Notas iniciais
Oi oi gente! Como vocês estão? Espero que todos bem! Eu amei a resposta que recebi com o primeiro capítulo! Com toda certeza, irei continuar com a fic se vocês continuarem gostando tanto assim! Boa Leitura!

Meu corpo inteiro parecia novinho em folha. Era como nascer de novo. As dores foram embora e o silêncio havia voltado. Tudo perfeitinho. O que uma boa soneca não faz, não é? Eu sinto que as perguntas se acumularam dentro de minha mente, e eu odeio mistérios e enigmas. Eles me irritam. E precisam ser resolvidos.

Suspirei.

— Não a nada que te impeça de voltar. Sem medicamentos. Sem sondas. Sem máquinas. Estamos te esperando.

Aquela voz de novo. Quem está esperando por mim? Suspirei mais uma vez para não perder o costume. Mais um pergunta sem resposta para lista, esta que está ficando bem longa.

— Quando estiver preparada, eu vou estar aqui esperando. Eu acredito em você, tenho visto o quanto é forte. Você não desistiu. Você quer viver. — aquela voz me acalmava de um jeito que nem o próprio Yoda conseguia. O que era estranho, porque eu não conhecia essa voz. — Você não está sozinha, nunca esteve.

Me senti em um lugar confortável e escuro, e algo me dizia que se eu ficasse aqui estaria sempre segura, porém sem minha família, sem meus amigos e sem as respostas que queria. Completamente perdida. Presa entre o passado, presente e futuro. É muito bom. Quentinho e confortável. Eu não sinto medo. Era como se eu fosse intocável.

Acho que estou em um galpão ou um espaço bem grande. Sabia que tinha teto e um chão. Sem janelas. Sem portas. Sem luz. Estava muito escuro, mas eu sabia que alguns passos á frente tinha um buraco no chão. Sentei no chão e tentei apurar os ouvidos para ouvir a voz de novo.

Ao mesmo tempo que me sentia confortável, eu também me sentia presa. Presa em uma espécie de concha. E eu conseguia ver pelas frestas desta concha uma outra versão de mim. Uma garota que não tinha medo de chamar atenção demais, que não tinha medo de responder perguntas mesmo sabendo as respostas certas, que não tinha medo de falar o que pensa sem medir as palavras... Eu queria ser ela. Ela parecia ser mais bem feliz.

Por que eu não posso ser ela? O que eu ganhei sendo a versão mais careta dela? Eu me recuso a passar mais um segundo sendo a versão beta, porque eu sou a versão alfa e não aceito menos do que isso.

— Eu acredito que você pode me ouvir. E eu sei que não tem nada te impedindo de voltar. Quero te conhecer. Só tenho ouvido histórias e quero saber quem você é. — a voz voltou. Suspirei e me afastei da concha, indo para frente, para longe do buraco. — Quero ver seus olhos e ouvir sua voz. Eu estou aqui, esperando por você.

A voz parecia mais perto desta vez. Forcei uma das paredes da concha para dar mais espaço a voz, e deixar ela entrar. Era quente e protetora. E ela só estava reafirmando tudo o que eu já sabia. Eu sou o organismo alfa neste sistema. Forcei as parede mais e ela se quebrou. Eu não conseguia ver nada, mas ouvi o que pareciam ser milhares e milhares de caquinhos de vidros caírem no chão. Minha versão alfa sumiu.

Não, ela não sumiu.

Eu me tornei ela.

— Felicity... Eu quero te conhecer. Me deixe conhecer você. Volte, por sua família. Volte, pelos seus amigos. — ele disse e eu olhei para cima. A voz vinha de lá. — Volte, por mim.

Durante a soneca, eu imaginei como seria o dono desta maldita voz. Ele parecia ser sedutor, se sua voz fosse alguma indicação disso. E protetor também. Ele deveria ser um enigma, ou talvez, um paradoxo. Meu tipo preferido. Quero conhecê-lo também.

Mas como? Como irei fazer isso? Onde ele está? Sem portas e janelas era difícil sair desta sala escura. Só há o buraco no chão e eu não gosto da vibe que ele me trás. É como se ele fosse exatamente o contrário de tudo que aceitei e quero neste exato momento. O buraco não era uma alternativa viável e eu não estava inclinada a nem chegar perto, o que dirá pular dentro dele.

Fechei os olhos e analisei meu corpo por inteiro, procurando alguma ajuda. Minha mão estava mais quente do que o normal. Não era ruim. Parecia que eu tinha segurado uma caneca de café com as mangas de um suéter por muito tempo. Foquei minha atenção em minha mão. Era a única coisa que parecia deslocada em toda a situação. A temperatura estava mais alta do que o normal naquele ponto.

E uma pequeno formigamento? O que é isso? Calor? Dedos. Eles não são meus, porque meus dedos são pequenos e estes são grandes demais. E muito menos o calor é meu.

Fui inundada com sons diferentes. A voz não voltou e o silêncio foi violado com um bipar constante. Meus batimentos? Eu consigo ouvir passos. Pessoas distantes. Caminhando e falando em voz baixa. Pessoas bem distantes. Também tem uma goteira perto de mim.

Não consigo respirar direito. Meus pulmões estavam preguiçosos hoje, mas eu consigo sentir o ar entrando dentro de mim e sendo dirigido para todo os meus pulmões, mas ele era pesado? Como o ar pode ser pesado? Deve ter algum artigo com uma resposta. Tenho que procurar depois online. Também consigo sentir o ar saindo de dentro de mim.

Minha cabeça parece mais pesada do que o normal. Como quando eu consegui prender ela dentro de um capacete do Darth Vader. Foi preciso uma serra para tirá-lo de mim, porque eu consegui entalar dentro dele e meu pescoço ficou inchado. Foi um verdadeiro desastre, quase não fui para Comic-Con no ano seguinte.

Eu estou com um pouco de frio, mas está fazendo calor. Uma temperatura bem agradável me rondava. Estamos no final do verão, mas estava mais quente do que o normal. Acho que o outono estava atrasado. Aquele calor estranho vem da minha mão direita. Um dos dedos deslizou por minha palma e eu senti mini-choques por todo meu sistema nervoso.

Algo fez meu nariz penicar. Era estranho e meio agoniante.

Álcool gel? Desinfetante?

Começo a piscar, mesmo minha cabeça estando pesada e mesmo tendo pálpebras teimosas. Parece que não faço isso há anos! Não consigo abrir meus olhos por completo, mas consigo colocar um pouco de água neles.

Estou em um lugar que não conheço. Sei que está coberto por uma penumbra agradável. Eu senti algo se mover ao meu lado, uma troca de peso. Me viro na direção do movimento. Estou super lenta. Tipo, câmera lenta. Quando consigo me acostumar com a luz, abro os olhos sem medo. Estava tudo embaçado. Alguém pode pegar meus óculos, por favor?

Consigo ver uma pessoa ao meu lado, vestindo azul e branco. Minha cabeça volta a doer. Fecho meus olhos e respiro profundamente. A pessoa ao meu lado parece se ajeitar mais uma vez. Percebo que estou deitada em uma cama e a pessoa sentada ao meu lado.

Algo é colocado em meu rosto e eu reconheço o peso de meus óculos. Não. Não eram os meus óculos, mas eu consegui enxergar tudo. Completamente tudo. Mais foco, mais nitidez e mais sentido, com certeza.

A pessoa que está sentada ao meu lado, é na verdade um homem. Ele está sorrindo. Um lindo e encantador sorriso. Sorriso de menino. A barba loira por fazer o emoldura o sorriso e seu queixo quadrado. O nariz é levemente torto para o lado direito. Olhos incrivelmente azuis claros. Ele parece complacente e calmo. Até que outro sorriso se estica em sua boca. Ele ri com todo o rosto. Parece realmente feliz. Eu consigo até ver seus dentes perfeitinhos.

Meu Deus.

Ele era lindo.

Minha respiração falha, e eu não lembro como se respira. O bipar se acelera. Ele se aproxima um pouco e olha na direção do barulho irritante, seu sorriso nunca deixa seu rosto e eu me senti presa nele.

Engoli pela primeira vez e doeu. Foi muito ruim. Parecia que minha garganta estava cheia de teias de aranhas e agulhas. Eu precisava falar alguma coisa, mas não consegui emitir som algum. Ele apareceu com um copo em mãos e apoiou minha cabeça enquanto eu dava alguns goles. Ah, a água estava gelada. No momento atual, essa sensação é a melhor do mundo. A dor foi embora.

— E aí?

Acho que ele não esperava por isso, porque seu rosto se contorceu em confusão.

— Felicity.

Puta que pariu. Ele era o dono da voz maravilhosa que eu estava escutando minutos atrás? O que está acontecendo? Eu estou mais do que completamente chocada com tudo isso. Acho que meu rosto estava me traindo e expondo todas as perguntas mudas que eu tinha a fazer. Eu nem sabia onde eu estava!

Olhei ao redor. Bom, estou em um quarto com paredes azuis e um teto branco. Na minha frente há um porta branca. Ao meu lado esquerdo havia outra porta branca e no meu direito tinha um sofá de couro branco. Uma janela enorme na parede dava á um corredor vazio e escuro. Ele está sentando ao meu lado e não segurava mais a minha mão. Há equipamentos e máquinas me rodeando.

Hospital?!

— Hey... Calma. Eu vou explicar tudo á você, mas preciso saber se você está conseguindo me entender bem.

Que tipo de resposta você quer, olhos azuis?

— Você me entende?

Assenti e sussurrei um "Sim" que não tenho certeza se ele escutou ou não.

— Meu nome é Oliver. Oliver Queen. — arregalei os olhos ao escutar seu sobrenome. — Sim, eu sou o irmão de Thea. Você está Starling City no General Hospital. Você se lembra de algo?

Neguei firmemente e fui engolida por um tsunami invisível.

Fiquei tonta. Muito tonta.

— Shhh, feche os olhos que vai passar. Não faça movimentos bruscos.

Acho que ele sabe do que está falando, porque acho fechar meus olhos, eu me senti muito melhor e mais coerente. Okay. Eu estava no hospital, o irmão de Thea estava aqui?! Vamos riscar a parte da coerência.

— Felicity, você estava viajando para Gotham City, pelo que Thea me contou, e sofreu um acidente na rodovia interestadual, antes mesmo de passar pelo pedágio. Você se lembra de algo agora?

Neguei novamente.

— Um caminhão te ultrapassou e você colidiu com a traseira dele. Teve bastante sorte, porque estava deitada no banco. Se estivesse sentada, teria sido fatal para você. — ele disse e eu quis rir. Ahhh. Maldita moeda que no final não se provou ser tão maldita assim. Obrigada Sacajawea. — Os paramédicos te trouxeram para o hospital e você foi atendida por mim e pelo meu pai. Dr. Robert Queen.

Dr. Oliver Queen. Dr. Robert Queen. Hm.

— Estava com trauma grave na cabeça e te colocamos em coma induzido para que seu cérebro pudesse desinchar. Você está fora das máquinas e medicações á mais de uma semana e estávamos esperando você acordar. — ele finalizou.

Quer dizer que eu perdi o emprego dos meus sonhos e ganhei um trauma na cabeça por causa de um caminhoneiro apressado e folgado? Fiquei revoltada. Quero processar ele agora. Espera aí. Uma semana fora das máquinas e medicações? Que dia é hoje? Quanto tempo eu fiquei nesta cama?

— Você quer saber quanto tempo ficou aqui, não é?

Uau. Ele é bom nisso. Assenti.

— Você passou vinte dias em coma induzido e mais uma semana fora dele. Hoje é dia 15 de junho. — ele disse e eu recostei na cama. Quase um mês. Eu lembro que viajei dia 17 de maio. Pareceu horas e não dias. Eu realmente perdi a noção do tempo assim? A tal soneca foi potente. — Você foi bem tratada e não corre risco.

— Como?... Você?

— Você está bem agora. Eu sou um neurologista e você foi tratada pela melhor equipe do hospital. O pior já passou. — ele assegurou confiante. Como assim o pior já passou? Ele se refere ao acidente ou ao meu quadro? Precisamos melhorar nossa telepatia. — Você quase faleceu quando chegou no hospital.

— Minha família?

— Sua mãe e seu padastro foram para casa de Caitlin há algumas horas. Eles passam o dia aqui com você. Assim como Cailtin, Tommy e Diggle. Eu só tive que proibir Lyla por causa da gravidez e Thea porque ela estava sem tomar banho durante dias, foi Roy que levou ela e os seus pais para casa. — ele disse e sorriu um pouco.

Oliver está na minha frente. Sorrindo. E eu estou ficando com tanto sono, posso sentir meus olhos e pálpebras extremamente cansados, e meu corpo parecia um pouco mais dolorido. Eu tinha corrido uma maratona, e não sabia?

— Descanse, Felicity. Eu vou tomar conta de você, até que você acorde novamente.

Como não fazer o que este homem com essa voz maravilhosa está pedindo? E ele garantiu que eu estou bem. Posso tirar outra soneca sem riscos de dar de cara com aquele buraco novamente. Ele vai estar ali quando eu acordar depois. Minhas pálpebras venceram, mas Oliver estava ali.

Meu Deus... Oliver Queen era o meu médico.

Notas finais
E aí? Tenho alguém interessado no Dr. Queen por aqui? Por favor se manifestem! Estou aberta á sugestões também! Espero que tenham gostado! Comentem! Indiquem! Favoritem! Acompanhem! Recomendem! Outras fics_ https://fanfiction.com.br/historia/784341/The_Perfect_Nanny/ https://fanfiction.com.br/historia/712239/Extreme_Love/ https://fanfiction.com.br/historia/715451/Broken/ L.W PS: Será que a gente consegue bater #40 comentários? Eu posso ou não posso ter escrito mais treze capítulos depois desse e só estar esperando a resposta de vocês para postar eles....