Dangerous Love
40 Capítulo 40
Eu nunca pensei em como eu morreria. Era mórbido seguir uma linha de pensamento assim até mesmo para mim. Não posso dizer que nunca pensei em cenários que já me fizeram estar bem perto da morte, porque com o meu senso de profundidade isso era meio que impossível. Agora que eu finalmente tinha colocado os pés nesta linha, que jeito melhor para ir do que completamente chapada em morfina? Acho que era até melhor do que morrer dormindo, e se você realmente refletir sobre isso era quase a mesma coisa tirando um ou dois detalhes.
— Eu ainda não entendi o que eles estão fazendo lá dentro. — disse William me tirando de meus pensamentos.
Estávamos na Mansão Queen novamente. Já estava quase anoitecendo e o céu estava nublado em vários tons de cinza deixando o clima perfeito para uma maratona de Harry Potter ou Doctor Who se você realmente estiver comprometido. Esse era o plano á seguir assim que chegássemos em casa. Até Oliver havia concordado.
— Não é meu segredo para contar, Will. — eu disse optando sempre ser honesta com o garoto á minha frente que encarava a chuva que caía aos montes do lado de fora.
Ele apenas assentiu em resposta e abraçou os joelhos. Estávamos sentados em um dos cantos de janelas de Moira da sala de jogos. O mesmo lugar que havia sido palco de algumas brigas entre mim e Oliver, agora era um dos meus portos-seguros. Eu me voltei para janela e vi que a chuva estava engrossando cada vez mais, aposto que era uma daquelas que os pingos de água doíam.
— É algo ruim? — perguntou William pescando por mais detalhes e eu sorri tristemente. — Tipo o que aconteceu com você?
— Acho melhor nós focarmos em um drama de cada vez... E para de falar desse jeito, eu sinto que já estou morta assim. — eu disse socando um de seus joelhos levemente.
— Desculpe.
— Está tudo bem. Eu não vou morrer de qualquer jeito. — eu afirmei com um sorriso mais alegre e William apenas me observou. Não vi emoção alguma em seus olhos, sua postura estava relaxada. Ás vezes ele era difícil de ler. — Você quer jogar algum jogo?
Ele negou com a cabeça.
— Podemos ficar aqui até eles terminarem?
— Claro que sim. — eu disse me recostando entre as almofadas e cruzando as mãos em cima da minha barriga que agora havia crescido seis centímetros inteiros.
Olhei para a porta da sala de jogos e reprimi um suspiro.
Não queria nem imaginar como seria a conversa entre Oliver com seus pais e irmã.
Depois que nós saímos do hospital, á quase um mês e meio atrás, eu estava em outro estado mental. Não foi o melhor dia da minha vida. Acho que posso dizer que nem da de Oliver também. Ficar sabendo que um cara que jurou sempre cuidar e zelar pela vida do próximo, havia feito exatamente o contrário disso com você. Eu tive um ataque de pânico classe A bem ali e fui sedada. Acordei duas horas depois e me senti melhor, mas aquela poderia ser a morfina falando também. Ou seja lá o remédio que eles me deram.
Fui submetida á uma bateria de exames e no final daquele dia que havia sido tão agradável, meu marido apenas confirmou o que todos nós suspeitávamos e temíamos naquele momento. Aquela bomba relógio dentro da minha cabeça? Bem, ela não foi desarmada como pensávamos. Na verdade ela estava ainda maior e mais perigosa.
Desde então, Robert Oliver e toda equipe da neurologia do Starling General e alguns amigos de Robert de outros estados, estavam no meu caso. Não era algo inédito no mundo da medicina, mas parecia ser algo interessante para todos eles. A sorte não estava ao meu lado porque anti-coagulantes durante uma gravidez eram impossíveis assim como qualquer outro antibiótico agressivo, assim como tratamento feitos com radiação. E era absolutamente e completamente impossível de eu interromper minha gravidez agora. Acho que o fator apelativo para todos os médicos era como contornar todos esses obstáculos e achar algum tratamento para mim.
No último mês e meio, eu fazia novos exames a cada quinze dias porque era o tempo necessário entre uma tomografia e outra porque grandes quantidade de contraste no meu sistema também era um grande e redondo "Não". Estava sendo monitorada pelo Dr. Jones já que qualquer tratamento vindos de Oliver ou Robert poderiam ser considerados como conflito de interesse ou tratamento especial. Ele parecia bem calmo em relação á tudo, e sempre que nos víamos para o acompanhamento, ele perguntava sobre o bebê. Eu sabia que ele e Makenna tinham uma linha direta sobre o meu caso, mas ainda achava fofinho que ele se preocupasse e me perguntasse mesmo já sabendo todas as respostas.
Nesse meio tempo meu coágulo não aumentou, não diminuiu. Só estava ali. Claro que em comparação ao que tinha devido ao acidente, ele havia crescido três centímetros, mas nada além disso.
— Mas você não acha que eles estão demorando um pouco? — William perguntou.
Eu bufei uma risada e fechei os olhos aproveitando o conforto das almofadas.
A quase quinze dias atrás, Oliver e eu fomos jantar fora quando William fora acampar com Zoey, René e Dinah em um final de semana. Eu tinha acabado de completar dois meses de gestação e conseguia sair de casa sem querer vomitar tudo o que eu comia. Então meu marido me levou em um restaurante com um bufê de saladas enorme e nós caminhamos um pouco. Foi uma noite perfeita, mas quando chegamos em casa e nos enrolamos nas cobertas, ele me disse que iria contar a verdade sobre seu passado com Samantha para os pais. Ele tinha ido, religiosamente, em todas as consultas com Masseo e disse que talvez esse fosse o último passo para superar a sua babá demoníaca por completo e para sempre.
— Não faz nem vinte minutos que eles estão lá dentro, Will. Se acalme ou vai ter um ataque de ansiedade. — eu disse ainda de olhos fechados. Sentia o olhar de William em mim o tempo inteiro. — Eu sei que está curioso, mas quando Oliver estiver pronto, ele vai contar para você também. Neste momento, é a vez de Moira, Robert e Thea.
Respirei fundo e alisei minha barriga levemente.
— Podemos mudar de assunto? — perguntei virando minha cabeça em sua direção.
— Quando eles vão te internar?
Grunhi frustrada e abri meus olhos.
— Podemos mudar o tópico depressivo de coisas ruins? Você já leu o novo livro da Suzanne Collins? Eu vi que já chegou em casa, é sobre o que? — disparei e ele apenas me encarou.
— É sobre a história do Snow antes dele ser presidente de Panem, e antes de toda a história entre Katniss e Peeta. Estou na metade dele, é bom, mas a trilogia é melhor. — ele respondeu. — Sua vez.
— Você está tão ciente quanto eu. Não temos intenção de me internar ainda, Will. — eu respondi e olhei em seus olhos. — Confie em mim, você vai ser o primeiro a saber se chegar á este ponto.
— Oliver parece mais preocupado do que antes.
— Oliver se preocupada demais. Achei que já soubesse disso, ou você esqueceu aquele dia em que você caiu e torceu seu tornozelo?
William revirou os olhos e eu sorri um pouco. Nunca pensei que alguém, além de mim mesma claro, seria capaz de cair do terceiro degrau de uma escada enquanto subia e torcer o tornozelo neste meio tempo. Ele até teve que usar uma botinha especial por alguns dias. Oliver quase pariu quando viu William chegar no hospital, porque mesmo que sejamos família de um dos funcionários, nós visitamos o lugar mais do que o necessário.
— Você ainda não quer fazer a cirurgia?
— Não. Não gostei da minha primeira vez em coma, e não acho que a segunda vai ser muito diferente. — eu respondi e ele desviou o olhar. Sabia que ele discordava de mim, assim como meu marido. — E eu não quero colocar o bebê em perigo.
As minhas duas únicas opções até agora eram completamente impossíveis.
Eu tinha a opção A: Tomar os anti-coagulantes e provocar um aborto.
E eu tinha a opção B: Fazer uma cirurgia muito longa, muito arriscada que tinha mais de 70% de chance de me deixar em coma novamente, de provocar um aborto e ah é, eu morrer e o bebê também por tabela.
— Eu não gosto disso.
— Eu sei, eu também não. — disse e apertei seu joelho levemente.
Ficamos em silêncio por quase dez minutos, era bem confortável e eu até achei algumas vezes que William havia dormido. Ele adormecia bem fácil com o som de chuva, mas não. O garoto estava apenas encarando o lado de fora da janela com um olhar muito melancólico e todas as minhas ideias e tentativas de melhorar o clima, acabaram e nenhuma deu certo.
Voltei a fechar meus olhos.
— Eu não consigo sentir falta dela, sabe? Ela morreu e eu não consigo sentir falta dela.
Continuei com meus olhos fechados enquanto William falava baixinho.
— Uma vez eu contei para Billy que eu queria muito um quebra-cabeça de 5.000 peças do sistema solar que um site havia lançado e ele me disse que eu não podia sentir falta de algo que eu nunca tive. Ele acabou comprando para mim de Natal, mas ele estava certo. — continuou. — Por isso que não consigo sentir falta da minha mãe, não é? Porque eu nunca tive uma de verdade.
Queria protestar sua fala e advogar por Samantha. Mesmo com todos os defeitos e atrocidades, ela escolheu William no final. Ela foi mãe dele. Não queria que ele vivesse com uma versão ruim dela em sua mente e em suas memórias, mas também sabia que agora não era o melhor momento para fazer isso.
— Eu não fiquei com medo, nem surpreso quando vocês me contaram que ela havia morrido. Billy me contou depois que ela havia cometido suicido e eu nem pisquei. — ele disse e bufou. — Acho que a terceira vez foi o número da sorte dela. Eu havia chegado rápido suficiente nas duas primeiras.
Eu nem... Cacete.
— Eu não sei se algum dia irei conseguir chamar você de "mãe", Felicity. Ou Oliver de "pai". — ele disse e senti ele mudar de posição ao meu lado. — Mas eu reconheço que sou muito sortudo em ter vocês dois na minha vida, e é por isso eu não consigo lidar com tudo isso. Não quero que você morra, e nem o bebê... Eu sei que de vocês eu vou sentir saudade.
Ele suspirou.
— O que você está fazendo agora se chama chantagem emocional, mocinho. — eu disse rindo um pouco depois de alguns momentos em silêncio apenas para ter certeza que ele não falaria mais alguma coisa. — Mas eu sei que pode ser aterrorizante, Will. Eu não quero morrer e deixar toda a minha família, e isso incluí você e o meu bebê que está do tamanho de uma cebola agora.
— Mais para um pêssego. — ele disse e eu dei ombros.
Essa não era a pauta de agora.
— Eu apenas não quero correr riscos desnecessários por hora. E eu também não quero gastar tempo e energia pensando apenas nas coisas ruins que a vida joga na nossa direção... — eu disse e pisquei para ele.
— Felicity, eu tenho ansiedade. Pensar demais em coisas ruins é a coisa mais normal que eu posso fazer. — ele disse e eu revirei os olhos, mas ri um pouco. E ele sorriu um pouco também.
Batidas tímidas soaram na porta e logo a cabeça de Roy apareceu ali. Ele estava meio molhado. Acho que pegou chuva. Logo entrou com o corpo inteiro e vi que sua camiseta e seus jeans estavam meio chuviscados. Definitivamente pegou chuva.
— Vocês estão de castigo também? — perguntou ele e assentimos.
— O que aconteceu com você? — William perguntou e Roy passou a mão em seu cabelo molhado.
— Thea estacionou o Porshe dela perto da fonte, eu fui guardar na garagem, de qualquer jeito nós dois tomamos chuva. — ele disse dando ombros e se aproximou de onde estávamos. — Alguém quer jogar uma partida de bilhar?
William aceitou e eles começaram a organizar as bolas coloridas dentro daquele triângulo de ferro e escolheram seus tacos. O de Will era maior do que ele, mas eu não comentei nada. Pesquei meu celular e fui até as minhas mensagens. Respondi as de mamãe que queria uma foto nova da minha barriga por semana desde que contei que ela seria avó e depois fui até as mensagens de Caitlin, Sara e Lyla. Estava programado para a minha bombonzinho de chocolate vier para uma festa do pijama comigo e com os meninos para que John e Lyla conseguissem um final de semana só para eles. Os nervos de Lyla estavam a flor da pele e ela disse que estava cansada das rapidinhas no chuveiro.
Palavras delas, não minhas.
Eu não tinha esse problema. E se o universo conspirar ao meu favor, não irei ter em nenhum futuro próximo. Mesmo com a mudança de William para o apartamento e todo o stress que havíamos vivido nas últimas semanas, eu ainda recebi meus orgasmos diários. Cortesia de ter paredes á prova de som no meu quarto e é claro, Oliver também entrava na lista de créditos. E orgasmos diários eram meio que uma regra a se seguir agora.
Makenna e o Dr. Jones concordaram que a melhor forma de eu ficar em casa e continuar com a minha rotina diária era que eu deveria fazer isso da forma mais leve possível e tentar relaxar um pouco todos os dias. Isso incluía William tentando fazer minhas unhas do pé mesmo que eu ainda conseguisse alcançá-las, muitos banhos de banheira com um estoque interminável de bombas de sais de banho Lush que Cait havia me dado, uma ida ao spa á cada bateria de exames que eu havia quinzenalmente e muitos orgasmos. Não vou ser hipócrita e dizer que não era ótimo viver a nova rotina, mas ela não me fazia esquecer da ameaça mortal dentro do meu crânio.
— Eu não deveria me livrar da bola oito primeiro? — perguntou William.
— Não. Nós deixamos ela por último, mais ou menos como se fosse morte súbita. — disse Roy fazendo sua jogada e encaçapando duas bolas de apenas uma vez.
Voltei meu olhar para a tela do meu celular e mandei uma mensagem para Oliver.
"Felicity, S-Q: Está tudo bem?"
Não sabia como estava sendo sua conversa, mas William estava certo. Estava demorando demais. Uma olhada rápida ao relógio me dizia que eles estavam trancados no escritório de Robert por quase trinta minutos completos agora. Não sabia como interpretar isso ainda. Sua resposta veio alguns minutos depois e eu até me assustei um pouco com o celular vibrando no meu bolso.
"Oliver, Q: Sim."
Deixei o alívio correr por mim como uma droga e digitei uma resposta rápido.
"Felicity, S-Q: Como foi?"
Encarei os três pontinhos se movendo e tranquei minha respiração.
"Oliver, Q: Poderia ter sido melhor."
Oh não.
"Oliver, Q: Mas também poderia ter sido muito pior."
Oh, sim.
"Felicity, S-Q: Okay?"
"Oliver, Q: Onde vocês estão? Já acabamos por aqui."
— Eles já terminaram. — eu disse me levantando do meio das almofadas bem a tempo de ver Roy encaçapar a bola preta que o fez ganhar a partida.
Nós três saímos de lá e fomos em direção a sala de estar onde encontramos Moira e Robert fazendo um sanduíche humana com recheio de Thea, Oliver e Tommy? E quando infernos ele havia chegado? Olhei ao redor procurando por Caitlin, mas não a encontrei.
Voltei meu olhar para os quatro. Eles se separaram e eu só consegui ver olhos vermelhos, bochechas manchadas de lágrimas, sorrisos tristes e uma quantidade absurda e muito apalpável de amor no ar ao redor de todos eles. Robert segurava Oliver pelos ombros e Thea pela cintura, enquanto Tommy havia entrelaçado sua mão com a do meu marido e abraçava Moira pelos ombros e ela apoiava Thea com seu corpo.
Estava na hora de um recomeço.
Deus sabe o quanto todos nós precisamos.
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— E como estamos hoje, Felicity?
— A mesma coisa de duas semanas atrás, Makenna. — eu disse dando ombros ao sentar na maca coberta por um lençol rosa pastel que era a cor assinatura da parte neonatal e obstetrícia. — Mas eu acho que o bebê já está do tamanho de uma cebola.
— Pêssego. — corrigiu William mais uma vez sentando ao meu lado.
Quando Oliver estava dentro de alguma cirurgia muito longa, William normalmente me acompanhava em minhas consultas e dava um relatório completo para o meu marido depois, e quando eu falo completo, eu realmente quero dizer isso. O garoto até me dedurava agora e eu nunca mais consegui comer meu sorvete de chocolate com pimenta em paz.
— Acho que podemos te pedir hoje, falta apenas alguns dias para você completar seu primeiro trimestre. — disse Makenna sorrindo para William que apenas me olhou como se ele fosse o dono da razão, o pequeno merdinha.
Seguimos a rotina de sempre. Makenna me pesou, checou meus sinais e reflexos, me mediu e chegamos oficialmente ao novo centímetro. A vozinha interna que gritava que eu estava ficando gorda estava tomando um verdadeiro show da vozinha que cantarolava que o bebê estava crescendo cada vez mais dentro de mim. Sério. Ela poderia ganhar alguns Grammys se dependesse de mim.
— Vamos dar uma espiada no bebê? — perguntou Makenna pegando o gel azul e eu assenti.
Talvez essa fosse a melhor coisa das baterias de exames. Eu conseguia ver e ouvir meu mini-humano mais do que a maioria das mães que Makenna atendia. E o meu baby book estava ficando recheado de ultrassons. Dava até pra ver aquele pequeno borrãozinho ficando maior.
William se aproximou um pouco mais de mim e entrelaçou seus dedos com os meus.
Eu olhei para ele e fiquei observando seu rosto focado no aparelho de Makenna. Sim, era muito legal ver o meu bebê e escutar seu batimento cardíaco, mas de algumas semanas para cá, observar William durante este pequeno ritual era mais legal ainda.
Os olhos deles eram treinados em cada movimento que Makenna fazia, mas eles se arregalavam um pouco quando o bebê aparecia na tela e ele observava minha barriga e depois a tela e vice-versa. Era muito fofo. Era puro fascínio e ninguém na minha casa estava estudando material de gravidez mais do que William. Confie em mim.
Logo o som soou pelo consultório e eu desviei meu olhar de William para a pequena tela em preto e branco. Makenna pegou ele de todos os ângulos e analisou tudo com um sorriso.
— O bebê está ótimo, mas vou ter que concordar com o garoto... Está mais para pêssego do que cebola, Felicity. — ela disse sorrindo e eu revirei os olhos. — Desculpe.
— Já estou acostumada com a traição. Todos ficam do lado de Oliver atualmente. — eu disse suspirando dramaticamente o que fez a doutora rir e William bufar.
— Okay. Você ainda continua firme na escolha de tratamento? — perguntou ela anotando alguma coisa em meu prontuário, já estávamos no volume 8. Se continuarmos assim eu terei uma gaveta em algum arquivo deste hospital só para o meu histórico médico.
— Sim.
— Muito bem. Primeiro trimestre completo você pode dar adeus aos enjoos matinais e aos seus jeans de cintura baixa. — ela disse fechando minha pasta com um leve sorriso. — Não queremos nada apertando a sua barriga, ainda mais agora que você vai começar a mostrar.
— Mais uma desculpa para usar mais vestidos? Eu já gostei. — eu disse indo em direção ao banheiro. — Ainda mais sem mais saltos? Paraíso.
Me tranquei dentro do banheiro e descartei o meu vestidinho hospitalar grávido e limpei minha barriga de todo o gel que Makenna me lambuzou. Voltei para dentro das minhas roupas normais que eram um vestido preto igual o da Vandinha da Família Adams e minhas sapatilhas combinando. Parei na frente do espelho e fiquei de perfil. Não era algo que você poderia ver de longe, mas se estivesse perto e prestasse atenção, iria notar o pequeno volume no meu ventre. Sorri e toquei ele.
É isso ai, bebê. Três já foram, faltam seis.
— Já podemos conversar sobre a cesária ou você prefere esperar Oliver? — perguntou Makenna assim que voltei para o seu consultório. William me ajudou com a minha jaqueta e eu sorri. — Esperaremos pelo papai então.
Agradeci e nos despedimos.
— Acho que eu quero comer algo apimentado. — disse para William assim que entramos no carro.
— Eu ainda não entendo essa sua fixação por pimenta... — ele respondeu enquanto colocava o cinto. — É o bebê que quer ou você?
— Ahm, acho válido dizer que eu e o bebê somos praticamente a mesma pessoa ainda. Ele ainda não tem um cérebro funcional. — eu disse colocando o meu cinto também.
Liguei o carro e fui direto para o KFC mais próximo.
— Você vai fazer cesárea?
— Ahm, sim. Oliver me disse que para induzir um parto normal meu corpo teria que descarregar muita energia, isso pode fazer meu coágulo estourar e nada de bom virá desse cenário. — eu disse enquanto saía de uma avenida movimentada para a região dos bairros para pegar um atalho mais rápido.
Frangos dependiam disso. Literalmente.
— Eu tive uma ideia sobre a cirurgia na sua cabeça... — disse William e eu me virei para ele com uma expressão séria. — Só me escute. Vamos comprar seu frango extra apimentado e eu conto.
Assenti levemente me preparando para mais um discurso que possivelmente vinha em minha direção. Nos últimos três meses havia escutado a mesma coisa em inúmeras abordagens diferentes. Dos meus pais, dos pais de Oliver, nossos amigos, nossos médicos... Enfim, todo mundo. Acho que William finalmente entraria para essa turma.
Não consegui ficar brava com ele no entanto. Eu sabia que o coração dele estava no lugar certo, assim como o dos outros também, mas William fez o meu pedido correto e ainda trouxe vários sachês de molho ranch para mim, ele seria perdoado bem mais rápido.
— Okay... Desembucha. — eu disse assim que afundei meus dentes na crosta crocante e apimentada do frango.
— Você escolhe fazer a cirurgia. — ele disse comendo uma batata frita do combo que veio seu lanche. — Mas, você faz a cirurgia depois do parto do bebê. Assim ele ou ela estarão seguros, e vai ser só você. Acho que podemos combinar que você não vai querer criar o bebê com medo da sua cabeça explodir a qualquer momento, né?
Mastiguei enquanto ponderava. Não era uma má ideia, mas ainda tinha o coma em questão. Essa era a parte que mais me assustava se eu me permitisse ser sincera por alguns instantes. Os piores momentos da minha vida foram durante o coma que o acidente havia provocado.
E se eu não voltar? O que acontece com Oliver? William? O bebê?
— Hm.
Foi a única coisa que eu consegui responder.
— Eu falei com o vovô e ele disse que talvez fosse um bom plano se você se comprometesse com ele. — ele disse e mordeu seu sanduíche com vontade. — Infelizmente é contra lei forçar alguém a fazer uma cirurgia aparentemente...
— Oh sim... Eu amo morar em um país livre, Will, eu já te disse isso?
Ele revirou os olhos, mas acabou rindo junto comigo.
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— Okay. Okay. Vamos. Podem falar. Eu sou a melhor madrinha do mundo!
Me virei para onde Thea e Sara estavam perto da janela. Eu estava balançando na cadeira de amamentação que Oliver havia acabado de montar e encarei as duas com uma sobrancelha erguida.
— O que? Isso levou tempo, energia, muita pesquisa e muitas viagens á editoras! — exclamou Thea ofendida enquanto exibia a coleção de livros de histórias infantis que havia comprado para o bebê.
Eu reconheço que ela havia gastado muito tempo e energia com isso, mas ao meu ver era algo que fora desperdiçado. O bebê nem vai enxergar direito até os três meses de idade, as historinhas para dormir só faram sentido para ele depois de um ano completo. É claro que eu guardei tudo isso para mim mesma, não queria machucar ninguém depois do pequeno incidente com Tommy e Oliver que estavam montando o berço agora mesmo. Meu amigo ficou magoado ao descobrir que aquela coisa toda de proteger a moleira do bebê era mito. Ele estava pronto pra comprar mini-bonés e mini-laços para ele ou ela usarem.
— Você só organizou os livros em cima das prateleiras, Sara que montou tudo sozinha... — eu alfinetei e ela revirou os olhos.
— Eles vieram em caixas pesadas, Felicity!
— Mas ainda sim você chegou aqui com apenas uma. — eu disse e ri enquanto ela bufava.
Observei os meninos que estavam conseguindo montar muito bem sozinhos, o berço era grandinho e vinha com vários acessórios, mas era apenas porque ele também se transformava em uma pequena cama. Tudo para acompanhar o crescimento da criança. Nós teríamos essa belezinha até os quatro anos. Bom, era o que prometia na caixa.
— Esses parafusos são diferentes. Os da cômoda eram bem menores. — eu disse analisando os parafusos no meu colo. Esse era o meu trabalho de hoje. Segurar os parafusos e balançar na minha cadeira nova.
— Graças á Deus por isso. — exclamou Tommy segurando o que seria a grade de proteção que era removível. Ele segurou no lugar certo enquanto Oliver apertava os parafusos. — Eu não sei se iria conseguir sobreviver á outro round daqueles com a insanidade intacta.
Oliver sorriu e maneou a cabeça.
— Por que você é o padrinho do meu bebê mesmo? — perguntei.
— Porque você não quer ver o que vai acontecer com a pessoa que tentar roubar meu lugar. — ele respondeu sem hesitação alguma.
— Eu digo a mesma coisa. Eu provei que sou uma ótima madrinha quando fui até Central City por esse livro e acho bom essa criança gostar de toda essa merda nerd que você gosta. — ameaçou Thea e eu revirei os olhos rindo.
— Vamos ver o quão sério eles são sobre isso, quando nós ligarmos para eles com um bebê gritando em plenos pulmões e com fraldas sujas. — disse Oliver vindo até mim e pegando mais parafusos do meu colo.
— Hm. Boa ideia. — eu disse e ele me deu um selinho.
— Tommy provavelmente vai chamar uma ambulância. — disse Cait entrando no quarto com uma bandeja com limonada e um prato de biscoitos recém-saídos do forno. — Ele quase chamou uma quando eu mostrei que uma das minhas meia-calças novas estava me dando assaduras.
— Oh, nós sabemos. Ele ligou para Oliver para perguntar que pomada deveria comprar. — eu disse rindo antes de morder um cookie.
— E depois para mim porque não queria que machucar sua vagina na hora da aplicação que vinha com uma seringa sem agulha alguma. — disse Sara terminando de instalar a última das quatros prateleiras que compramos. Duas delas estavam tomadas por livros coloridos, uma dela seria para fotos e a última que estavam bem em cima da cômoda com o trocador seria para os produtos que iremos usar. — Foi fofo, mas eu estava mais interessada na vagina do meu encontro e não na sua, Cait. Sem ofensa.
— Não ofendeu. — disse minha amiga rindo e servindo um copo de limonada para mim. Tommy teve a decência de corar pelo menos durante toda a conversa. — Eu sabia onde estava me metendo quando eu disse "Sim, eu aceito".
— Não estou disposto a correr riscos quando falamos da vagina da minha mulher. — foi a única coisa que ele disse em sua defesa. — Mas quando falamos em bebês? Pfff... Eu sobrevivi as fraldas de Thea, acho que vou ficar bem.
O berço tomou forma e logo Sara apareceu com o pequeno colchãozinho e Cait e ela forraram tudo. Novamente, eu só assisti. As vantagens de estar grávida. Observei o quarto tomando forma lindamente. William iria adorar ver tudo quando ele chegasse, estava em um passeio com Curtis e Cisco para uma das fábricas da Queen Consolidated hoje e só voltaria antes do jantar.
— Você quer o berço aqui mesmo? — perguntou Tommy e eu assenti.
As meninas arrumaram todo o enxoval do berço que mamãe havia me dado. Era tudo feito em bordado verde menta e amarelo. Nada de azul ou rosa. As paredes eram azuis porque William escolheu o tom e disse que acalmava os bebês ou alguma coisa assim.
O berço foi posicionado perto da porta. A cômoda com o trocador estavam perto da janela assim como a minha cadeira de amamentação agora. Eu poderia tomar um pouquinho de Sol ali com o bebê pela manhã. O pequeno closet ainda era um processo em aberto que era meu e de William, assim como os brinquedos. As caixas de fraldas apenas se acumulavam mais e mais. Não teríamos chá de bebê para evitar o stress e agitação, mas isso não impedia o funcionários do hospital ou da empresa de mandar fraldas para o nosso bebê.
Todos ficaram sabendo oficialmente quando Moira finalmente deixou escapar em uma das entrevistas que deu durante um dos lançamentos de nossos projetos. Eu até saí na capa de algumas revistas e na página 5 do jornal da cidade.
— Acho que só vou conseguir declarar como pronto quando as cortinas e mosquiteiro chegarem. — eu disse e senti Oliver me abraçar por trás. Ele fazia isso muito agora e sempre repousava suas mãos na minha barriga. — E os puffs também.
— Você já sentiu algum chute? — perguntou Sara enquanto ela amassava as caixas.
— Ainda não. — eu resmunguei e senti Oliver revirar seus olhos.
— Eu já falei que os chutes são previstos á partir do sexto mês. Estamos no quarto ainda, ele não vai começar a sambar dentro de você tão rápido assim. — ele disse e beijou uma de minhas têmporas.
— Eu sei, mas eu também sei que ele já tem um sistema nervoso, todos os seus órgãos e membros formados. Não estou pedindo muito. — eu afirmei e depois encarei nossa mãos juntas em minha barriga. — Ou estou, bebê?
Todos riram de mim, mas eu não me importei. Estava acostumada á este ponto.
Eu fiz duas belas lasanhas para o nosso almoço e nós tivemos um tempo de qualidade com nossos amigos. Algo que havia sido reduzido drasticamente depois da descoberta do meu, ainda existente, coágulo. John, Lyla e a pequena Sara não estavam aqui porque saíram em, realmente merecidas, férias para Bora Bora, mas ainda ligavam toda semana para saber das novidades. Tommy e Caitlin estava completando dois anos de casamento em breve e meu amigo estava pronto para ser pai, mas de acordo com o mesmo a vagina de Caitlin ainda não estava na mesma página que ele. Thea estava planejando seu casamento que seria no primavera do ano que vem. Muito tempo para eu cagar um bebê e ainda sim entrar em um vestido de madrinha, algo que eu era muito grata. E Sara, continuava sendo a Sara alérgica a compromisso de sempre.
— Hey, você não me contou como foi aquela cirurgia de ontem. Você chegou mais cansado do que o normal. — eu disse assim que terminei de encher a lava-louça com os pratos usados em nossa almoço tardio. Oliver havia ido levar Thea até a Verdant porque ela tinha vindo para nossa casa de carona com Roy. Ele havia acabado de voltar, era sua folga e ele parecia cansado. — O cérebro dela explodiu?
Ele sorriu e negou com a cabeça.
— Não no meu turno. — disse de modo arrogante. — Mas estou um pouco cansado sim, a cirurgia não demorou tanto, mas aí fui chamado para auxiliar em outra.
— Oh, com quem?
— Meu pai. — ele disse franzindo os lábios, inseguro.
— Oh... E como foi? — perguntei e ele deu de ombros.
— Foi normal, eu acho. — ele respondeu e se apoiou na ilha da cozinha.
Bom, tinha esse pequeno detalhe também. Depois que Oliver havia contado seu segredo para os pais, Thea e Tommy, houve algumas mudanças. Eu entendia que algumas eram inevitáveis, mas não pensei que seriam tão grandes assim. Por exemplo, o comportamento de Robert. Ele havia se tornado a verdadeira definição de pai coruja com Oliver, seu filho de quase trinta anos de idade. Ele também se culpava muito sobre o que havia acontecido todos aqueles anos atrás. Meu sogro também foi o primeiro a ligar os pontos e perguntar se William era filho de Oliver, algo que ainda me fazia querer vomitar levemente.
Moira foi bem o contrário. Ela se fechou completamente. Ficou um mês direto fora de casa, afundada em trabalho e viajando sem necessidade. Ela precisava de espaço para pensar, mas quando voltou e levou Oliver para almoçar, foi a primeira vez que eu cheguei em casa e encontrei meu marido completamente abalado em nosso sofá, e naquele dia ele me contou que Robert e Moira estavam considerando o divórcio.
Literalmente, todos os pesadelos, todas as ameaças de Samantha contra um Oliver de dez anos de idade estavam virando realidade. E foi ai que eu me envolvi. Fui até a empresa, lugar que eu não havia visitado muito já que eu estava trabalhando do escritório de casa e com ajuda de Kara, a assistente de Moira, eu cancelei o dia inteiro dela e fomos passear. Eu usei a desculpa da mulher grávida com saudades e minha sogra caiu direitinho.
Nós almoçamos hambúrgueres juntas, falamos sobre o bebê, falamos sobre a empresa, tomamos sorvete de sobremesa e caminhamos pelo parque Stanley até chegarmos na instituição de Thea. Moira se abriu comigo naquele dia. Ela se sentiu uma fraude por ajudar tantas mães e crianças e não notar os mesmos sinais no próprio filho. Ela também sentiu raiva de Robert por não ter notado também. E depois o mais puro ódio por Samantha. Em momento algum, eu me coloquei em posição de julgar ela. Já havia trilhado por este mesmo caminho, mas quando toquei no assunto do divórcio... Eu assisti Moira ou a Mulher de Ferro, ou era assim que os jornais a chamavam de vez em quando, desmoronar em lágrimas e soluços. Eu a consolei e sussurrei as mesmas palavras que disse para Oliver quando ele me contou.
Não era culpa dela. Ela era apenas mais uma vítima.
E depois fiz chantagem emocional dizendo que meu bebê não iria ter avós divorciados, e nem William, porque o garoto iria achar que ele era o motivo da separação. Isso teve efeito nela, eu acho.
A família estava unida novamente. Diferente, mas unida.
— Ele parou de me seguir o tempo inteiro, mas ainda noto ele me observando ou encarando como Helen disse. Ela achou que ele me pegou fazendo alguma merda e estava pensando em que castigo me dar. — ele disse e eu sorri levemente. — Não sei como lidar com tudo isso.
— Você já está no final do seu processo, eles estão começando ainda... Temos que ter paciência. — eu disse colocando minhas mãos em seus ombros e o puxando para um abraço apertado e quentinho. — Mas mudando de assunto... Vamos conversar sobre nomes?
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— Felicity... Amor? Não estou reclamando, mas não íamos conversar sobre nomes?
— Sim, mas aí você dormiu. E eu deixei porque sei que está cansado, mas agora nós temos mais ou menos duas horas até William chegar em casa e eu quero gastar elas com sabedoria. — eu disse arrancando meu vestido do corpo enquanto estava sentada nos quadris de Oliver.
Nossa pequena pesquisa sobre nomes acabou em eu lendo da seção A feminina e masculina inteira para descobrir que Oliver havia adormecido em meu colo enquanto eu li os nomes e significados. E foram muitos nomes. Eu deixei ele dormindo, o cobri com uma manta e deixei o jantar pré-pronto. Oliver acordou algumas horas depois enquanto eu terminava de ler alguns relatório de Curtis.
E eu queria transar.
Não conseguia ser mais clara do que isso.
Oliver tentava me beijar, mas só tentava mesmo porque eu estava mais focada na missão de me livrar de suas roupas, mas seu cinto estava querendo arrumar briga comigo.
— Oliver, você deveria estar curtindo meus hormônios loucos mais do que eu... — eu disse ao sentir ele se sentar na cama e beijar meu ombro e meu pescoço no processo.
A gravidez me fez ficar sensível, então era toda a excitação e sensações triplicadas, ou até mais. Não era mais HD, era o fodido 4K agora. E eu sentia o quanto ele me queria também.
— Vamos aproveitar agora, porque eu sei que assim que minha barriga ficar maior, você não vai querer ficar por cima e nós dois sabemos que eu não gosto de ficar por cima... Então, se livre das suas calças. — eu disse admitindo derrota contra o seu cinto.
Oliver riu alegremente, mas não discordou de mim. Ele sabia que eu estava certa.
— Se eu realmente fizesse tudo que você deseja, eu estaria sem pau á essa altura, Felicity. — ele disse se livrando do cinto e coloquei a mão em cima da minha felicidade particular que estava mais do que, você sabe, Feliz em me ver.
— Shh, não fale assim dele. — eu disse com um tom de voz sério. — Ele vai ficar magoado.
— Está comigo apenas por causa dele? — ele perguntou erguendo uma sobrancelha e olhando para minha mão onde eu senti ele vibrar.
— Está comigo apenas por causa delas? — perguntei olhando para os meus seios que haviam inchado ligeiramente e Oliver não conseguia ficar longe aparentemente. Dei um pequeno gritinho quando ele trocou nossas posições e se livrou de sua camiseta.
O tempo passaria, mas eu nunca iria deixar de ficar maravilhada com o corpo de Oliver. Ele era perfeito. E completamente meu. Eu ri quando senti ele afastar meus joelhos e se enfiar ali e pairar sobre mim. Puxei seu rosto para mim e agora sim, nos beijamos de verdade. Suas mãos correram desde a minha barriga até meus seios e abriram o fecho frontal do meu sutiã.
— Você vai acabar me enlouquecendo... — ele sussurrou mais para si mesmo do que para mim.
Eu ri, mas minha risada se transformou em um gemido assim que senti sua língua quente em minha pele. Eu não sabia se era por causa do ar condicionado ou por causa do próprio Oliver, mas eu estava arrepiada na cabeça aos pés. Prendi o quadril dele com minhas próprias pernas o mantendo no lugar, enquanto sentia a excitação aumentar cada vez mais.
Oliver trocou de lado ao mesmo tempo em que suas mãos começaram a passear por meu corpo. Ele encontrou a barra da calcinha e apertou meu quadril. Eu ergui ele levemente e ele deslizou o tecido da calcinha por minhas pernas gentilmente e desceu depositando beijos em minha barriga até que a peça saísse completamente.
— Oliver...
— Sim?
— Você está vestido demais. — eu disse quando ele beijou meu umbigo e riu. As vibrações de sua risada causaram... Reações. Sendo uma delas mais um arrepio pelo corpo inteiro. — Eu quero te sentir.
— Eu estou bem aqui.
Quando eu ia começar a retrucar senti seus lábios contra os meus lábios... Lá embaixo e gemi baixinho. Mudança de script. Ele iria começar o outro tipo de tortura agora. Não que eu fosse contra. Longe disso. Bem longe disso mesmo.
— Céus... — eu gemi mais uma vez quando senti sua língua entrar em mim com precisão. Agarrei as laterais da cama e senti meus dedos dos pés se curvarem, enquanto a língua de Oliver me invadia em um ritmo enlouquecedoramente lento. — Mais.
Oliver continuou e elevou minhas coxas por cima de seus ombros fazendo o ângulo de sua língua mudar e ir ainda mais fundo. Nessa hora eu me resumi á gemidos e pressionei uma de minhas mãos em minha boca para tentar controlar o volume. Oliver não gostou disso, porque ao notar o meu silêncio, ele cessou os movimentos e me encarou e depois ergueu sua mão e afastou a minha de minha boca.
— Eu quero te ouvir, Felicity. Nós temos paredes á prova de som, lembra? — ele murmurou se afastando minimamente de mim.
Seus movimentos voltaram a ser precisos e mais rápidos. Ele era realmente ótimo nisso e quando seus dedos começaram a estimular ainda mais o meu clitóris, eu vi estrelinhas douradas. Agarrei seu cabelo com gentileza, porém firme e pude jurar ouvir a risada do idiota entre minhas pernas.
Meu idiota.
Meu idiota que sabia me levar até a beira da insanidade. E foi o nome dele que eu gritei quando o clímax chegou em uma explosão dentro de mim. Senti minhas pernas vibrarem e um calor enorme me tomar por inteira enquanto as ondas de prazer se derramavam no meu interior.
Oliver se afastou levemente e terminou de tirar as roupas que eu não havia terminado de me livrar. Eu estava grogue, mas sabia o que eu precisava e isso se resumia á Oliver dentro de mim. Assim que vi as calças dele voando e caindo perto da porta do banheiro, eu voltei a me sentar, ainda ofegante.
— Felicity... — ele gemeu assim que eu lambi a gotinha que escorria por ali. Ele afastou meu cabelo e tirou meus óculos. Nunca acabava bem para eles de qualquer jeito.
Voltei a lamber sua pele. Tudo nele me excitava. Seu toque, seu olhar, e esses dias eu descobri que até o seu cheiro. Então quando senti suas coxas travarem, voltei a sentir aquele formigar preguiçoso dentro de mim mesmo depois de um orgasmo forte.
O prazer dele também era excitante.
Senti sua mão sair de meu pescoço e voltar para o meu cabelo. Não era um aperto doloroso, apenas firme. Passeei minhas mãos por suas coxas até sua bunda e gemi quando ouvi ele grunhir de prazer quando deixei meus dentes rasparem de leve contra sua pele sensível.
Senti ele inchar e tomar todo o espaço que tinha e aumentei meu ritmo de sucção.
Oliver era todos gemidos e estava dividido entre me observar ou apenas fechar os olhos e aproveitar. Ele não conseguiu escolher, mas assim que ele gozou em minha boca, deixou sua cabeça cair para trás e senti seu corpo tremer levemente. De prazer, é claro.
— Deus... — ele disse e eu fiquei de joelhos e beijei seu queixo porque não alcançava sua boca na posição que eu estava. — Eu acho que vou ficar louco.
— Por mim? Seja meu convidado, Sr. Queen. — eu disse e voltei a me deitar enquanto ele se recuperava. Ele veio para cima de mim novamente e eu o abracei desta vez. — Por que eu fico com tanto frio depois de gozar?
— Porque seu corpo precisa de mim. — ele disse beijando meu queixo e eu ri.
— Em mais jeitos que eu posso contar. — concordei e senti ele beijar meu pescoço.
— Mas se você quer uma resposta técnica, nossa excitação nada mais é do que a corrente sanguínea correndo rápido demais por isso nosso coração acelera, a respiração também e tudo parece mais intensificado. Quando o orgasmo vai embora, o sangue volta a correr normalmente, você não fica com frio, mas não fica tão quente como estava. — ele disse baixinho enquanto beijava meu pescoço e meus ombros.
— Oliver?
Ele se apoiou em um dos cotovelos e traçou minha mandíbula com o dedo indicador.
— Eu prefiro a primeira versão. — eu disse e ele sorriu. — Espero que nosso bebê tenha os seus olhos.
— Por que? Os seus são lindos. — ele disse e beijou uma têmpora minha e eu sorri.
— Porque quando você está feliz, eles brilham e eu consigo ver que você tem uma manchinha verde bem pequena na sua íris. — eu disse e passei meu dedo em sua têmpora esquerda. Ele ergueu uma sobrancelha para mim. — Sim, eu te encarei o suficiente para notar isso. Não me julgue, você fica me encarando enquanto eu durmo.
Ele gargalhou agora e eu sorri e beijei seu queixo novamente.
— Você acha mesmo que eu devo fazer aquela cirurgia?
Seu riso morreu aos poucos e ele me trouxe para mais perto dele. Se possível.
— Eu realmente não sei. Eu não consigo estudar mais o seu caso. A única coisa que eu vejo é você sorrindo para mim. Isso me distraí. — ele disse baixinho, mas notei que seu tom era sério. Ele não estava brincando. — Não consigo me separar e ter outra perspectiva como antes.
— Mas a cirurgia ainda é melhor que tomar os anti-coagulantes. — eu disse e ele assentiu.
— Seu sangue alimenta o bebê e o coágulo ao mesmo tempo. Se você tomar os remédios, vai provocar um aborto quase que instantâneo. — ele disse e coloquei minha mão em cima da sua que estava em meu estômago agora. — A cirurgia também não é 100% eficaz. É o mesmo procedimento que você passou depois do acidente e deixou sequelas.
— Eu conversei com William e ele me deu uma ideia...
— Qual?
— Nós fazemos o parto primeiro e depois a cirurgia. — eu disse e mesmo sem meus óculos vi que seus olhos estavam preocupados. — Assim que o bebê estiver fora da zona de risco, vocês podem abrir minha cabeça e ver se meu cérebro gênio é cor-de-rosa ou não.
— Ele não é. Eu já vi ele. — ele disse sorrindo e tocou levemente a minha cicatriz da primeira cirurgia. — Você está falando em ter um parto prematuro?
— Até onde eu conseguir ir. Não sou ingênua á pensar que vai ser assim para sempre, Oliver. Eu sei que conforme a gravidez progredir eu vou ficar mais cansada, mais debilitada e vai chegar uma hora que meu corpo vai pifar... Não quero que o bebê sofra por causa disso. — eu disse e entrelacei nossos dedos. — Eu li que no sétimo mês, os pulmões e o coração estão formados por completo, mas não tão bem desenvolvidos. A unidade neonatal do hospital é equipada para isso, não é? Só em caso...
— Sim, mas Felicity...
— Eu sei, eu sei. Este é nosso plano B, okay? O A ainda é curtir a gravidez em casa com muitos orgasmos e banhos coloridos que mancham a banheira. — eu garanti para ele sorrindo e o beijei calidamente. — Se chegar a esse extremo, promete que você que vai abrir os meus miolos?
— Conflito de interesse. Que tal meu pai? — perguntou ele e eu assenti rindo.
Ele voltou a me beijar. Sabia que ele não gostava de conversas assim, mas eu também sabia que precisávamos ter elas em algum momento. E esse tipo de beijo agora? Era para me distrair, e eu deixei. A parte difícil da conversa já foi de qualquer jeito.
— Você vai sentir falta disso também? — perguntei quando ele pairou sobre mim e eu me agarrei á ele.
— Existem outras posições, Felicity. O sexo não vai acabar. — ele prometeu rindo levemente.
— Sim, mas esta é a minha preferida. — eu disse puxando os cabelos em sua nuca levemente.
— Eu sei. É a minha também, mas nós vamos ter que ser criativos a partir do sexto mês. — ele disse beijando o vale entre os meus seios e apertando meus quadris levemente. Sinceramente? Ele não tinha que fazer muito para eu ficar excitada, porque só com alguns beijos, eu já ficava pronta. — Eu sempre quis perguntar, por que você gosta tanto?
— Eu não sei. — respondi rindo quando senti seus lábios em minhas costelas. — Eu consigo te sentir mais, te tocar mais... Ahh.
Ele enfiou um dedo pelas minhas dobras e passeou por ali. Foi tão bom.
— Sabe qual a melhor parte de você estar grávida?
— Sem menstruação? — perguntei ofegante enquanto sentia ele se posicionar na minha entrada.
— Sem camisinha. — ele disse e entrou em mim. Senti fogos de artifícios explodirem em meus olhos e meu corpo se arqueou na cama. — Te sentir por completo é viciante. Eu realmente não sei como você não engravidou antes.
Eu ri e depois gemi quando ele voltou a se mover. Cruzei meus tornozelos em suas costas e abracei seus ombros. Ele estava indo tão fundo em ritmo constante e eu já me sentia pronta para gozar. Fácil assim. Nos beijamos preguiçosamente e quando ele mordeu meu pescoço sabia o que estava por vir. A mudança do ritmo ficou mais rápida e eu sentia seu movimentos mais fortes.
Eu gemi alto quando ele atingiu aquele pontinho extra especial dentro de mim e a partir daí foi paraíso. Eu gozei fortemente á ponto de tremer ao sentir os espasmos de prazer, Oliver gozou logo depois e nos enrolamos juntos em uma confusão de membros e calor.
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Estava encrencada. Muito encrencada. Porém eu recusava a entrar em pânico agora.
Por isso, eu saí do carro e caminhei com tranquilidade até a entrada do hospital. Eu já havia pedido para Thea ficar com William a tarde, e de qualquer forma eu teria que vir no hospital por causa da minha consulta com Makenna. Acho que nos veríamos antes do combinado.
Pensei que seria uma boa ideia visitar a Disney Geek depois de tanto tempo fora, Curtis e Barry me receberam com braços abertos e comida chinesa. Não poderia ter sido melhor. Até eu fazer uma pausa para o banheiro, eu tinha muitas dessas durante o dia, e ver algo preocupante. Meu xixi estava rosa e minha calcinha tinha um fiozinho de nada de sangue. Eu bloqueei qualquer pensamento negativo na hora. Me limpei e me despedi dos garotos. Entrei no carro e dirigi até o hospital pedindo para Thea ficar de olho em William já que ela estava na instituição hoje e ele ia direto para lá depois da escola fazer um trabalho com Zoe.
Caminhei até a entrada do hospital, ignorando a entrada do pronto-socorro com a minha mochila nas costas. Não vamos entrar por lá, nós vamos fazer tudo diferente porque não há motivo para pânico. Cumprimentei Ray de longe que estava no telefone e Helen que estava dando uma dura em um interno no corredor. Caminhei diretamente para o escritório de Robert e me troquei no banheiro dele. Fiz mais xixi e ele saiu normal desta vez e a manchinha na calcinha não aumentou.
Era algo bom, certo? Certo.
Troquei meu vestido pelo conjunto de moletom de gestante preto com tênis super extra confortáveis. Meus pés não estavam inchando ainda, mas eu havia usado saltos o dia inteiro depois de muito tempo. Limpei meu óculos e coloquei a roupa suja dentro de um saco de lixo contaminado. Quando sai do banheiro e sentei no sofá ao lado da minha bolsa, eu mandei uma mensagem para Oliver.
"Felicity, S-Q: Hey! Ocupado?"
Sua resposta foi imediata.
"Oliver, Q: Nunca para você."
— Awn, vamos ver se você vai continuar fofinho assim...
"Felicity, S-Q: Uma coisa aconteceu hoje."
"Oliver, Q: Que coisa? Você está bem?"
Revirei os olhos.
"Felicity, S-Q: Pode vir para o escritório do seu pai? Estou aqui."
A porta abriu segundos depois que eu enviei a mensagem e eu vi Oliver entrar pela porta usando seu uniforme e jaleco com o celular em mãos. Ele desviou seu olhar do aparelho para mim e notou minhas roupas.
— Eu pensei que você só usaria essa roupa quando fosse a hora do parto. Não está muito folgado? — perguntou ele sorrindo e fechando a porta.
— Eu disse que usaria essa roupa quando fosse a hora de ir para o hospital. E sim, está um pouco folgado, mas não tanto assim. — eu disse e ele se ajoelhou na minha frente.
— O que aconteceu?
— Você sabe que eu fiquei super boa em driblar meus sintomas de grávida, não sabe?
Ele assentiu.
— Hoje eu acordei enjoada. Super estranho. Tomei café com Will e fui para empresa visitar Curtis e Barry. Fiz muito xixi e fiquei enjoada mais uma vez. Aí eu fui no laboratório visitar Cisco com os meninos e por um momento... Pequenino assim... — eu disse e coloquei meu polegar e indicador perto um do outro. — Eu fiquei tonta.
Oliver já ficou tenso aí.
— Voltamos, eu tomei água e fui no banheiro. Meu xixi estava rosa e tinha um fio de cabelo de sangue na minha calcinha. — eu disse e respirei fundo. — Eu prometi para você que quando notasse que algo estava errado, viria para cá, então eu vim. Estou começando a ter uma dorzinha chata de cabeça também.
— Felicity...
— Marido, eu acho que está hora de fazer meu check-in. Parece que vou passar os últimos quatro meses por aqui. — eu disse olhando ao redor e depois para Oliver que apenas começou a bipar todo mundo com um olhar determinado.
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— Felicity Meghan Smoak-Queen...
— O que eu e meu bebê fizemos agora? — perguntei abraçando minha barriga que estava do tamanho de um bola de vôlei, mas ainda menor do que uma melancia.
Encarei Makenna que havia entrado no meu quarto que havia sido minha casa nos últimos três meses. Ela estava com seu uniforme rosa e um sorriso no rosto. Isso era um bom sinal, não era? Coloquei meu notebook de lado e me foquei inteiramente nela.
— Sabe como eu adoro ter você aqui? Fica tão mais fácil de te examinar... — ela disse vindo até o meu lado e começando a checar meus vitais. — Não gostou de dormir no colchão ortopédico?
— Eu tenho um em casa, doc. Sinto falta da minha cama. Da minha manta. E mais do que tudo da minha privada. A daqui é estranha, não é? — perguntei e olhei em direção á William que havia dominado meu sofá com seus cadernos e livros e ele deu ombros. — Isso é um "Sim".
Makenna riu e continuou seus exames. Ela vinha um dia sim, outro não me ver e me checar. Sabia que ela, Oliver e Robert estavam montando uma força tarefa para o meu parto e minha cirurgia. Até agora eles estavam respeitando a minha decisão de ir até onde o meu corpo aguentar e éramos todos amigos por enquanto.
— O que você está lendo hoje? Alguma pergunta pra mim? — perguntou Makenna á William assim que ela terminou de apalpar minha barriga e me liberar.
Puxei minha mesinha de rodas com meu notebook de volta e voltei a trabalhar no rascunho de uma apresentação para Curtis. Era tudo que eu poderia fazer estando aqui, porque minha sogra havia proibido ele de me mandar qualquer outra coisa que não fosse serviço chato e entediante burocrático.
— Ahm, como você vai fazer o parto dela?
— Nós começamos com um corte, depois perfuramos a placenta e tiramos o bebê. Se o pai estiver presente... — começou Makenna.
— Ele vai estar. — adicionei sem tirar meus olhos da tela enquanto eu digitava.
— É ele que corta o cordão umbilical, nós levamos o bebê para as primeiras medidas e cuidados enquanto tiramos a placenta da mãe e depois fechamos o corte. — Makenna terminou e William assentiu. Ele gostava de saber os processos, mas ainda não aguentava a parte nojenta por mais que ele tenha visto várias atrocidades neste mesmo hospital junto comigo, na maior parte das vezes. — Levamos o bebê para o primeiro banho e depois medimos ele novamente, ele fica no berçário enquanto a mãe se recupera no pós-operatório.
— Então ela vai ter uma cicatriz?
— Talvez. Cada mãe tem um processo de cicatrização diferente. Conheço mães que tem uma até hoje e outras mães que a cicatriz sumiu depois de alguns anos. — ela disse ponderando.
— Legal. Ele está do tamanho de um abacaxi agora, então?
— Sim, mas sem a coroa. — confirmou Makenna sorrindo.
— Ainda pequeno demais. — eu disse.
— Você vai continuar falando assim nos próximos vinte e um anos, Felicity...
— Que Deus me ajude. — eu disse fechando meus olhos e os dois riram.
Ela se despediu e voltamos ao trabalho.
Minha rotina do hospital era essa.
Eu acordava com Robert medindo meus vitais, meus reflexos e apalpando minha cabeça. Tomava café e ia dar uma caminhada com Sara. Voltava e trabalhava um pouco. Tirava uma soneca. Ia no banheiro. Assistia algo. Oliver vinha almoçar comigo e ficava um pouquinho quando não tinha cirurgias ou pacientes muito graves. Eu dormia mais um pouco. William vinha depois da escola e eu trabalhava mais um pouco. Makenna aparecia para me examinar. Oliver vinha depois e jantávamos todos juntos. Oliver e William iam para casa bem tarde. Alex, o interno de Oliver ficava comigo nas madrugadas insones e eu ajudava a arquivar prontuários no sistema do hospital. Eu digitava bem mais rápido que ele.
As visitas eram muitas também. Mamãe e papai estavam na cidade e ficariam até o bebê nascer. Eles vinham todo final de semana, assim como Moira. Lyla e Dig não podiam vir ainda porque minha afilhada estava gripada e meu sistema imunológico era uma merda nos dias atuais, mas Tommy e Cait vinham bastante também assim como Thea e Roy. Normalmente eles vinham para roubar William para uma noite divertida, mas eu gostava de ver a cara deles de vez em quando. Essas eram as noites que Oliver dormia comigo. Ás vezes quando Sara tinha um plantão noturno, ela ficava comigo também. Eles tinham medo de me deixar sozinha demais.
Eu tinha orgulho em dizer que estávamos tirando tudo isso de letra. Meu marido e eu. Ele não parecia tão preocupado comigo internada aqui, e eu também não pelo mesmo motivo. Não discutíamos mais sobre a minha saúde, apenas sobre nomes. Isso era compromisso, não era? Algo muito bom. E observar meu bebê crescer era o nosso mais novo hobby.
Eles não me enganavam no entanto. Sabia que eu estava começando a pifar. Estava ficando cansada demais muito rápido, luzes fortes me davam enxaquecas monstruosas e por isso eu tive que colocar meu notebook e o celular no modo escuro, caminhar uma volta ao redor do jardim do hospital era uma maratona inteira agora e meu apetite era quase nada. Eu realmente estava comendo forçada, porque fome eu não tinha. Isso não era bom.
Eu sabia que eles estavam editando boa parte do meu diagnóstico para mim. A situação não era ruim, mas não era ideal também. E Makenna apalpar minha barriga por mais de um minuto também não era ideal. Isso significava que a cirurgia estava chegando cada vez mais rápido.
Estava nos meus planos perguntar isso á Oliver hoje já que Will iria para casa de Zoe fazer uma maratona de Stranger Things com ela. Eu poderia confrontar meu marido sem me preocupar com a reação de William. Tudo bem que "confronto" era uma palavra muito forte, eu iria perguntar. E usar as armas grandes se necessário.
Quando Zoe e René apareceram para buscar Will e Oliver apareceu com a mochila com suas coisas, eu distribui abraços e beijos e praticamente enxotei todos eles para fora com um sorriso no rosto. Oliver me perguntou que pizza iriamos comer porque eu tinha dito que queria pizza hoje e eu apenas o observei.
Ele havia ido em casa tomar banho e parecia sexy demais usando a jaqueta de couro marrom escura dele. Eu ainda preferia a preta, mas essa ficava muito bem nele também. Estava usando jeans e botas hoje. Estava frio, o inverno estava começando dar sinais de sua chegada.
— O que você vai fazer se eu morrer, Oliver?
Ele congelou por inteiro ainda segurando o cardápio da pizzaria.
— Porque eu não sei o que vou fazer se morrer. — eu disse e ele se virou para mim com uma expressão ilegível. — O que? É uma pergunta válida.
— Não vamos pensar deste jeito, Felicity. Nunca vamos pensar deste jeito. — ele afirmou com um tom de voz duro e eu dei de ombros. — Por que isso agora?
— Porque eu não sei se vou voltar desta vez. — eu disse e ele veio se sentar ao meu lado. — Mas eu sei que vocês vão ficar bem e é tudo que me importa.
— Hey. Você vai estar aqui também.
— Promete?
— Prometo. — ele disse e me abraçou.
E lá se vai a minha ideia de confronto. Eu conseguia ver ela indo para o ralo junto com todo o resto, porque eu comecei a sentir uma dor de cabeça excruciante e apaguei logo depois nos braços de Oliver.
Opa. Hora do show.
Eu acho.
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