevi, óbvio que tinham intenções por trás disso.

Como continuei andando sem dar sinal que estava ouvindo o que ele dizia, Ethan para à minha frente e coloca a mão em meu ombro.

– Eu só queria te agradecer, pelo dez na prova.

– Tá bem. Agora, com licença.

Dei um sorriso afetado e segui em frente, esbarrando nele, quando não esperei ele sair do caminho. Dois passos meus depois, ele me para, se aproxima de meu ouvido e sussurra lentamente com uma voz séria.

– Estacionamento. Fim da aula. É importante.

Não me importo, queria dizer, mas então ele continuaria falando até me convencer. Não disse nada, ele entendeu como se eu tivesse concordado.

– Te vejo por aí, Liz!

Não, eu não queria vê-lo por aí.

Olhares curiosos iam de mim a Ethan, fofocas altas o suficiente para eu ouvir.

– Ethan falando com a Liz?!? Como assim? – ao me ver passar a menina que disse as palavras me olhou com estranheza.

Todos tinham seus motivos para ficarem surpresos de alguém além de Jake falar com a estranha Elizabeth. Ainda mais se esse alguém é o "Mais-Bonito-e-Popular-da-Escola" Ethan Hart.

Eu não ligo para o que pensam ou dizem, só falam comigo sobre a matéria. Mal sabem eles que teve uma época em que nos falávamos todos os dias. Isso em outro tempo, há séculos esquecido. Afasto os fantasmas do passado e vou para a aula.

Minha prova de teoria das emoções é hoje, eu estou preparada para ir extremamente mal. Quando você tem algo a esconder, a mentira tem que parecer convincente a todos os olhares. Minha mãe é especialista em teoria das emoções, trabalha no departamento de confissão dos condenados, define o nível de emoção em cada um, o que define o destino. O meu resumo foi baseado em seus artigos, mesmo tendo decorado tudo há muito tempo, não posso gabaritar uma prova. É como entregar o jogo, aí não tem graça.

Depois da prova, vou para a Arena de Treinamento, por minha sorte e pela sorte do meu nariz, Ethan não tem a aula hoje. Me alongo e treino os golpes repetidamente no ar, o que chama a atenção do treinador.

– Vejo que está se esforçando para avançar de nível. Amanhã você lutará com os avançados. Recomendo que descanse e se prepare.

Concordo e vou me trocar no vestiário. O sinal da saída toca. Demoro uns dez minutos, e vou na direção contrária do estacionamento. Ethan sai da sala de aula no exato momento. Ele sorri para mim e eu finjo que não o vi. Ouço ele se despedir dos amigos e vir em minha direção, quando viramos o corredor ele me chama.

– Ei, o estacionamento é para o outro lado.

– Eu sei. – paro e o encaro, tinha esquecido que seus olhos eram verdes – Olha, eu não quero saber, não tô afim de nada vindo de você.

– É sério, eu preciso falar com você

– Sabe, tem muita menina por aí querendo fazer todos os favores que você pedir. Eu não. Então, por favor…

– Liz, me escuta…

– Não, já disse, nem quero saber

– Você sabe que eu irei dizer de qualquer forma…

– Ou não.

Entro rapidamente no banheiro feminino, vou até uma cabine e enfim quando posso respirar fundo tranquila, ouço três batidas insistentes na porta. Quando não respondo, algo que eu não esperava, ele se abaixa e coloca a cabeça no espaço que há debaixo da porta e olha para cima esperando.

– O que significa isso? – eu abro a porta o acertando, ainda no chão.

As meninas ao redor ficam sem reação e saem do banheiro nos deixando a sós.

– Você não pode me evitar o tempo todo, não pode fingir que não está interessada

– Não estou fingindo nada. Eu realmente não estou interessada. Tudo que você faz, tudo que deseja gira em torno de seu ego e só te favorece.

– Isso não é verdade. Você nem ouviu o que eu tenho a dizer.

– Não preciso nem ouvir para saber.

Ele me lança um olhar esperando que eu o autorize falar, sendo que ele vai fazer isso de um jeito ou de outro.

– Você tem um minuto.

– Pode deixar que eu juro que depois disso não vou mais te perturbar em seu precioso tempo.

A cada palavra, ele olha a porta para ver se ninguém entra, e continua falando sobre nada, todas as frases sem nexo nenhum.

– Seu tempo acabou. – Quando estava prestes a sair ele segura meu pulso

– Você se lembra daquele parquinho que a gente costumava ir?

Ethan era meu amigo na infância, na vida antes do Instituto e depois até uns 10 anos, quando nos afastamos. Uma longa amizade que não deu certo.

– Lembro. O que tem ele?

Ele suspirou e olhou para o além, revendo as lembranças do passado.

– Nada. Só que me lembrei disso hoje. Bons tempos.

Solto o meu braço com um movimento brusco

– Para de me enrolar e fala logo, que droga!

– Se eu não te conhecesse tão bem, diria que você tem raiva de mim. Mas eu sei que é só o seu jeito de “não ligo para nada”

– É, você está certo. – então lembrei de como ele mudou quando nos reencontramos no ensino médio. – Mas me veio uma coisa agora, por acaso, você tem raiva de mim?

Ele me lança um olhar confuso.

– Claro que não. Por que você pensou isso?

– O tal do golpe no nariz?…

– Faz parte da aula, é só um ataque. Se quiser, posso te ensinar a defender.

– Não. Eu me viro sozinha. Fala logo o que você quer, que já tô cansada desse seu joguinho.

– Tá. Eu preciso da sua ajuda com os meus pais. – ele respira fundo, pensando nas palavras certas, inspirando coragem para colocá-las para fora – Você sabe como eles são controladores.

Concordo. Eles planejavam a sua vida antes mesmo dele nascer.

– Agora eles estão com uma ideia fixa de que eu tenho que virar um homem da patrulha. Se não, eu tenho que me casar e ser algo como advogado.

Agora é a minha vez de ficar confusa.

– E o que eu tenho com isso?

– Você pode conversar com eles, eles te conhecem, vão te ouvir.

– E se eu não quiser?

– Você vai ter que se casar comigo.

– Ou você terá que virar um homem da patrulha.

Ele fica sério e perplexo com minhas palavras, me encara e diz cada palavra como se fosse uma sílaba.

– Pelo jeito você não faz ideia do que acabou de falar. Um dia eu te mostro o que eu sei. Se você me ajudar, eu te ajudo.

Minha curiosidade me vence e combinamos de nos encontrar no fim de semana para eu convencer seus pais.

Notas finais
E aí, o que acharam do Ethan? Quero saber, elogios, críticas e sugestões são sempre bem-vindos! Beijos, continuação em breve! Xx
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.