Daniel Pryde o Início
4 Capítulo 4
4 — Ok, eu mereci essa. – Daniel falou, passando o rosto ardido.- Com certeza. Você me deve explicações.- Lorelei, você sabe que a gente não daria certo.- Você sumiu por um mês, e quando finalmente fez contato, foi pra deixar um recado na minha secretária, falando que estava na Sibéria!- É, bom, é que...- Você tem muita coragem, aparecendo aqui.- Eu estou a trabalho.- É sempre assim. O que você quer? Você não pode fumar aqui, sabia?- Um pêndulo de P’Lach.Ela continuou a olhar raivosa pra ele. Aí chamou.- Airee! Traga um P’Lach aqui.Ouviu-se um barulho de coisas caindo, e uma outra garota, muito parecida com Lorelei, só que com cabelos e olhos verde- limão, apareceu.
- Daniel! O que você faz aqui?- Trabalho. – ele deu um meio sorriso.Ela sorriu e entregou um pêndulo, com o pingente em forma de espiral. Daniel, não querendo ficar por muito mais tempo sob o olhar raivoso de Lorelei, sorriu e passou pela cortina improvisada.Logo depois que ele saiu, Airee apareceu na sua frente, sorrindo.- Você nem fala mais com as pessoas direito. – ela falou, se aproximando o suficiente para ele sentir o calor da sua pele.- Bem, eu estava guardando para agora.- Então fale. – ela olhou pra ele profundamente, e ele se inclinou, (porque era alto) o suficiente para os seus lábios se tocarem (ele tinha jogado o cigarro fora). Logo, eles estavam se agarrando naquele canto.O negócio é, que Daniel não é galinha. Ele apenas é sensível a mulheres que o olham de um certo modo, ou que têm uma certa atitude. Algumas mulheres o consideravam galinha. Outras, o chamavam de fácil. Ele nem se importava em ficar seduzindo, ou essas coisas. Deixava as mulheres irem nele primeiro. Não era sua culpa se elas sempre vinham.- Eu realmente tenho que trabalhar. – ele falou quando conseguiu se separar. Mas ela abaixou a mão na calça dele e Daniel só pode sorrir, mostrando os dentes.- Trabalho espera.E os dois foram para o banheiro mais próximo.***Iria ser uma longa noite.Em casa, ele viu que já eram 11 horas. Suspirou, acendeu um cigarro, tirou o sobretudo, pegou o pêndulo e se sentou à escrivaninha, olhando para a lista de nomes. Daniel segurou em cima do primeiro nome da lista. Um nome que ele nunca tinha escutado nas investigações. O pêndulo balançou negativamente, no sentido anti-horário.Assim como os próximos 10 nomes, até chegar num nome familiar. Não foi o fato do pêndulo girar positivamente no nome da paciente de cabelo pintado que surpreendeu Daniel. Foi o nome em si:Mitsuko Ishii Jarrold.Também não foi nenhuma surpresa quando o pêndulo ficou doido nos nomes dos gerentes, os chefões. Incluindo William Jarrold.***Claro que aquilo só significava que os nomes estavam apenas envolvidos, por qualquer maneira, nos casos. Inclusive por saber das informações.Daniel riu de si mesmo.Mas mesmo assim, ele teria que provar. Por isso, estava de volta no hospício na manhã seguinte, ou no jardim, para ser exato. Ele tinha lançado um feitiço em si mesmo, para enxergar vestígios de ectoplasma, para ver se tinha sido obra de alguma criatura da noite. Nada. Ele também mordeu o lábio em exasperação quando não achou nenhuma digital no corpo de Sarah Laney.Quando William Jarrold perguntou ansioso o que Daniel tinha achado, este falou a verdade: nada.E por isso, nessa tarde ele estava novamente na sala de TV de Eddie Fleming, o psicólogo de 15 anos de idade. Ele teve que tirar o garoto do Playstation para poder falar com ele.- Tá, tá. Aceita um drinque? – Eddie perguntou, já fazendo um Martini para si mesmo.- Uísque puro, com gelo.Depois de um tempo, os dois estavam conversando no sofá, cada um com a sua bebida.- Então, eu tenho um corpo que foi sacrificado, deixado num jardim. Um gerente que esconde que tem uma filha como paciente no seu próprio hospício. Um monte de figurões que também estão envolvidos. Um demônio que promete fama e fortuna. E não tenho o lugar do ritual. – Daniel falou, carrancudo.- Isso cheira a conspiração. – Ed falou.- É. Odeio conspirações.- Acho que você tem que falar com a garota. A filha.Daniel concordou, suspirando.***Aquelas paredes estavam ficando familiares demais para Daniel. Ele já até sabia o caminho para a sala de Jarrold. Mas desta vez ele andava pelo chão de metal procurando a japonesa loira falsa. Não falou nada a William, não queria dar bandeira.Enquanto ele passava pelo refeitório, uma voz o deteve.- Oi.Ele virou e quase sorriu. Mitsuko estava andando até ele.- Olá. – ele falou.Ela não falou mais nada. Apenas se aproximou e ficou andando em volta dele. Daniel permaneceu impassível. Notou que ela tinha um olho azul e outro castanho.Até que ela encostou os lábios no ouvido dele, e murmurou de um jeito que faria qualquer humano suar frio:- Eu sei o que você é.Ele sorriu. Sabia que ela não era “doente mental”.Ela sorriu enquanto o levava pela mão até o seu quarto.
***- Então, você não se importa por eu ser meio-demônio? – Daniel perguntou. Ainda estava deitado na cama estreita, enquanto Mitsuko se vestia. Não fumava, pois tinha detector de fumaça no quarto.- Não. Aliás, eu até tenho uma queda por criaturas da noite.- Foi por isso que o seu pai te colocou aqui? – ele perguntou, vestindo a camisa. Mas ela já tinha notado os cortes nos seus braços.- Você que faz isso? – ela sorriu.- É.- Em algumas culturas, você já estaria num lugar como esse.- Eu sei. – ele suspirou, antes de vestir a calça. – Então, porquê o seu pai te colocou aqui? Porque, eu duvido que você tenha alguma doença mental.Ela continuou sorrindo, satisfeita ao saber que ele era inteligente. Que ele estava à sua altura.- Foi quando eu comecei a namorar um vampiro. Papai não gostou e me botou aqui.- Você era amiga de Sarah Laney? – ele perguntou.- Você está perguntando demais, detetive. – ela sorriu.- É o meu trabalho. - Você não usa chapéu. Todos os detetives dos filmes usam chapéu. – ela falou depois de um momento de silêncio.- É antiquado demais para o meu gosto. Vocês eram amigas? – ele insistiu.- Eu era a única amiga dela.- E como ela era?Mitsuko mordeu o lábio.- Coitada. Não é à toa que morreu. Deve ter sido um dos namorados dela. Ela não era... muito pura, por assim dizer. A cada semana, às vezes dia, ela estava com alguém. Deve ser por causa da personalidade dupla.Ele se sentou na cama e bateu levemente na própria perna. Mitsuko foi e se sentou no colo dele.- Me conte mais. – ele sorriu, mostrando as presas.***
Fale com o autor