Dangerous
15 Protect You
Notas iniciais
– Eu não acredito nisso! – A patologista levou as mãos ao rosto. – Eu não posso ter sido tão estúpida...
– Vocês não usaram, não é? – Mary revirou os olhos. – Isso pode ser só mal estar, mas precisamos fazer o teste, porque...
– Mary... Eu não preciso de teste. – Molly revirou os olhos, sentindo o peso do mundo sobre seus ombros. – Você pode me deixar sozinha por um momento?
A loira apenas sorriu – tentando de alguma forma confortar a amiga – e se afastou. Quando Molly se deu conta de que estava sozinha, deixou as lágrimas que segurara correrem livres. Afundou o rosto no travesseiro e chorou, esperando o sono vir. Não conseguia acreditar na sua imbecilidade.
–
Sinto dedos longos acarinhando meus cabelos, mas me recuso à abrir os olhos. Aquele cheiro e aquele toque não podiam ser de outra pessoa... Nos últimos três dias, presa nessa cama de hospital, lidando com a minha descoberta e com a minha vergonha – por ser tão idiota –, Sherlock não havia aparecido. E de repente, aqui está ele... Fazendo carinho em meus cabelos...
Abro os olhos lentamente – esperando claridade –, mas tudo que vejo é ele. Em pé ao meu lado, com um sorriso cretino no rosto. Não sabia se sorria ou se me sentia horrível. Queria contá-lo sobre a gravidez, mas sentia um medo enorme dentro de mim. E se ele tivesse uma crise? Sumisse por mais dois anos? Se refugiasse nas drogas por medo de assumir tal responsabilidade? Enquanto pensava e me sentia aterrorizada, ele apenas sorria e fazia carinho no meu rosto... Seus dedos percorrendo o caminho da testa até a boca, passando pelas bochechas e fazendo carinho no meu rosto por inteiro. Não pude evitar um sorriso.
– Vim com uma boa notícia dessa vez. – Cessou o carinho, mas continuou com sua mão próxima do meu rosto. – Vim te levar para casa!
– Mary ia me levar para casa... – Revira os olhos enquanto ouve minhas palavras.
Respiro fundo. Não quero tratá-lo mal de novo.
– Mary não pôde. Então eu vim te levar para casa. – Sorriu. – Agora vamos... Preciso te ajudar a se vestir...
– Você precisa... – Não sabia o que dizer.
Mas a expressão no rosto dele era de pura diversão. Nunca tinha visto-o sorrir daquela forma.
– É, Molly. Vou te ajudar a se vestir. – Revira os olhos, ainda rindo. – Você não pode ir para Baker Street nesse estado...
– Espera... – Sento-me na cama, encarando-o assustada. – Você disse... Baker Street? Por qual motivo vamos passar em Baker Street? Minha casa não é na Baker Street...
– Sem tempo para discussões desnecessárias... Você tem um assassino louco para te matar, está frágil, além de... – Revira os olhos. – Além de que eu me responsabilizei por sua segurança. Claro, Mycroft garantiu que vai pegá-lo... Mas eu não confio tanto assim em Mycroft para deixá-la sozinha em sua casa o dia inteiro.
– Mas ele pode vir atrás de mim no...
– Também não vai trabalhar enquanto eu não pegar esse imbecil. – Dá um sorriso bastante psicopata. – Eu já cuidei de tudo isso, Molly. Agora... Podemos ir?
– Você não pode me proibir de trabalhar! – Digo desesperada.
Não posso ficar por muito tempo na companhia dele. Sem trabalhar. Sem minha casa. Sem ter um mínimo jeito de fugir daquele sorriso e daquele homem lindo – e imbecil. Não posso imaginar-me dividindo a casa com ele vinte e quatro horas por dia...
– Assista-me te proibindo. – Ele fala simplesmente. – Podemos ir? Tenho algumas pistas sobre o passado entre James e Tom... Ou eu devia dizer Harry?
– Harry? – Fiz uma careta.
Nos últimos dias havia pensado em tantos nomes... Bom, descobrir uma gravidez é algo que te faz pensar em nomes. Milhões e milhões de nomes. E saber que um dos meus nomes favoritos era realmente o nome de uma das pessoas que eu queria matar, fez meu estômago se revirar. Levei as mãos até a barriga e esperei o enjoo passar. "Por favor, não vomite na frente dele", pedi à mim mesma. "Vamos filho, não faça isso comigo na frente do seu pai." O pensamento fez o enjoo passar com uma rapidez enorme. Encarei o futuro pai do meu filho. O ar instantaneamente sumiu.
– Você está bem, Molly? – Ele segura meu ombro, parecendo preocupado.
– Tudo bem, Sherlock. – Puxo o lençol para longe. – Então quer dizer que vou ficar confinada em 221B? Por quanto tempo?
Pego o prendedor de cabelo ao lado da cama e começo à tentar ajeitar meu rabo de cavalo. Sherlock fica em silêncio enquanto me observa. "Sherlock?" Chamo, esperando por sua resposta.
– Ah, sim... – Ele ri. – Até que eu consiga acabar com ele. Você não acha que vou deixá-los na mira daquele psicopata, não é? Precisa de ajuda com algo?
– Não. Tudo bem. – Me levanto da cama e me sinto tonta.
Já sentia a dor do encontro com o chão, mas antes, achei os braços de Sherlock. "Tudo bem..." Ele sussurra, me imitando. Segura meus ombros e me vira de costas para ele.
– Não precisa negar minha ajuda, Molly. – Ele desamarra meus trajes de hospital. – Não tem nada que precise me esconder... Tem?
– Engraçadinho. – Me mantenho séria. – Eu só queria conseguir fazer algo tão simples quanto me trocar.
– Tudo bem, Molly. – Me viro de frente para ele. – Eu não vou te atacar de novo.
Me sinto mais nua do que me senti no dia em que passamos a noite juntos. Até porque, agora apenas eu estou nua. Ele não disfarça quando encara meu corpo. Olha dos pés à cabeça e dá um sorriso torto, me deixando completamente vermelha. "Merda, quatro meses..." Ele sussurra.
– O que tem quatro meses? – Me pergunto, revirando os olhos. – E onde estão minhas roupas?
– Ah sim... – Ele se vira e pega uma muda de roupas na poltrona. – Eu disse quatro meses? Estava pensando alto... Esquece isso.
Em seguida, assisti ao detetive Sherlock Holmes me vestindo com toda paciência do mundo. Primeiro o sutiã, depois a blusa e por último – e mais engraçado – a calça jeans. "Por qual motivo ela tem que ser tão apertada?" Ele perguntava enquanto tentava me enfiar dentro da calça jeans. "Você escolheu essas roupas, Sherlock?"
Ele riu. "Elas são velhas, tem tanto tempo que não uso essa calça jeans." Então fiquei pálida. Ele tinha invadido meu apartamento. Tinha visto minhas gavetas. Minhas roupas. O mural de fotos perto da minha cama. As fotos dele que eu guardava. Os artigos de jornais antigos, de antes e depois da queda do Reichenbach... Merda!
Ele deu um sorriso cínico, parecendo ler todos os meus pensamentos. Bastardo, infeliz, lindo! Como ele consegue ser tão perfeitamente irritante? Reviro os olhos e calço meus chinelos. Alguma coisa confortável ele tinha que se lembrar de trazer...
– Podemos ir? – Ele me pergunta, com um sorriso infantil. – Eu já assinei os papéis da sua alta. Baker Street nos aguarda.
– Sem festa, amigos ou qualquer tipo de surpresa, certo? – Pergunto na esperança de receber um sim.
Com os cabelos parecendo um ninho de ratos, roupas do ano 2000 e aquela cara de zumbi, se houvesse uma festa surpresa para mim eu assustaria todos os convidados.
– Não seja boba, Molly. – Ele riu, estendendo o braço para mim. – A Mary até queria, mas...
– Por quê está sendo tão educado? – Seguro em seu braço.
– Você não está em condições de andar sem apoio. – Ele diz sem olhar para mim. – Agora vamos, tem um taxi nos esperando lá embaixo.
–
Foi uma breve viagem de taxi. Enquanto Molly se sentia incomodada com toda a atenção e mimos que Sherlock lhe dava, ele continuava sendo à cada momento mais atencioso e educado. Abriu todas as portas, perguntou à todo momento se ela sentia alguma dor, ajudou-a à descer e subir degraus e até calçadas. Molly já não aguentava mais.
Chegando no 221B, a patologista tentou se desvincilhar dos cuidados do detetive e andou um pouco à frente. Enquanto subia as escadas, se desequilibrou e vacilou alguns degraus. Enquanto ria da sua forma atrapalhada, Sherlock estava bem atrás dela, segurando-a e perguntando se estava tudo bem.
– Ok... – Ela passou pela porta e se jogou no sofá. – Eu não aguento mais toda essa atenção. O que está querendo dessa vez?
– Te proteger. Eu coloquei sua vida em risco, Molly. Quando nos envolvemos, coloquei sua vida em risco. – Ele suspirou, parecia infinitamente arrependido de tê-lo feito. – E agora eu vou cuidar de você... Porque eu não suportaria saber que algo aconteceu com vocês por minha culpa...
– Espera aí... – Molly revirou os olhos.
Seu cérebro derretendo como gelatina. Ela não podia acreditar naquilo! Mary tinha prometido que não contaria ABSOLUTAMENTE NADA para Sherlock... Por qual motivo ela tinha traído-a dessa forma? "Você não acha que vou deixá-los na mira daquele psicopata, não é?" Estava tudo na cara dela, desde o momento em que ele apareceu no hospital. Molly se sentiu idiota.
– Mary não podia ter feito isso! – Ela disse nervosa.
– Mary não fez nada... Aliás, por que Mary sabe disso? – Ele perguntou confuso.
– Então como você... Ah! Merda Sherlock! Como você pode saber algo sobre isso? – Ela levou as duas mãos ao rosto. Queria desesperadamente chorar.
– Eu... – Ele se ajoelhou em frente à ela. – Molls, me desculpe. Eu fui até seu apartamento. Encontrei sua tabela. Vi que você tinha esquecido suas pílulas em casa quando saiu para o fim de semana. Juntando as duas informações... Eu soube que você estava em seus dias férteis quando dormimos juntos. Adicionando isso ao fato de que você esqueceu suas pílulas mais a forma com que dormiu por tanto tempo no hospital... E quando eu ia até lá e você estava dormindo, cheia de olheiras e olhos vermelhos. Eu sabia que você já sabia. Eu só não soube como reagir de início... Mas agora eu sei que preciso protegê-los. Me deixe protegê-los...
– Sherlock... – Ela desabou em lágrimas.
Não conseguia segurar todo aquele turbilhão de emoções. Carregava um Holmes. E Sherlock parecia absolutamente animado com essa ideia. Ele queria protegê-los. Mantê-la longe do trabalho, longe de qualquer coisa que significasse que Tom poderia se aproximar dela. Ela se perguntava se estava sonhando. Aquilo era muito mais do que ela pedira.
– Não chore, Molls. – Ele secou as lágrimas da morena. – Você precisa dormir agora... Vou preparar um lanche e levar para você. Pode ficar com o meu quarto, eu vou dormir aqui na sala.
Ela não sabia o que dizer. Nunca imaginara que ele poderia ser tão atencioso. "Obrigada." Ela sussurrou.
– Você não precisa agradecer. – Ele sorriu, segurando-a pela mão e levando-a até o quarto. – E ah... Os quatro meses... Me desculpe.
– Eu nem ao menos entendi.
– Relações sexuais. Não são seguras antes dos quatro meses de gestação... Então... – Molly viu as bochechas do detetive ficando vermelhas.
Ela queria abraçá-lo e beijá-lo ali mesmo. Mas estava fraca demais.
– Boa noite, Molls. – Ele sussurrou, quando colocou-a na cama.
– Boa noite, Sherlock. – As palpébras de Molly se fecharam instantaneamente.
A cama dele era bem mais confortável do que ela jamais imaginara... Quando Molly já havia quase perdido a consciência, sentiu a mão enorme e gentil de Sherlock pousando em sua barriga. "Boa noite, bebê." Ele sussurrou, logo depois deixando o quarto.
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