Dangerous Love
21 Capítulo 21
Notas iniciais

O almoço foi servido em uma mesa enorme perto da piscina de tamanho olímpico dos Queen no jardim de trás. Mama Diggle e Moira serviam os pratos de todo mundo e Thea até recebeu uma bronca da mãe de John quando reclamou que tinha muita comida em seu prato. Eu sentei entre Oliver e Sara na mesa e nós três engatamos em uma conversa sobre Sara estar paquerando a Dra. Rochev em plena casa de Deus. Estavam todos em harmonia, conversando, comendo e bebendo.
Quanto a Oliver... Estávamos nos conhecendo. Durante meu tempo com ele nós pulamos vários passos, como por exemplo, conhecer um ao outro. Era como uma dança. Ele me olhava, eu olhava ele. Ele flertava, eu flertava de volta.
— Ainda precisamos conversar... – ele disse quando o almoço se encerrou e todos ajudaram na hora de tirar os pratos, deixando os funcionários de Moira encabulados. Eu assenti em resposta.
Nós entramos e fomos para a sala de estar gigantesca da mansão para tomar café. Sentei no tapete fofinho da sala com Sara e alguns brinquedos que Lyla havia trazido para ela, estava mantendo a minha bolinha de chocolate preferida ocupada, enquanto a mamãe e o papai relaxavam um pouco depois da correria que foi pela manhã. Oliver se juntou a mim, se sentando de frente para nós duas e começou a brincar junto conosco.
Eu preciso entender como ajudar ele a se abrir um pouco mais. Ainda não sabia o que tinha acontecido com ele, tinha vários palpites (um pior que o outro), que justificavam seu silêncio e a construção de paredes ao seu redor. Ele precisava de tempo para si mesmo, e se confiasse em mim, no seu próprio ritmo ele iria conversar comigo sobre o que quer que tenha acontecido com ele. Nunca foi uma mulher que ficou entre nós, foi o seu passado.
— Lis? – chamaram e eu interromperam o meu transe de ver Oliver e Sara brincando juntos com legos.
— O que foi, Sara? – perguntei entediada e isso fez Lyla e Diggle rirem no sofá ao lado da enfermeira loira.
— Estava conversando com Isabel e ela disse que Helena havia mencionado que Oliver havia se apaixonado por ela, no Natal, em que eles dançaram juntos... – ela disse sentando perto de mim e isso fez Oliver se distrair da brincadeira com a nossa afilhada e olhar para a loira ao meu lado.
— O que?
— A Dra. Bertinelli não tem andado muito bem. Está passando tempo demais na neurologia e foi repreendida mais de uma vez por abandonar seu escritório e seus pacientes... – disse Robert chegando com uma xícara de café em mãos. Ele sentou na poltrona ao lado de Oliver.
— Fofoca de hospital... Isso você não contava! – reclamei para Sara que revirou os olhos para mim.
— Como se você fosse dar atenção. – resmungou de volta e eu corei.
— Helena continua perfeita em seus diagnósticos, mas suas saídas constantes para passear no andar da neurologia e no andar cirúrgico não estão agradando a diretoria... – Robert continuou depois de beber mais de seu café.
Sara e Oliver pareciam se divertir muito com esse tipo de fofoca.
— Não me diga que ela vai ser suspensa?
— Podemos sonhar mais alto que isso, Ollie. Ela vai ser demitida? – Sara corrigiu Oliver e eu ri mesmo se isso significasse estar torcendo pelo time da discórdia.
— Não, Damien intercedeu por ela e agora está tudo normal novamente. – concluiu Robert e os outros dois murcharam.
— Estava bom demais para ser verdade, é claro que Damien interferiu. – resmungou Sara ranzinza, enrugando o nariz.
— Acho que em relação ao todo resto, Helena está tentando vencer Oliver pelo cansaço. Se ela continuar espalhando que ele está afim dela, uma hora ele vai cansar de não estar... – comentou Lyla pensativa.
— Ela não conhece o meu fôlego.
Corei forte com o que Oliver disse, e John gargalhou bem alto.
— Eu também acho que ela parece estar desesperada por sua atenção assim como Natal, e hoje... – disse John depois de se recuperar de sua risada.
— Ela me parece inofensiva, mas quando ela mencionou que você teve um caso passageiro, ela olhou para Felicity de um jeito estranho como se soubesse que vocês estavam juntos... – comentou Sara.
Ela havia percebido aquela encarada também.
— Coisa que ninguém nunca admitiu, certo? – perguntou Sara, a sutileza em pessoa, fazendo todos nós rirmos.
— Hmm... Estamos oficializando status aqui então? – perguntou Thea entrando na sala com Roy.
— Como é? – perguntei dando Sara para Lyla que foi amamenta-la em um dos quartos do andar de cima, John foi com ela.
Eu e Oliver sentamos no sofá com Thea.
— Qual é... Meus pais já te adotaram e secretamente querem que eu pinte meu cabelo de loiro e comece a usar óculos também. – ela disse e todos riram. – Mas a dúvida é, eles irão colocar você no posto de filha ou de nora?
Corei fortemente de novo e Oliver riu ao meu lado.
— Você é egoísta demais para deixar nossos pais terem qualquer outro filho... – alfinetou Oliver e engajou em uma discussão já conhecida com a irmã tirando a atenção de mim, mas ele estava com a mão em minha coxa o tempo todo.
Depois de um tempo, eu fiquei apenas ouvindo as conversas paralelas ao redor da sala, segurando a mão de Oliver que estava em minha coxa. Traçando as veias marcadas em sua pele, dos dedos até o pulso.
— Quer uma carona? – perguntou e eu ri. – Não estou indo exatamente agora, mas quando quiser ir... Eu te levo, só me avisar.
Assenti e ele abriu um sorriso lindo.
— Precisamos conversar, Oliver.
Não recue. Não recue. Não recue.
— Eu sei, mas eu também preciso de você.
Isso significa que ele está disposto a falar?
— Lis, eu estou indo levar a Mama, você vem? – perguntou Sara vestindo seu casaco e eu neguei e acenei para Oliver. Ela abriu um sorriso e olhou de mim pra ele e dele pra mim. – Oh. Entendi. Se comportem, crianças...
Sara e Mama foram embora, assim como Thea e Roy que ainda iriam abrir a Verdant mais tarde (eu tinha que falar com um dos dois para saber o que estava acontecendo), e só ficou Cait e Tommy, assim como Dig e Lyla.
— Então... Eu realmente preciso de uma ajuda com Sara, as coisas estão pegando fogo agora na agência e não posso deixar ela com a Mama porque ela não iria aguentar o ritmo de Sara. – disse Lyla que estava conversando com Moira. – Oliver tinha uma babá, não tinha? Pode me passar o contato dela?
Oliver se virou para as duas assim como eu, prestando atenção.
— Oh sim, Samantha era maravilhosa com Oliver. – disse Moira com um sorriso.
— Acha que é uma boa ideia, Lyla? Deixar Sara com uma estranha? – perguntou Oliver e Lyla parecia confusa.
— Estranha? Samantha é praticamente da família, Oliver! Sempre foi ótima com você! – disse Moira e Lyla parecia mais confusa como nunca.
— Eu não acho uma boa ideia. – ele se levantou e saiu da sala.
Quando eu me levantei para ir atrás dele, ouvi o ronco de sua moto e logo depois através da janela, vi ele cantando pneu para fora da propriedade dos pais. Mas o que aconteceu agora? Estávamos tão bem e ele vai embora assim?
— O que acabou de acontecer aqui? – perguntou Tommy com os indicadores apontados em direções diferentes.
O resto estava tão confuso quanto eu.
Liguei para seu celular, mas ele não atendeu ou respondeu nenhuma de minhas mensagens, o que era bom por um lado, eu poderia riscar a possibilidade de um acidente de moto da lista de coisas que estavam rondando a minha mente agora.
Oliver... Por que esta reação? Pra onde você está indo?
—-
Eu tinha acabado de sair do banho e estava pronta para hackear o celular de Oliver, quando o meu próprio começou a tocar. Era Moira. Quem sabe ele não tinha voltado para casa. Antes que eu pudesse atender ela, a campainha também tocou. Pelo horário deveria ser Sin, a entregadora de flores com mais um buquê de rosas.
Coloquei Moira na espera e fui até lá embaixo atender Sin. Abri a porta da frente e dei de cara com Oliver. Me virei para o meu celular e ele viu o nome de sua mãe na tela e pediu o telefone. Eu entreguei, e ele atendeu a ligação.
— Mãe, estou bem... Não precisa se preocupar, eu só estava precisando pensar um pouco. Está tudo bem sim, não se preocupe comigo. Estou indo para casa e a senhora precisa ir dormir, já está tarde demais.... – seus olhos não largavam os meus de maneira alguma, até que eu vi a cabelereira de Sin ao longe com mais um buquê em mãos.
Ela me estendeu a prancheta, eu assinei, e peguei o vaso de suas mãos. Ela encarou Oliver e depois foi embora. Sim, ela era meio estranha, mas eu gostava dela.
— Também te amo... Boa noite. – ele finalizou a ligação e sorriu minimamente ao ver as flores em meus braços. Ele me entregou o celular e depois pegou o vaso de minhas mãos.
— Eu estava pronta para hackear o seu celular agora... – eu disse fechando a porta do hall de entrada do prédio.
Nós subimos para o meu apartamento e ele colocou as flores em cima da mesa de jantar, e se virou para mim com olhos culpados. Eu fechei a porta da frente e puxei sua jaqueta para mim. Fechei meus braços ao redor ao seu redor, deixei ele sentir a preocupação que eu havia sentido e ele apenas retribuiu me apertando de volta. Senti um beijo em meu cabelo e suas mãos ao redor de minha cintura levemente. Uma tempestade de sentimentos diversos em apenas um homem só.
Era tão... Oliver.
— O que eu vou fazer com você, Queen? – perguntei ainda em seu peito.
— Eu vim te buscar, preciso que venha comigo.
— Pra onde?
— Para casa, se iremos conversar, vai ser lá.
Eu assenti. Eram poucas condições por inúmeras respostas que eu iria ganhar. Era mais do que justo. Troquei meu pijama pela primeira roupa que eu vi. Estava calor, então não iria usar jeans hoje. Peguei minha bolsa e tranquei tudo na saída. Oliver havia trocado sua Harley pelo seu carro que eu ainda não sabia a marca ou o nome, mas era preto. Ele abriu a porta para eu entrar, como sempre.
Mais uma carona, mas desta vez não falamos nada durante o percurso até o condomínio de Oliver. Ele apenas colocava sua mão em minha coxa de tempos em tempos e eu fazia carinho nesta mesma mão quando ela me tocava. Não demoramos muito para chegar até a casa dele. O apartamento continuava o mesmo de sempre, mas só Deus sabe o quanto nós dois já vivemos aqui.
— Por que você não vai tomar um banho e eu vou fazer alguma coisa para a gente comer? – ofereci e ele assentiu, estava mais do que cansado. Parecia o mesmo Oliver de antes da nossa viagem á Londres.
Ele foi até o quarto e eu olhei ao redor relembrando de alguns dos nosso melhores e piores momentos também. O piano ao fundo. O sofá. A vista de Starling City. A mesa de jantar. O balcão... Suspirei e fui para cozinha.
Abri os armários e eles estavam abarrotados de comida. Ele foi no mercado? Puxei um pacote de espaguete e coloquei uma panela com água no fogo. Abri a geladeira e ela não estava diferente dos armários ou da dispensa.
Peguei o queijo que ainda estava fechado e alguns temperos. Macarrão com queijo. Foi a primeira coisa que eu comi pós-Oliver e agora seria a primeira coisa que iria comer com ele. Ri dessa ironia e comecei a ralar o queijo.
Oliver reapareceu na cozinha com sua calça do pijama e uma gola V branca. Estava mais relaxado e cheiroso também. Eu escoei o macarrão para jogar ele na panela junto com o queijo e o azeite, corri até a dispensa e peguei creme de leite para acelerar o processo e depois de cinco minutos, estava servindo os pratos.
— Eu sei o que fiz com você, Felicity. Eu te magoei e te feri. – ele disse olhando o prato que coloquei em sua frente no balcão.
— Do que está falando, Oliver?
— Eu vi os exames do seu pulso, e sei que precisou usar uma tala...
— Porque eu tenho zero senso de profundidade e era apenas uma proteção. – completei e ele remexeu na comida com o garfo.
— Que seja, eu fiz aquilo com você. Renée queria que você denunciasse, por que não fez isso? – perguntou e eu ri chamando sua atenção.
— “Olá oficial, eu tentei beijar meu namorado enquanto ele estava dormindo e ele acordou assustado me fazendo cair no chão?” Já tenho vários motivos para ser piada, não adicione mais uma na lista por favor. – eu disse antes de dar uma garfada no macarrão.
Hm. Estava tão bom.
— Mas...
— Não há razão para falarmos disso quando isso já está resolvido. Próximo tópico por favor. – eu pedi e ele finalmente começou a comer. – Desde quando você vai ao mercado sozinho?
— Você não queria comida nos armários e na dispensa? – perguntou, eu assenti e ele deu ombros.
Ele fez compras só por minha causa?
Nós comemos e depois de colocar tudo na lava-louça, ele me levou até o quarto. Fui inundada por mais memórias de todas as noites que passamos naquela cama, e naquele banheiro e uma vez memorável dentro do closet também... Foco, Smoak. Achei minha camisola no meu lado da cama, e olhei para Oliver curiosa. Ele apenas riu, tímido.
— Ela me fez companhia nestes últimos meses. – confessou e eu assenti.
Sentei no pé na sua cama e ele sentou ao meu lado. De repente, eu me vi com medo da conversa que teríamos agora. Quem eu queria enganar? Eu estava quase que me borrando aqui.
— Por que saiu daquela forma hoje á tarde? – comecei pelo mais fácil.
— Eu não queria brigar com ninguém. Eu fiquei irritado, mas isso não serve com desculpa por ter preocupado todos. Lyla quase colocou os fuzileiros atrás de mim. – ele disse e eu ri. Era a cara dela fazer isso. – Eu dirigi sem rumo pela cidade, e depois acabei parando na frente do seu apartamento. Vi que a luz estava acesa e toquei sua campainha.
Respirei aliviada. Ótimo. Ele não fez nenhuma burrice.
— Senti sua falta, Felicity.
— Eu também senti a sua, Oliver. Mal consigo dormir sem você. – eu revelei e ele me encarou.
— Me perdoe.
— Não há o que perdoar, Oliver, mas se for assim eu também peço desculpas pelo o que eu te causei durante este tempo em que ficamos separados. – eu disse olhando para minha unhas, envergonhada. – Nós precisávamos disso sim, mas eu te machuquei também.
Ficamos em silêncio novamente até que eu vi sua mão pegar uma das minhas.
— Quando eu estava dormindo, você me assustou e muito... – ele disse e eu assenti e me virei para ele.
Ele soltou minha mão e apoiou os cotovelos em seus joelhos. Estava olhando para o chão, mas antes que eu pudesse perguntar qualquer coisa, ele mesmo começou a falar e eu apenas escutei.
— Eu acho que experimentei o inferno pela segunda vez nestes últimos três meses, mesmo vendo você todo santo dia saindo da empresa quando ia falar com a minha mãe ou ficava preso no trânsito. Sempre acontecia alguma coisa que me fazia ver você saindo do prédio com seus amigos ou sozinha, mas eu não podia falar com você ou te tocar... – ele revelou e eu me senti pior do que já estava me sentindo. Se eu mesma estava no fundo do poço sem vê-lo todo dia, imagine Oliver que me viu todos os dias durante esse tempo todo. – E toda vez que você saía do meu alcance, eu voltava para o meu inferno particular.
— Oliver...
— Eu fiquei ensaiando minhas desculpas, tentando vários jeitos de iniciar uma conversa com você... Tentar convencer, tentar fazer você entender que eu precisava de você na minha vida. Precisava de uma segunda chance. Eu precisava ter você de volta.
— Você nunca me perdeu.
— Eu voltei a minha rotina de antes. Trabalho, casa, trabalho, visitar mamãe e Thea, trabalho, casa. Rezava para não esbarrar em você todos os dias em que pisava na Queen Consolidated, por mais que eu quisesse, sabia que você não iria querer... – ele disse e ele sabia que estava certo, não precisei falar nada. – Nunca pensei que conseguiria sentir tanta falta de uma pessoa como eu senti de você, do seu cheiro, da sua voz, do seu toque... E você está por toda parte, Smoak.
Eu teria enlouquecido.
— Eu quase enlouqueci mesmo. – ele afirmou meu pensamento alto e eu revirei os olhos para mim mesma.
— Como posso te ajudar?
— Você já me ajudou. Você foi a única que teve coragem de furar a minha bolha, de apontar meus erros na minha cara e quebrar todo o pequeno teatro que custei pra construir com cada um ao meu redor. – ele disse e depois sorriu. – Eu fiquei tão puto quando você me acusou de afastar todos que eu amo para longe de mim, mas depois percebi que eu realmente fazia isso porque não queria ver ninguém magoado perto de mim. Eu fiz isso com você também.
— Comigo?
— Eu realmente tentei te afastar da outra parte de mim que você estava tão determinada em conhecer. Não queria que você nem soubesse que ela existia, mas estou lidando com uma mulher com um Q.I de 187... – ele disse e eu sorri. Como é que ele sabia disso? – E por mais que eu tentasse esconder quem eu era...
— Eu não me importo com o homem que você foi uma vez, eu me importo com o homem que está aqui na minha frente. – eu disse apertando seu ombro e ele sorriu minimamente.
— Eu quis ser tudo que você precisava no momento em que chegou de ambulância no hospital. Sabia que teria que dar o meu melhor para te salvar, e quando você teve uma parada no elevador, quase me levou junto... – ele contou e eu ri. – Conforme você foi melhorando, eu fui ouvindo histórias sobre você e quis ser seu amigo, quis te conhecer como nunca...
— E o que você quer ser agora?
— Apenas seu.
Meu coração perdeu a batida com sua resposta.
— E eu quero que você seja minha. Você me fez aprender o que é amor, o que é paixão e entrega, porque eu via isso todas as noites que passamos juntos, mas só fui entender quando essas noites acabaram. – ele disse e apertou minha mão. – Fiquei imaginando como seria ter que correr do hospital para os seus braços assim como meu pai faz com a minha mãe e com você eu seria capaz de roubar uma ambulância se isso significasse chegar mais rápido e encontrar você.
Eu ri desse cenário desejando mais do que nunca que ele se transformasse em realidade. Menos a parte da ambulância. Deus me livre alguém morrer por causa disso.
— Eu me apaixonei por você depois de uma semana em que te coloquei em coma. Já tinha ouvido várias histórias sobre você, sobre como você era gentil, amorosa, meio louca... Eu me apaixonei, mesmo negando com todas as minhas forças. Não queria te dar alta naquele dia porque isso significaria ter você longe de mim, mas eu não poderia te manter lá por muito tempo. – ele disse e sorriu. – O casamento de Tommy e Cait passou muito rápido, e você não sabe o quanto eu fiquei feliz quando descobri que você iria trabalhar na Queen Consolidated.
— Você não parecia feliz quando me viu lá. – argumentei e ele riu.
— Acha mesmo que eu iria facilitar para você? – perguntou e eu bati em seu braço de boca aberta. – Acordava todo dia pensando em um modo diferente para te provocar, pensando em qual poderia ser sua resposta...
— Por que nunca me disse isso?
— Porque eu achava que era errado, e que iria te magoar. E te magoar seria a última coisa que eu poderia fazer.
— Você é o meu amor, Oliver. Como isso pode ser tão errado? – perguntei e ele sorriu.
Ele se abaixou em seus calcanhares na minha frente e sorriu.
— Eu te amo tanto.
— Eu te amo mais. – declarei passando a mão em seu cabelo.
— Impossível...
— Queen, estou nisso há mais tempo, não discuta comigo por favor... – pedi e ele gargalhou segurando minhas mãos.
— Você quer namorar comigo?
— Ser sua namorada?
— Sim.
— Quais são os benefícios?
— Prometo manter os armários abastecidos, a tampa da privada abaixada, te deixar mais do que satisfeita na cama...
— Gostei dessa parte. – eu disse e ele gargalhou.
— Pare de me torturar.
— Eu te amo, Oliver, e nunca deixei de ser sua namorada. – eu respondi trazendo ele até mim e selando nos lábios em um selinho cálido. – Me deixa entrar e te amar?
Ele tomou posse do controle do beijo e eu fui beijada do modo que estava querendo á meses. Puxei sua nuca para mais perto e deitei na cama, trazendo ele para o meio de minhas pernas. Sempre tocando seu rosto, nunca deixando ele se afastar e nunca quebrando o beijo.
Quando o ar se fez necessário, nós nos separamos.
— Você sempre esteve aqui... – ele apertou minha mão em seu peito e eu puxei ele mais uma vez.
—-
Eu pensei que estava com saudades do corpo de Oliver, mas nem eu mesma sabia o quanto. Sentir seu toque e seu calor novamente eram sensações quase que indescritíveis, eu me sentia no paraíso. Estava encantada por senti-lo de um jeito completamente diferente do que antes. E eu odiava dizer que mamãe estava certa, sexo de reconciliação era o melhor tipo de sexo.
— Ahm... Oliver? – chamei ao notar algo. Estava deitada em seu peito e senti sua mão subir até o meu cabelo, ou seja, ele estava me ouvindo. – Nós não usamos camisinha desta vez.
— Eu sei.
Ele continuou com o cafuné.
Como podemos esquecer? Como ele pode esquecer?
— Essa foi uma primeira vez. – ele respondeu e apenas riu levemente.
Essa foi uma primeira vez de muitas coisas. Foi a primeira fez que fizemos sexo sem proteção, foi a primeira vez que eu o vi tão entregue quanto eu, foi a primeira vez que fizemos... Amor.
Deus, eu parecia um cliché com pernas agora.
— Foi muito melhor do que qualquer sonho...
— Você sonhou comigo? Um sonho erótico? – perguntei erguendo o rosto para encontrar ele rindo.
— Mas é claro que eu tive sonhos eróticos com você, eles começam depois que foi embora. Eu apenas chegava no trabalho e caía na cama com sua camisola do meu lado e sonhava... – ele contou dando ombros, tímido.
Eu ri e ele olhou para mim, para depois rolar e ficar em cima de mim com aquele sorriso maravilhoso e provocador que só ele tinha. Ele deitou em meu peito e eu passei a mão em seus cabelos. Ele parecia gostar disso porque sempre se inclinava contra minha mão e me dava mais acesso à sua cabeça.
— Nos meus sonhos você sempre voltava para mim, e nunca mais saía do meu lado.
Sorri. Não estava em meus planos ir embora.
— Vamos tomar banho? Eu sempre quis mergulhar naquela banheira... – confessei e ele riu. Com um movimento só ele se levantou e depois me puxou para o banheiro.
Enquanto a banheira enchia, eu joguei uma daquelas bolinhas de sais de banho colorida dentro da água e foi inundada por vários tons de verde e isso me fez rir feito uma criança. Oliver estava regulando a água, quando eu me virei para o gabinete da pia procurando outra bolinha, mas não achei mais.
Apenas me assustei como havia me assustado na cozinha. Todos os produtos que eu estava costumada a usar em minha higiene matinal e noturna estavam ali. Como se eu nunca tivesse ido embora do apartamento.
— Oliver? – perguntei me virando para ele com meu hidratante favorito em mãos.
— Era como se você tivesse ido apenas na padaria ou até a casa de Cait... Era assim que eu me sentia quando entrava aqui. – ele disse brincando com a água esverdeada. – Como se não estivesse muito longe.
— Oliver... Eu estava logo ali. Por que não foi atrás de mim?
— Porque você disse para eu não ir. – resmungou e isso me fez rir pela centésima vez só hoje.
— Desde quando você ouve o que eu falo?
Nós entramos na banheira e Oliver fechou seus braços ao meu redor, enquanto eu estava recostada em seu peito. A água estava quentinha e cheirosa. E de tempos em tempos ele depositava um beijo em meu ombro e no meu pé da orelha.
Oliver estava atencioso ao extremo hoje, e eu notei isso apenas com o fato que ele não deixou nenhum centímetro de pele sem passar a esponja, me lavando por inteira, e depois repetiu o processo apenas com o sabonete em barra, me provocando por inteira.
Quando foi a minha vez, eu precisei sentar atrás dele para conseguir lavar suas costas largas e depois seus braços. Oliver era grande demais. E eu ri com esse pensamento enquanto massageava seus ombros tirando todo nó de tensão que encontrava.
— Qual é a graça?
Nunca que iria falar o que realmente havia pensado. Ele iria fazer ter outro sentido.
— Você já contou quantas pintinhas tem pelo corpo? – perguntei e Oliver ergueu uma sobrancelha para mim, curioso. – Você é cheio de pintinhas.
— Nunca me preocupei com o número de pintinhas que tenho espalhadas pelo meu corpo, Smoak. – respondeu e eu comecei a lavar seu peito.
Dei toda a atenção que havia recebido e ao mesmo tempo contava quantas pintinhas ele tinha espalhadas pelo corpo, e sempre que chegava perto de seu corpo, ele me beijava tentando me distrair.
— 34... 35... 36... Vira pra cá, amor. – pedi e ele gemeu ao ouvir a forma que eu o chamei. – 37... 38... 39... Oliver!
— Você também tem algumas pintinhas pelo corpo, Felicity. Uma. – um beijo. – Duas...
Seria uma longa conta deste jeito.
— Oliver...
— Shhh, Smoak. Está atrapalhando minha contagem.
Quando a água esfriou, decidimos sair, eu estava levemente esverdeada mas quando Oliver me enrolou na toalha, o verde saiu do meu corpo, mas também não apareceu na toalha. O por que será disso? Recebi minha camisola de volta para usar de pijama e Oliver só colocou a calça novamente.
— Pra onde você pensa que vai? – perguntei soltando meu cabelo do coque que havia feito.
— Para o quarto de hóspedes.
— Por que?
— Porque não sei se é seguro dormir com você.
— Oliver nem comece... Deite aqui comigo. – pedi engatinhando até o meio da cama e ele negou com a cabeça.
— E se eu tiver outra crise?
— Eu vou te abraçar e esperar que passe.
— E se eu te bater de novo?
— Eu bato em você também. E vou fazer doer. – eu disse brincando e mesmo assim ele não se convenceu. Apoiei minha cabeça no braço e olhei para pensando se teria que usar as armas grandes como um beicinhos ou olhos caídos. – Eu esperei três meses para dormir com você de novo, e se você está indo para o quarto ao lado, eu também vou.
— Lis... – ele sussurrou. Sorri ao ouvir o apelido.
Era a primeira vez que ele me chamava assim.
— Eu não vou fazer de novo. Só quero dormir com você. – prometi e ele me olhou desconfiado, mas veio antes que eu precisasse fazer beicinho. Ele deitou ao meu lado e eu apenas deitei em seu peito, colocando seus braços ao meu redor.
Sorri satisfeita. Estava feliz e completa.
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