Dangerous Love
1 Um
Notas iniciais
Eu particularmente to adorando escrever essa fic, e espero que vocês gostem dela tanto quanto eu :3
Por enquanto é só, hope you enjoy.
Nova York; West Village; Terça-Feira; 7h35;
— Está tudo bem, Dorcas, nós chegamos a tempo. Vai ficar tudo bem. — Lily dizia mais para si mesma do que para sua amiga, que estava deitada no chão, pálida, com uma bala em seu estômago. Lily havia colocado sua mão ali para estancar o sangramento, mas não havia funcionado, ela estava perdendo muito sangue. Dorcas tentava resmungar algumas palavras, mas Lily não conseguia entende-la. Seu rosto frágil estava sereno, como se ela estivesse deslizando para um sonho. — Dorcas, fica comigo. Mantém seus olhos abertos, por favor, fica comigo. — Lily ouvia as sirenes do reforço que ela havia pedido antes de encurralar o assaltante, mas o mundo em sua volta parecia estar cada vez mais desfocado; sua atenção girava em torno de sua parceira. — Eu não vou deixar você morrer. — Sua voz estava falhando, suas mãos tremiam.
Lily saltou de sua cama, assustada. Ela suava frio.
“Quem, nos seus meros trinta e um anos de vida, ainda tem pesadelos?” Resmungara para si mesma.
Passando a costa de sua mão em sua testa, ela enxugou o suor, e esfregou seus olhos, na tentativa de esquecer o seu pesadelo. Ao olhar em seu relógio, Lily se colocou de pé e correu para o banheiro; ela estava atrasada para o seu trabalho.
Ao passar por um espelho, ela precisou parar para ver se o que ela enxergava era uma miragem, ou se realmente estava tão ruim quanto se sentia. Seus cabelos ruivos estavam um ninho, as olheiras roxas e marcantes habitavam em seu rosto desde aquela tarde que nunca saía de sua mente: a tarde em que sua parceira — e melhor amiga — havia entrado em coma; e a sua cara de mau-humor matinal não facilitava nada.
Sem ter tempo para pensar em sua aparência completamente destruída, Lily foi fazer rapidamente sua higiene matinal.
Ao sair do banheiro com o cabelo pingando no piso de madeira e o corpo enrolado por uma toalha branca, Lily foi em direção de seu armário, para se vestir em cinco minutos.
Apesar de durante o caminho ela quase ter escorregado no piso molhado, em alguns minutos ela já estava pronta.
Vestia uma calça jeans azul escura, um blusa de frio cinza de gola alta, acompanhada de uma jaqueta de couro. Seu distintivo de NYPD estava pendurado em seu cinto, visível para qualquer um.
Lily penteou os cabelos molhados rapidamente, colocou a bota em seu pé, e saiu rapidamente de seu pequeno apartamento.
Enquanto caminhava pela calçada em busca de um táxi, ela olhou em seu relógio. 7h45.
A rua estava visivelmente vazia. Havia alguns jovens ciclistas ao lado esquerdo da rua, mas eles desapareceram tão rápido quanto vieram. A ruiva continuou a caminhar pelo West Village enquanto suas mãos suavam e nervosismo; era a primeira vez que ela se atrasara. Literalmente. Lily era sempre pontual, mesmo em sua adolescência, e agora, só por um pesadelo, ela iria experimentar a sensação de chegar atrasada na delegacia e levar uma bronca do Oficial Dippet.
Ela respirou fundo frustrada e virou a esquina, avistando logo em seguida um táxi parado. Correu mais rápido que pode em sua direção, e entrou nele antes de um moço, que ficou nervoso com a sua atitude.
Lily não gostava de se aproveitar do seu distintivo para fazer qualquer coisa que quisesse, mas naquele momento, não teve outra reação a não ser mostrar o distintivo pela janela enquanto o motorista a levava para a delegacia.
Ao descer e pagar o motorista, ela se apressou para entrar no prédio. Esbarrou em umas três pessoas no caminho, mas conseguiu entrar no elevador antes que o mesmo fechasse suas portas.
“Timing perfeito, Lily.” Pensou para si mesma, ao olhar no relógio do elevador e ver que só estava quinze minutos atrasada.
Ao chegar ao quarto andar, onde ficava o departamento de homicídios, a ruiva foi andando em passos rápidos em direção da sua mesa, recebendo alguns olhares alheios. Foi em direção da sala de descanso, pronta para preparar um café para poder despertar e se concentrar nos seus afazeres.
Enquanto a máquina fazia o seu trabalho, um som de baque, muito semelhante ao de uma arma sendo disparada ecoou pelos corredores do departamento, fazendo Lily pular de susto, e seu coração acelerar de uma forma que para ela, era incoerente.
Afinal, tudo a lembrava daquela tarde. A tarde em que ela começou a sentir um vazio em seu peito, como se sua alegria tivesse escorrido assim como icor prateado. Respirou fundo novamente, e lembrou a si mesma que não era sensato misturar suas emoções com o trabalho.
Ao buscar o que havia feito o barulho, Lily viu uma garota, provavelmente alguma estagiaria, abaixada recolhendo pastas de arquivos caídos no chão, enquanto um homem que de costas era bastante elegante, a ajudava.
A curiosidade a atingiu pelas costas, sem que ela pudesse evitar.
“Quem é esse homem?” A dúvida martelava sua cabeça. “Será que é um novato? Não sabia que tinha abrido vagas para o concurso no meio de julho”.
Com sua xícara de café esquentando sua mão, ela andou em direção da sua mesa, para preencher a papelada do dia anterior que estava atrasada.
Notou vários rostos desconhecidos a encarando, e começou a encará-los de volta. Seu cenho estava franzido. Lily não entendia o porquê de estarem a olhando daquela maneira, como se ela fosse uma presa; um pedaço de carne no meio de um ninho cheio de abutres.
Frank Longbottom, que estava substituindo Dorcas, puxou uma cadeira e sentou-se ao lado da mesa de sua parceira.
— Irônico, não é mesmo? — Ele resmunga. — O sexto andar alaga por causa da chuva, e quem tem que lidar com a presença dos desagradáveis do departamento de sequestros somos nós.
“Ah claro. Agora faz sentido.” Pensou Lily, com as sobrancelhas arqueadas de modo que parecia que ela havia compreendido a situação.
— Desde que eles não poluam a minha área de trabalho, não faz diferença. — Ela pronuncia, friamente, do jeito que deveria ser.
Envolver emoções no trabalho não era nada sábio. Era necessária uma mente sã e serena, pois assim, ela não poderia ser afetada pelo medo e a insegurança que sentia; assim, ela conseguiria tomar atitudes inteligentes e rápidas em caso de algum trabalho súbito. Entretanto, apesar da aparência de durona da ruiva, flashes de memórias a respeito daquela tarde viviam vagando em sua mente, dispersando-a do mundo real e causando pânico.
Contudo, ela não queria admitir a si mesma que precisava de ajuda. Que precisava ver sua parceira bem. Que precisava de alguém pra tirá-la daquele breu que sua alma se encontrava.
Nova York; 230 West 20th Street; Departamento de Homicídios; Terça-Feira; 9h00;
James Potter estava concentrado no caso que havia acabado de receber. Alguns diriam que ele estava muito “emocionalmente perto da vítima”, mas ele não calculava assim. Ele estava perto de receber uma promoção do departamento de sequestros, apesar de não ser o departamento que ele sempre sonhara em estar. Se conseguisse resolver esse ultimo caso, seria promovido.
Sua paixão estava no quarto andar. Departamento de homicídios. Contudo, ao fazer o concurso público, você não escolhe onde quer ficar. Eles te colocam em qualquer lugar e ponto final. Para a infelicidade de James, sua vaga no dpt. de homicídios fora tomada por uma mulher que havia tirado uma nota dois pontos mais alta que ele. Não que ele se importasse muito com isso.
No departamento onde estava, ele havia encontrado um melhor amigo: Sirius Black, seu atual e inseparável parceiro, e isso para ele era suficiente.
Ao receber o arquivo de uma adolescente desaparecida, sua espinha gelou, pois ele a conhecia. A garota em questão, Dafne Robertson, era a atual namorada do seu primo.
Agora, de pé, caminhando em passos lentos, com um breve desespero criando intensidade, ele estava indo conversar com os Morgan, os atuais responsáveis da garota.
Ao entrar na sala, James notou a presença de um adolescente, e logo em seguida o reconheceu também. Parado ali, em uma das poltronas marrom velhas e acabadas, estava o seu primo, desconsolado.
Nova York; 230 West 20th Street; Departamento de Homicídios; Terça-Feira; 12h00;
— Estou começando a sentir fome. — Frank soltou, de sua mesa. Levantou-se e chegou mais perto de Lily. — E tédio. Onde estão os casos incríveis? — Ele apoia seu rosto em sua mão na mesa da ruiva, frustrado.
— Defina “casos incríveis”. — Lily pegou-se fazendo uma piadinha sutil e se arrependeu logo em seguida. Era algo que Dorcas falaria.
— Ah, sabe como é, aqueles casos dignos de livros policiais.
Lily bebericou seu café, agora gelado, desejando um hambúrguer da cafeteria que ficava na esquina da rua no lugar do mesmo.
— Você está se deixando levar pela emoção dos livros da Agatha Christie.
Frank riu, tomando a xícara de café de cima da mesa de Lily e a bebericando também. — Isso tá horrível, Evans.
— Você é nojento. — Lily se pegou dando risada.
— Eu acho que nós precisamos de um intervalo. Um pouco de emoção. Se eu ficar preso nessas papeladas pelo resto do dia, vocês vão ter que acabar investigando um homicídio onde eu serei o culpado.
— Você não mata nem uma mosca. — Lily soltou sem querer, e logo corou. Ela tinha mania de falar as coisas sem pensar, puxara isso de... de Dorcas. Ela respirou fundo e sorriu nervosamente. — Me desculpe por isso.
Frank a encarava de um jeito diferente. — Sem problemas, Lily. — Ele riu — Foi interessante essa mudança repentina. E você mostrando emoções humanas. Deveria fazer mais isso, seu sorriso é lindo.
Lily se constrangeu, com um pouco de raiva por estar se sentindo daquele jeito. — Cuidado pra sua namorada não ouvir isso.
— Minha noiva. — Ele a corrigiu. — E Alice não se importaria, tanto é que ela concordaria comigo. Você deveria sorrir mais.
Lily olhou pra ele com um misto de emoções no olhar, e voltou a se concentrar na papelada, tirando de Frank uma boa gargalhada.
— Tenho planos de ir com Alice almoçar na cafeteria. Acredito que ela não vai se importar com a sua ilustre presença.
— Ora essa, que cavalheiro. — Lily terminou de escrever. — Eu aceito a sua proposta, mas só porque eu já terminei aqui.
Levantou-se enquanto Frank emitia uma feição de surpresa, puxou sua jaqueta da cadeira, e se recompôs, enquanto ele fazia o mesmo. Lado a lado, foram em direção do elevador, para ir ao segundo andar buscar Alice.
Nova York; 230 West 20th Street; Departamento de Homicídios; Terça-Feira; 13h00;
James andava de um lado para o outro, chamando atenção de muitas pessoas para si. Ele estava nervoso, completamente perdido.
Sirius havia tentado fazê-lo se acalmar, mas não havia obtido sucesso.
O moreno havia sido antiprofissional ao prometer que encontraria Dafne Robertson viva. E sabia que, se quando a encontrasse, ela já tivesse partido, seu primo jamais o perdoaria.
— Você acha que ela vai aceitar? — Sirius indaga.
— Ela tem que aceitar. — Disse James, enfatizando o “tem”. — E se tentar recusar, eu lanço o meu charme, e todo mundo se dá bem.
Sirius revirou os olhos, mas aprovou a atitude do parceiro.
Alguns segundos depois, seguida de Frank, Lily saiu do elevador e foi andando até sua mesa.
— O que as duas princesas querem aqui? — Sua frieza assustou Sirius, fazendo James encara-la de pé a cabeça várias vezes seguidas, surpreso pela detetive Evans ser totalmente diferente da imagem de uma velha, gorda, feia e ruiva que havia criado em sua mente.
— Detetive Evans, Detetive Longbottom. — Ele os cumprimentou. — Sou o Detetive Potter. Mas pra você pode ser James. — Piscou para Lily, nervoso com a situação.
— Vou perguntar mais uma vez, o que as duas princesas querem aqui? — A voz de Lily estava carregada de raiva. Quem “James Potter” pensava que era, pra chegar flertando que nem um desesperado? Ela pensava.
— Eu gostaria de falar com você em particular, detetive. — O Detetive Potter se pronunciou, desconcertado com a situação.
— Creio que não há problema algum em meu parceiro ouvir o que você tem a dizer. — Ela diz.
— Bom... É que, veja bem... Eu...
— Se for pra enrolar, pode sair daqui. — Seu olhar expressava raiva. — Não tenho tempo de sobra.
— Okay, vou dizer então. Eu estou com um caso, e todos dizem aqui que você é uma das melhores detetives dessa estação. Eu queria saber se posso contar com você pra me ajudar nesse em especial.
— Detetive Potter, você é tão incompetente a ponto de precisar da minha ajuda em um caso? — James ficou sem graça.
— Qual é, Evans. Você não pode ser tão insensível quanto todos dizem. —Lily o encara com as sobrancelhas arqueadas. — A menina que foi sequestrada é a namorada do meu primo. — Insistiu.
— Já dei minha resposta, Potter, e é não. — Lily começou a andar em direção á sala de descanso, na intenção de relaxar até o Oficial Dippet arranjar para ela um novo caso.
James foi logo atrás.
— Eu prometi pro meu primo que ia encontrar ela viva. Lily, você tem que me ajudar.
Ela parou de andar. Virou-se para o moreno lentamente, com um sorriso irônico estampado em seu rosto.
— Eu nunca te dei intimidade para me chamar pelo primeiro nome. — Sua voz nunca expressara tal frieza. — E caso você ainda não tenha notado, Potter, meu departamento é de homicídios, e não sequestros. — Ela explicou lentamente. — E mesmo que fosse, eu não te ajudaria. E se quer um conselho da — Fez aspas no ar — “melhor detetive dessa estação”, saia do caso. Se você está desesperado á ponto de recorrer a mim, está muito envolvido.
Logo em seguida, desistindo da ideia de descansar, Lily foi até a mesa de Frank, sentou-se lá ignorando os olhares incrédulos dos dois detetives, e então começou a ajudar Frank com a sua papelada como se nada tivesse acontecido.
— Bom senso mandou lembranças. — Frank comentou.
— Nem me fale. — Concordou.
Nova York; 230 West 20th Street; Sala de Descanso; Terça-Feira; 16h00;
— Esse tédio me faz querer aceitar ajudar o Potter. — Frank falou, expressando seriedade.
Lily que estava deitada em três cadeiras almofadadas ergueu sua cabeça para encará-lo melhor.
— Você tá de brincadeira comigo, Longbottom? — Seu cenho estava franzido de irritação. — Eu estava tendo uma tarde tranquila até você citar este incompetente.
— É brincadeira, Evans. — Ele diz. — Não quero defender o Potter, mas você não pode julgá-lo incompetente, pois ainda não o viu trabalhando.
— É exatamente por isso que eu tenho o direito de julgá-lo. Como você mesmo disse, ainda não o vi trabalhando. Apenas o vejo olhando para aquele arquivo fechado há mais de duas horas.
Foi a vez de Frank de se levantar. — Então você estava o observando? — Ele sorri maliciosamente.
Lily o encarou expressando tédio, contudo, antes que pudesse se defender daquele ultraje, o Oficial Dippet entrou na sala e fechou a porta. Lily e Frank se endireitaram, expressando formalidade e desejaram uma boa tarde ao oficial.
— Eu tenho um novo caso para vocês. — Pronunciou pela primeira vez. — Eles encontraram um corpo.
Nova York; Casebre á Beira da Estrada; Terça-Feira; 16h30;
Lily sentia tensão sempre que alguém dizia “Eles encontraram um corpo”, mas afinal, aquele era o seu trabalho. A música clássica tocando no rádio acalmava seu corpo, fazendo-a se sentir mais confortável com a situação. Era sempre uma surpresa olhar para algum cadáver. Lily nunca se acostumava com aquilo, era como se a sensação do frio gelando sua espinha nunca passasse. Como se ela ainda fosse uma novata na policia resolvendo o seu primeiro caso.
— Você tem mesmo que escutar essas músicas? — Detetive Longbotton reclamou. — Se continuarmos assim eu não vou estar acordado quando chegarmos no local.
Lily foi estacionando o carro. — Não precisa se preocupar, já chegamos.
Eles saíram do carro da policia, Lily checou se seu distintivo estava lá, evidente para todos que quisessem olhar.
O carro da perícia estava estacionado mais a frente, o que dizia que Marlene já estava ali, examinando a causa da morte com mais alguns ajudantes.
Ao entrarem no casebre, o cheiro de morte exalava no ar. Passaram por alguns policiais que entrevistavam um caminhoneiro — tal homem havia encontrado o corpo ao parar ali para usar o banheiro —, e foram em direção de Marlene, que estava ajoelhada.
— Ótima forma de iniciar a noite. — Frank tentou quebrar o clima mórbido.
Marlene apenas o encarou com insensibilidade.
— Há poucos sinais de luta. Ela provavelmente não sabia o que estava acontecendo até a hora em que “ele” resolveu mata-la. — Começou a dizer. “Ela conhecia o assassino”, deduziu Lily, e Lene concordou. — Está vendo as marcas de sangue no chão? Aqui não foi o local da morte. O assassino á trouxe até aqui, e a esfaqueou em vários lugares para dar a impressão de que essa foi a causa.
Lily assentia, sentindo um peso em seus ombros.
— A verdadeira causa da morte foi uma pancada que ela recebeu na cabeça. — Lene apontou para o amontoado de sangue pisado nos cabelos da garota.
— A posição em que o assassino á colocou é bem interessante. — Frank falou, agora de pé perto da porta.
Detetive Evans procurou observar isso. O assassino havia colocado a garota na posição de um defunto, e ainda por cima ainda tinha feito-a segurar uma rosa preta.
— Quem disse que o romance estava morto? — Lene ironizou.
— Eu, todo sábado a noite. — Lily respondeu, levantando-se. — Tem identidade?
— Não, mas eu posso dizer que ela tem dezesseis anos.
Lily e Frank trocaram olhares, já tirando uma conclusão:
A garota estava em um casebre. Provavelmente conhecia quem havia a assassinado, e só começou a lutar quando estava encarando a morte. Era uma adolescente.
Mesmo sem conseguir expressar nada, a detetive estava sem reação. Se aquela fosse a garota que James estava procurando, ela se sentiria culpada por não ter aceitado ajuda-lo.
Nova York; 230 West 20th Street; Departamento de Homicídios; Terça-Feira; 17h00;
Lily entrou no departamento correndo, á procura do detetive Potter. Se o que ela deduzia era algo concreto, não sabia como contar ao detetive.
Encontrou-o, escrevendo em um quadro as informações que tinha sobre o sequestro. Assim que entrou na sala onde o mesmo estava, ele a encarou.
Seus olhos tinham olheiras que ela não havia notado antes. O cabelo estava mais despenteado do que mais cedo, e havia pesar em seu olhar. Algo que Lily reconhecia em si mesma sempre que olhava para o espelho.
— Encontraram um corpo em um casebre na estrada. — Começou, desajeitadamente. James ficou pálido. — Ela é adolescente.
O detetive parecia que ia desmaiar. Ele se apoiou em uma cadeira enquanto olhava para Lily. Ela nunca havia o visto daquele jeito, e estava começando a sentir-se mal por ele.
— Eu preciso de uma foto da namorada do seu primo, apenas pra confirmar que os meus pensamentos estão errados.
Ele assentiu. Puxou com as mãos tremendo o arquivo de sua mesa, pescou uma foto do mesmo, e então a mostrou para a detetive.
Foi como se Lily estivesse segurando a respiração desde que entrara no departamento; ela respirou fundo, aliviada, e sorriu. — Não é ela.
— Não é ela?
— Não é ela. — Repetiu.
— Não é ela! — James abraçou a ruiva, que o abraçou de volta por solidariedade, afinal, nunca admitiria a si mesma que estava alegre pela felicidade do detetive, portanto preferia pensar que só estava fazendo algum bem para a sociedade.
Algum tempo depois, eles se soltaram. O sorriso de James dava voltas em seu rosto; ele parecia querer pular de alegria.
— Posso ver a foto da sua vítima? — Lily tentou ser profissional.
— Você vai me ajudar? — A voz do detetive estava cheia de esperança.
Lily o encarou com a sobrancelha arqueada divertindo-se, e o mesmo a entregou a foto, frustrado por não obter ajuda dela.
A adolescente da foto era loira. Estava com um grupo de amigos, todos sorriam alegres. Ela era muito bonita. Lily estava quase devolvendo a foto para o detetive quando algo chamou sua atenção.
Mais precisamente, alguém. A última garota do grupo de amigos. A alegria de Lily foi esvaindo-se novamente. — É ela. — Sua voz tremeu. Detetive Potter franziu o cenho confuso, e ela apontou para a morena no fundo da foto. — Essa é a garota.
Para James tudo começou á fazer sentido.
— Essa é Sadie Montgomery. — Ele diz. — A melhor amiga da minha vítima. É a melhor amiga de Dafne Robertson.
Os dois se encararam, pensando na mesma coisa.
O desaparecimento de Dafne Robertson e o assassinato de Sadie Montgomery não era uma coincidência.
— Vejo que não vou precisar explicar isso pra vocês então. — Frank entrou na sala, ao lado do oficial Dippet e do parceiro do Potter.
Dippet depois de um longo silêncio pronunciou-se:
— De agora em diante, vamos ter uma troca de parceiros. Detetive Evans e detetive Potter, vocês trabalharão juntos. Os quatro estão neste caso. Irão descobrir quem matou essa garota, e encontrar a outra antes que seja tarde de mais.
Lily o olhou indignada. Não podia ser.
Ela olhou para Frank, e depois para o oficial novamente.
Estava completamente sem reação.
Não podia ser verdade.
Ela não poderia ser parceira de James Potter, sabendo que, bem no fundo, sentia-se atraída por ele.
Notas finais
Não se esqueçam de comentar e deixar a opinião de vocês.
See y'all later,
xx.
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