Darcanjo
31 Round 28 – Batalha entre titãs
– Eric, que diabos você estava fazendo. Quase perdeu a luta – Reclamou David.
– Eu tava treinando reação em cadeia! – Respondeu como se David soubesse exatamente do que ele estava falando.
– Hã?
– Você nunca estudou química não?
– Você já está atrasado, pare de conversar e se dirija ao campo. Mas antes, limpe-se. Sabemos de sua habilidade de reunir terra para sua proteção, não permitimos que a pessoa comece a batalha com qualquer tipo de equipamento – Reclamou o Juiz.
– Ok – Eric deu um pulo normal e assim que caiu no chão toda a terra em seu corpo saiu para os lados, então começou a limpar a lama que havia restado.
– Bom, como vocês já sabem a regra para este duelo é dobro ou metade – Falou o juiz – Vou explicar agora como funciona, jogarei essa moeda para o alto, se der cara o campo de batalha se tornará o dobro do tamanho normal, se der coroa, será reduzido pela metade. Prontos?
– Pronto – Disse Marcos levantando-se de sua posição.
– Pronto – Respondeu Eric tirando o resto da lama de seu corpo.
O juiz jogou a moeda, ela deu várias voltas e antes que ele a pegasse de volta sofreu um leve desvio e caiu no chão. Então ele tapou a resposta com o pé.
– Estranho, tinha treinado esse truque várias vezes para que desse coroa, já que Marcos é um lutador de curta distância. Mas não tem problema, não importa o resultado, ele vencerá – Pensou o juiz tirando o pé de cima da moeda – Cara.
Através da magia o juiz afastou as torres para os pontos marcados previamente com um x. Após terminar ficou cansado e arfando.
– Entrem na arena para começarmos o duelo.
– Mas a gente já está aqui dentro – Retrucou Eric.
– Então podemos começar – Disse o juiz ao mesmo tempo em que aparecia a contagem regressiva.
– Ele primeiro brinca com o oponente para descobrir seu potencial, como ele só pretende desviar posso usar esse tempo para fortificar meu machado e planejar meus próximos ataques – Pensou Marcos.
0. Assim que o tempo terminou Marcos usou as duas mãos para começar a criar seu machado.
– Rock repel! – Disse Eric dando dois passos e se aproximando do oponente – Rock attract! Repel shock!!
Eric pegou um pedaço de rocha com seu pé e o chutou contra o machado recém-formado de Marcos, repelindo-a logo em seguida e forçando seu inimigo a recuar.
Marcos fortificou rapidamente seu machado, fazendo desaparecer as fissuras causadas pelo impacto, e atacou impiedosamente, sem dar espaço para Eric contra-atacar.
Eric podia se afastar com velocidade, mas ainda assim não arranjou espaço para fazer nada, desviava da lâmina andando com as pontas dos pés, facilitando giros e mudanças de direção e sempre que possível tentando investir sem êxito.
– Eles estão... quase empatados? – Disse David pensando alto.
Percebendo que não poderia fazer nada a curta distância Eric deu alguns longos passos para trás em direção da parte montanhosa da arena, se virou e continuou em sua direção com Marcos em seu encalço, ao chegar ao sopé da rocha falou:
– Vertical walk!
Eric começou a andar pelas paredes sem muita dificuldade. Ao perceber que sua arma não teria alcance Marcos criou um dardo de meio metro de comprimento e lanço-o, não acertando por um triz.
– Avalanche! – Gritou Eric dando alguns chutes na rocha fazendo enormes pedras caírem.
Marcos desviou algumas e destruiu outras com seu machado, percebendo posteriormente que Eric havia usado-as como distração para poder caminhar sobre elas até o centro da arena e cair com força no chão.
– Sandstorm!
Poeira cobriu toda a extensão da arena deixando as pessoas de fora cegas quanto ao que ocorria lá dentro. Marcos moveu-se ao local do impacto com os olhos semi-cerrados e instintos a flor da pele esperando qualquer movimento que fosse.
Eric movia-se rapidamente, mas acabou passando perto demais de seu rival que o percebeu e atacou com o machado que acertou seu braço.
Uma armadilha. Um ataque às cegas nunca utiliza o poder máximo de alguém e Eric já havia se revestido por terra aproveitando sua própria tempestade de areia. Aproveitou enquanto o machado estava enganchado em seu braço de pedra e chutou a barriga de Marcos.
– Rock repel!
Marcos foi repelido a um dos limites da arena batendo com força no vidro, assustando o juiz e a pequena plateia. A areia baixou.
Como perdeu seu machado, desta vez Marcos criou uma espada com uma corrente na ponta que fez Eric pensar que seria para prender a mesma em sua mão.
Eric avançou com seu corpo de golem a passos razoavelmente rápidos. Marcos girou sua espada em sua direção e fez a corrente crescer, duplicar-se e prender-se aos pés de Eric.
– Comprimir!
Aquela parte específica da armadura se quebrou e novos elos das correntes foram sendo criados em ambos os pés, de forma a impossibilitar os movimentos desde os tornozelos aos dedos mindinhos dos mesmos.
– Me solta! – Gritou Eric tentando se livrar das correntes.
– Você acha que eu não percebi sua fraqueza? Eu observei sua última luta e vi que você não consegue utilizar a magia por todo o seu corpo, somente pelos pés.
– E você acha que só com isso conseguirá me vencer?
– Seus pés estão totalmente presos e você só consegue ativar a magia movimentando-os. Sua única vantagem é essa magia que protege seu corpo com rochas que você usou antes deu prendê-lo, mas eu irei atravessá-la com minha espada.
– Se é assim... – Disse Eric dando de ombros e se livrando das pedras aderidas ao corpo, deixando-o totalmente exposto — ...tente a sorte.
– Eric, seu maluco, você podia aproveitar enquanto ele atacava para afrouxar as correntes – Gritou David.
– Vamos, me ataque se tiver coragem – Instigou Eric.
Marcos permaneceu parado alguns segundos meditando sobre o assunto, mas logo decidiu atacar com toda a sua força e agilidade, Eric continuava parado como se estivesse pronto para receber o ataque.
Uma profunda cicatriz surgiu no tórax, o jorrar inicial do sangue artificial de mana pareceu um rio desenfreado, o corpo de Marcos desfalecia ao chão enquanto Eric soltava um riso maléfico.
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