Notas iniciais
Ciao! Voltei meninas! E o capítulo está enormeeee de bom! Obrigada a todas pelos comentários do capítulo passado, nós conseguimos bater a meta! Vocês são as melhores e eu sou mais do que grata por ter vocês aqui! Boa Leitura!

Eu não sabia o que realmente esperar dessa festa. Claro, eu já tinha ido em festas com Thea e Tommy, e a festa de Natal na Mansão Queen, mas nenhuma delas parecia ser um cerimônia do Oscar! Eu estava esperando um tapete vermelho, sim. Alguns fotógrafos, também. Um ou dois rostos de celebridades, com certeza. Mas nada desse nível.

Thea havia planejado tudo e alugado o salão de eventos do Plaza Deluxe, o hotel cinco estrelas realmente caro que eu e Caitlin havíamos vindo curtir o dia no spa que era realmente caro também, e além do salão de eventos, mais quatro andares de quartos para alguns convidados mais seletos que viriam de longe.

— Você parece enjoada... Está tudo bem?

Me virei e dei de cara com Laurel Lance com uma expressão preocupada em seu rosto bonito. Ela estava mais do que bonita hoje. Estava de preto e com um batom vermelho. Ao contrário de Helena, Laurel conseguia usar a cor sem me causar repulsa e realmente combinava com ela.

— Eu estou bem, apenas com calor... — eu respondi e ela assentiu. — Você?

— Procurando um pouco de coragem líquida. — ela disse acenando para um dos baristas atrás do balcão.

Deixei meu olhar vagar pelo salão e vi vários convidados sendo dirigidos aos seus lugares e mesas. Conseguia ver Moira junto com Oliver e Thea na entrada cumprimentando todos e tendo breves conversas, sempre com sorrisos nos rostos.

Eles eram bons. Eu admito.

Quando havíamos chegado eu não estava pronta para a multidão que nos recepcionou. Repórteres, fotógrafos, seguranças... Foi bem sufocante, mas eu havia sorrido e posado com Oliver para alguns fotos antes de entrarmos no hotel. Isso foi questão de três, quatro minutos. Os Queens estavam fazendo isso á mais de meia hora.

Olhei para o teto e suspirei baixinho. O teto era uma réplica do teto da Capela Sistina com diversos lustres espalhados. Aposto que os arquitetos que fizeram o prédio assistiram alguns filmes da Disney antes de projetar qualquer coisa, porque aqui parecia uma espécie de mix entre o salão de baile da Cinderella com o da Bela e a Fera e Bela Adormecida.

Janelas enormes do chão ao teto protegidas por cortinas grossas vermelhas com aquele pompom amarelo para amarrar elas se caso precisasse. O chão era de mármore branco e fazia os saltos de todas as mulheres ecoarem pelo salão. As mesas foram postas e tinham oito lugares cada. Toalhas de linho branco, um arranjo de rosas e peônias no meio e o aparelho de jantar que eu não iria me surpreender se tivesse vindo diretamente da China. Tudo era uma combinação de branco, creme e pequenos detalhes em madeira. Era bem elegante, aquele tipo de coisa que a gente vê no Pinterest para ter algumas inspiração.

Uma pequena melodia começou a tocar e eu olhei para a esquerda e vi que a orquestra já estava completa e começaram a tocar alguma coisa para preencher o silêncio do salão. Uma rápida conta e eu vi que eram 21 músicos, mais o maestro e dois cantores. Ao lado do pequeno palanque deles estava o palco onde aconteceria o leilão com um telão montado no fundo. E na frente de ambos a pista de dança que deveria ser a menor coisa da coisa toda, mas ainda sim conseguia ser espaçosa. As mesas tomavam mais da metade do espaço todo, mas tudo estava em harmonia.

Os Queen sabiam dar uma festa. Eu lembro que havia pensado a mesma coisa no último Natal, mas claramente aquela festa era só um aquecimento para esta de hoje. Tudo no salão e no hotel inteiro exalava dinheiro, mas como Thea mesma disse: "Você precisa gastar dinheiro para ganhar mais dinheiro". E observando sua lista de convidados chegar e tomar seus lugares, ela estava certa.

— Aqui está... — disse Laurel novamente e uma taça de champagne foi posta na minha frente. Eu aceitei sem cerimônias e nós duas viramos o champagne como se fosse um shot de tequila. — Você tem alguma coisa mais forte aí atrás?

O uísque foi o próximo e me fez ver estrelas de uma forma bem negativa quando desceu como fogo alastrando por toda minha garganta. Laurel parecia satisfeita depois disso, porque não pediu mais nada. Moira e Thea se aproximaram momentos depois.

— Por que vocês estão escondidas aqui? — perguntou Thea.

Ela estava usando um vestido preto de cetim com alças finas que realçavam seu colo e que marcavam cada curva que ela tinha. Dois diamantes brilhavam em suas orelhas e a maquiagem em seus olhos estava bem carregada. Mortiça Adams já era elegante por si só usando apenas preto, mas Thea conseguiu elevar isso para outro nível hoje.

Não de uma maneira ruim.

— Coragem liquida. — respondeu Laurel balançando seu copo vazio.

— Oh, bobagem. Vocês vão se sair mais do que bem. — disse Moira com um sorriso gentil e eu me senti reconfortada. Se a matriarca Queen, mais conhecida como a mulher mais poderosa do país dizia que você iria conseguir fazer alguma coisa, é porque você iria conseguir. — Eu vou anunciar Oliver e Thea, eles vão anunciar Felicity e Felicity vai anunciar Laurel.

— Desculpe, o que? — perguntei me virando para Moira. Ela estava deslumbrante em seu vestido verde de renda com mangas longas, mas não foi seu vestido que chamou minha atenção, e sim suas palavras. — Eu vou falar?

— É claro, nós queremos que as outras empresas saibam do projeto de reintegração social e que eles também compartilhem o projeto. Eu te mandei o arquivo pelo Facebook, Lis... — respondeu Thea e eu ergui minhas sobrancelhas.

— Quem ainda usa Facebook? — perguntou Laurel como se estivesse lendo minha mente.

Exatamente. Eu não sabia que teria que falar, você não pode explicar essa parte? A empresa é sua afinal, e vocês três lá em cima vão ser a Trindade Profana! Vai ser como tirar doce de criança, só que no caso você estaria tirando dinheiro de pessoas que tem mais do que suficiente para viver... Tipo, uns cinquenta anos mais! — eu disse tudo em uma respiração só fazendo Thea rir e Moira me olhar penalizada.

— Ainda tem medo de palco, Smoak? Mãe, eu já te contei que Felicity quase não foi a cerimônia de formatura quando descobriu que foi eleita a oradora da classe dela e tinha que discursar? — alfinetou Thea fazendo Moira e Laurel rir ás minhas custas.

Eu iria precisar de mais champagne.

— Eu subi no palco e discursei... — me defendi e acenei para o barista que parecia entediado demais.

— Felicity, você fez um vídeo de despedida para os alunos e gravou seu discurso na segurança e paz do seu dormitório para ser fundo do vídeo. — acusou Thea e todas elas riram.

— Um discurso é um discurso. Se você tivesse me mandando o memorando por e-mail, como uma pessoa normal e atualizada, eu teria feito a mesma coisa para hoje e teria ficado ótimo. — disse e tomei um gole de champagne assim que a taça chegou em minhas mãos.

— Não fique nervosa, Felicity. Eu posso apresentar no seu lugar ou Thea. — disse Moira colocando a mão em meus braço. Seu toque era quente e compreensivo. Será que isso era um poder de mãe? Deveria ser isso.

— Obrigada.

Começamos a circular depois disso. Eu encontrei meus pais facilmente no meio da multidão quando me aproximei das mesas. Mamãe estava de vermelho e estava deslumbrante, mas eu não esperava menos do que isso e aposto que foi ela que fez meu pai entrar em seu antigo smoking. Não leve o "antigo" ao pé da letra, porque ele poderia ser confundido com James Bond agora.

— Coelhinha, que festa linda... — foi a primeira coisa que mamãe disse depois que nos abraçamos. — Eu adorei as peônias e a paleta de cores!

Ri levemente. Mamãe ficava entusiasmada com qualquer coisa que envolvesse flores e decoração. Talvez seja por isso que ela ainda trabalhava com noivas. Mamãe era aquele tipo de pessoa que conseguia ter a cabeça nas nuvens e ainda ter os pés no chão. Algo realmente reconhecível.

— Você viu os artigos que vão ser leiloados? — perguntou ao sussurros depois que eu me separei de papai.

— Não, mas você viu e gostou de algo, não gostou? — perguntei erguendo uma sobrancelha e ela deve a decência de corar que nem uma garotinha.

— Uma pintura de óleo. É uma noiva a beira do mar. Realmente linda. — ela cochichou e eu sorri.

— Vai fazer alguns lances?

— Talvez na caixa de vinho tinto que deve ter uma história bem interessante...

— Mas...?

— A pintura já é dela, Felicity. — respondeu papai e nós dois rimos do olhar determinado no rosto de mamãe.

Fiquei sentada com meus pais em nossa mesa até ver Lyla, John e a pequena Sara chegarem com a Mama Diggle. Eles estavam na mesa ao lado junto com Tommy, Caitlin, Sara, Dr. Palmer e a Dra. Isabel. Thea fez questão que ninguém fosse estranho á ninguém nas mesas.

Comecei a circular sozinha depois disso, reconhecendo rostos da instituição, hospital e empresa. Confesso que sinceramente estava esperando Helena aparecer e fazer mais de uma cenas, mas depois de uma conversa breve com o Dr. Malone e sua esposa, ele havia dito que Helena permanecia de licença e estava em Opal City com sua família.

— Eu realmente não sei o que estou fazendo aqui... — disse Ray assim que nos esbarramos novamente na saída dos banheiros.

— Apoiando uma boa causa para caridade? — perguntei erguendo uma sobrancelha e ele riu. — Com o bônus de boa publicidade para o hospital em que trabalha? Cuidado, você pode ser o doutor do mês desse jeito Ray.

Ele riu e ajeitou sua gravata. Quando conheci Ray pensei que ele era um enfermeiro assim como Sara, mas doce engano meu. Ele era chefe do departamento de trauma e por acaso, por acaso mesmo, precisava de uma consulta na neurologia no dia em que nos conhecemos e ele socorreu á mim e a Lyla quando a pequena Sara decidiu que era a hora de vir ao mundo.

— Eu pensava que Oliver tinha uma vida bem mais calma do que Thea e Moira, você sabe... Não estar nos holofotes o tempo inteiro e muito menos estampar capas de revistas. — eu disse quando caminhamos juntos para onde os convidados estavam. — Mal eu sabia que o mundo da medicina tem uma seção específica para fofoca.

Ray riu levemente, porém não discordou de mim.

— Finalmente te encontrei... — disse Laurel aparecendo mais uma vez. Franzi as sobrancelhas. Nós duas nos conhecemos á quatro dias e eu era a única referência que ela tinha dentro deste salão? — Oliver está te procurando, algo relacionado á Rachel Dowson?

Rachel Dowson? Quem diabos er... Oh! Escaneei meus olhos pelo salão na velocidade da luz e encontrei Oliver á algumas mesas de distância com a quarentona pendurada em seu braço. Ele havia me avisado sobre ela. Rachel fazia parte do círculo de Moira por ser casada com um dos investidores da Queen Consolidated e era mais do que determinada em levar Oliver para sua cama. Eu deveria ser o bote salva-vidas dele caso ela aparecesse hoje.

— Oliver, amor? A Dra. Lance quer conversar com você sobre o discurso dela... — eu disse chegando e tomando posse no braço livre de Oliver e fazendo a Sra. Downson erguer uma sobrancelha e se afastar. — Com licença, mas eu preciso roubar ele por alguns momentinhos.

Não esperei resposta, apenas puxei Oliver para longe dela e o trouxe comigo para onde Laurel e Ray conversavam amigavelmente. Formamos uma rodinha e Oliver parecia estar recuperando o fôlego.

— O que aquela mulher fez com você? — perguntou Ray.

— Estava sugando a alma dele aparentemente, mas isso pode ser sinal de ataque de pânico, Ollie. — alfinetou Laurel também.

— Muito engraçado. Quem juntou vocês dois? — perguntou Oliver e os dois olharam para mim de modo acusatório. Oliver incluído. — Você tem sorte que eu te amo.

As apresentações foram feitas formalmente e nós entramos em uma conversa de hospital. Bem, eles conversavam, eu apenas ouvia as histórias e cheirava a colônia de Oliver bem discretamente. Ele estava perfeito hoje e não era só por causa da colônia e do smoking que estava usando. Ele parecia feliz. Aquele tipo de Oliver feliz que eu só via quando estávamos sozinhos no apartamento ou em outro país. Eu amava quando esse Oliver aparecia.

Quando todos os convidados chegaram, Moira e Robert subiram ao palco e deram boas-vindas á todos com um lembrete do motivo para todos estarem reunidos aqui hoje. As crianças. Todos tomaram seus lugares depois disso e a orquestra começou a tocar algo mais animado quando os inúmeros garçons serviam os primeiros pratos da noite.

De rabo de olho, eu percebi que Laurel havia se enfiado na mesa de Sara e estava sentada ao lado de Ray. Eles conversavam animadamente e um olhar significante de Sara em minha direção provou o que eu já suspeitava. Laurel estava de olho em Ray.

O Maestro, um dos melhores restaurante do estado, ficou encarregado do buffet e dos garçons. Nada além do melhor para os Queen. Pensar assim sempre me fazia rir, porque eu estava namorando com um Queen e ele parecia ser tão ignorante á isso quanto o resto de sua família. Eu me apaixonei pela comida já na cesta de pãezinhos, e não fui a única porque Thea e Oliver realmente brigaram por duas fatias de pão italiano fazendo Moira repreender ambos como se fossem crianças. No final quem ficou com as fatias fomos eu e Robert. Eles tinham razão em brigar por esse pão. Era delicioso.

Para ser bem sincera eu sempre tive um pequeno receio sobre culinária gourmet, porque tudo para ser tão... Mínimo. Até agora tudo veio em uma quantidade respeitável, mas se eu ainda estivesse com fome após o leilão, eu iria direto para o Big Belly mais próximo.

Se eu achava que o pão era bom, a salada superou. Um vasilha funda de tamanho médio foi posta na minha frente por um garçom e minha boca se encher d'água. Eu reconhecia uma salada grega quando via uma, mas a adição de Quinoa era interessante.

A combinação da rúcula com os tomates com o manjericão com os pedacinhos de pão com as azeitonas com os cubos de cebola roxa e os grãos de Quinoa era tudo que eu poderia comer na noite inteira se eles continuassem trazendo. Era uma delícia e a única pessoa que estava gostando da salada mais do que eu, era Roy que estava mais focada em esfaquear os tomates do que fazer parte da conversa paralela da mesa.

... eu já estou na torcida há tempos, Moira.— consegui ouvir mamãe falar e ela e Moira riram juntas como se fossem duas melhores amigas falando do cara popular da escola. — Esse é o meu terceiro sonho de mãe.

— Quais são o primeiro e o segundo?

— Primeiro lugar seria ver minha filha tendo o feliz para sempre dela. Segundo seria desenhar o vestido de noiva dela e o terceiro seria ter netos!

— Faço das suas palavras, minhas, Donna. — as palavras de mamãe e Moira desencadearam uma tosse conjunta em toda a mesa que até atraiu olhares dos médicos que estavam no salão.

Eu, papai, Robert e Roy parecíamos ter simultaneamente mandado os grãos de Quinoa pelo cano errado da garganta, enquanto Oliver e Thea nos observavam assim como as duas sonhadoras.

— Aqui. — disse Oliver me entregando sua taça com água já que eu já tinha bebido a minha.

Eu aceitei e respirei fundo ainda tossindo levemente.

— Deus, só por que mencionamos casamento e filhos vocês reagem assim? — perguntou Moira olhando para nós com um sorriso antes de beber seu vinho branco.

Ninguém precisou responder, porque os garçons escolheram aquela exata hora para trocarem os pratos e eu não demorei muito tempo para enfiar a comida na boca. Isso me daria a vantagem sob Roy que ainda estava se recuperando.

Deus. Esse filé está uma delícia. Encarei meu prato e continuei comendo sob o olhar acusador de Moira e mamãe, mas eu foquei no meu prato mesmo. Estava chocada e envergonhada o suficiente para olhar para qualquer um, até mesmo Oliver. Eu não sabia porque estava reagindo assim, mas não conseguia evitar.

Espetei o filé mignon junto com as rodelas de batata gratinada, os aspargos cozidos e alguma coisa que tinha um sabor leve de limão. Estava uma delícia e eu até queria mandar um elogio ao chefe por ter recheado o prato suficiente para mudar o foco das mamazillas de mim para Roy.

— Não traumatize meu namorado, mãe! Ainda não tivemos nenhuma dessas conversas e você não está ajudando. — disse Thea sem se importar com a sua boca cheia.

Beberiquei um pouco do meu vinho, mas para mim não combinou com a comida.

Voltei para a água mesmo.

— Você não vai desapontar a sua mãe, vai Oliver? — perguntou Moira e desta vez eu olhei de rabo de olho para meu namorado que simplesmente sorriu e bebeu seu vinho.

Suspirei internamente. As vezes eu esquecia que Oliver conseguia ser irritantemente taciturno, e hoje isso salvou a pele de nós dois. Quatro se você considerar Thea e Roy, porque depois da "resposta" de Oliver, a conversa foi dada como encerrada e outro tópico começou a ser discutido.

Enquanto mastigava, pensei nas palavras de mamãe. Dois de seus sonhos maternos eu seria capaz de realizar ao menos. Eu não sabia quando, mas eu realizaria. Meu final feliz era Oliver e eu conseguia me ver casando com ele algum dia, e é claro que iria usar um vestido feito por mamãe porque ela casou com papai de jeans e sandálias. A ideia tinha lá seu apelo, mas eu não tiraria isso dela. Agora, netos? Eu deixaria Oliver contar para as nossas queridas mães que isso não era uma opção viável para nós dois. Quem sabe Thea tivesse bebês suficiente para saciar esse desejo das duas nas Páscoas e Natais?

— Pssst...

Me virei ligeiramente e vi Caitlin olhando para mim. Ela ergueu uma sobrancelha e eu sorri maneando a cabeça. Ela assentiu estreitando os olhos em minha direção e eu revirei os meus na direção dela. Tommy chamou sua atenção e nosso contato foi quebrado.

Por um momento meu olhar caiu em minha afilhada que estava se divertindo com as batatas esmagadas na sua frente. Ela estava usando babador, mas mesmo assim tinha feito uma bagunça. Nada de imperdoável quando você via o sorriso banguela dela.

— Talvez venha mais rápido do que vocês pensam. — comentou Roy baixinho, mas eu o ouvi. Assim como Oliver que ficou tenso ao meu lado. Eu não precisava ver ele para sentir a tensão tomando conta de seu corpo inteiro.
Brinquei com Sara um pouco dando Lyla e John uma chance de aproveitar o jantar, e ignorei a sensação de estar sendo observada por mais de uma pessoa na minha mesa, e eu sabia exatamente quem eram. Sara logo soltou um de seus gritinhos, enquanto balançava seus bracinhos em minha direção.

— Eu vou roubar sua filha... — eu sussurrei no ouvido de Lyla com uma voz grossa.

Ela quase nem reagiu, além de sorrir e assentir.

Peguei Sara de seu colo e ela riu e sorriu para todos em minha mesa.

Pensando bem, não era bom exibir um bebê quando estávamos fugindo desse tópico.

Quando eu ia entregar Sara para Mama Diggle, Oliver começou a limpar suas mãozinhas sujas de batata e isso fez ela se jogar em sua direção. Ele a pegou e a sentou em seu colo, começando a brincar com ela. Eu tentei não encarar muito sua interação com a bebê como Moira e mamãe estavam fazendo e apenas terminei de comer o que tinha em meu prato mesmo já estando satisfeita.

A chegada da sobremesa fez com que Sara ficasse entusiasmada demais e precisasse de um troca de fralda da qual John se voluntariou de ir enfrentar levando nossa afilhada para o banheiro com sua bolsa de essenciais. Eu encarei a xícara de cristal transparente que reluzia com a luz e tentei descobrir o que era sem olhar o pequeno menu perto do arranjo de flores. Tinha pedaços de brownie, bolas de sorvete, alguns pedaços de chocolate, alguma espécie de calda que ia até a metade do copo e chantili no topo. Depois olhei para o outro item que era uma pequena torre divida em duas seções. Chocolate em baixo e marshmallow por cima, eu reconhecia um S'more quando vinha um, muito obrigada.

— Eu nunca fui fã de doces, mas isso está uma delícia. — disse papai cavando com uma colher sua xícara.

Frustrada, eu pequei o menu e fui na seção de sobremesa. Gourmet S'mores com Sundae de Café Irlandês. Interessante. Cavei minha colher na xícara e enfiei dentro da boca. Minhas papilas gustativas foram atacadas com o gosto de café, uísque, chocolate e baunilha. Papai estava certo. E eu realmente teria que mandar meus elogios para o chef pessoalmente e por e-mail pedindo essa receita.

— Nós já voltamos... — anunciou Robert levantando da mesa com Moira sem ao menos tocar em sua sobremesa. Me virei para Oliver e ele já havia destruído sua torre de S'more e estava mastigando com um sorriso assim como Thea.

Moira e Robert caminharam até o palco onde haveria o leilão e baterão no microfone chamando a atenção de todos. Eles ergueram as taças de vinho branco na direção do salão com um sorriso.

— Senhoras e senhores, boa noite á todos! Obrigada pela presença e participação de todos hoje aqui. Estão apoiando muito mais do que uma instituição de caridade, estão apoiando inúmeras famílias. A nossa incluída. — disse Robert.

— Acho que é seguro dizer que todos aqui são pais, avós ou até mesmo tios de alguma criança. O assunto abordado não é um dos mais fáceis, mas isso não significa que não temos que falar e fazer algo sobre. Eu tenho muito orgulho em dizer que meus dois filhos fazem a diferença nessa área e na vida de muitas crianças e mulheres. — completou Moira. — Eles começaram essa mudança e é o nosso trabalho como pais, avós e tios apoiar essa mudança.

Todos aplaudiram e Tommy fez questão de soltar um de seus assovios.

— Por favor recebam Oliver e Thea.

Mais aplausos e eu vi Oliver ficar levemente corado, o que me fez rir e ele roubar um selinho rápido de mim. Ele e Thea levantaram e caminharam abraçados até o palco onde seus pais estavam.

Eu vou falar, você só precisa sorrir Ollie... E aí, pessoal? — disse Thea tomando o microfone da mão de Moira causando risadas ao redor do salão. — Uau. Casa cheia. Eu acredito que todos que foram convidados estão realmente aqui, espero que tenham trago suas carteiras também!

Mais risadas.

Moira e Robert desceram do palco e voltaram para a mesa com os peitos estufados de orgulho.

— Quando meu irmão criou essa instituição, eu comecei a ver uma versão distorcida de como a vida pode ser cruel com as pessoas. Crianças e mulheres sofrem em silêncio com medo de que as surras, os abusos e a violência piorem se elas protestarem. Eu sei que é algo difícil de digerir, ainda mais depois de termos todos jantado, mas é algo que não pode ser mais ignorado. Nós temos que ajudar de todas as maneiras possíveis, seja doando dinheiro e tempo, montando grupos de apoio e voluntariado, criando leis e projetos... — Thea disse isso dando um olhar significativo para a mesa onde o Prefeito de Starling City e o Senador de Washington estavam sentados. — Eu sei que parece ser muita balela vindo de nós dois, francamente eu e meu irmão não temos a melhor reputação do mundo, nem todos podem ser como os Bowen. Tudo bem por aí, Carter?

Olhei para o meio do salão onde uma taça foi levantada na direção do palco.

— Não seria minha filha se não fizesse isso. — disse Moira para si mesma e eu sorri.

— Mas se nós estamos aqui hoje, é apenas mais um sinal que a sociedade não pode ignorar sobre esse assunto. Nós precisamos ser a mudança que queremos ver no mundo e isso começa aqui, hoje. — disse Thea.
Uma rodada de aplausos com mais um assovio de Tommy.

— Meus pais sempre ensinaram para mim e meu irmão que se queremos que as pessoas mudem, temos que ser o exemplo e é por isso que a nossa empresa, Queen Consolidated, vai ser o exemplo que vocês precisam. — ela disse e o telão se ascendeu com o logo da empresa junto com o logo da instituição. — Nós criamos o projeto de integração e reintegração social para as vítimas de abusos e violência. Crianças, adolescentes e adultos tendo uma chance real de um recomeço. Nós encorajamos á vocês a fazerem o mesmo. Não se confundam, nós queremos o seu dinheiro, mas queremos o apoio de vocês em primeiro lugar.

Vários logos de empresas apareceram no telão e se transformaram uma única só palavra. "Juntos". Todos aplaudiram de pé e Thea entregou o microfone para Oliver que apenas sorriu.

— Ela vai me deixar falar pelo menos alguma coisa hoje... — ele disse e Thea estirou a língua em sua direção. — Vocês conseguiram entender por que eu deixei ela no comando, não conseguiram? Por mais que eu tenha sido o fundador, Thea é quem mantêm tudo em movimento e nos leva para frente á cada dia. Se as palavras dela não te convenceram, conheço outra mulher que vai. Por favor, aplausos para a Dra. Laurel Lance.

Me recostei na cadeira em que estava e continuei comendo minha sobremesa, enquanto Laurel assumia o palco e Oliver e Thea voltavam para a mesa recebendo congratulações dos convidados no caminho. Quando os aplausos cessaram, eles chegaram na mesa novamente.

— Boa noite á todos! Os Queen me convidaram para que eu pudesse ajudar a convencer vocês á doarem um pouco de suas fortunas por uma boa causa. Não tenho a menor pretensão em subir aqui e falar sobre as 4 milhões, 300 mil crianças que sofrem abusos e precisam de ajuda apenas nos Estados Unidos, ou sobre as 500 mulheres que sofrem de violência doméstica á cada hora ou muito menos das 3 mulheres que são violentadas á cada dez minutos... — começou Laurel e isso fez o salão inteiro ficar quieto em um silêncio desconfortável. — Não, eu não bebi o suficiente para errar os números. Estamos aqui á mais ou menos uma hora, certo? Façam as contas. Se o meu cálculo estiver certo, quase vinte mulheres foram violentadas enquanto estamos aqui comendo um delicioso jantar.

Olhei para trás e vi alguns convidados sussurrando entre si.

— Eu não estou aqui para falar desses números no entanto, Deus sabe que a maioria de vocês já lida com números suficientes nos dias úteis. — Laurel disse e soltou uma risadinha para quebrar o clima pesado e tenso que havia criado. — Vamos falar de algo inspirador, vamos falar sobre as crianças que já sofreram algum tipo de abuso, mas que receberam a ajuda e apoio que precisavam e se tornaram ótimos modelos nacionais e internacionais para as gerações futuras.

O telão se iluminou com um quadro recheados de fotos. Rostos de homens, mulheres e adolescentes em um enorme mosaico. Alguns famosos, outros nem tanto, mas todos tinham um fator em comum. A superação do abuso. Laurel realmente merecia o título de deusa da psiquiatria. Ela era ótima.

— Sabe o que acontece quando uma pessoa abusada não recebe o apoio necessário para superar seu trauma? Suicídio. Auto-mutilação de várias formas. Síndromes. Transtornos. Sem falar nos problemas de confiança que desenvolvem ao perceberem que não podiam confiar em quem deveria protegê-las. Ou até mesmo a auto-aversão que vem com a visão distorcida de si mesmo, baixa-auto-estima, e a sensação de não se enquadrar sexualmente... — Laurel disse e eu quis pegar Sara de volta dos braços de John para ver se minha afilhada conseguisse relaxar Oliver mais uma vez.

Ele estava sentado rigidamente ao meu lado com seus punhos em riste escondidos pela toalha da mesa e sua mandíbula estava travada. Seu desconforto era mais do que visível para mim, mas como a atenção de todos estava em Laurel, alguém que olhasse para ele diria que estava constipado depois de comer muito no jantar.

Escorreguei minha mão por sua coxa até alcançar um de seus punhos e entrelacei meus dedos nos seus quase que a força. Eu ouvi ele respirar fundo e depois suspirar e relaxar levemente. Ele soltou minha mão e antes que eu pudesse reclamar, puxou minha cadeira para mais perto da sua. Jogou um dos braços pelos meus ombros e pousou sua mão livre em minha coxa. Para qualquer um que olhasse para nós iria ver um casal apaixonado.

— Vocês acham que isso é ruim? Mas tem um quadro ainda pior. A opção em que nada disso é aparente. Quando a vítima de abuso cresce sem demonstrar sinal algum que sofreu esse tipo de violência. Ela é aparentemente normal para os outros. Ela esconde a dor que convive com ela por anos de algo que nunca deveria ter acontecido em primeiro lugar e isso não vai embora. É uma cicatriz que fica para sempre. — Laurel continuou suavemente e eu senti Oliver depositar um leve beijo em meu ombro e sua respiração quente e acelerada contra minha pele.

Voltei a apertar sua mão e meu olhar cruzou com o de Laurel.

— Traumas transformam pessoas. Todos nós somos assombrados por algum tipo de fantasma que temos que conviver, mas os nossos parecem ser muito fáceis em comparação aos deles, não é? Todos que estão aqui hoje tem a chance de transformar a vida dessas vítimas mais uma vez. Para melhor. — ela ergueu uma sobrancelha e desviou o olhar para algo atrás de mim.

Oh não.

— Nós temos que cuidar dessas crianças. Elas são o nosso futuro e legado. Se querem ser lembrados por algo, seja pelo resgate delas e não por deixarem elas se tornarem mais uma estatística. — Laurel disse voltando a olhar para mim e depois para o resto do salão. — E oh, peguem os talões de cheque também!

Com uma rodada de risadas e aplausos, Laurel desceu do palco sendo interceptada por uma das mesas recheadas de médicos e eu me virei para Oliver que também a encarava, bem mais controlado e recomposto do que antes. Apertei sua mão e ele olhou para mim.

— Você contou? — perguntei sussurrando e ele negou. — Então ela descobriu?

— Eu realmente não sei. — ele sussurrou de volta.

As luzes voltaram ao normal e as conversas recomeçaram de onde pararam. O leilão começou momentos depois disso. As plaquinhas foram distribuídas em casa mesa para cada um dar seu lance e após o discurso de Laurel, eu vi vários figurões retirando seus talões de cheque e carteiras do bolso do casaco. Ela realmente os impactou.

Moira havia montado um lote irresistível também. Várias pinturas de óleo (mamãe já havia reivindicado uma), uma escultura de Vênus em quartzo rosa pálido, um jogo de xadrez de ouro e prata, uma coleção de mapas de Washington da época do Presidente Lincoln, um conjunto de brincos de diamante roxo, uma edição gêmea de um colar de rubi Bulgari, algumas aquarelas em tamanho XGL, uma coleção de clássicos da Literatura Inglesa autografados e um jogo de chá e um jogo de vasos de cristal Swarovski e por fim uma caixa de vinho tinto que tinha mais de cem anos.

Nada além dos livros realmente me chamou a atenção além do vinho e dos livros, mas eu não dei lance algum porque estava preocupada com Oliver que estava encarando seu prato vazio.

— Hey... Você quer ir tomar um ar? Eu sou bem melhor em desculpas do que você. — sussurrei ao pé do seu ouvido e isso fez ele sorrir e assentir. — Okay, agora finja que alguém mandou uma mensagem absurda para você e levante.

Ele pescou o celular enquanto a mesa conversava sobre as pinturas de óleo que estavam sendo expostas. Mamãe estava brigando com a própria Rachel Dowson pela tal noiva. Era realmente linda e deixaria o ateliê de mamãe ainda mais sofisticado.

— Com licença. Emergência. — pediu Oliver se levantando com o celular em mãos.

— Onde ele vai? — perguntou Thea.

— Dê graças á Deus que não namora um neurocirurgião. — eu disse e bebi um pouco de água fazendo Robert e Moira rirem.

— Ou é casada com um. — adicionou Moira depois e Thea revirou os olhos sorrindo.

Oliver tomou seu tempo e só voltou para mesa quando o último artigo estava sendo leiloado que era o colar de rubi Bulgari. Ele parecia melhor, mas novamente, Oliver era ótimo em esconder suas emoções.

Kara Danvers se aproximou da mesa em um belo vestido rosa e sussurrou algo no ouvido de Moira que a fez sorrir e dispensar Kara que também saiu sorrindo. Ela se virou para nós e ergueu sua taça.

— Vocês arrecadaram 3 milhões e meio de dólares em apenas uma noite. Isso requere um brinde. — ela disse em voz baixa.

— YES! — exclamou Thea e todos nós brindamos á isso. — E esse é o jeito dos Queen.

Quando o leilão acabou oficialmente, a pista de dança foi aberta e a orquestra mudou seu repertório para algo bem mais animado. Os convidados começaram a transitar e parecia que cada uma fazia questão de passar por nossa mesa para falar sobre o projeto de integração e reintegração com Moira e Thea. Mamãe e papai escaparam para a pista de dança e Robert foi para a sua panelinha de médicos que estavam tomando uísque.

— Vamos dançar? — perguntou Oliver e eu assenti.

Nós dançamos as versões instrumentais de sucessos de Nina Simone e Frank Sinatra, até que eu fui roubada dos braços de Oliver por Tommy que adorava dançar um bom e velho jazz. Depois eu fui para os braços de John e papai. Quando estava ficando suada e precisando de um pouco de água, outra pessoa me interceptou.

— Posso ter a honra?

Ele era alto. Cabelos castanhos penteados, olhos castanhos, nariz e boca perfeitos com um conjunto dentário de comercial de televisão. Eu assenti de má vontade não querendo ser mau-educada com os convidados de Oliver e Thea. Voltamos para a pista e ele manteve suas mãos nos lugares certos e deixou uma distância razoável entre nós.

Escaneei a pista de dança atrás de Oliver e eu o achei dançando com Sara bem atrás de onde Laurel e Ray estava dançando. Os quatro pareciam se divertir com seus respectivos parceiros, mesmo que Oliver estivessem tomando um banho de baba.

— Você é Felicity Smoak, não é?

— Sim, eu sou.

— Carter Bowen. Prazer. — ele disse sorrindo e eu tentei corresponder, mas não consegui. — Minha família e os Queen são amigos de longa data, mas eu nunca conheci você, Srta. Smoak. Onde eles estiveram te escondendo?

Ri levemente por pura educação e ele me girou. Seus movimentos eram calculados demais, mas pelo menos ele não pisou em meu pé como Tommy fez duas vezes quando havíamos dançados juntos.

— Eu fiz faculdade junto com Thea. Talvez seja por isso que nossos caminhos não se cruzaram, Sr. Bowen. — respondi assim que voltamos a posição inicial. — Mas fico feliz que tenham se cruzado por uma boa causa hoje.

— Carter, por favor. E você está certíssima, aposto que minha mãe vai adorar o jogo de chá de presente de aniversário. — ele disse e sorriu mais uma vez.

— Que filho generoso.

— Apenas tentando retribuir o que ela já fez por mim.

Ele piscou para mim.

Sério mesmo cara? Uau. Isso realmente funcionava com as outras garotas?

— Moira mencionou que você também é formado em Medicina? — eu perguntei querendo ser educada e ele me girou novamente e seu sorriso deixou de ser malicioso e se tornou arrogante.

— Oh sim. Eu sou cardiologista no Starling Central, mas não estou atuando muito na área prática, por hora estou no meio de uma pesquisa. — ele respondeu com ar conspiratório.

Essa música sempre foi tão longa assim?

— Por que não trabalha no Starling General? Deve ter bastante conhecidos por lá, não?

— Admito que o centro de trauma deles é bem superior ao do meu hospital, mas infelizmente é o único requisito atraente para mim ali. Quanto aos conhecidos, eu os vejo todo ano nas conferências médicas...

— Seletivo, huh?

— Prefiro trabalhar em um local de trabalho que valorize mais o cuidado dos pacientes do que as fofocas envolvendo os funcionários. — ele respondeu e a música acabou.

Dei um passo pra trás e ergui uma sobrancelha.

— Como amiga de Thea, você também deve ter ouvido falar do escândalo envolvendo Oliver e uma psiquiatra, não? Parece que foi uma bagunça enorme que Robert teve que limpar mais uma vez. — ele disse e me entregou uma taça de champagne que pegou em um bandeja de um garçom que estava rondando á beira da pista de dança. — Mas o que aprendemos hoje é que sempre temos que acreditar na vítima, não é mesmo?

— Há casos mais complexos que isso, Carter. — respondi sem me importar de ser fria.

A educação havia deixado de ser opção agora. O ódio de Thea e Oliver era justificado. Eu conheci o cara á menos de cinco minutos e já o desprezava com todo meu coração.

— Você parece ser uma mulher razoável suficiente para ver que não há muitos furos na história da Dra. Bertinelli. E adicionamos isso á... Popularidade de Oliver com o restante da equipe feminina do hospital. — ele bebeu seu champagne calmamente. — Não discordo que ela precise de acompanhamento psicológico agora, mas não deixo de me perguntar se os dois não tiveram um caso antes de tudo isso? Sou cético á pensar que a mente da Dra. Bertinelli conseguiu fabricar detalhes tão específicos.

— Oh Carter! Eu te achei! A Dra. Susan Willians estava perguntando de você! — exclamou uma senhora chegando perto de nós. Ela roubou Carter que apenas acenou em minha direção em despedida e foi junto com a coroa.

Procurei Oliver ou qualquer outro rosto conhecido ao redor do salão e todos estavam fazendo algo. Thea e Oliver estavam sendo entrevistados? O gravador na mão de um cara de óculos fazia parecer isso. Decidi então tomar um pouco de ar fresco fora do salão.

Estava começando a me sentir claustrofóbica.

Assim que cheguei no lobby relativamente vazio do hotel, sentei em uma das poltronas confortáveis estilo vitorianas e afundei ali. Respirei fundo inúmeras vezes e suspirei o dobro.

Era óbvio que Carter estava tentando entrar em minha cabeça para provocar Oliver, a rixa entre os dois era óbvia e Moira não ajudava com sua bajulação em nome de Carter. Isso era bem claro para mim e eu era racional o suficiente para diferenciar as situações que Carter pintou e o que realmente aconteceu. Merda, eu estava lá quando Helena teve seu surto. Se contarmos as vezes do banheiro e na apresentação de Sara, isso seriam três vezes que eu testemunhei ela viajando na batatinha. Por isso eu preferia trabalhar com máquinas e sistemas. Disso eu entendia. Preferia ficar enrolada em fios do que enrolada em um drama que não parecia ter fim.

Agora somamos isso ao discurso e os olhares de Laurel para Oliver e eu a noite inteira. Será que ela sabia do segredo de Oliver? Será que seu silêncio fora uma forma de respeito a amizade que os dois tinham? Será que ela usou hoje como oportunidade para dizer á ele algo? No que isso me envolvia a final de contas? Não é como se fôssemos fazer terapia de casal para que Oliver pudesse superar seu passado, nope. Esse era um trabalho individual e não em dupla.

Moira e mamãe também não ajudaram em nada. Elas pareciam estar especialmente inspiradas hoje para mencionar casamento e filhos tantas vezes com uma dose de chantagem emocional.

Resisti o impulso de querer esfregar meu rosto e estragar toda a maquiagem. Não estava no clima de estampar a capa de uma revista com uma manchete gritando que Oliver Queen estava namorando um cosplay ambulante do Kung Fu Panda. Como era o nome dele? Paul? Po? Eu nunca soube diferenciar.

Massageei minhas têmporas já começando a sentir a enxaqueca chegar.

— Precisando escapar um pouco também?

Ergui meu olhar e encontrei Dr. Malone desatando o nó de sua gravata borboleta.

Ele parecia... Suado.

— Mais ou menos. Enxaqueca com luzes fortes e orquestra não são lá a melhor combinação para mim. — eu respondi e ele sentou na cadeira ao meu lado.

Ficamos em silêncio. Um silêncio confortável.

Espiei o Dr. Malone de rabo de olho e o encontrei recostado da cadeira de olhos fechados e respiração regular. Eu poderia até dizer que ele havia adormecido em questão de segundos, mas o tique em seus dedos me dizia que ele ainda estava acordado.

— Se chama Demofobia. Fobia de ficar em lugares fechados com muitas pessoas. — ele disse abrindo os olhos e me encarando com um sorriso sem graça. — Algo que venho trabalhado nos últimos anos, ainda preciso aperfeiçoar ao que parece.

— Desculpe, não quis te deixar desconfortável...

Ele acenou com uma das mãos como se sua fobia não fosse nada demais.

— Fluxo excessivo de pensamentos. Situações esmagadoras emocional, física e mentalmente. Situações pós-traumáticas. Auto-avaliações desordenadas. Desejos que você não sabia que tinha e lhe foram negados. — ele disse voltando a fechar os olhos. — Isso é o que está causando sua enxaqueca. Seu corpo está te alertando que você precisa relaxar, tirar um cochilo.

— Não sabia que fazia diagnósticos express... Menos de um minuto, deve ser um recorde pessoal Dr. Malone.

Ele sorriu e alcançou algo no bolso e me estendeu. Era um cartão. Seu cartão? Olhei e vi seu nome com dois números embaixo e o emblema da instituição e de seu consultório privado.

— Minha porta sempre estará aberta, Felicity. Você sabe onde me encontrar. — com uma piscadela ele levantou da cadeira e voltou para a festa.

Eu adorava as seções com a Dr. Nyssa antes do acidente, mas fazia por luxo próprio. A Dra. havia entrado em licença maternidade então, desde as consultas com Helena no hospital enquanto estava internada, terapia era apenas um termo médico que ouvia Oliver dizer de seus pacientes enquanto fazíamos o jantar toda noite. Terapia? Eu precisava mesmo?

Sim.

Notas finais
Eu havia escrito esse capítulo e o resultado final havia sido 4,092 palavras até eu ter um estalo de inspiração e eu simplesmente precisava incluir algumas cenas á mais e outros pensamentos de Felicity nessa festa por isso estou postando tão tarde. Sei que tivemos muito pouca interação entre Oliver e Felicity, mas o próximo capítulo será apenas os dois no conforto do apartamento deles, porque quer melhor ouvinte do que o Dr. Queen? Não tem não manas. E eu também já providenciei a cena de Laurel e Felicity que todas me pediram nos comentários do capítulo passado. Vocês estão doidas pra verem a Felicity com ciúmes, né? Adoram ver o circo pegando fogo... Não julgo, porque eu também! kkkkkkkkkkkkkkkkkkk Me mandem suas teorias e pensamentos sobre o capítulo de hoje valendo um spoiler por MP! Comentem! Indiquem! Favoritem! Recomendem! Outras fics_ https://fanfiction.com.br/historia/712239/Extreme_Love/ https://fanfiction.com.br/historia/784341/The_Perfect_Nanny/ Grupo do Facebook_ https://www.facebook.com/groups/1015217841832543/?ref=bookmarks (Respondam as perguntas e avisos quando solicitarem autorização para entrar no grupo!) L.W PS: Vamos bater #785 comentários? Ou mais uma recomendação? PS²: Venham conversar comigo no Twitter meninas, achei várias de vocês por lá! Meu nome por lá é @juju100_! Vamos conversar sobre Arrow, fanfics... Qualquer coisa! Estou começando a postar pequenos trechos e spoilers sobre minhas fics lá também, viu? ♥ PS³: Motivação para comentarem é que teremos uma maratona de momentos mais calientes no próximo capítulo também hehehe