Daniel Pryde o Início
6 Capítulo 6
6
— Asas? Como assim, asas?
Uma semana depois, Daniel estava no laboratório de Rat, com uma forte dor nas costas que não passava de jeito nenhum. Aparentemente, eram as suas asas, que queriam sair.
— Asas. Quando você começar a aceitar completamente seu lado demoníaco...
— Isso não vai acontecer. — Daniel cortou.
— ...As suas asas vão nascer também. Ou quando você precisar, ou algo assim.
***
Mitsuko estava andando por um corredor do hospício junto com alguns outros doidos. Ela teria que fingir por mais uma semana no mínimo.
— Olha, uma gárgula usando um casaco! – um garoto apontou para a janela. Estava chovendo lá fora. Por algum motivo, ela olhou, e viu uma figura, agachada em cima de um dos muros, na chuva. Usava um sobretudo preto, e tinha asas.
***
Quando ela saiu do prédio para os gramados, logo o viu. Ele agora estava no chão, num pavimento de cimento do jardim, um pouco à sua frente, não se importando com a chuva. Ele tinha asas. Asas um pouco maiores que as de morcego, mas não grandes o suficiente para atingir o chão. Eram cinza-avermelhadas, e pareciam feitas de pele.
Ela se aproximou dele.
— Oi. – Daniel fumava um cigarro. Misteriosamente, continuava aceso na chuva. Mas o homem à sua frente estava molhado. Mitsuko notou no quanto ele ficava bonito molhado.
— Oi. – ela falou simplesmente.
— Como vão as coisas?
— O de sempre. – ela se aproximou. – Sabe... você nunca falou tchau, depois de tudo.
Ele olhou pra ela. Água pingava da sua franja. Os seus olhos estavam mais avermelhados que o normal.
— Tchau. – ele falou simplesmente, dando de ombros.
— Quando eu sair daqui, eu vou te procurar. – ela falou quase em que um tom de admiração.
Ele riu, mostrando as presas.
— Não vai não.
Ela notou que as asas não eram cinza avermelhadas. Eram cinzentas, e o sangue estava sendo lavado pela chuva, manchando o chão de concreto.
— O que... – ela começou, mas meneou a cabeça. Aí piscou pra ele, sorrindo aquele sorriso. – Eu não ganho nem um beijo de despedida?
— Não fique aqui na chuva à toa. – Daniel sorriu antes de virar as costas e sair andando, de vez em quando agitando as asas para tirar a água.
E o cigarro não apagou.
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