Darcanjo
21 Round 19 – Mudança de comportamento
Notas iniciais
– E então, cadê o avisozinho dizendo que eu ganhei? – Perguntou Eduardo.
– Não sei – Respondeu o juiz – Talvez ele ainda tenha alguma energia sobrando?
– Impossível! Você não vê? Ele tá com o tórax perfurado.
– Tsk – Disse Eric levantando-se ainda meio atordoado.
– Como... você...
O sorriso havia desaparecido por completo de seu rosto, dando espaço para o tom enigmático de quando o seu grupo o conheceu. Seu jeito de levantar parecia uma mistura de zumbi com um toque de espírito vingativo.
Suas pernas o levantavam sem pressa; seu corpo pendia para o lado onde foi acertado; seu braço esquerdo imóvel como se estivesse quebrado; seus olhos fixos em seu inimigo. Os juízes se prepararam para intervir, mas a barreira ainda não havia se desfeito.
O braço esquerdo finalmente se moveu, alisando seu cabelo. Seus olhos permaneciam imóveis, fixos em seu alvo. Agora Eduardo via com mais clareza, o buraco estava com uma cor diferente do resto do corpo. Era uma cor forte, rígida, enquanto o resto permanecia em tons claros e semi-transparentes. Era como se...
– Quando foi que você conseguiu dominar seu elemento desse jeito? Me disseram que você não conseguia mover sequer uma minúscula pedrinha!!
– Eu percebi – Disse Eric pausadamente – que podia fazê-lo... ao mesmo tempo em que vi... a necessidade de mudar – Terminou tirando a rocha que estava presa em seu tórax e deixando-a cair ao chão.
– Ele aprendeu o poder no mesmo instante em que usava uma pedra para proteger-se?! Impossível, eu não vi ele fazendo isso, ele nem mesmo teve tempo de pensar. Seria uma habilidade passiva? Não, mesmo que elas existam, não seriam tão poderosas.
– Isso é uma batalha. Não posso me preocupar mais com a aparência de ser bonzinho. Não somente por mim, minha equipe precisa de integrantes fortes.
– Ficar falando isso não muda nada, você não me vencerá!! – Exclamou Eduardo criando outra lança.
– Isso mesmo, chega de palavras. Tenho de começar a agir, nem que para isso eu deixe de ser considerado um anjo para ser citado como um verdadeiro demônio.
Eric começou a se preparar para atacar, ao liberar sua mana também extravasava sua aura maligna. Eduardo começou a sentir frio, seu corpo dava espasmos, ele não queria avançar, queria fugir. Lembrava-se da sensação de impotência que sentiu ao ser atacado por um fantasma pela primeira vez, a sensação de estar encurralado, a sensação de puro terror.
– Calma, ele só está com raiva – Disse Eduardo para si próprio – Logo voltará a ser como antes e poderei derrotá-lo.
Eric respirou fundo, se agachou em parte, assim como fazem os maratonistas fazem e sussurrou:
– Rock... repel!
Dando três passos, Eric atravessou os 100 metros que o afastavam, agarrou a cabeça de Eduardo e a lançou contra o chão, quebrando-o.
Quando Eduardo recuperou-se do susto o atacou com a lança, mas ele já estava a 200 metros de distância preparando seu próximo golpe.
– Stone levitation – Disse levantando a parte detrás dos pés e batendo-as com força no chão.
Várias pedrinhas de tamanhos variados começaram a flutuar em diferentes altitudes. Eduardo levantou-se e girou sua lança, ainda inteira, no intuito de defender possíveis ataques diretos. Mas ao invés de lançá-las, Eric se lançou ao ar através delas. Pulava de uma para outra alcançando atitude.
– Você não me enganará com esse truque – Disse Eduardo pulando de pedra em pedra numa velocidade maior, rapidamente alcançando um nível mais alto que seu rival.
– Você baixou sua guarda – Disse Eric.
Eduardo não entendeu até o momento em que se viu caindo, Eric havia cancelado a levitação das pedras ao seu redor. Sem ter onde se segurar, ele preparou sua lança para aumentá-la e acertar o solo no intuito de amenizar o impacto, não vendo o momento em que Eric chutava uma das pedras sem nem mesmo reduzir a velocidade de sua escalada.
A pedra acertou Eduardo no mesmo local onde ele havia acertado Eric, mas o efeito foi maximizado pela surpresa e pelo impacto causado pelo envolvimento da pedra por mana, assim como um lutador envolve em seus punhos, evitando que a pedra se despedaçasse até que ele houvesse sido arremessado contra o único local da arena que possuía parte da montanha em seu interior.
Eric finalmente atingiu a altura máxima dos limites da arena e pulou como se fosse chutar a montanha com os dois pés. Eles pareciam ter se colado ao contato com a rocha e seu corpo começou a descer a alta velocidade. Seus pés usavam a gravidade somada ao uso de magia elemental para impulsioná-los para baixo.
– Guillotine!
– Venci!
Eduardo sabia que Eric não teria tempo de desviar. Colocou sua lança no chão e usou o resto de mana que tinha para fortificá-la e aumentar seu tamanho a fim de atingir o adversário antes que o mesmo o atingisse.
Ao tentar liberar mais energia, sua mana se esgotou. A lança não podendo ser recarregada, logo esfarelou-se como bolacha cream cracker sobre a pressão de dentes.
– Não pode ser! Eu deveria ter energia para mais 4 lanças, o que aconteceu? – Pensou Eduardo ao mesmo tempo em que era atingido pelo golpe.
Poeira se espalhou por todo o local, só conseguindo-se ver a palavra Winner antes que tudo se transformasse em marrom e branco.
– Como saberemos quem venceu? – Perguntou David.
– É claro que Eric venceu, não viu a arma se desfazendo – Disse Karla parecendo um pouco apreensiva.
– Ainda pode ter sido um empate ou Eduardo pode ter se desviado e vencido. O impacto foi muito grande – Disse um dos membros da equipe adversária. Agora as duas equipes estavam ao redor do juiz esperando por uma resposta.
– Assim que a poeira baixar, saberemos – respondeu o juiz.
Com o fim da batalha as paredes transparentes sumiram e a poeira se espalhou. Apesar de não haver necessidade de respiração numa viagem astral, muitos a abanaram para longe e até tossiram por reflexo.
Winner
Eric
Abyss knights
Eric apareceu ainda em pé, mas mancando do pé direito. Como a barreira já havia desaparecido David, Karla, Klaus e até Elizabeth foram saudar seu amigo e ajudá-lo. A luminosidade de Eric diminuía e ele parecia mais translucido que o comum para um viajante.
– Acho que exagerei – Disse caindo ao chão.
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