Dangerous Mind

3 A Obrigação, o Cheiro de Sangue.


Notas iniciais
Então, gente, realmente peço desculpas pela demora em postar este capítulo, já que passei por muitas dificuldades para escrever. Pois é, tive umas férias turbulentas, mas agora eu prometo que não farei mais isso e postarei meus capítulos com mais frequência, juro de pé junto!! Certo, eu, pessoalmente, gostei do capítulo, e espero que façam o mesmo. Com carinho, ~SDL

RYAN

Uma das primeiras coisas que Ryan descobriu ao iniciar sua carreira foi o quanto o ser humano pode ser cruel, tanto sua própria espécie quanto com todo o resto do mundo. No início ele não acreditava no que via, chegando a ficar noites sem dormir e passar mal. Com o tempo ele se acostumou com a morte e a destruição. O cheiro do sangue, que antes o fazia vomitar, passou a fazer parte de seu dia-a-dia. Quando ele pensava nisso, se irritava consigo mesmo. Como ele poderia tratar de coisas cruéis assim como algo costumeiro? Mas ele não tinha como se castigar. Ignorar a dor e o sofrimento e se concentrar no objetivo era exatamente seu trabalho.

Aquela noite a qual finalmente recebeu a ligação foi para si uma benção. Finalmente tiveram o bom senso de procurar ajuda fora da polícia. A mulher no telefone parecia desesperada e lhe ofereceu uma quantia gigante para salvar a vida de alguma pessoa. Ryan apenas entendeu metade das palavras, já que os soluços não deixavam a voz transparecer, mas mesmo assim recusou qualquer negociação de dinheiro antes da hora e pediu calmamente que a pessoa do outro lado da linha passasse o telefone para alguém que pudesse lhe informar o endereço.

–Ryan?- Disse a voz do outro lado da porta. -Pelo amor de Deus, vem comer alguma coisa e descansar! Você não pode ficar esperando por nada a vida to...- Isabelle não teve tempo de terminar a frase, pois a porta foi aberta pelo sorridente detetive, vestido com um casaco. -Pronto, amor, pedido concedido. Só acho que não vou poder fazer o resto dele não...- Falou o contente homem, abraçando a esposa e lhe dando um curto beijo. -Ray... Onde você está indo?- A moça de cabelos negros não conseguia entender mais nada. -Explico tudo mais tarde, consegui entrar no caso, de certo modo... Tenho que ir rápido, sabe, pessoas contam comigo. — Sorriu para ela mais uma vez antes de partir em direção á porta de entrada. -Boa sorte... — Ela conseguiu falar antes de ver o carro partir dentro da penumbra noturna.

Durante o curto percurso de carro, o detetive sentiu de leve o peso da culpa sobre seus ombros. Ele estava feliz sobre a dor dos outros, e se sentia verdadeiramente mal por isto, mas lembrou-se do que repetia para si mesmo todas as noites antes de dormir: aquele era seu trabalho e ele não deveria se sentir culpado por isso. Não pensem que este homem não gostava de sua profissão, muito pelo contrário, mas era contra muitas coisas de que ela tratava, e tinha que se acostumar com estas coisas. Ser detetive era quase uma religião: se não gosta de qualquer coisa dentro dela, o problema é seu. Mas isto não o impedia de sentir pena da mulher chorosa no telefone.

A linda mansão era como um sonho para um homem da classe de Ryan, o qual mesmo tentando ignorar, deixou-se impressionar por poucos segundos, logo voltando a focar no objetivo. Apesar da arquitetura do local ser impecável, sua situação atual era o oposto. Garrafas de bebidas quebradas eram visíveis por toda a calçada que cercava a construção, assim como também por todo o seu pátio interno e na piscina. Também eram visíveis outras coisas, como decorações estilhaçadas, pedaços de comida e até mesmo preservativos, tanto usados como não. Tudo estava cercado pela polícia, que não fazia nada além de não permitir que as pessoas entrassem. Ryan observava tudo isso enquanto procurava alguma pessoa que lhe explicasse o que ocorria. Conversou com algumas pessoas assustadas, um mordomo e um jovem caindo de bêbado, tentando descobrir onde encontrar a senhora com quem conversará. Obviamente, apenas o mordomo dera informação suficiente para que ele encontrasse uma enorme sala de estar, onde se encontravam algumas pessoas. Conseguiu ouvir ainda jardim um choro desolado o qual reconheceu de imediato. Bateu na porta pacientemente. Um senhor alto com a face levemente inchada e vermelha lhe permitiu entrada.

–Aleluia!... Minha menina... Levada... Sangue, muito... Sangue- Cada palavra que saia da boca da senhora que lhe procurara era retirada de seus lábios com dificuldade, em meio de engasgos e soluços que o excesso de choro lhe trazia, e o coração do jovem se contorceu junto com o sofrimento dela. Ele sentia com clareza o quanto aquilo doía nela, e a entendia. Se algo assim acontecesse com Emily, sua situação seria semelhante à dela. Porém, como sempre, não deixou transparecer que aquilo também doía nele, e apenas fez as perguntas que deveria fazer às pessoas ali presentes, a quais ele descobriu que eram os familiares próximos da vítima.

No final das contas, teve uma prévia do acontecido. A jovem chamada Jenna teria sido atacada em quarto durante a festa que dava em sua casa. Não conseguiu tirar mais muitas explicações deles, então pediu que o mordomo, que também estava tocado com a situação, o levasse até o corredor que havia sido a cena do crime para que ele conseguisse examinar. Foi levado pelo senhor que fazia de tudo para tentar lhe dar alguma explicação a mais, mas ele sabia muito pouco, e o que sabia era óbvio ou fácil de supor.

Andaram por uma pequena escada e um corredor, aonde pararam. O mordomo se recusou a se aproximar ao corpo de um jovem que ali se encontrava. Talvez aquele cheiro de morte também o afetava. Já ao detetive, era impossível não examinar a situação, mesmo com aquele horrível odor que lhe preenchia as narinas, afinal, como disse antes, este era o seu trabalho. Não se dava para ver de onde o sangue saía, pelo excesso de quantidade de líquido que cobria o corpo e o chão. Provavelmente de algum lugar próximo ao pescoço, pensava o sr. Butler. Colocou uma luva de borracha, dessas que se usam em cirurgias, e empurrou parte do sangue que cobria sua garganta para o chão, se deparando com o local do corte. Era profundo, obviamente, já que matará o garoto. Provavelmente feito com algum instrumento de ferro, uma faça ou um grosso canivete. Não tinha grandes coisas para se olhar naquele corpo, apenas saber qual foi a arma utilizada. Fora uma morte clássica, diferente à que a jovem Jenna deveria ter levado.

Retirou a luva e a guardou em sua pasta, pedindo que o mordomo continuasse a lhe levar aonde disseram que a pobre menina tinha sido torturada e morta. Subiram uma escada e seguiram por um largo corredor. Novamente, o homem não quis adentrar o local. Mostrou-lhe a porta do quarto e esperou ali, enquanto o detetive fazia o que o outro homem tinha medo de fazer. Aquele quarto deveria ser o exemplo de perfeição. Cortinas de coloração bege com leves toques de dourado cobriam a grande janela que deveria dar para alguma sacada, e combinavam perfeitamente com as almofadas colocadas sobre a cama de casal. Tudo naquele quarto, desde o tapete até o papel de parede, puxavam para o mesmo tom das cortinas e trariam uma perfeita sincronia ao lugar, se tudo não estivesse coberto de sangue e de medo. Novamente, aquele cheiro. Este era muitíssimo maior naquele lugar do que no corredor logo abaixo. O corpo falecido da menina ainda devia estar expelindo sangue, já que fazia pouco tempo que ela fora morta, mas parecia que tudo o que tinha de sangue em seu corpo já tinha saído pelos diversos cortes fundíssimos feitos em seu corpo. Era quase impossível definir a cor dos lençóis antes do ocorrido, pois estavam encharcados do grosso e quente líquido vermelho. Os cabelos da menina pareciam ser de chamas de fogo laranja avermelhadas, largadas pela cama. Sua pele estava mais pálida do que cera, a dor estampada em sua face.

Ryan colocou outra luva e tocou a pele do tronco de Jenna. Duas marcas profundas de corte marcavam sua barriga e seus mamilos não estavam, digamos, no lugar certo. Aqueles dois recortes de seu corpo estavam sobre a cama, camuflados entre os lençóis. Não fora abusada sexualmente, ele notou. Parecia que o assassino tinha outras formas de sentir prazer, e eram ainda piores do que os abusos que normalmente são vistos no telejornal.

Dizem que as pessoas que sentem ódio sempre tem um buraco negro no lugar do coração. Com a jovem Jenna, era quase isto, mas de uma forma diferente. Ela tinha, sim, um buraco no lugar do coração, mas de um modo literal. Ali era o lugar de onde mais exalava aquele cheiro. O ex-policial entendeu por que a sangue deixara de sair de suas feridas, pois não havia modo de bombear o sangue. Procurou sobre os lençóis, debaixo das almofadas e em baixo da cama e tapetes, mas o órgão não estava ali. Estava certo que tinha sido retirado pela mesma arma que cortara o pescoço daquele menino, retirara os mamilos e esfaqueara a garota. O mesmo material, a mesma pessoa, ou o mesmo grupo. Até agora era isto que fazia sentido, o resto não. Tinha quase certeza de que o assassinato tinha tudo a ver com os outros, mas não podia prever nada. Retirou as luvas. Não tinha o que fazer pela moça.

Novamente ele andou até a sala onde a família da jovem se reunia. Dessa vez mais pessoas choravam reunidas na sala. A família do outro garoto, pelo visto. Choravam tanto quanto a primeira. Ryan passou rapidamente pelas pessoas, ignorando-as, em direção a mãe da principal vítima, que parecia ter se acalmado depois de uma boa quantia de chá. -Eu sinto, mas você e eu sabemos que ninguém pode fazer nada por sua filha. — Falou seriamente, ajoelhado em frente à senhora, segurando sua mão, como se fosse consola-la. Ela engoliu em seco e assentiu. -Eu já sabia disso quando lhe chamei. Eu só quero que você consiga fazer com que quem fez isto sofra como eu... Ou como ela.-

Resolveu que aquela não era hora de acertar um preço. Saiu da casa e foi cercado por um pequeno grupo de repórteres. Ele não compreendeu a maioria das perguntas que o fizeram, mas respondeu o que conseguiu. Logo ele ficou sozinho novamente, mas foi recebido no seu carro por mais uma repórter e seu cameraman. Suspirou. Repórteres nunca foram uma boa companhia. -Boa noite, sr. Butler. Você se importaria em responder algumas perguntas sobre o recém ocorrido? — Sua experiência de vida lhe mostrava que não era uma boa ideia uma resposta negativa a um jornalista. -Claro, à vontade.- Falou, com um sorriso forçado. Primeiro a moça o exibiu para a câmera, falando de seus casos anteriores e de como ele era um ótimo detetive. Ele não gostava de se gabar pelo que tinha feito ou passado. Algumas pessoas sofreram muito com tudo aquilo. Mesmo assim, não poderia simplesmente mandar a mulher calar a boca. As perguntas que ela lhe fizeram foram poucas, algo como "O que você descobriu lá dentro?" E "Você tem esperança de encontrar os responsáveis?" Omitiu a maior parte das verdades, tentando terminar logo a tediosa conversa. Terminou dando boa noite para a jovem e entrando em seu carro, pensando na comprida explicação que teria que dar à sua esposa.

Notas finais
Então, pessoas, o que acharam? Deixem seus comentários! Preciso saber o que ainda tenho que melhorar e o que está bom. Se tiverem alguma dúvida ou dica, me deixe por comentário também! Enfim, cês sabem, né! Até mais ver! ~SDL