Daniel

11 11. A verdade vinda à tona


Notas iniciais
Ainda não perdi as esperanças nos meus leitores ;)
Reviews?

Pensei em Christina naquele momento, pensei em ir até ela e perguntar o paradeiro da prima Karina e pensei até em ir atrás dela e pedir desculpas e eu senti a minha cabeça pesar naquele momento. Karina estava abatida, revoltada com aquela situação e ela recorreu ao rebelde da turma, um típico começo de histórias sem um final feliz e por mais que eu não quisesse culpar meus pais por qual que fosse o final dessa história, naquela hora eu senti que não conseguiria.

Qualquer pessoa que se pusesse no lugar de Karina tacharia a prima dela de vadia, traíra e até mesmo inescrupulosa, pois o que ela havia feito com a outra não se deveria fazer nem com uma estranha e naquela tarde, eu decidi acabar logo com essa leitura de uma vez por todas ao começar a ler as folhas finais do diário.

16 de Setembro de 1987 Quarta-Feira

Querido Diário,

“Engana-se quem pensa que a noite não tem seus encantos” foi o que disse-me Arthur a noite passada quando adentrou o meu quarto pela janela. Agradeço por ele não me pressionar a nada, os segredos que ele me conta são provas suficientes de que a confiança existe entre nós mesmo eu não sendo uma deles.

Vou ser sua Rainha Negra quando chegar a hora, e essa hora não vai demorar mais do que alguns dias e ai sim, vou poder mostrar a Richard e Márcia o quanto eu sou poderosa e o quanto eu sou superior aos dois. Richard é fraco! Daniel poderia passar o poder a ele, o dom da imortalidade, da força, da superioridade! E eu terei tudo e deixarei de ser a Karina Ramos de Oliveira, filha de um fraco e imbecil ser patético, proibida a tudo para me tornar a forte e imortal Kara Ramos.

Arthur disse que eu serei mais linda do que já sou e é o que vou mostrar a Márcia, uma beleza que ela nunca terá, porém eu quero mais... Meu desejo era de matar os dois, como eles fizeram a mim.

Não. Kara? Kara Ramos? Não fazia sentido. Karina falava de imortalidade, força e beleza de grau magnífico como se tudo fosse exposto a ela em forma de poção, um chá raro, milagroso.

Karina se alto apelidou de Kara, o nome da mulher que quase me matara dias atrás por um motivo ao qual eu desconhecia e naquele momento eu soube que algo verdadeiramente estava errado.

Larguei o diário e desci as escadas em direção a cozinha, o barulho da batedeira denunciava o lugar em que eu encontraria Christina.

- Karina Ramos de Oliveira – disse em tom apressado mais Christina apenas sorriu educadamente.

- Karina? Quem é Karina? – ela me perguntou num tom surpreso, demonstrando espanto.

- Não conhece nenhuma Karina? – perguntei alarmada, afinal, a Karina do diário era prima da minha tia.

- Não – ela balançou a cabeça – Certa vez eu estudei com uma Camila, mais Karina... Não me lembro de ninguém com esse nome, querida...

- Karina Oliveira, tia Christina – insisti, ela deveria saber – A senhora não conhece, realmente não sabe quem é?

- Pensando melhor... Eu tive uma prima chamada Karina, mais não cheguei a conhecer. Márcia foi quem conviveu com ela. Mais como você soube da Karina?

- É complicado e eu prefiro lhe contar outra hora. Mais tia... Não a conheceu? Ela se mudou daqui? O que ouve?

- Karina sumiu. Meus pais diziam que ela não era feliz, que o pai a prendia muito e fugiu, fugiu a procura de liberdade e nunca mais deu noticias... Meu tio decidiu dá-la como morta, esquecer que ela existia e o que eu sei é que ela nunca mais apareceu.

- Obrigada – foi o que consegui dizer antes de correr escadaria a cima em direção ao quarto de Daniel Grigori.

Empurrei a porta sem pensar e me deparei com o pequeno quarto vazio e acima da escrivaninha estava um pequeno caderno preto aberto com uma caneta ao meio marcando as páginas.

Daniel não estava, mais onde ele haveria ido logo agora que eu precisava falar a ele sobre Karina? Decidi que o esperaria ali, sentada em sua cama como ele e Arthur haviam feito essa manhã. Porém, ao passar perto da escrivaninha não pude deixar de ler meu nome em seu caderno escrito em uma caligrafia perfeita.

Emily Kalizia, a bela de nome ao qual eu havia escolhido a tantos anos atrás me desperta hoje, sentimentos que eu não imaginava que nessa minha condição deplorável poderia ter. Um mostro condenado a vagar pela eternidade lutando quanto o desejo de sugar a vida das pessoas.

Emily. Tão doce, tão linda, tão frágil... Eu quero fugir, largar tudo mais é tarde demais, eu sinto que devo protegê-la de todas as ameaças, mais como protegê-la de mim? A filha do meu melhor amigo não deve saber do que Richard sabia, não posso deixá-la conhecer o meu segredo.

- Emily? – a voz alarmada de Daniel soava da porta – O que faz aqui?

- Melhor amigo? – eu não entendia, o que afinal eu acabara de ler? – Richard? Que história é essa? O que diabos está escrito aqui Daniel Grigori?

- Você não devia ter entrado aqui... Não devia ter lido... Não devia saber de nada – Daniel balançava a cabeça, parecia transtornado consigo mesmo.

- Anda! – exigi num tom auto demais – Fale! O que você esconde?

- Você não quer saber, Emily... – sua expressão era triste, desolada.

- Mas é claro que eu quero! – Eu exigia, e um Daniel amargurado surgia a minha frente.

- Sou um monstro – sua voz era baixa, mais clara.

- O que você é? – perguntei clara e compassadamente, meu coração batia como se quisesse sair do meu peito e os olhos dele estavam vazios com a dor de ter que responder.

- Sou um vampiro.

Naquele instante eu congelei. Minhas pernas se tornaram bambas e eu despenquei em direção ao chão.

- Emily! – Sua voz soou desesperada e em uma velocidade sobre-humana, ele se moveu e me pegou nos braços evitando a minha queda.

Ele desceu as escadas e me pois sentada no sofá, com muita delicadeza, em seguida se sentou no chão, olhando fixamente para baixo.

Baixei minha cabeça também, mais não porque ele o fez e sim, porque ela girava e girava tentando inutilmente ligar o que ele acabara de me dizer a realidade.

- Você só pode estar sonhando! – disse a mim mesma, um sorriso lateral no rosto. – Você só pode estar sonhando, Emily. Acorde sua imbecil – minhas mãos se fecharam em punho e eu as apertava com toda a minha força – Abra a merda dos seus olhos, volte para os seus amigos, para a sua família, volte para a sua vida!

Em segundos, o meu rosto se tornara involuntariamente uma cascata de lagrimas e Daniel agora me observava, seu olhar ainda era vazio.

- Vamos! Acorde! – Gritei – Isso não existe. Vampiros não existem!

- E ela se nega a acreditar – Era Arthur quem falara. Assustei-me ao vê-lo parado ao lado da escada, ele sorria impecável.

Daniel agora o pressionava contra a parede, seu braço forçava a garganta de Arthur, mais o louro apenas sorria, debochando da força do outro.

- Você não é o mais forte, Daniel – Arthur o empurrou com uma força descomunal e Daniel foi jogado contra a outra parede – Você sabe disso.

Do outro lado da sala, Daniel já estava de pé e encarava Arthur como um rival de UFC. Me levantei de um salto, meus olhos estavam vermelhos e marejados, encarei Arthur e ele apenas sorriu para mim.

- Karina Ramos de Oliveira. Lembra dela? – Perguntei o olhando nos olhos sem pensar na idiotice que eu poderia estar falando, mais eu tinha certeza que a força que ele demonstrou ter, não era normal. O sorriso enigmático que eu já conhecia brotou nos lábios de Arthur, mais ele mudou de assunto.

- Richard aceitou mais rápido do que você, não foi Daniel? – ele sorriu para Daniel – Não quer falar do seu melhor amigo para a filha dele?

- O que houve com você, Arthur? – perguntei, balançando a cabeça – Você é meu amigo, porque esta falando assim?

- Arthur nunca foi amigo de ninguém – Daniel falou. Ele encarava o louro – Realmente acreditei que você tivesse mudado.

- Emily é fascinante, não é Daniel? – Ele me encarava, seu tom era brincalhão – Encantadora, perspicaz e deliciosamente linda. Como a tia Karina.

- Você a matou – Daniel cuspiu as palavras – Quando ela desapareceu, foi você!

- Não! – Arthur balançou a cabeça negativamente – Eu bebi de Karina o sangue e a enrolei durante um tempo, mais eu não a transformei, eu gostava dela!

- Para de mentir, Arthur! – Daniel gritava.

- Eu não estou mentido! – ele gritou em resposta – Karina era divertida, era legal estar com ela, eu realmente gostava.

- Você a encorajava, dizia que a transformaria. Que a daria o seu poder – eu acusei – Ela escreveu tudo no diário, você a chamava de Kara!

- Karina é um nome grande – ele deu de ombros – Kara combinava com ela. Além disso, ela precisava de um empurrãozinho... Eu queria o sangue dela, alimentar as suas esperanças a fazia ceder mais rápido.

As náuseas começavam a tomar conta de mim. Sangue, o que corre pelo meu corpo, o precioso líquido que alimenta as minhas veias... Arthur me fez sentir como um animal inerte na mata verde, pronto a ser abatido pelo caçador. Eu estava ali, pequena e indefesa na enorme sala da minha família... Eu estava ali com dois vampiros.

- E porque simplesmente não a fez ceder? – Os olhos de Daniel queimavam.

- Eu não forço ninguém a nada, Daniel. As pessoas são minhas amigas porque querem.

- Eu acredito em você. – eu disse, calmamente.

- Não acredite! – Daniel me repreendeu.

- Eu não a transformei, Daniel – ele se sentou ao meu lado – Obrigado, Emily.

- Mas alguém o fez.

- Elementar meu caro Watson – Arthur o encarava debochando – Ela pode simplesmente ter encontrado algum outro vampiro e...

- E ela quer me matar porque minha mãe estragou sua vida – balancei negativamente a cabeça e olhei para baixo absorvendo o que eu própria havia dito.

Notas finais
Esperando reviews!
Vamos lá comentem!