Jane deu de sugestão à Aedan que o nome do menino seria Jason, em homenagem a um guerreiro que havia sido sugado pela luz do Cálice. Aedan concordou que o nome seria o mais apropriado.

Aedan sabia empunhar uma espada, atacar, defender. Fazia parte de uma antiga guilda, ou seja, grupo, chamada Aliança do Titã, composta de conhecidos e amigos.

Naquela época, para ter uma guilda reconhecida, precisa de três classes:

Guerreiros, que iam às linhas de frente, Curadores, peritos em magia de cura, sim, magia sempre existiu, e Retaguarda, composta por arqueiros que ficavam atrás dos outros e disparavam para o alto e alguns escudeiros que protegiam os arqueiros.

Jason crescia com a alegria de uma criança, mas a raiva de um adulto frustrado o deixava triste e depressivo.

Jason tinha 12 anos quando pegou em uma espada pela primeira vez, seu pai adotivo havia achado sua antiga espada em suas coisas e deu a ele, contando sua história.

– Acredite se quiser Jason, essa espada se chama Excalibur. – Falou Aedan com certeza em suas palavras. – Eu a encontrei cravada em uma pedra.

– Sério? – perguntou Jason não acreditando, a possível Excalibur era muito bonita, segundo Aedan, era feita de um minério chamado por muitos de Dente de Dragão, já que era muito resistente e indestrutível, nem as lavas mais quentes a derreteriam. Sua lâmina brilhava com o brilho do sol, seu punhal tinha um rubi com um brilho chamativo.

– Claro – respondeu ele – Caso não saiba, ela está destinada a um herói.

– Um herói? – indagou Jason olhando para o brilho da espada.

– Sim – disse Aedan – Destinada a você. Antes de falar algo tente empunhá-la.

Jason não questionou e levantou a espada com as duas mãos já que ela era pesada a principio, tentou golpear o ar e pôde sentir a força que ela lhe dava e não demorou muito para conseguir empunha-la com uma mão só. Ele polia a espada, rasgava o ar com sua lâmina e chegava a sentir como se fosse um amor de mãe ali perto dele.

Aedan ajudou Jason a fazer ataques mágicos com a espada. Técnicas que iam de cortes rápidos aos cortes flamejantes, com magias simples e básicas que ele foi treinando por dias viraram semanas, semanas viraram meses, meses viraram anos e Jason se via agora com 15 anos com uma espada mágica com as seguintes técnicas:

Corte Flamejante: podia cortar três ou mais rochas independente da força do espadachim. Não se deve usar perto de uma floresta já que as labaredas podem queimar tudo

Corte Rápido: como o próprio nome diz, ele é um ataque muito rápido.

– Quer aprender uma nova? – perguntou Aedan, que já havia lhe contado desde o início sobre como o encontrou e o que os espadachins desapareceram. Agora ele estava com idade avançada com cabelos brancos e o rosto mais enrugado.

– Quero – respondeu Jason ansioso – Como se chama?

– Dança das espadas – respondeu ele.

– Como se domina essa técnica? – perguntou o jovem espadachim.

– Para dominá-la – continuou –, você precisa ter uma razão interior para conseguir.

– Como a vingança que pretend fazer? – disse Jason com o coração cheio de trevas e vingança.

– Não – respondeu Aedan com um movimento com a cabeça – Precisa ver algo que você ama ser destruído.

– Mas, minha mãe... – falou Jason, mas logo foi interrompido.

– Você se lembra dela? – perguntou Aedan com um olhar sereno.

– Não – respondeu ele apertando o cabo da espada. Para Jason, isso seria difícil, já que com o tempo, aprendeu a não se apegar as coisas, nem a Aedan e Jane, que havia morrido de uma doença a alguns anos, ele havia se apegado com objetivo de sua vingança já que não teria medo de abrir mão de nada para obtê-la.

– Você deve dormir agora – indagou o senhor –, para acordar revigorado e pronto para sua jornada amanhã.

– Jornada? – disse Jason levantando rapidamente seu olhar para o idoso.

– Sim – respondeu ele – Com o tempo, seu coração se encheu de trevas e ódio por minha causa... – ele hesitou – Se eu não tivesse contado sobre sua mãe...

– Não é sua culpa – disse Jason com o olhar em Aedan.

– Claro que é – respondeu Aedan com tristeza – Sua vingança possuí suas razões, mas devo lhe dizer – ele hesitou novamente –, para aprender essa nova habilidade você precisa se apegar a algo ou alguém para aprendê-la.

– Mas... E a jornada? – perguntou Jason com os olhos cheios de lágrimas.

– A jornada é para testar tudo que te ensinei com o passar dos anos e ver se você é um verdadeiro espadachim.

– Mas eu sou – exclamou Jason com um aperto no coração.

– Então prove e siga seu caminho – disse Aedan entrando em sua casa, mas antes de fechar a porta, ele perguntou – Você vem?

Jason colocou sua espada na bainha que estava em sua perna esquerda e entrou em silêncio.

Morar em uma floresta tinha suas vantagens e desvantagens, o silêncio seguinte àquela conversa de jornada, se seguiu até à hora de dormir, que era quando os grilos começavam seu canto noturno que era a única coisa que acalmava Jason de uma coisa que ele nunca havia sentido antes: Medo.

Deixando a espada do lado da cama, apagou a lamparina e deitou sem sono em sua cama com receio do que aconteceria, mas aquela seria uma noite bem mais cabulosa do que ele pensava.

Jason ainda com tristeza na alma, achou estar começando a ficar louco quando ouviu uma voz que dizia: Herói ou Vilão... Quem vence?

Ele levantou rapidamente e pegou a espada e a empunhou com velocidade pronta para atacar, mas sim que virou, viu uma imagem reluzente de um menino com uma túnica que ia até os pés, sua pele era bem branca e parecia macia, olhos e cabelos escuros e ele disse com a voz, mas desta vez era serena e sedosa.

– Não há necessidade disso – com um gesto com a mão, ele fez a espada parecer em sua mão e deixando Jason com as mãos vazias.

– Quem é você? – perguntou para a figura que examinava a lâmina da espada.

– Excalibur – respondeu a figura tirando seu olhar da espada e olhando para o garoto – E você é Jason, o menino vingador.

– Talvez – disse ele em retruco. – Devolva minha espada, fantasma – disse Jason, que chutou o que era aquele menino.

– Excalibur só pode ser empunhada por um herói, coisa que você não é – indagou o menino reluzente.

– O que quer dizer? – disse Jason baixando a guarda.

– Que se pretende ser um herói com essa jornada e essa espada, está enganado. – disse o espírito – Sua vingança é vazia e sem sentido.

– Como assim? – perguntou Jason se sentindo triste com as palavras – Vou vingar meu povo que foi destruído por esse rei com três magos do mau.

– Então você sabe parte da história – afirmou a figura – Mas você não sabe uma coisa.

– E o que é? – perguntou Jason pronto para o que vir.

– Eles não estão mortos— disse Excalibur.

– Como assim? – perguntou Jason com olhar amedrontado.

– O Rei queria que todos pensassem isso – disse o espírito – Mas eles estão vivos em uma dimensão alternativa do Santo Graal.

– Santo o quê? – perguntou confuso.

– O Santo Graal é um cálice que na verdade é a chave de um portal que pode te levar a uma dimensão isolada onde todo seu povo está.

– Como sabe disso? – perguntou Jason temendo a resposta.

– Eu...A espada, fui criado a partir do Cálice Amaldiçoado – respondeu o espírito com o olhar de arrependimento e apontando para a espada.

– O quê? – perguntou Jason não acreditando.

– Quando me empunhou – disse –, você sentiu algo?

– Sim – respondeu Jason – Um calor bom.

– É o calor do seu povo – disse o menino, mas logo ele estendeu o punhal para que ele pegasse – Quando empunhar Excalibur, você não estará sozinho.

– Mãe... – sussurrou ele pegando a espada –... desculpe

– Tenho certeza que ele aceitará suas desculpas – disse a figura – Mas seu pai adotivo tem razão. Essa jornada ajudará você a encontrar a pureza certa para aprender a dança das espadas e derrotar o verdadeiro inimigo.

– Preciso encontrar minha mãe – afirmou Jason com esperança.

– Mas é como disse – falou – Excalibur só pode ser empunhada por um herói, não um vingador. Seja o herói do seu povo ou um mercenário sem sentido.

Jason pensou muito e tomou uma decisão:

– Onde encontro o Cálice?

Excalibur sorriu:

– No Monte Calvo ao norte das montanhas antigas. Mas vou avisar, nessa jornada você encontrará inimigos que usam armas mais rápidas que sua espada e que não hesitaram em matá-lo.

– Que venha o exercito do Rei – disse ele levantando a lâmina. Excalibur olhou para a janela do quarto e disse:

– Aí está seu primeiro teste – disse ele. Jason olhou pela janela também e viu um grupo de três pessoas com tochas e armas estranhas em mãos. – Seu povo está com você... – Excalibur hesitou e sua voz mudou para uma voz feminina que o encheu de força –... Jason.

Excalibur desapareceu e Jason foi até a porta com a roupa do corpo, mas parou na maçaneta com receio do que aconteceria, mas mesmo assim abriu com a verdadeira coragem de um guerreiro.