Dangerous Love
24 Capítulo 24
Notas iniciais

Eu não sabia exatamente como Oliver estava aproveitando a trégua que havia se instalado entre nossos amigos, mas eu sabia que acordar ás 06h da manhã não era um jeito divertido de se fazer isso.
Depois de consertar a caixa de energia de Thea e ajudar ela á estocar as bebidas e limpar os banheiros, ela finalmente cedeu e foi conversar com Cait.
As desculpas foram aceitas, mas eu sabia que Thea ainda estava sentida com nossa amiga. Pelo que Lyla me contou depois, elas discutiram feio sobre o meu relacionamento com Oliver e iria demorar para voltarem á ser como antes. Suspirei. Pelo menos elas estavam sendo civilizadas. Tommy aceitou voltar para casa depois de Oliver garantir que estava bem com Cait e não a culpava por querer cuidar de mim. Eu e Roy ficamos de fora, porque bem... Não estávamos envolvidos tão diretamente.
— Desculpe, volte a dormir. — Oliver sussurrou desligando seu despertador barulhento. Ele passou seus dedos pelo meu cabelo na esperança que eu voltasse a dormir, mas isso não iria acontecer. Assim que eu acordava, não conseguia voltar a dormir tão cedo.
— Você já está indo para o hospital? — perguntei suspirando sem abrir os olhos ainda.
— Não. Estou pensando em ir me exercitar um pouco, preciso queimar as calorias que você está me fazendo ganhar com seus jantares temáticos... — ele respondeu e riu baixinho no final.
— Hey! Você foi o que mais gostou da Noite Mexicana ontem! — rebati cutucando suas costelas fazendo ele rir mais abertamente agora. — Oliver?
— Hm?
— Eu conheço outro jeito de você perder as calorias das fajitas de ontem... — sussurrei conspiratória e me virei para ele.
Estava apenas vendo apenas os contornos de seu rosto, nada realmente definido. Olá, miopia. Mas de algum jeito sabia que o bastardo estava sorrindo agora, porque sua mão que estava em meu cabelo escorregou até minhas costas e se infiltrou dentro da camisola que estava usando.
— Eu gosto da suas ideias, Felicity... — ele disse antes de eu atacar ele.
Exercício Matinal? Checado.
—-
Como havia acordado ridiculamente cedo, decidi ser produtiva. Desfiz as malas e me preparei para usar as armas grandes para fazer Oliver me dar o segundo quarto de hóspedes, como por exemplo o beicinho, mas eu nem precisei. Ele me deu o próprio escritório dele dizendo que ele não usava porque sempre estudava seus casos na cozinha, enquanto eu cozinhava e resolvia suas pendências diretamente do seu celular.
Boom. Eu tenho um escritório agora.
Enquanto Oliver fazia nosso café da manhã, eu ligava meu equipamento usando cada tomada disponível e já tinha até recebido um arquivo de Curtis. Ele tinha brigado com seu marido, Paul, e madrugado na Disney Geek com nosso novo bebê que estava em fase de teste ainda. Hm. Eu até poderia trabalhar diretamente de casa se quisesse agora.
Decidi trocar de roupa antes que minha preguiça se apegasse demais a esta ideia.
— Felicity, onde você guardou aquela espátula de... Borracha?
Oliver se virou assim que ouviu meus saltos ecoarem no chão de madeira. Ele já estava pronto para seu plantão á tarde e a noite de hoje com jeans, uma camiseta de mangas curtas que exibia seus bíceps e um simples par de all-star pretos nos pés. Sua reação a minha escolha de roupas para hoje foi mais que satisfatória, enquanto ele olhava para as minhas pernas á mostra e apertava o pimenteiro com força.
Oliver era um homem de pernas e eu sabia usar isso ao meu favor.
— Segunda gaveta do lado direito da ilha. — eu disse me sentando em uma das banquetas no balcão e cruzando as pernas deixando ambas expostas pela fenda que a saia tinha.
— Você está tentando me matar? — perguntou ele erguendo uma de suas sobrancelhas e sorrindo levemente.
— Por que uma espátula de borracha guardada em um gaveta diferente seria uma tentativa contra sua vida, Oliver? — perguntei servindo café em duas xícaras me fazendo de desentendida enquanto sentia seu olhar ainda em minhas pernas.
Desta vez, ele não respondeu apenas voltou para o omelete que estava fazendo.
— Como você vai para o trabalho? Posso te dar uma carona? — perguntou de costas para mim, mas eu notei sua malícia com a última palavra e sorri atrás de minha xícara também.
— De Uber, mas obrigada por oferecer.
— Usando isso? — perguntou apontando a espátula de borracha rosa pink para mim.
Era até meio cômico.
Só faltava um avental de babados ao redor de sua cintura para completar o visual.
Eu havia trazido ela do meu apartamento para o apartamento de Oliver e este último havia se tornado bem apegado á ela. No meu caso, eu só conseguia fazer panquecas e omeletes com ela. A espátula que escolhe a pessoa, eu acho.
Olhei para a simples blusa de algodão rosa bebê e a saia lápis com fenda lateral com descaso. Era uma roupa de trabalho como qualquer outra, não era culpa da saia se Oliver gostava de ver ela no meu corpo.
— Eu sempre me visto assim, Oliver... Não me faça te chamar de nomes feios antes mesmo das oito da manhã, okay?
Beberiquei meu café e gemi baixinho. Delícia.
— Você está mais bonita do que o normal, Felicity. Eu não vou ser o único a notar isso, pode ter certeza. — ele disse carrancudo colocando o omelete pronto na minha frente e eu revirei os olhos.
Ele deixou o assunto de lado e nós comemos conversando sobre a nossa nova rotina.
Ele me passou sua escala de plantões e eu minha agenda para a semana que estava ligeiramente cheia. Thea queria que eu fosse na instituição para ver a caixa de energia de lá para evitar dores de cabeça como ontem na Verdant. Cait queria ir as compras para decorar o quarto de hóspedes de seu novo apartamento com Tommy. E teríamos um churrasco na Mama Diggle para ir no fim de semana.
Uau.
— Eu posso te dar uma carona, almoçar com você e Speedy e depois correr até o hospital para falar que eu me exercitei hoje para Sara. — ele disse assim que terminou de lavar a louça do café.
Ponderei. Era um bom plano. Eu não me importaria de ficar mais algumas horas com ele, já que ele chegaria tarde hoje, mas isso também poderia ser uma estratégia formulado por seu subconsciente ciumento. Hm.
— Okay. — concordei por fim e Oliver foi saltitando para o nosso quarto pegar um casaco.
Saltitando. Literalmente.
Vesti o meu e chequei minha bolsa. Carteira, crachá, celular, tablet, guarda-chuva, barrinhas de cereal, minha garrafa de água e meu batom. Okay. Tudo aqui. Olhei pela janela e vi que a neve que havia se acumulado nas calçadas já estava começando derreter pelo uso contínuo do sal e o próprio Sol começando a dar as caras, o inverno estava no fim. Finalmente.
Assim que Oliver voltou, eu chamei o elevador e fui para o meio de seus braços ainda no hall de entrada do apartamento. Ainda estava carente de Oliver e sabia que ele também estava, mas tentava ao máximo não me sufocar.
Ele era terrivelmente fofo as vezes e nem se dava conta disso.
— Você não vai ficar cansado? — disse passando um dedo em suas olheiras.
Ele havia finalmente dormido um pouco, mas ainda precisava descansar.
— Não. Quero ver como as coisas estão na instituição também. Depois do almoço com você e Speedy, prometo dormir um pouco em um dos quartos vagos se for te dar algum senso de paz... — ele brincou com um sorriso e eu assenti.
— Vou trabalhar bem mais aliviada se você não cair no sono enquanto mexe na cabeça de alguém... Consciência tranquila e essas coisas. — eu disse e o elevador chegou.
Oliver riu falsamente e nós entramos na caixa de aço de mãos dadas.
O percurso que fizemos foi bem rápido. Em menos de 20 minutos havíamos chegado na instituição e fomos recebidos por Dinah com um sorriso e xícaras de café. Oliver declinou a dele mantendo sua promessa que descansaria mais tarde. Eu sorri de volta e aceitei a minha antes de ir analisar a caixa de força do prédio.
Depois que analisar tudo e dar as boas notícias para Thea que estava tudo bem com a sua afiação pelo que eu podia ver, ela me convocou para ler outra história para as crianças. Reconheci alguns rostinhos na minha plateia e alguns pais ao redor da sala, enquanto lia "Peter Pan".
Oliver e Thea também sentaram para ouvir a história no fundo da sala.
Quando deu a hora do almoço, as crianças foram para o parquinho nos fundos da propriedade e eu me juntei á Oliver e Thea novamente. Curtis não havia mandado mensagem ainda pedindo socorro, então eu não precisava correr para o trabalho. Não me surpreendi quando Moira apareceu para almoçar conosco no escritório de Thea.
Hoje era o dia de hambúrgueres com batata frita, suco de uva e torta de chocolate como sobremesa. As crianças adoraram. Eu também, não nego. E com o bônus de ver Moira comer seu lanche com as mãos depois de tentar, sem sucesso, cortar ele com garfo e faca.
— Vocês já contaram para Felicity como a instituição surgiu? — perguntou Moira e isso atraiu minha atenção. Pelo que sabia foi apenas uma ideia para ocupar o tempo de Thea, mas por quê Moira encarava Oliver? — Oliver quem fundou a instituição primeiro e depois Thea herdou as chaves do reino quando ele começou a residência dele no Starling General.
Eu estava sem palavras. Oliver havia fundado uma instituição para crianças que sofreram abusos físicos e mentais? Por um lado eu não estava realmente surpresa, porque Oliver gosta de cuidar das pessoas, mas por outro lado, estava preocupada.
— O que? — balbuciei em sua direção e ele apenas sorriu, constrangido.
— Por que não gosta de mostrar o seu melhor lado? — perguntou Thea entre batatas fritas.
— Raisa sempre disse para mim que era feio se exibir... E eu não quero acabar como Carter Bowen. — ele respondeu antes de beber seu suco de uva e isso fez Thea rir.
Quem era Carter Bowen mesmo?
— Oh sim, o filho perfeito. Carter Bowen. — disse Thea fazendo uma voz engraçada.
— O santo Carter Bowen. — complementou Oliver. — Eu ouvi dizer que Carter já tem P.h.D em Medicina agora.
— Eu ouvi dizer que Carter já publicou três livros e é embaixador da Unicef agora. — respondeu Thea espirrando ketchup em cima de seu lanche.
— Eu ouvi dizer que Carter está acabando com a fome na África. — Oliver disse fazendo um gesto para o lanche dela.
— Como ele conseguiu fazer isso e ainda achar a cura para o câncer? — Thea perguntou com falso choque em sua voz antes de morder o hambúrguer.
— Eu já entendi, vocês podem parar agora. — disse Moira olhando para Oliver e Thea que estavam rindo, mesmo de boca cheia. Eu não tinha ideia de quem Carter Bowen era, mas ele parecia ser um assunto usado para provocar Moira. Continuei comendo então. — Se vocês não contarem, eu conto...
Thea deu ombros e Oliver permaneceu quieto.
— Um dia, Oliver chegou em casa com essa brilhante ideia. Ajudar crianças vítimas de abusos físicos e mentais. Criar um tipo de suporte para elas. Ele atendeu uma menina uma noite que foi bem turbulento e ele quis fazer algo para ajudar não só ela, mas como todas as crianças possíveis. — disse Moira afastando levemente seu prato e cruzando os braços em cima da mesa de piquenique que estávamos sentados. — Esse prédio costumava ser uma imobiliária que a família tinha, então realojamos os funcionários para outro lugar e decidimos transformar aqui para ser a instituição...
Arrisquei olhar para Oliver que estava sorrindo levemente, mas suas mãos estavam fechadas em punhos debaixo do tampão de madeira da mesa. Coloquei minha mão em cima da dele e continuei ouvir Moira, enquanto Oliver relaxava gradualmente.
— Ele pensou em cada detalhe. Acompanhou a reforma. As contratações. Os primeiros casos que a instituição recebeu... Quando a residência dele começou a apertar a agenda, Thea se mostrou interessada em administrar. — Moira disse com orgulho refletindo em sua voz. — Ela estava na metade da faculdade quando veio para casa nas férias e conheceu tudo isso. Ela e Dinah trabalharam em conjunto até a formatura de Thea e agora está tudo correndo mais do que bem. As crianças que recebemos recebem todo o apoio possível. Exames no hospital, brinquedos e cestas básicas, ás vezes até escolta da polícia nos casos mais graves. Eu me orgulho muito de meus filhos por fazerem tão bem a pessoas que sofrem tanto...
Moira beijou a têmpora de Thea que riu e revirou os olhos, mas suas bochechas estavam vermelhas. Oliver havia relaxado um pouco, mas sua postura ainda estava tensa.
— Eu me ponho no lugar de cada mãe que chega aqui com seu bebê. Algo tão puro sendo alvo de tanta dor e violência... Não deve ser fácil. — ela disse abraçando Thea de lado.
Oliver respirou fundo e vestiu um sorriso convincente.
— Eu preciso ir agora. — ele disse se levantando da mesa de piquenique.
Fuga rápida? Eu acho que não, Queen.
Juntamos nossas bandejas e fomos até as latas de lixos. As crianças corriam de lá pra cá com brinquedos ou em pequenos grupos. Risadas preenchiam o recinto inteiro, mas eu não conseguia deixar o meu foco sair de Oliver.
— Speedy? — chamou ele e Thea virou-se para nós ainda bebendo seu suco de caixinha. — Está de carro?
Ela assentiu.
— Pode dar uma carona para Felicity antes de ir para Verdant hoje? — perguntou ele e eu revirei os olhos. Isso de novo não. Eu ia começar a protestar, mas Thea concordou e já começou a planejar uma mini-festa do pijama dizendo que Roy aguentaria uma noite sem ela. Ergui uma sobrancelha para Oliver que deu ombros. — Não fique brava, eu só quero que você chegue segura. Eu te amo, você sabe disso não é?
Bastardo. Ele estava usando seu sorriso matador de menino. Não era justo.
Assenti derrotada e caminhei com ele até o estacionamento. Nosso beijo de despedida foi beeem longo. Eu derramei todos os sentimentos que tinha por ele ali, meu amor e meu orgulho por sua iniciativa, pela sua coragem, pela sua força... Tudo.
Eu sabia que ele sentiu isso, porque entrou no carro com um sorriso real e a postura bem mais relaxada. Eu acenei até ele sair do meu campo de visão e depois corri para Queen Consolidated.
Eu sabia que era chefe do meu próprio departamento e que Curtis aguentaria o dia tranquilamente sozinho ou com a ajuda de Barry, mas não queria uma consciência culpada depois.
Assim que cheguei vi que Barry e ele estavam jogando Call Of Duty em dois de nossos terminais exclusivos para trabalho, então a culpa evaporou em questão de segundos.
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— Eu nunca te agradeci de verdade, Lis... — disse Thea assim que entrei em seu escritório novamente.
O dia passou na velocidade da luz com os testes e novas ideias que Curtis, Barry e eu fizemos e tivemos. Eu me sentia energizada como nunca e aceitar mais uma xícara de café de Dinah, talvez, não fosse uma das melhores decisões que eu havia feito.
— São apenas fios, Thea. Nada complicado. Fios são fios. — eu disse sentando na frente de sua mesa e deixando minha bolsa cair no chão.
Por que cheiro de café era tão bom?
— Eu nunca te agradeci por Oliver. Obrigada por trazer ele de volta. — ela disse e eu ergui uma sobrancelha.
— Como assim?
— Eu costumava brincar com Oliver quando éramos pequenos. Ele sempre foi protetor e carinhoso comigo. Eu acho até que ele cuidava mais de mim do que nossa antiga babá.... — ela bufou uma risada e eu disfarcei o calafrio que subiu pela minha espinha á menção da mulher que eu nem conhecia, mas odiava com todas as minhas forças. — Mas eu percebia que ele era assim só comigo. Ele se fechava no quarto dele depois, ou ficava só no piano. Era meio arisco, eu acho.
Bebi meu café para evitar uma resposta que eu não tinha pronta.
— Depois que foi para faculdade, ficou ainda mais distante. Nunca conheci uma namorada dele, mas sempre soube que meu irmão não era nenhum santo... — ela disse e começou a organizar alguns papéis com adesivos coloridos. — Ele começou a se enfurnar no hospital e você trouxe ele de volta.
Ela sorriu para mim e eu sorri levemente.
— Ele é o garotinho que brincava comigo o tempo inteiro agora. Ele sorri mais, ri mais e está bem mais presente e eu sei que é por sua causa. Sabe quanto tempo fazia que não saíamos todos nós? — perguntou se levantando e indo guardar seus papéis em um arquivo no canto da sala. — Quase um ano e meio!
Uma vozinha dentro da minha cabeça dizia que em algum momento, Thea e os outros iriam ficar sabendo sobre o que realmente aconteceu com Oliver, mas ainda não era o momento. Oliver não estava pronto para contar e eles, com certeza, não estavam prontos para saber.
Então apenas sorri para o entusiasmo de minha amiga.
Nós passamos no mercado e compramos todo tipo de besteira conhecida pelo homem para nossa festinha do pijama. Ligamos para Cait e Lyla, mas ambas estavam ocupadas com jantares de família e fraldas cheias demais. Então era apenas eu, Thea, sorvete, chocolate, doces, pizza e Peter Kavinsky.
Quando a pizza de peperonni chegou, eu me lembrei de Sara na hora. Eu sabia que ela estava de plantão hoje porque a escala de Oliver era igual a dela e fiquei levemente amuada. Sentia falta de nossas noites juntas e das fofocas do hospital, mas Thea logo espantou o sentimento quando abriu a primeira garrafa de vinho.
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— A garota de chamava Kioni. Tinha vindo de uma tribo da África para os Estados Unidos para ficar com seus avós que tinham encontrado asilo aqui. Aos 13 anos, quando ela teve a sua primeira menstruação, ela foi isolada das pessoas de sua tribo e colocada em uma das cabanas para um rito de iniciação que a cultura deles tinham á vários anos... Mutilaram o clitóris dela com uma lâmina enferrujada e depois todos os homens da família dela, a violentaram. — Oliver contou quando acordamos junto no dia seguinte.
Eu estava com uma leve dor de cabeça, por causa do vinho, mas escutava com atenção. O rosto de Oliver se contorcia em dor, sofrimento e revolta. Tudo misturado junto. E eu conseguia entender um pouco, mas não tanto quanto ele.
— Ela foi tratada lá e depois a enviaram as pressas para os Estados Unidos. Eu ainda lembro quando a tirei do helicóptero... Ela estava tão assustada e com dor. — ele apertou seus olhos com uma das mãos e eu beijei seu peito levemente. — Eles fizeram isso com uma garotinha de 13 anos para que ela nunca sentisse prazer. Ela vive em um ONG agora, ainda mantém contato com a instituição.
— Deus... Isso é nojento e revoltante. Sempre me assusta o quão baixo um ser humano pode ser. — disse tremendo levemente ao imaginar Kioni em seu inferno, para logo a garota de 13 anos se transformou em um garoto de 13 anos que fugia de sua babá. — Posso perguntar uma coisa?
Ele assentiu e beijou meu cabelo.
— Quando a viu, você se lembrou de Samantha?
Silêncio.
Suspiro.
— Eu fui o primeiro a atender ela. Eles foram violentos demais com ela, porque ela reagiu. Ela lutou contra. Eu quis matar o pai dela, mas sabia que não ia adiantar, porque teria mais dele por ai assim como mais Kionis sofrendo. Por isso temos a divisão para mulheres que sofrem abusos também. — ele respondeu em voz baixa. — Acho que foi uma das formas que eu achei para lidar com o que aconteceu comigo, e com ela também...
— Eu me orgulho muito de você, Oliver. — disse erguendo o rosto para ver o dele.
Estava relaxado, mas os olhos estavam nublados em pensamentos. Não era difícil imaginar no que ele estava pensando, por isso puxei seu queixo e o beijei. Era a nossa rotina agora.
Acordávamos cedo, fazíamos nosso exercício matinal na cama, tomávamos banho e café da manhã juntos. Ele me dava carona até a empresa e depois ia para o hospital, quando não tinha plantão noturno ia me buscar no trabalho com um buquê de rosas e um sorriso lindo. Vínhamos para casa e nos exercitávamos um pouquinho mais. Eu gostava de nossa nova rotina e sabia que Oliver também.
Ele me ouvia tagarelar sobre os projetos da Queen Consolidated e eu o ouvia tagarelar sobre os casos e cirurgias que ele fazia no Starling General e era cômico como ele achava respostas para seus problemas com tratamentos nas coisas mais inusitadas. Como uma vela aromática que eu deixei no escritório o ajudou a salvar o cérebro de um homem ou de como ouvir "Staying Alive" do Bee Gee's enquanto eu limpava a cozinha o fez correr para o hospital e tentar algo novo e salvar outra vida.
Quando entramos em Fevereiro, Oliver quis convidar Tommy e Cait para um jantar conosco em casa. Ele estava empenhado em ser mais presente na vida dos amigos, tanto que na próxima semana seria Diggle, Lyla e a pequena Sara que estava crescendo rápido demais para o meu gosto. Na semana seguinte, Thea e Roy. Depois minha enfermeira perva preferida, Sara, e Curtis.
— Oh meu Deus, que quadro lindo! Onde você achou, Lis? — perguntou Cait assim que entrou no hall e viu um pintura feita com carvão de um buquê de rosas. Nos abraçamos e eu ri.
— Foi em uma feirinha de rua que Oliver e eu fomos semana passada. Ele tem uma coisa por rosas agora. — eu respondi e ela assentiu, impressionada.
— Ah, oi Oliver. E aí? — cumprimentou ela fazendo meu namorado rir.
Tommy nos cumprimentou e me entregou o vinho branco que havia trazido. Fomos todos para cozinha depois dos cumprimentos para nos atualizarmos um da vida do outro.
Cait fora promovida para sócia da sua firma de advogados. Agora era Cutter & Snow Advogados. Tommy havia sobrevivido ao primeiro mês como novo CFO da empresa de sua família, Merlyn Global. Oliver iria terminar sua residência em três meses e eu iria apresentar meu primeiro projeto como chefe de departamento em menos de uma semana. Todos estavam felizes, tendo um ótimo começo de ano e sexualmente ativos.
Tommy fez questão de pontuar isso depois de Oliver o provocar.
— Lyla decidiu não contratar babás de acordo com John, ela simplesmente levou um cercadinho para seu escritório e Sara passa o dia inteiro com ela. — eu contei a notícia da hora. — Ela disse que tinha bastante trabalho burocrático para colocar em dia, mas eu acho que é apenas a desculpa perfeita para não sair de perto do meu bombomzinho de chocolate.
Todos na mesa riram e Oliver não escondeu seu alívio ao ouvir a notícia.
Samantha ficaria onde estava. Bem longe de todos, aonde quer que esteja.
— Viu Thomas? Só preciso de um cercadinho para o escritório e um canguru para quando tiver seções na corte... — disse Cait antes de tomar seu vinho e eu ergui uma sobrancelha para o casal na minha frente.
Eles já estavam planejando filhos? Uau.
— Ela parece com pressa, você está ferrado. — disse Oliver dando palmadinhas no ombro de Tommy em forma de consolo.
— Estamos casados á quatro meses, Oliver. Não acha que pelo menos deveríamos começar a treinar? — perguntou Caitlin e eu ri de sua expressão cética.
— O que infernos estão fazendo, então? Jogando xadrez? — perguntou Oliver para Tommy que fingiu um risada e depois ergueu o dedo médio para seu melhor amigo que, bem maturo, devolveu com seu próprio dedo médio.
A lasanha estava ótima. Graças á Oliver.
O cheesecake de limão estava delicioso. Graças á mim.
A companhia também. Graças á Cait e Tommy.
Foi uma noite bem agradável.
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Sexta-feira costumava ser meu dia preferido da semana. Significava que eu teria 48h de descanso assim que o expediente acabasse, mas hoje não era um bom dia. De jeito nenhum.
Eu havia acordado sem Oliver que havia ficado preso no hospital por causa de um paciente, então já estava de mau humor. Consegui derramar café na minha blusa preferida o que resultou em eu me atrasar para o trabalho e sair sem comer nada, apenas uma barrinha de cereal que eu sempre levava na bolsa. Antes mesmo do almoço a Queen Consolidated sofreu uma tentativa de ataque cibernético que por um triz não foi bem sucedido, o que resultou em mais stress e Barry correndo de lá pra cá para descobrir quem fora o autor. Eu e Curtis poderíamos descobrir quem foi com apenas alguns códigos, mas Barry nos barrou dizendo que era para isso que ele estava ali. Fiquei ainda mais mal-humorada e comi meu almoço frio. E detalhe, comida tailandesa fria é horrível. Quando o expediente acabou, eu quase gritei "Aleluia" ao levantar da minha cadeira que estava um pouco dura demais hoje.
Até a fodida cadeira!
Fui para o Starling General a pé para tentar clarear as ideias e relaxar um pouco até o final do expediente de Oliver, e um ônibus passou em cima de um poça de água suja e duvidosa. Resultado? Encharcada da cabeça aos pés.
Quando Sara me viu, ela gargalhou primeiro e depois me ofereceu um muda de uniforme hospitalar depois. Enquanto eu me trocava e tentava limpar meu cabelo na pia do banheiro, sabia que não tinha como esse dia piorar. E maldita seja a lei de Newton, porque assim que terminei de pentear meus fios com os dedos e limpar meus óculos, Helena entrou no banheiro.
Me dei conta que fazia tempo que não a via, desde a apresentação de Sara na igreja.
— Felicity! Que surpresa agradável! — ela exclamou ao tirar seu jaleco e colocar uma necessaire verde na pia.
— Como vai Helena?
— Bem, mas poderia estar melhor...
— Oh, sério? Trabalho demais? — perguntei tentando ser educada.
— Isabel está de folga hoje, ou seja, estou sem minha amiga para conversar... Será que posso conversar com você? — perguntou usando um lenço umedecido para tirar seu batom vermelho ridículo da boca.
— Ahm, claro.
— Bem, é sobre Oliver e eu. — ela disse tirando os resíduos vermelhos de seus lábios.
— Oh?
— Eu o conheço á mais de dois anos, desde que eu me formei na faculdade e vim trabalhar aqui. Ele é lindo e tão dedicado com seus pacientes. Isso me chamou atenção, até eu perceber que ele era um verdadeiro galinha. — ela disse agora removendo seu rímel e sombra que eu notei que era verde também. — Ele se interessou por mim, mas sabia que teria que fazer mais do que o seu simples joguinho de flerte, sabe?
Uma voz dentro da minha cabeça gritava que tudo era mentira, mas eu conseguia ouvir a sinceridade nas palavras de Helena enquanto ela tirava sua maquiagem ao meu lado.
— E ele fez. Todos os dias que nos esbarramos, ele sorria e nós conversávamos. Eu decidi lhe dar uma chance e nós marcamos um encontro. Ele me levou para jantar em um restaurante fino e disse coisas tão lindas. Fomos para o seu apartamento e tivemos nossa primeira noite de amor. Os rumores estavam certos, ele é ótimo na cama, mas eu sentia que era algo maior sabe?
"Ele começou a me mandar flores. Rosas vermelhas, as minhas preferidas. Todos os dias. Um buquê, uma única rosa, ás vezes uma floricultura inteira... Variava de acordo com o humor dele. Depois de um tempo, nós terminamos. Ele queria conhecer outras pessoas e sei que ele teve casos, mas também sabia que ele me amava e voltaria para mim. E ele voltou."
Comecei a contar até 1.000 a partir daí. Queria ir embora. Queria que esse dia de merda terminasse, mas meus pés pareciam cimentados no chão e meus olhos se negavam á olhar qualquer coisa que não fosse a morena ao meu lado.
— Antes de trabalhar, ele sempre me liga preocupado, nem sei como não interrompeu nossa conversa ainda... — ela riu jovial, como uma garotinha. — Todos os dias vamos para casa dela ou para mim, nos amamos... Sei que não deveria contar isso, ele não gosta de atenção. É sempre tão discreto e você foi uma paciente nossa, mas sinto que posso confiar em você, Felicity. Gostaria que fosse ao nosso noivado.
Espera.
O que?!
— Está me dizendo que está noiva de Oliver Queen? Filho do Dr. Robert Queen?
— Sim, Felicity. — ela riu novamente e prendeu o cabelo longo em um rabo de cavalo. — Você conhece outro Oliver Queen?
O celular de Helena começou a tocar. Ela riu novamente e atendeu. Foi só aí que minhas pernas decidiram obedecer novamente aos meus comandos e voltarem a funcionar. Saí do banheiro com minhas roupas molhadas e caí no corredor. Oliver já estava trocado conversando com Sara no posto das enfermeiras e ria de algo que a enfermeira perva havia dito. Assim que me viu, seu sorriso ficou bem mais largo e depois murchou se transformando em uma expressão preocupada.
— Felicity? Está tudo bem? — perguntou assim que passei por ele.
Havia começado á chover. Ótimo. Perfeito.
— Eu realmente não sei mais...
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