Darcanjo

9 Round 8 – Aposta


– Então, brigaram muito? – Perguntou Marcos.

– Nem tanto, temos um ótimo líder – Respondeu David.

– Então me diga quais as magias de cada integrante.

David enumerou as magias e logo após Marcos anotá-las no papel de inscrição os dispensou dizendo que poderiam descansar, pois os treinamentos só começariam amanhã e somente a partir da próxima semana seriam marcadas as lutas.

– Vocês podem ficar por aqui algum tempo, mas todos que puderem voltar das viagens astrais é melhor que voltem. Os que não puderem serão transportados pro nosso esconderijo.

– Ok.

Eric olhava para o teto, do teto para o quadro, do quadro para uma pessoa na multidão, dela pro seu grupo, depois para Marcos, pro formulário e voltava pro teto.

– Eric, você já estava aqui quando eu cheguei, né? Quantas pessoas já haviam chegado – Perguntou Karla.

– Pensando bem, acho que eu te vi quando cheguei também, todos disseram que você foi um dos primeiros e que podia ser um organizador, mas ninguém teve coragem de perguntar – Falou Klaus como se quisesse conseguir algumas respostas.

– Bem, quando eu cheguei não tinha absolutamente ninguém – Respondeu.

– Como assim ninguém? Só o pessoal da equipe? Tu dormiu que horas? – Perguntou David.

– Não, ninguém mesmo. O pessoal da equipe chegou pouco tempo depois e acharam que eu era um fantasma que havia descoberto o local, mas aí me lembrei de mostrar o cordão da vida, o fiozinho prateado que liga a alma ao meu corpo e me deixaram ficar, nem sabia que esse era o local do encontro.

– Humm. Você é estranho.

– Eu sei.

– Sorte sua que não teve que passar por aquela dor dos infernos – Comentou Klaus.

– Tô louca para treinar amanhã. Vou tentar dormir bem cedo – Disse Karla mirando sua arma de dedo para o rosto de Klaus e fechando um dos olhos.

– Serei o primeiro a chegar aqui. Já sei o conceito básico, mas pelo que eu li tinha umas coisas diferentes a mais. Familiar e magia básica, estou louco para entender como funcionam.

– Será que eles têm um local para a gente treinar sem destruir nada? – Indagou Klaus — eu aposto que serei o primeiro a chegar amanhã.

– Eu serei o primeiro com certeza – Afirmou David.

– Amanhã não vou poder dormir cedo, vou ficar fora da disputa – Disse Karla.

– Elizabeth, Eric? – Perguntou Klaus.

– Também não posso – Respondeu Elizabeth.

– Acho melhor eu não participar – Comentou Eric meio receoso.

– Ah, acovardou-se – Implicou David batendo em seu ombro.

– Então está combinado, quem chegar primeiro ganha. Quem perder terá de fazer 100 abdominais – Falou Klaus.

– Abdominal não. Tá louco? Polichinelo, ok?

– Certo, combinado então.

Todos se despediram. David e Klaus voltaram logo para casa. Os outros ainda quiseram ficar, ou para tentar arrancar mais alguma informação dos organizadores ou somente para aproveitar o tempo livre.

David acordou confiante, já que foi o primeiro a voltar e no outro dia, no caso no dia de hoje, ele voltaria mais cedo do emprego, mas toda alegria se dissipou quando ele olhou para o relógio. 12h. Nem sempre se consegue voltar no mesmo horário que se “desfaz” a viagem astral, mas essa diferença de horário era absurda, seu limite sempre foi acordar às 10h30min. Ele tinha de chegar ao trabalho às 10h, o seu chefe ia matá-lo.

Tentou se levantar o mais rápido possível, mas tendo cuidado para não pular da cama como da última vez e quase bater com a cara no armário. Nada. Os braços e pernas não o obedeciam. Só o esforço de tentar movê-los fez com que uma dor parecida com cãibra percorresse por todo seu corpo. Lutou com todas suas forças para vencer a barreira, precisava trabalhar, mas nada adiantou.

Somente às 15h30min finalmente conseguiu se levantar ainda meio dolorido. Justificou-se ao telefone inventando que havia caído de moto, o que foi fácil, pois os gemidos de dor saíam naturalmente, e almoçou alguma coisa que achou na geladeira.

Passou o dia sonolento e esperando que dessem 19h para finalmente dormir. Esperava que fazendo isso os efeitos colaterais da viagem astral no outro dia fossem minimizados.

Dessa vez ele apareceu numa sala com cinco camas estilo beliche, uma em cima da outra, como não havia ninguém inspirou bem fundo e disse com todo o gosto:

– Primeiro lugar. Uhull!!

– Oi, David – Disse Eric abrindo a porta do local – ainda tá cedo, descobri agora a pouco que as atividades só vão começar lá pelas 21h.

– ... Você não faz nada da vida mesmo não?

– Não, ainda não.