Dangerous Love
18 Capítulo 18
Notas iniciais
Meu apartamento estava completamente diferente de como eu havia deixado. Não tinha uma camada de sujeira ou pó como eu havia pensado. Nenhuma conta para pagar. Eu tinha esquecido destes pequenos detalhes, mas ele não.
Oliver realmente havia cuidado de tudo.
Não havia nada que me chamasse atenção. Nenhum livro, Netflix e nem mesmo meu próprio escritório que era meu porto seguro que chamava atenção. Entrei dentro de meu velho quarto e percebi que ele parecia escuro e triste, assim como eu. O que era lamentável. A dor estava berrando dentro de mim e fora também.
Nem tentei dormir, sabia que eu não iria conseguir. Então comecei a desfazer as malas, notando que havia esquecido várias coisas na casa dele. Meu shampoo, algumas roupas e um par de sapatos. Ótimo. Guardei tudo que havia trazido e mesmo tendo apenas uma mão em uso, eu fui rápida demais.
Chequei os armários e vi que não tinha nada vencido ali. A geladeira estava vazia. Abri o congelador e vi que ainda tinha uma embalagem de macarrão com queijo congelado ali. Peguei ela e aqueci no micro-ondas. O que eu vou fazer agora? Não há muito com o que se distrair por aqui.
Eu comi no sofá em silêncio. Olhei para o chão de madeira escura por um longo tempo, e depois apenas encarei o Sol nascer pelas janelas. Já havia amanhecido, e agora eu teria coisas para fazer. Como por exemplo tratar meu pulso e ver se eu ainda tinha uma bomba no meu cérebro.
Tomei um banho para acordar e percebi que água quente diminui o inchaço e a dor em meu pulso. Eu conseguia mover as duas mãos agora. Eu saí do banheiro e me vesti com jeans e um casaco quentinho. Não sequei o cabelo, apenas o penteei.
Enquanto estava esperando a torradeira fazer seu trabalho, a campainha foi tocada. Meu sangue gelou. Oh não. Apertei o botão do interfone e usei o fiapo de voz que ainda tinha.
— Sim?
— Entrega para Felicity Smoak. — disse uma voz feminina enjoada. Eu quase caí no chão de tanto alívio. Não iria conseguir reagir, se fosse ele lá embaixo.
— Estou descendo. – desliguei e abri a porta.
Quando cheguei no térreo, vi uma garota gótica com um uniforme completamente florido. Estava mascando um chiclete ruidosamente e tinha um buquê de rosas brancas e amarelas em mãos junto com uma prancheta.
— Assine aqui, por favor. – ela pediu e eu assinei meu nome na prancheta.
Ela empurrou o vaso para mim e eu voltei para o apartamento. Eu sabia de quem eram as rosas, ele havia feito a promessa que eu receberia elas todos os dias, mas mesmo assim abri o cartão que estava no meio delas.
“Me desculpe, Smoak”.
Queria jogar elas no lixo e afastar qualquer coisa que representasse Oliver Queen, mas não tive coragem. Apenas coloquei água no vaso e deixei elas perto da janela. Tomei meu café da manhã e esperei o Uber chegar para ir até o hospital.
Eu deveria estar péssima, porque o motorista nem tentou puxar assunto comigo. Eu cheguei no hospital e encontrei com Sara na porta, segurando um copo de água e meus remédios na mão. Essa era outra coisa que eu havia esquecido na casa dele ontem. Eu engoli os comprimidos e bebi a água toda.
Sara ergueu uma sobrancelha para mim.
— Quer conversar?
— Depois dos exames, talvez. – eu disse e ela assentiu.
Refiz todos os exames e Sara não arredou o pé para longe de mim. Ela foi comigo até o Dr. Ramirez para ver o meu punho e foi ela quem tirou meus raios X em geral. René colocou uma tala em meu pulso para apenas proteger e me deu uma bolinha de borracha para fazer alguns exercícios.
— Você quer denunciar, Felicity?
— Denunciar?
— Quem é que fez isso com você. Eu sou fisioterapeuta, sei a diferença de um tombo com uma agressão. – ele disse suavemente enquanto passava uma receita para mim de anti-inflamatórios e remédios para a dor.
— Eu realmente caí no chão de mal jeito. – eu disse e era verdade.
Meia-verdade.
— Okay, mas se quiser denunciar, eu mesmo vou com você na delegacia. – ele disse me entregando a receita e eu sorri agradecida. – E tenho certeza que Oliver e Robert iriam concordar comigo.
— Não tenho dúvida disso.
Sara me levou até o Dr. Dark já que Robert estava em cirurgia e Oliver ainda estava de férias. Ele decidiu me dar espaço. Bom. Eu já estava me sentindo renovada, as dores haviam ido embora e eu estava pronta para outra.
O que?
Não.
Eu, definitivamente, não estava pronta para outra ainda.
— Srta. Smoak, o que aconteceu para Oliver pedir esses exames todos de novo? O garoto está de férias! – Dr. Dark exclamou confuso.
— Eu não fui uma paciente muito obediente. Esqueci de tomar remédios e senti tonturas e vomitei algumas vezes também... Bem nojento. E ele achou melhor refazer tudo, e Robert concordou. – eu contei e ele assentiu olhando para os exames com pouco caso? – Ele me examinou pela segunda vez e disse que algo que não deveria estar aqui dentro, ainda estava. Fiquei sob vigilância e estou aqui para ver no que deu...
Dr. Dark riu de meu relato e continuou olhando os exames que Sara havia trazido e estava me esperando no corredor agora. Ela não gostava do Dr. Dark, e ficava olhando atravessado para ele. Decidi manter eles dois longe um do outro.
— Bom, eu não vejo nenhum inchaço aqui. Oliver ainda é jovem no ramo, e acha que qualquer coisinha pode ser um problema enorme... – conte algo que eu não sei, doc. – Está completamente liberada.
— Sério?
Ele levantou a chapa de um dos raios X da minha cabeça e me mostrou.
— Apenas seu cérebro prodígio. – ele disse e eu ri, feliz.
Relaxei. Menos um problema.
— Só checando... Posso voltar a fazer minhas coisas? – perguntei e ele assentiu assinando meu prontuário.
Saí de seu escritório e devolvi o prontuário para Sara que ficou feliz com a minha melhora completa, mas depois me arrastou até a cafeteria do hospital e me fez falar. Ela sabia que algo estava errado, e também sabia que Oliver nunca me deixaria vir até aqui sozinha. Ela começou a perguntar e eu a responder. Contei tudo sem deixar nada de fora e apenas fui abraçada enquanto chorava minhas pitangas para ela.
— Bom, se você precisa de distrações comece com o trabalho. E depois eu irei te levar para o melhor strip club LGBT que existe em Starling City inteira! – ela prometeu quando estávamos nos despedindo.
Eu ri e aceitei o convite. Estava me sentindo melhor. Nunca que eu iria receber conselhos imparciais em relação á Oliver de Lyla ou Caitlin. Foi bom conversar com Sara sobre tudo. Eu me senti mais leve. E decidi voltar a trabalhar, ou seja, caminhei pela avenida inteira até chegar na Queen Consolidated.
Fui até o laboratório e encontrei Curtis e Barry brincando com os drones dentro da área de testes. Cocei a garganta bem alto e eles se viraram para porta que era aonde eu estava e sorriram.
— Felicity!
— Vocês ficaram brincando enquanto eu estava fora? – perguntei cruzando os braços e Barry corou feio um tomate maduro.
— Isso é um teste muito sério! – disse Curtis, mas começou a rir quebrando seu teatrinho sério. – Você está voltando?
— Eu já voltei. – disse colocando minhas coisas no cabideiro e eles me deram high-fives com as mãos.
—-
— Srta. Smoak? A Sra. Queen deseja falar com você em seu escritório. – disse uma voz atrás de mim. Fazia uma semana que eu havia voltado a trabalhar e até que Moira conseguiu esperar por bastante tempo.
Me virei para sua secretária e assenti. A segui até os elevadores e depois subi até o último andar do prédio onde uma Mama Bear estava me esperando, no mínimo, irritada e confusa.
Bati na porta de vidro e Moira sorriu quando me viu, ela estava falando no telefone e apenas fez um gesto com os dedos para que eu entrasse. Eu entrei e fechei a porta atrás de mim. Ela desligou e se levantou de sua mesa, nós fomos até o conjunto de sofás mais ao fundo da sala e sentamos frente-a-frente.
— Como você está?
— Bem melhor. Completamente curada. – eu disse e ela sorriu e me abraçou forte.
— Eu quis lhe dar tempo e espaço antes de te chamar aqu...
— Só pergunte, Moira.
— O que aconteceu, querida? – ela perguntou arrumando uma mecha do meu cabelo.
— Não sei se chegou a acontecer alguma coisa, Moira. – fui sincera e os olhos dela caíram um pouco.
— Eu sei que vocês estavam namorando, Felicity. Eu vi isso no dia em que fui jantar na casa dele. E antes disso percebi que ele tinha um carinho especial por você desde que acordou do coma até a insistência para que você ficasse com ele durante a vigilância. – ela disse e eu senti cada uma de suas palavras me esfaquearem. – Nós respeitamos o silêncio de vocês dois, mas agora ambos estão terríveis. Eu não reconheço a jovem sentada na minha frente e não reconheço a voz do meu filho pelo telefone.
Fiquei em silêncio. Não era bem mais segredo que eu não estava mais com Oliver, mas todos foram sábios o suficiente para não fazerem perguntas. Até mesmo mamãe durante nossas ligações.
— O que posso fazer para ajudar, querida?
— Evite que meus horários se cruzem com os dele. Ele precisa de um tempo. E eu também. – pedi e ela assentiu mesmo não entendendo.
— Ele fez algo?
— Ele não fez nada, nós apenas precisamos entender á nós mesmo antes de entendermos uns aos outros. – eu disse e fui sincera. Moira notou isso e percebeu que seria tudo que ela iria conseguir de mim.
— Mesmo evitando um ao outro?
— Juntos não conseguimos, talvez separados...
— Okay. Irei fazer o meu melhor, mas lembre-se que independente de ter ou não alguma relação com Oliver, você é a funcionária mais valiosa que esta empresa tem e eu não irei abrir mão de você para Lucius Fox. – ela disse me abraçando e eu ri, mesmo querendo chorar.
— Obrigada, Moira.
O trabalho me distraiu bastante. Curtis e Barry foram a maior razão para isso acontecer, e eu voltei a interagir com os outros amigos que eu tinha. Jantei com Caitlin e Tommy, visitei minha afilhada, bebi com Thea e Roy. Achei que Thea seria a mais irritante por ser a mais apegada á Oliver, mas ela não perguntou ou disse nada relacionado ao irmão.
Depois eu descobri por Roy que ela também estava brava com Oliver por alguma razão só dela, e que não iria ficar entre nós dois, muito menos, escolher um de nós. Quem dera Caitlin tivesse essa mesma linha de pensamento, eu contei o mínimo possível para ela e ela não conseguia disfarçar sua irritação comigo e com Oliver de ninguém. Tommy se abstinha de qualquer comentário, mas eu sabia que ele também estava curioso para saber o que tinha acontecido.
Os dias passavam como um verdadeiro vulto. Eu trabalhava, saía com algum deles, conversava com Sara e todo dia em que eu chegava em casa, havia um vaso de rosas brancas e amarelas me esperando na porta. Eu ficava com os cartões que eram sempre os mesmos também, mas deixava os vasos nas portas de minhas vizinhas. Eram muitas flores e eu não dava conta de cuidar de todas elas, mas também não iria jogar elas no lixo.
Hoje, eu deixei o arranjo de flor da porta da Sra. Cullen, ela era viúva. Acho que gostaria das flores. Fui para a minha casa e liguei a Tv e o Netflix em seguida. Sara e eu iríamos fazer uma maratona de Sense8 hoje. Ela iria trazer pizza e eu já tinha a cerveja em casa. Tudo pronto. Coloquei um pijama confortável e esperei ela chegar.
— Eu não sabia qual pizza pedir, então escolhi a boa e velha peperoni. Tudo bem né? – ela perguntou assim que chegou e eu assenti.
Fomos para o sofá conversamos sobre o dia uma da outra. Ela ajudou Oliver e Robert em uma cirurgia de uma criança de 12 anos e estava se sentindo confiante. Foi uma cirurgia bem parecida com a minha. Eu, por outro lado, finalizei a semana dos testes com a bateria que estava tentando desenvolver com Curtis e Barry, e agora iria enfrentar o conselho do departamento e depois, com sorte, o conselho da Queen Consolidated.
A coisa que eu mais gostava em Sara era sua sinceridade. Ela não media palavras comigo. Falava o nome de Oliver sem medo de minha reação. Contava sobre as cirurgias que fazia com ele e sobre como ele estava mais ranzinza do que o normal e parecendo um zombie fazendo vários plantões seguidos. Ela não entrava em detalhes também não, era outra coisa que eu adorava nela.
Ela alimentava o meu vício o bastante para eu não entrar em abstinência.
— A apresentação de Sara á igreja, é no final de semana, o que iremos fazer? – perguntou ela enquanto a abertura do episódio passava. – Não vai dar para fugir dele lá.
— Eu sei... – suspirei e joguei a borda da pizza na caixa. Sara conseguiu comer metade da pizza sozinha e eu consegui comer a outra metade, só que de maneira mais lenta que a dagra ao meu lado.
— Isso vai ser interessante. Acho que irei até gravar este reencontro. – ela provocou e eu estirei minha língua para ela e ela fez o mesmo.
Mas nem mesmo Sara conseguia me ajudar a dormir.
Eu realmente só dormia no máximo cinco horas de exaustão. Eu havia me acostumado a dormir com ele e isso era o que eu mais sentia falta. Sentia falta daquela sensação de segurança que seus braços me faziam sentir. Do calor sufocante do corpo dele. De como nós usávamos todos os encaixes possíveis só para ficar ainda mais perto um do outro.
Eu estaria contando uma mentira gorda e grande se dissesse que não pensava nele. Eu pensava em Oliver em cada momento de cada dia. Tentava entender tudo que passei junto dele. Tentava entender o que ele queria que eu entendesse sem revelar muita coisa sobre si mesmo, mas eu sempre dava de cara com um beco sem saída. Me sentia perdida.
Já pensei e repensei em ligar ou até mesmo mandar várias mensagens para ele, para checar como ele estava, se estava sentindo saudades minha o tanto quanto eu sentia dele, mas quando eu almoçava com Barry e Curtis ou até mesmo Thea quando ela vinha visitar a instituição que era praticamente vizinha da empresa, eu via sua moto ou seu carro estacionado lá. Isso me fazia feliz.
Ele ainda estava perto.
A apresentação de Sara seria no sábado e eu estava com receio de ir. É claro que não iria faltar, ainda não queria receber uma passagem só de ida até o inferno dada de presente por Lyla. Ela só havia me perguntado o que tinha acontecido uma vez, e vendo que estava realmente preocupada comigo, eu disse a ela tudo que disse para Caitlin e ela apenas me abraçou. Não julgou. Não brigou. Não disse nada.
Eu estava com receio de que assim que visse Oliver, eu me jogaria nele. Gritaria para quem quisesse ouvir que amava ele e que fiquei com saudades dele. Esse era o meu maior medo, demonstrar demais. Ele tinha que demonstrar e não eu! Já demonstrei demais até.
Precisava ser forte se ele quisesse algo comigo, e ainda mais forte se fosse ao contrário.

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