Dangerous

17 Baby Holmes Part II


Notas iniciais
me senti tão tensa escrevendo isso que quase tive um treco. perguntem pra tia Regina e pra tia Mariana, elas vão contar a verdade.

— Como eu tenho bastante consideração por grávidas, vou me retirar. — Ele sorriu. — Estou indo para o telhado do Barts.

Ele atravessou a porta. Sherlock sabia que não era "" aquilo. Tinha que ter algo mais. Ele não faria todo aquele terrorismo para absolutamente nada. Sentiu Molly se agarrar ao seu braço. Ele sabia que ela sentia medo, muito medo. Ambos temiam pelo bebê.

— É só isso?

— Claro que é. — Harry virou-se para trás no final do corredor. — Tenho um encontro marcado com... Sr. e Sra. Watson me aguardam.

Assim que o homem alto passou pela porta, Sherlock foi atrás.

— Fique, Molly. — Ele pediu. — Você precisa ficar.

— Sherlock, não faça isso. Mary e John. — Ela revirou os olhos. — Eu não posso ficar aqui.

— Tudo bem, só tome cuidado.

Então os dois pegaram o primeiro táxi à caminho do Hospital St. Barts. Já era noite. O vento era frio e parecia cortar a pele delicada de Molly — que assim como Sherlock, estava apenas de pijamas. Subiram com cuidado até o telhado. Sherlock não queria que nada acontecesse com a sua pequena Hooper, ele se preocupava demais com ela. Não sabia como lidar quando imaginava que Molly poderia estar em perigo. Segurou a mão dela, dando-a confiança. "Tudo vai ficar bem." Ele disse à ela com um olhar e recebeu um sorriso da patologista. Eles se confortavam.

— Molly! — Mary foi a primeira a gritar. — O que você faz aqui? Sherlock... Seu idiota! Você não podia ter feito isso.

— Mary, por favor. Você não achou que eu fosse deixá-la sozinha, certo? — Ele perguntou, enquanto desamarrava o Sr. e a Sra. Watson. — O que aconteceu? Como ele os pegou?

— Estávamos voltando para casa do restaurante, fazendo uma caminhada... — John revirou os olhos. — Não deu muito tempo para pensar. Ele colocou uma arma na cabeça de Mary... Então você sabe, eu não faria nada com uma arma na cabeça da minha esposa. Então viemos com ele.

— Agora, onde está esse bastardo? — Sherlock perguntou com raiva. — Molly, fique perto da Mary. Tudo vai ficar bem.

— Nem tudo vai ficar bem. — Harry apareceu por detrás das sombras. — Vocês não ficarão bem.

Sherlock e John apontaram suas armas para Harry. Ele gargalhou. Tinha duas armas em sua mão. As duas apontadas para Molly Hooper. Todos ficaram apavorados instantaneamente. Talvez o medo de deixar Molly sozinha tinha realmente traído o detetive. Tinha colocado a mulher que amava na mira de duas armas.

Sherlock e John trocaram um olhar de cúmplices. Sherlock precisava salvar sua mulher. John precisava salvar a dele. Era tudo. Aquele bastardo psicopata precisava morrer.

— Quando Jim disse que ia usar Molly para se aproximar de você, Sherlock, eu achei o plano bastante idiota. — Harry revirava os olhos e gargalhava, parecia mais psicótico do que nunca. — Tudo indicava que você não se importava com ela... Mas não! Você não se importava com você. Você queria protegê-la, mantendo-a longe. E isso foi tão inteligente...

Sherlock queria dar um tiro na cabeça dele e acabar com tudo aquilo. Mas o medo de que Harry se assustasse e atirasse em Molly era ainda maior do que o ódio dentro dele. E seu filho... Se algo acontecesse ao seu filho...

— Então ele disse que gostava dela. — Ele parecia incrédulo. Parecia sofrer com o que estava falando. — Ele queria convencê-la de que Sherlock Holmes nunca seria dela. Ele queria que Molly fosse dele. Não namorada. Mas dele. Só dele. Como uma aliada.

Que imbecil! Molly nunca seria dele.

— E ela quase caiu nessa conversa, certo Hooper? — Ele sorriu para Molly, se aproximando dela. — Ele era tão bom com palavras... E também na cama. Ele era o melhor!

— Se afaste dela, seu infeliz! — Sherlock soltou um grito. — Não se aproxime dela, desgraçado!

— O Sr. Holmes está todo protetor... — Revira os olhos, se sentindo divertido. — Isso é tudo instinto paterno? Bom, não tenho mais tempo para essas brincadeiras.

Sherlock e John sabiam o que vinha à seguir. Até mesmo Mary e Molly sabiam o que vinha à seguir. Molly fechou os olhos. Desejou o bem de seu filho e do homem que amava. Sherlock e John trocaram um olhar e três disparos foram feitos ao mesmo tempo. Molly ainda não tinha coragem de abrir os olhos, mesmo espantada com o fato de que nenhum dos três tiros haviam atingido-a.

Quando teve coragem o suficiente, a primeira coisa que viu foi Harry. Caído no chão, ainda vivo. Sherlock se aproximou dele e pisou em um dos braços, em cima do local de um dos tiros.

— Quando encontrar Moriarty no inferno... — Ele gritou, seu rosto vermelho de ódio. — Diga à ele que Molly Hooper é minha. Sempre foi minha. Só minha. Vá para o inferno, seu psicopata!

Deu mais um tiro — precisamente na cabeça — e se afastou. Correu para os braços de Molly, que ainda estava em choque. Ela respirava com dificuldade, não conseguia processar a situação direito. Se Harry tinha tomado dois tiros, alguém tinha que ter tomado o outro.

Tomou coragem o suficiente e procurou Mary e John. A amiga estava caída no chão, na frente de Molly. Ela tinha se jogado na frente do tiro.

— Mary! — Sherlock correu até ela. — Eu...

— Não diga nada, seu infeliz. — Ela riu. — É isso que os amigos fazem. E eu tomei um tiro por ela para proteger o bebê. Agora vá cuidar do seu filho... Molly não pode passar por emoções...

John já estava pegando sua esposa no colo e descendo as escadas, sem deixá-la falar. Estar no telhado de um hospital tinha suas vantagens. Quando Sherlock voltou-se à Molly, viu uma expressão de medo em seu rosto. Ela encarava suas próprias roupas.

— Molls... — Ele chamou. — Está tudo bem.

— N-não. — Ela soluçou. — Sangue... Eu estou... Sangrando.

Sherlock sentiu vontade de vomitar. Ao mesmo tempo em que seu cérebro girava e ele lidava com a ideia rápida de sua esposa sangrando, grávida de seu filho. Isso não devia significar algo bom. Pegou-a no colo da forma mais delicada que pôde e começou à descer as escadas.

Molly chorava muito. Seu rosto já estava banhado de suor e de lágrimas. A dor que sentia era maior do que qualquer outra. Seu útero parecia estar se implodindo, de dentro para fora. Sentia dores fortes e repentinas, como pequenas bombas explodindo dentro de si. Queria gritar, mas não queria que Sherlock visse sua dor, então ficou em silêncio. Tudo com o que se preocupava era seu bebê. Ele tinha que estar bem.

Enquanto o detetive corria para achar um médico que pudesse atendê-la, sentia sangue escorrendo sobre seus braços. Sabia que esse sangue era de Molly. E sabia que ela não havia sido baleada. Seu cérebro mal conseguia funcionar. Seu filho tinha que ficar bem. Ele ia ficar bem.

Quando encontraram um médico disponível, Sherlock colocou-a em uma posição confortável. Molly já não conseguia mais segurar, apertava a mão do detetive enquanto gritava de dor. Nunca havia sentido algo tão horrível. Parecia espremer todos os seus órgãos internos — enquanto expulsava seu útero e seu sangue para fora. Ela sabia o que aquilo significava.

"Meu bebê..." Ela gritava, enquanto apertava a mão do homem ao seu lado. Molly não conseguia ao menos olhá-lo. Sentia-se tão mal com toda aquela situação. Seu corpo estava expulsando seu bebê. Em quantos níveis aquilo podia ser horrível? Depois de vê-lo tão feliz, vê-lo arquitetar o quarto, montar o berço, organizar as roupas e fraldas... Depois de ouví-lo se declarar... Por que aquilo tinha que acontecer?

"Molly..." Ele sussurrou enquanto beijava a testa dela. "Você vai ficar bem." Já não podia prometer pelo bebê. Pelo rosto do médico que atendia Molly, aquele sangramento não podia significar muitas coisas. O sangue era muito. O corpo de Molly estava expulsando o bebê. Ela teria que entrar em cirurgia antes que perdesse mais sangue do que devia.

Sherlock carregou-a até a sala de cirurgia. Quando os médicos diziam que ele devia deixar o trabalho para ser feito por profissionais, fogo aparecia em seus olhos. "Eu sou o marido dela, eu faço isso." Ele gritava enquanto caminhava com ela pelos corredores. Colocou-a sob a mesa cirúrgica e se afastou.

Os médicos pediram por anestesia. Molly gritava de dor. A sensação era a mesma de assisti-la morrer. Ela gritava tanto, sofria tanto, que ele sentia sua dor junto com ela. A anestesia estava demorando, os médicos entrando em desespero, Molly gritando de dor. Sherlock não conseguia mais assistir àquela cena. Se aproximou da porta, encarando todos aqueles profissionais do hospital que andavam para lá e para cá, sem se preocupar com a situação dele e de Molly.

— Eu preciso de uma anestesia geral aqui e agora! — Ele berrou à plenos pulmões. — Eu acabei de perder o meu filho e não vou suportar perder a mulher que eu amo. Eu preciso de um anestesista! Agora!

Se encostou na parede e deixou seu corpo escorregar junto ao chão. Se sentou no cantinho enquanto assistia Molly gritar e logo ser perfurada por várias agulhas ao mesmo tempo. Enquanto uma última lágrima escorria de seus olhos, ela via o desespero nos olhos do Holmes. Ele se sentiu uma criança perdida enquanto via os olhos de Molly lentamente se fecharem. Era a pior sensação que já havia sentido em toda sua vida. Naquela noite, eles perderam o já amado bebê Holmes.

Notas finais
sim, podem me matar :3