Dança das Espadas

4 O Atirador de Fogo


Não longe de Jason estava outro menino que estava de ali perto. Seu nome é Aedan, isso mesmo, o nome do pai adotivo de Jason. Nesse momento, Aedan estava próximo a um grande lago para encher seu cantil e descansar um pouco.

O lago era chamado de Lago dos Mundos, os povos antigos o cultuavam por achar que ele era o portal para qualquer dimensão e que ali era o berço da criação, mas depois do incidente do Cálice, aquele povo sumiu.

Aedan foi até o lago que parecia uma gigantesca planície azul, foi até a margem e bebeu daquela água deliciosa e encheu o cantil. Antes de deitar na relva, viu seu reflexo na água e viu um menino com cabelos ruivos, rosto sarnento e olhos azuis como o lago em que estava. Seu tamanho em pé e idade eram iguais a de Jason.

Aedan era um magia-atirador, uma classe de atiradores que usava magia em suas armas e usava feitiços para ajuda-lo em momentos difíceis. Mas, ele é m renegado. Tornou-se renegado por causa de uma arma que ele mesmo fabricou: o sabre de luz. Segundo os juizes de sua cidade, aquilo fazia alusão aos espadachins e por isso foi considerado um traidor de seu povo e condenado a ser renegado e vagar pela floresta e nunca podendo ir para a cidade.

Deitado na relva verde, pensando nas coisas que lhe aconteceram no passado, ouviu um barulho vindo na sua direção. Quando se levantou, Jason estava com Excalibur encostada em sua nuca, Aedan ficou imóvel e levantou as mãos do cinto onde fica seu blaster laser.

– Quem está aí? – perguntou Aedan que estava de costas para Jason e tinha medo de virar.

– Não se mexa Bala Fantasma— disse Jason ainda com a espada encostada em Aedan.

– Bala Fantasma? – perguntou confuso – Você está me confundindo cara.

– Não brinque comigo – disse Jason aprofundando mais a lâmina na pele do menino – Diga então quem é você?

– Meu nome é Tom – respondeu. Aedan sabia que dizer seu verdadeiro nome talvez fosse uma idéia ruim. Então Jason abaixou a espada e o virou e olhou diretamente para o rosto dele e viu que tinha se enganado. O rosto de Bala Fantasma estava encapuzado, mas deu para ver que ele não tinha sardas.

– Desculpe... – hesitou Jason com vergonha –..., pela confusão.

– Tudo bem – disse Aedan com um sorriso – Agora me diga seu nome.

– É o mínimo pela confusão que eu fiz – disse Jason colocando a espada na bainha. Então estendeu a mão e disse – Meu nome é Jason.

Aedan apertou a mão de Jason com alegria

– Você é um espadachim não é? – perguntou Aedan com curiosidade.

– Sou, por que tem algum problema? – indagou ele já colocando a mão na espada.

– Não, não – disse Aedan, que estava feliz. Ele encontrou alguém que gostava de espadas como ele e poderia te aprender a usar melhor seu sabre.

– Você é um atirador? – perguntou Jason.

– Sou – respondeu Aedan ou Tom. Ele sabia da rivalidade entre espadachins e atiradores e os acontecimentos envolvendo o Cálice – Sou magia-atirador, uso magia em minhas armas.

– Tenho a impressão de que posso confiar em você – disse Jason olhando-o de cima a baixo – Mas qualquer gracinha você já era.

– Você está sozinho? – perguntou Aedan olhando em volta.

– Relaxa – disse ele tranquilizando – Estou sozinho.

– Quer ser meu amigo? – perguntou Aedan com um sorriso maior. Ele gostava de tentar fazer amigos ou chegar próximo de seus corações.

– Você é um renegado do seu povo? – perguntou Jason com olhar voltado para o lago.

– Como você... – Aedan abaixou a cabeça e respondeu – Sim.

– Aí está sua resposta para sua pergunta – disse Jason com um sorriso no rosto (essa cena é rara). – Não precisa ter vergonha do que você fez tudo isso está no passado – continuou levando o rosto de Aedan pelo queixo.

– E se eu te dizesse que foi por causa de vocês... — disse ele, mas parou.

— O quê? – perguntou Jason, não entendendo a fala de Aedan/Tom.

– Nada – disse ele com tristeza – Você tem família?

– Sabe guardar segredo? – perguntou Jason baixando o tom de voz.

Aedan sorriu. Sabia guardar segredos como ninguém, era o confidente de todos seus amigos.

– Sei.

Então Jason contou tudo que havia acontecido, a infância, Excalibur, Seu pai Aedan e etc. Deitados na relva olhando as nuvens.

Quando ouviu do pai de Jason, Aedan ficou com mais receio de contar a Jason seu verdadeiro nome.

– E você? – perguntou Jason – Me conta sobre você.

– Você quer mesmo?

– Claro – disse Jason sem tirar os olhos das nuvens que pareciam não se preocuparem com o fato das chuvas estarem chegando.

– Então tá – com um suspiro, ele contou tudo, o motivo de ser um renegado etc.

– Um sabre de luz? – perguntou Jason olhando para o rosto de Aedan que tinha algo que o atraia e dizia que ele precisa daquela jornada mais do que ele.

– Sim – disse ele se levantando e indo até sua mochila, abriu e de lá tirou um cilindro metálico longo e fino com um buraco na parte de cima.

Apertou um botão e a luz cortante apareceu. Tinha um brilho verde e incandescente.

– Posso usá-lo? – perguntou Jason com olhar de ansiedade.

– Tente – disse Aedan dando o cilindro para ele.

Jason achou leve demais para chamar aquilo de espada, mas apesar do seu poder cortante, ainda prefiria Excalibur.

– Mesmo com tudo que vem acontecendo comigo – disse Aedan olhando Jason cortar o ar com o sabre –, meus amigos me procuram para me dar alimento, roupas, coisas do gênero.

– Eles são bons amigos – afirmou Jason, apertando o botão para desligar a luz e devolvendo à seu verdadeiro dono. – Quer vir em uma jornada comigo?

Ele olhou para Jason e sorriu, mas tinha que perguntar:

– Qual o objetivo?

– Sermos os melhores – disse ele dando a mão para Aedan se levantar – O que acha... Atirador de fogo?

– Atirador de fogo? – perguntou Aedan com vergonha.

– Sim – disse ele – Cabelos e rosto cor de fogo, nada mais apropriado.

Aedan pensou um pouco, em todo que aconteceria e no final:

– Eu aceito – e pegou a mão de Jason e os dois começaram a planejar seu caminho nessa jornada em que o objetivo era o melhor possível. – Para onde vamos?

– Pretendo ir ao Monte Calvo, procurar o Cálice — respondeu Jason.

– O Monte Calvo fica ao norte e naquela região existem muitos monstros de alto nível – afirmou Aedan.

– Mas antes pretendo passar pelas cidades próximas para conseguir alimentos e materiais.

– Meus amigos podem ajudar – disse Aedan – Eles gostam de uma boa confusão.

– Eles sabem lutar? – perguntou Jason.

– Sabem atirar muito bem – respondeu ele com ar de satisfação

– Vocês aprendem atirar com que idade? – perguntou Jason confuso.

– Depende da família – respondeu Aedan colocando a mochila nas costas – Mas comigo, foi necessidade. Quando me tornei renegado, tivesse que aprender para sobreviver.

– Você tem medo de atirar? – perguntou Jason com aspereza nas palavras.

– Claro que não – respondeu Aedan olhando para o lago.

– Então atire em mim – disse Jason tirando o cinto da bainha e jogando ela na grama e abrindo os braços – Vamos ver sua precisão.

– Você tá brincando. – disse Aedan surpreso.

– Não estou. Atire.

Aedan colocou sua mão lentamente em sua arma laser e sacou em direção a Jason, mas algo estranho estava acontecendo: suas mãos estavam tremendo, o que estava acontecendo?

Então do meio da mata, veio um tiro mais rápido que acertou a arma de Aedan e a quebrou, quem atirou usou um silenciador na arma

Jason olhou para o lado e lá viu aquele ser que havia matado seu pai Aedan, Bala Fantasma estava ali.