Notas iniciais
Oi pessoal! Tudo bem com vocês nesse começo de semana? Espero que sim. Eu estou suuuper cansada porque não é nada fácil acordar cedo né... Nossa... Mas, vim aqui trazer um novo capítulo pra vocês... E eu espero que gostem.

Não noto que acabo adormecendo com a cabeça encostada na janela. Acordo com Kyle sacudindo meu braço de leve e chamando meu nome. Abro meus olhos sonolentos e olho em volta.
—Já chegamos?
—Não. — ele diz. — Parei aqui no posto para comprar alguma coisa para comer. Talvez você queira ir no banheiro também.
Concordo e saio do carro. Olho em volta. O posto de gasolina está vazio. Apenas o carro de Kyle está ali.
Sinto o braço de Kyle ao redor do meu ombro enquanto nos dirigimos até a loja de conveniências. Quando entramos, um sininho acima de nossas cabeças toca anunciando nossa entrada para a mulher fumante atrás do balcão.
Passo os olhos pelas prateleiras. Não há nada muito saudável para comer então pego um pote de batata Pringles, uma barra de chocolate e vou até onde Kyle está, na geladeira de bebidas. Ele está pegando uma garrafa de seiscentos ml de Coca Cola. Eu pego uma Fanta Uva para mim. Ele olha para os itens que estou segurando e arqueia sua sobrancelha com o piercing preto.
—Que saudável.
Reviro os olhos e me dirijo até o caixa. Coloco as coisas em cima do balcão e pego mais quatro barrinhas de cereal de banana. Kyle também coloca um pacote de salgadinho de bacon e a Coca Cola no balcão. Eu tiro uns trinta dólares do bolso da calça e entrego para a mulher fumando do outro lado do balcão. Tenho vontade de chamá-la de mal educada.
—Eu ia pagar. — Kyle diz quando saímos da loja carregando as sacolas de papelão com as compras.
—Tudo bem eu pagar. — digo. — Você está sempre pagando tudo.
Entramos no carro e colocamos o cinto de segurança.
—Tudo o quê? Nem saímos de casa.
Franzo o cenho.
—Bom, você sempre paga as comidas que pedimos no apartamento e os cachorros quentes.
Ele ri e dá de ombros.
—Onde estamos? — pergunto completamente desorientada.
—Falta apenas cinco quilômetros para chegarmos no estado de Nova York.
Me surpreendo com aquilo.
—Eu dormi esse tempo todo? Você ficou sozinho a viagem inteira! Eu sou uma péssima companhia para viagens.
Kyle dá risada enquanto abandonamos o posto de gasolina. Vejo o céu está completamente cinzento e uma garoa fina está começando a cair novamente. Não que eu tenha visto parar de chover.
—Bom, você sempre dorme nas viagens. Tanto de avião quanto de carro.
—Eu sei. Me desculpe.
—Está tudo bem, boneca. Pelo menos eu pude mudar de estação. — ele aponta para o rádio.
Dou risada.
—Claro que eu não ia viajar seis horas ouvindo Shawn Mendes.
—Claro que não. Kurt Cobain levantaria do túmulo e viria tirar satisfações com você.
Kyle dá risada e bebe um gole da sua coca. Sua mão esquerda segura o volante.
Abro minha fanta e levo até a boca. Percebo que estou morrendo de sede. A batata Pringles de cebola e salsa não é nada mal e por ora mata minha fome.
—Quanto tempo mais ou menos para chegarmos na cidade? — pergunto depois de cinco quilômetros quando vejo a placa verde dando boas vindas ao estado de Nova York.
—Mais ou menos uma hora e meia.
Concordo com a cabeça.
—O seu pai me deu o florentin. — digo e olho para ele.
Analiso o perfil de Kyle. Seus olhos fitam o retrovisor e depois a estrada á frente.
—É, eu vi. Ele gosta muito de você.
—Ele tem outro mesmo? Ele disse que tem outros dois florentins. Digo, eu me odiaria se ele me deu o único que ele tem sendo que ele coleciona.
Kyle olha para mim por um segundo e depois torna sua atenção a estrada.
—Ele tem outros.
—Que bom. — digo visivelmente aliviada.
***
Quando começamos a adentrar na grande cidade de Nova York, me senti extremamente grata. Estava muito grata por estar em casa novamente. Em breve estaria no meu apartamento, voltaria para minha rotina, para a academia de ballet e para os ensaios para o Cisne Negro já que a apresentação estava chegando e para as conversas animadas de Sam todos os dias no Dangerous Woman.
A cidade nunca abandonava aquele caos, era de se impressionar. A agitação, o movimento, a quantidade absurda de táxis amarelos nas ruas, os outdoors brilhantes da Time Square e os grandes arranha-céus eram incrivelmente acolhedores para mim. Estava até respirando mais levemente. A cidade também estava começando a ficar enfeitada para o Natal que seria no próximo mês. As árvores já sem folhas já começaram a serem cobertas com luzes brancas natalinas. Elas ficavam na divisão das ruas, no meio, separando os carros que iam e vinham em direções opostas. Logo a ponte do Brooklyn também estaria toda enfeitada e iluminada com as luzes.
Quando Kyle estacionou em frente ao prédio onde eu morava, não contive meu grito de felicidade.
—Você vai subir? — pergunto.
—Sim, mas só um pouco.
Concordo com a cabeça, afinal atravessar a cidade até o Brooklyn será mais outra viagem.
Saio do carro. O vento atinge meu corpo bem protegido pelas roupas de frio, mas meu rosto protesta contra a temperatura baixa ficando rígido. Kyle está tirando minha mala do porta-malas.
Nós subimos a escadinha e passamos pelo portão preto. Paramos em frente ao elevador e eu aperto o botão redondo. O contorno verde fluorescente acende e logo a porta do elevador se abre.
***
Quando giro a maçaneta da porta amarela do meu apartamento e entro nele, sinto quase vontade de chorar de tanta alegria.
—Lar doce lar. — Kyle diz fechando a porta atrás de mim.
Vou até o abajur ao lado do sofá branco perto da grande janela de vidro e acendo-o. A iluminação amarelada e sutil ilumina parte do ambiente. Cruzo os braços enquanto fito a paisagem iluminada da cidade.
—Você acha que um dia vai deixar de gostar daqui? — pergunto.
Kyle vem até o meu lado e também encara os prédios iluminados.
—Não sei. Talvez quando eu for mais velho e queira o sossego longe dos jovens mal educados.
Dou risada e olho para ele.
Seus cabelos vermelhos parece ainda mais claros.
—Você ficou bonito nessa calça jeans azul. — digo abraçando sua cintura.
Ele sorri.
—Olha, não vá se acostumando. Sabe que eu só uso calça preta.
—Mesmo assim. — digo sorrindo. — Ficou muito boa.
Kyle também me abraça.
—Fico feliz que você esteja feliz em estar de volta. Foram dias...
—Difíceis, eu sei. — completo para ele. — Obrigada. Sei que foi muito difícil para você e...
—Shh. — Kyle me cala colocando seu indicador em minha boca. — Já passou.
Concordo com a cabeça.
—Eu acho que já vou, boneca. Tenho que arrumar o apartamento e tudo o mais...
—Tudo bem. — digo. — É bom você ir mesmo, antes que caia outra chuva e o trânsito fique ainda pior.
—O que é de se esperar. Olha como o céu está escuro e não é nem cinco da tarde ainda.
Olho para a tela do celular de Kyle onde ele está vendo as horas. São pouco mais de quatro da tarde.
—Então vai. Quando chegar me liga ou passa uma mensagem.
—Tudo bem. — ele segura meu rosto com as duas mãos e me dá um beijo rápido.
Levo-o até a porta e aceno quando vejo a porta do elevador se fechando.

Notas finais
Estamos beeeeem na reta final da segunda temporada hein... Vocês não perdem por esperar. Beijo grande e até quarta-feira! Lê ♥