Darcanjo

38 Round 34 – O primeiro demônio é invocado


Notas iniciais
Os capítulos estão ficando mais longos do que eu gostaria, mas, enfim, fiquem com esse capítulo que, na minha opinião, está foda.

– Cara! – Exclamou o juiz – Posicionem-se para começar o duelo.

– Então você é um invocador? – Admirou-se David ao ver Washington com um livro em mãos.

– Sim, por que a surpresa?

– Não achei que fossemos lutar contra nosso próprio tipo de magia logo tão cedo.

– Nossa magia é uma das mais poderosas, então é claro que eles têm de nos colocar para lutar entre si. Senão no final poderia haver somente invocadores e, pelo que eu sei, eles querem um de cada tipo de magia.

– Humm. É mesmo, mas chega de conversa – David abriu seu livro para começar a atacar.

– Espera um pouco! – Exclamou Washington com o livro ainda fechado, para não dar a entender que atacaria em um momento de distração – Pelo que me informei, nenhum participante ainda conseguiu invocar um demônio. O que você acha de invocarmos os nossos ao mesmo tempo – Falou com um sorriso travesso no rosto.

– Não acho uma boa ideia – Comentou David – A batalha penderia para o lado que tivesse o demônio mais poderoso, além de consumir muita mana, talvez nem conseguíssemos invocá-los.

– Ok, seu chato – Disse Washington abrindo o livro – Vamos começar.

– Eu tenho desvantagem na quantidade de mana. Convocar um demônio com certeza seria uma desvantagem para mim – Pensou David – Agora que tipo de poder ele deve ter?

– Wood!

Ramos de galhos secos saíram da terra e se agarram nas pernas de David, impossibilitando seu movimento. Apesar de estar preso ele deu um sorrisinho antes de falar:

– Parece que eu estou com vantagem sobre você.

– Por que diz isso?

– Ressurja das cinzas, Phoenix!

Do centro da arena irromperam chamas e dela saiu um majestoso pássaro de penas vermelho-fogo e pontas amarelas, sua cauda com longas e separadas plumas de pavão açoitavam ao vento e seu voo gracioso e delicado davam ao ar um tom caloroso e amigável. Mesmo naquele momento em que não estava atacando, sua penugem parecia feita da mais pura chama.

– Que lindo! – Exclamou Elizabeth baixinho.

O pássaro deu uma guinada no ar e desceu liberando chamas que pareciam uma extensão de seu próprio corpo, atacando com as asas, queimou a base dos caules e liberando David de sua prisão.

– 17%, isso! Um novo recorde! – Pensou David enquanto se desfazia do que restava dos galhos.

– Normalmente se começa a atacar com a magia, mas você quem sabe. Wood!

Galhos começaram a crescer novamente, mas a fênix com um simples bater de asas lançou bolas de fogos que foram capazes de destruí-los antes que alcançassem seu objetivo.

– Tsk. Já que é assim, não tem jeito. Proteja o ambiente, Curupira!!

Alguns galhos se criaram e se ouviu o barulho de um porco enfurecido. Afastando os galhos a sua frente apareceu um menino montado num enorme porco-do-mato selvagem. O garoto possuía cabelos ruivos da cor de fogo e pés voltados para trás, vestia somente uma umbigueira feita de palha-da-costa e portava uma lança indígena.

– Esse é seu familiar? O curupira? Hahahahahhahah. Acho que me preocupei a toa.

O porco-do-mato arrastou as patas traseiras no chão para ganhar velocidade e atacou. David não teve tempo para raciocinar, somente para se jogar de lado. Mesmo assim, a veloz lança acertou-lhe o braço, deixando-o incapacitado de movimentá-lo.

– Só por que algo é brasileiro, não quer dizer que seja fraco.

David xingou baixinho.

– Fênix, ataque!

A ave soltou uma rajada de fogo criada por suas penas, mas a montaria do Curupira foi rápida o suficiente para desviar. Logo em seguida, este estocou com sua lança, mas seu alvo era pequeno demais e voava muito alto para ser acertado.

– Ataque o invocador! – Gritou Washington.

O suíno deu uma guinada em direção a David e começou a correr em sua velocidade máxima. A fênix girou em pleno e voou em sua direção para interceptá-lo, mas recebeu uma ordem diferente:

– Ataque o dono do livro, eu me viro!

David começou a correr como nunca havia feito antes, mas Washington ainda não havia se movido nem um milímetro, antes que raciocinasse o porquê, o adversário gritou:

– Wood!

Galhos prenderam as pernas de David. Não havia tempo de se soltar. No último instante, fez uma manobra de desvio e conseguiu proteger os pontos vitais, mas ainda assim foi acertado com força suficiente para fazê-lo voar longe. No mesmo momento, uma explosão de chamas acertou o local onde Washington estava, só que ele teve a sorte de escapar quase ileso. Ao perceber que seu adversário ainda não havia perdido, mas estava seriamente machucado para andar, quanto mais para correr, ordenou:

– Dê o golpe de misericórdia, agora!

O porco pegou distância e começou a correr novamente em direção a David. A três metros de distância no entanto, algo o fez parar, o ataque feroz da ave derrubou o menino da montaria e queimou a lateral da mesma.

Percebendo que não teria como atacar enquanto não derrotasse o familiar, o menino correu até o seu porco, afagou sua lateral e quando percebeu que ainda poderia continuar, montou-o novamente.

Os adversários distanciaram-se, e ficaram um de frente ao outro como cavaleiros em um torneio. O suíno cavou a terra, enquanto o garoto posicionava sua lança e a ave batia suas asas com maior velocidade. Então ele partiu. Os dois rumaram à colisão. A fênix produziu chamas até que seu corpo não fosse mais visível e então o fogo cobriu o local do impacto.

Washington levantou-se e viu que a porcentagem, 23%, que indicava o poder de invocação do familiar havia sumido.

– Tsk, vou ter que acabar com isso com a magia bá...

O pássaro ergueu suas asas em pleno voo e saiu majestosamente das chamas.

– Não pode ser!! Ele é invencível?!?!

A ave mergulhou em sua direção, mas Washington conseguiu desviar e correr. Sua atenção ficou totalmente voltada para os ataques, até que BAM! Alguma coisa o acertou, derrubando-o. Olhando para trás, viu David segurando uma pedra de 30 cm de diâmetro com o braço que antes parecia estar inutilizado.

– Como é possível? Você não deveria nem estar em pé!

– Cure! – Recitou David com o livro aberto.

O livro marcou 10% e pequenas chamas pareceram irromper de alguns dos ferimentos que ainda havia em seu corpo, fechando-os.

Washington começou a correr na direção oposta, tentando arranjar espaço para lançar a magia, mas David gritou:

– Fênix! Hell Blaster!!

O pássaro pegou fogo novamente, só que desta vez ficando com o formato de seu corpo aumentado em cinco vezes e lançou-se contra o inimigo. Logo em seguida as chamas se dissiparam e o letreiro tomou seu lugar:

Winner

David

Abyss knights (11º)

Como David não estava muito machucado, saiu correndo para abraçar a sua equipe.

– Vencemos!! – Gritou Klaus para todo mundo ouvir.

– Quando aquele porco foi em sua direção eu pensei: “É o fim!” Ainda bem que estava errada – Comentou Karla.

– Parabéns! – Congratulou Elizabeth baixinho.

– Agora só precisamos encontrar Eric para eu fazer com que ele engula as palavras dele quando falou que eu não ia vencer – Falou David com um sorriso no rosto.

– Mas ele nunca falou isso – Elizabeth parecia querer falar um pouco mais que o habitual naquele momento.

– Ah! É mesmo! É que isso é a cara dele.

Eles começaram a conversar sobre diversos assuntos do futuro e preparações para o ranking quando começaram a ouvir a plateia da segunda luta falando alto.

– Ele é doido!

– Não seja idiota! Deixe de besteira!

– O que está acontecendo? – Perguntou Karla a uma das pessoas.

– Aquele louco falou que queria lutar contra o demônio para provar que poderia derrotar qualquer um e que deixaria o invocador recitar sem atacá-lo.

No mesmo instante um círculo desenhado no chão por um dos participantes aumentou de tamanho, o ar pareceu mudar de alguma forma, trazendo a tona o sentimento de medo e a lembrança de duelos sangrentos.

Do seu centro, uma criatura sinistra começou a surgir. Pela frente, havia a cabeça de um rei, à esquerda dela a cabeça de um sapo e à sua direita a cabeça de um gato, todas de tamanhos parecidos. Logo após apareceu seu tronco, uma massa disforme que unia as três cabeças e com várias patas de aranha que não combinavam com nenhuma delas.

A imagem amedrontadora fez com que o adversário quisesse fugir, mas assim que abriu a boca para formar a palavra “desisto”, teve sua garganta cortada pelas ágeis patas da aranha/sapo/gato/humano.

– Mas o que diabos é aquilo? – Perguntou Karla.

– Baal! – Respondeu David rangendo os dentes.