Notas iniciais
Notas do assassino e de Ryan, respectivamente.

...

Fingimento, manipulação, displicência, e por fim, frieza. É tudo o necessário para manipular meros idiotas, como as presas que eles são. Ignorantes que não necessitam de pena ou caridade, e se prendem a sua idiotice diária... Nada tão fácil como se misturar com inferiores, e principalmente, faze-los pensar como você, ou melhor, pensar o que você quer que eles pensem, afinal, o que são presas sem que hajam predadores, não é? Vivo sem propósitos, ou sonhos, a única coisa q me segura a esse mundo é o entretenimento, entretenimento que os tolos me proporcionam.

Estava sentado em meu sofá, a luz da sala enorme, fúnebre e vazia era tão fraca que mal iluminava a mesinha a minha frente.

Na televisão eu via imagens de corpos ensanguentados. Primeiro, a imagem de uma mulher, minha primeira vitima desde que eu havia começado os ataques. A mulher era... Como eu poderia dizer? Uma puta. Sim, isso mesmo que vocês estão lendo, uma puta. Caiu em minhas mãos sem que eu precisasse fazer muito esforço e eu me aproveitei disso. Os reportes davam todos os detalhes de como o corpo foi encontrado, sua barriga totalmente aberta sem os órgãos, jogado em beco sem saída, imundo.

Uma outra morte interessante que mostraram, foi a do prefeito da cidade. Arranquei seus olhos e toda a pele de seu corpo. Quando menos esperavam o corpo apareceu sentado no banco de um ponto de ônibus próximo a prefeitura. Essa morte havia sido uma das mais divertidas.

Eu não pretendia parar com meus ataques nem tão cedo. Londres tinha muitas pessoas fúteis que poderiam servir para alguma coisa, diversão. Em cima da mesinha que se encontrava na minha frente eram encontrados papeis e mais papeis. Eles continham anotações e a elas vinham anexadas fotos de mulheres, homens e crianças, futuras vítimas.

Fui retirado de meus devaneios por um grito vindo do porão. A mulher, minha quinta vitima feminina, que eu sequestrara ontem, havia acordado. Pelos gritos desesperados, os vergalhões enfiados em seus pulsos a faziam sentir dor. Peguei o controle, desliguei a televisão, estava na hora de acabar com mais uma doce mulher.

RYAN

Com as pernas apoiadas na mesa a minha frente, eu me preocupava grandiosamente com o noticiário, e não tinha como não faze-lo com a situação que por ali se passava. A mulher tinha sido simplesmente preparada para ser empalhada, mas ignoraram o recheio. O pensamento bobo de onde estariam os órgãos da mulher me passou pela cabeça para incomodar. "Concentração, Ryan, concentração".

Um pequeno bloquinho de notas ao lado do meu pé me tirou o pouco de atenção que eu ainda tinha no noticiário. Sentei-me e peguei o objeto de papel, observando sua superfície branca sem nada escrito. Um bloco vazio, assim como eu me sentia. Vazio por ver isso na televisão e não fazer nada, como uma criança. E por que eu não fazia nada? Não era medo ou falta de vontade, mas impedimento. Eu já havia conversado com a polícia, mas eles estavam “investigando”. Acredito que sua “investigação” nada mais era do que ficar sentado em frente a um computador pesquisando sobre os prováveis assassinos no Google.

Enquanto eu contestava o quanto inútil que era, ouvi o telefone tocar. Sem muita vontade, levantei-me de minha confortável posição e fui até ele, que estava preso em seu gancho do outro lado de meu escritório. Quando o atendi, a voz feminina do outro lado chorava amarga e tristemente. –Ryan Butler? – Franzi a sobrancelha. E não reconhecia o número nem a voz da pessoa com quem conversava. Isso certamente era suspeito. Mas algo em seu choro me fez sentir uma enorme pena e falta, mesmo que, como sempre, não demonstrei em meu tom de voz. –Sim? – Aguardei por um momento enquanto a infeliz mulher engolia o choro. — Eu... Eu preciso da sua ajuda!-

Notas finais
~SDM & ~SDL