Dangerous
1 Wake
Notas iniciais
Liz
Nico Di Ângelo
Acordei Estava em uma cama totalmente aconchegante, se eu fizesse alguma Idea do que fazia naquele lugar provavelmente viraria para o lado e dormiria de novo. Mas não fazia. O quarto era mal iluminado, mas notava-se que era uma manhã ensolarada, pois a luz do sol tentava, sem muito sucesso, atravessar as pesadas cortinas.
O quarto não me era estranho, o pé direito era alto, o chão de madeira escura, uma mesinha ao lado da cama, um armário bem grande que ocupava uma das paredes inteira, Borboletas desenhadas nas paredes. Eu Já havia estado nesse lugar antes, mas quando?
Foi quando me toquei que não me lembrava de quase nada que pudesse ter acontecido antes de eu acordar.
Em um pulo levantei-me e fui direto até a janela, abri as cortinas e o vidro. A visão que eu tive foi a de um enorme gramado, havia uma piscina bem no meio, um campo de futebol, uma quadra de tênis e um pomar. O ar cheirava a uva, senti que isso deveria fazer com que eu me lembrasse de alguma coisa, mas não conseguia me lembrar, o que me frustrou, pois deveria ser algo importante.
O dia estava lindo, em cotraste com o meu desespero, todo o um passado parecia um sonho, um sonho daqueles que quando você acorda se lembra dele inteirinho, alguns minutos depois só algumas partes, e depois de algumas horas já não se lembra de mais nada sobre ele.
Estava com uma camisola um tanto curta (1), mas não havia ninguém na casa. Fechei as cortinas e procurei por algo para calçar, vi um par de botas perto da cama, deduzi serem minhas. Sentei-me na cama para calça-las e, no pé direito, senti algo duro, preso a lateral interna da bota, tirei novamente para ver o que poderia ser e vi uma faca (2), toda dourada, talvez fosse ouro. Pensei em deixar ela em algum canto, mas algo me dizia que eu poderia precisar, e se realmente fui eu que a coloquei lá, deve ter algum motivo.
Saí do quarto e me deparei com um espelho enorme, estava com os cabelos bagunçados, a camisola e bota faziam um par ridículo, e tinha um machucado em minha testa, estava tão pálida que por certo tempo ate pensei que era um fantasma, no canto do espelho, preso a moldura tinha um bilhete colorido que dizia que o café estava na mesa.
Continuei andando, e quando cheguei à cozinha vi uma mesa posta com coisas que eu qualquer um adoraria, mas ouvi um barulho na porta, meu estomago embrulhou. O que poderia ser? O motivo para u ter uma faca na bota? Corajosamente andei em silencio até a porta, quanto mais perto chegava mais alto o barulho ficava, tirei a faca da bota e estava pronta para abrir a porta quando ela se abriu sozinha e um monstro pulou em cima de mim, um monstro peludo, enorme e que babava. Fiquei tão aliviada que deixei a faca cair no chão. Era Nereu (3), o cachorro da minha tia, mas eu não a via a muitos anos... Por que mesmo? Não consegui me lembrar. Saí para o lado de fora acompanhada de Nereu.
A cada lugar que passava minhas lembranças ficavam mais nítidas, eu me lembrava de pequenos trechos soltos:
O cheiro de uvas me lembrava de Dionísio, o deus grego. Deduzi, também pelo cheiro, eu devia estar em Vinhedo uma cidade de São Paulo que fica no Brasil.
Estava na casa da minha tia que não via desde os 8 anos
Estava em perigo
Finalmente cheguei próximo ao portão e enconstei-me em uma árvore. Foi quando vi de longe Nico Di Ângelo aparecer do que parecia ser só um lugar escuro. Meu coração disparou.
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