Notas iniciais
Ooooiiiii pessoal!! Tudo bom? Aqui estou eu com mais um capítulo. Acho que vocês vão se surpreender um pouco ;)

—Claro. Estou com fome. — ela assente e deixa a bolsa dela no sofá.
Eu vou para a cozinha e pego um prato limpo. Tento respirar fundo e dizer para mim mesma que está tudo bem. Sirvo uma grande quantidade de macarrão, sem as almôndegas, em seu prato. Minha mãe é vegetariana e prefere comida orgânica.
Coloco o prato em cima do balcão de granito e ela olha para o macarrão antes de pegar o garfo e enrolar um pouco de massa. Ela leva até a boca. Estou em pé do outro lado do balcão encarando ela. Ela mastiga, mastiga e mastiga e depois diz:
—Está ótimo.
—Obrigada. — sento-me na banqueta. -Por que está aqui? Achei que estava em Chicago com papai e o...
—Estava. — ela me interrompe olhando para mim. Abre a boca para falar e depois a fecha. Suspira e diz: — Os pais de Tilly são... exóticos.
—Exóticos? — franzo o cenho.
—Sim. Eles... têm um zoológico dentro de casa. Mas são pessoas simpáticas.
—Ah. — digo.
Minha mãe come mais uma garfada do macarrão. Aquilo está me matando.
—Sean chegou bem chateado em Chicago ontem. — ela diz e olha para mim inquisidoramente. — Ele me contou que está grávida.
Meus olhos se arregalam no mesmo momento. Minha mãe analisa meu rosto em silêncio, talvez saboreando minha expressão de choque.
—Esta foi minha cara quando seu irmão me disse isso.
Não falo nada.
—De quantos meses você está?
Pigarreio e me arrumo na banqueta.
—Quase dois.
Ela assente.
—Eu estive pensando no que falaria para você quando chegasse aqui. E não consegui pensar em algo agradável.
—Só de você não estar gritando comigo já não está sendo tão ruim, sinceramente.
Ela arqueia as sobrancelhas.
—Sabe que seu futuro mudará completamente daqui para frente, não sabe?
—Sei.
Ela assente mais uma vez. A calma dela é algo inusitado. Ela não age assim. É um fato conhecido.
—Como está se sentindo sobre isso? — ela pergunta.
Respiro fundo.
—Ah... um pouco assustada.
Minha mãe concorda com a cabeça.
—Sabe que o único motivo que me impede de falar para você abortar é a nossa religião, não sabe?
Aquilo me fere. Eu apenas concordo com a cabeça.
—Mesmo que você dissesse, eu não faria isso.
—Eu sei.
Nós ficamos em silêncio por um bom tempo.
—O que veio fazer aqui exatamente? — pergunto.
—Ver você e conversar.
—Algo inesperado.
Minha mãe come mais uma garfada de macarrão.
—Como Kyle está com isso?
—Mais calmo do que eu. Ele reagiu muito bem, na verdade.
—Algo inesperado. — ela fala. — E você acha que ele vai fazer de tudo por vocês?
—Tenho certeza.
—Essa sua certeza que me assusta com esse rapaz, Alice.
Suspiro exasperada.
—Estou falando sério. Desde que conheceu esse rapaz você está outra pessoa...
—Não estou outra pessoa, mãe. Estou sendo apenas eu. Acha mesmo que aquela pessoa trancada dentro do quarto com a cara nos livros era eu? Quem eu gostava de ser?
Ela respira fundo.
—Olha, você é a minha filha. Eu sempre quis o melhor para você e graças à educação que eu te dei, você mora nesse apartamento e entrou para a academia de ballet mais renomada de Nova York.
—Sim e eu agradeço isso a você e ao papai. Mas você não pode achar que vai sempre tomar decisões por mim porque agora eu me viro sozinha!
—Você trabalha como garçonete em um bar noturno e o seu namorado também. E agora você vai ter um filho por pura irresponsabilidade.
— Nós ficaremos bem.
—Está sendo imatura, Alice! — minha mãe levanta um pouco o tom de voz. — Só pense um pouco! Nas coisas que terá de abrir mão... Esse rapaz não é tudo isso. Isso é só uma paixãozinha...
—O que você sabe sobre isso? — pergunto irritada. — Você não sabe nada sobre meu relacionamento e não sabe nada sobre Kyle.
—Sei o bastante para saber que ele não é bom para você. Sei o bastante porque já tive sua idade e acresite ou não, já me apaixonei por outros antes do seu pai.
Levanto-me da cadeira exasperada.
—Se a senhora veio aqui para falar tudo isso novamente ou sobre as condições financeiras da família dele, está perdendo o seu tempo.
Minha mãe me olha e fecha os olhos ao respirar fundo.
—Acalme-se Alice. Eu só estou tentando fazer você enxergar algumas coisas que você não quer ver. Não estou aqui para ofender ninguém. Sente-se.
Cruzo os braços em frente ao meu corpo e me escoro na pia. Fico olhando para minha mãe.
—Ou fique em pé, tanto faz. Só vim lhe desejar um feliz Natal e dizer que eu sou sua mãe. Se você precisar de algo, você pode procurar a mim e o seu pai.
Aquilo fora inesperado. Ela se levanta da banqueta e pega o prato e vem até a pia. O coloca dentro dela e olha para mim:
—Espero que saiba o que está fazendo.
Olho para ela. Meus olhos estão prestes a se desmanchar em lágrimas.
—Eu voltarei para Chicago ainda hoje. Pegarei um trem então preciso ir agora.
—Você não quer ficar? — pergunto e limpo os olhos com as costas da mão antes que as lágrimas escorram.
—Não, eu prometi para o seu irmão que voltaria.
Concordo com a cabeça e minha mãe faz algo que me surpreende. Ela me abraça.
Fico paralisada por um momento.
—Se cuide. — ela me solta e dá as costas para mim.
Observo ela pegar sua bolsa rapidamente e sair do apartamento como um furacão. O único som presente no apartamento é o dos saltos dela batendo no carpete.
A porta se fecha e eu começo a chorar instantâneamente. Começo a chorar pois não esperava isso dela. Apesar de alguns insultos, aquilo fora uma conversa pacífica e ela dissera coisas até legais.
***

K.Y.L.E

Algo que eu nunca esperaria ver era a mãe de Alice chorando. Quando a porta do elevador se abre para que eu possa entrar, ela está saindo do elevador. Quando me vê, as lágrimas parecem secar imediatamente. Ela sai do elevador e para a minha frente. Mesmo com um par de saltos enormes, ainda é baixa. Ela olha para mim e diz:
—Acho bom você cuidar da minha filha. — ela funga olhando para mim.
—Vou cuidar. — digo.
—Você vai trabalhar vinte quatro horas por dia se for necessário para dar tudo o que ela e a criança precisarem, está me entendendo? — ela aponta o dedo para mim.
Concordo com a cabeça mas mantenho um pouco a distância.
—Ótimo. — ela diz e passa a mão pelos cabelos loiros e depois limpa os olhos com a ponta dos dedos. — Feliz Natal.
Ela sai andando, seu salto batendo no chão. Observo ela dar um sinal para o táxi e depois entrar.
Aquilo fora estranho. Entro no elevador. Minha jaqueta está com um pouco de neve e eu seguro algumas sacolas de presente nas mãos.

A.L.I.C.E.

A campainha toca e eu ando em direção a porta. Posso sentir meus olhos inchados e meu nariz levemente congestionado. Quando abro a porta, Kyle parece um pouco perturbado por alguma coisa. Ele está segurando várias sacolas de algumas lojas de roupas.
—Bem... como foi? — ele pergunta entrando.
Fecho a porta e respiro fundo. O observo colocar as sacolas em cima do tapete branco na pequena sala.
—Melhor do que eu imaginei que seria.
Kyle arqueia as sobrancelhas
—Está falando sério? Ela estava... chorando e disse algumas coisas para mim.
Pigarreio e fungo.
—O que ela disse?
—Que era bom eu trabalhar vinte e quatro horas e fazer o possível e o impossível por vocês.
Me aproximo de Kyle.
—Ela até me desejou feliz Natal.
Arqueio as sobrancelhas.
—Nossa! O que será que aconteceu com ela?
Kyle coloca meus cabelos atrás das minhas orelhas.
—Eu não sei. O que ela te disse?
Suspiro.
—Primeiro disse que eu era irresponsável e que você não era para mim e depois disse que se eu precisar de qualquer coisa era pra eu falar.
Kyle sorri de lado.
—É sério?
Dou risada da sua cara.
—Isso é um avanço e tanto.
—Ela me abraçou Kyle! Ela me abraçou.
Quem me abraça agora é ele e eu me sinto tão segura. Suas mãos estão nas minhas costas e as minhas naa suas.
—É um dia memorável.
—Eu sei. — suspiro. — Achei que você estivesse na porta ouvindo a conversa toda.
—Eu queria fazer isso. Mas aproveitei e fui fazer umas compras de Natal.
Olho para seu rosto.
—Isso não é justo. Eu nem tive tempo de comprar nada para você.
—E quem disse que eu comprei algo para você?
Dou risada e reviro os olhos.
—Não sei... é só um palpite.
Sorrimos um para o outro e Kyle me beija.
Kyle havia comprado presentes para mim, para Chloé e para seu pai e Tom. Ele os mandaria via correio. Para mim ele comprara um par de scarpin lilás que era a coisa mais linda do mundo. Ele dissera que era o sapato que mais combinava comigo e que ele gostava quando eu usava. Eu sorri para ele e agradeci. Me sentia mal por não ter lhe comprado nada. Assim que pudesse compraria. Comentei isso com ele e ele respondeu:
—Qualquer coisa relacionado a Nirvana está ótimo.
Sorrio.
—Sem indiretas, Kyle.

Notas finais
E aí gente? Gostaram? O que vocês acharam da reação da mãe da Alice? Me contem tudo aí nos comentários ;) Espero vocês amanhã ♡ Lê.