Danger Line
5 Onde foi que eu me meti?
Notas iniciais
Paul:
Um dia a Lana vai querer me ver morto se eu continuar brincando assim com ela, mas pensando por um lado eu já estou morto...
Peguei minha toalha do chão, que escolheu um momento completamente oportuno para escorregar e entrei no meu quarto... Vou me vestir e ir ver o que ela queria, vai que era algo importante. Coloquei uma camisa fina e calças, nada muito bem elaborado, já que não vou mais sair de casa hoje.
Fui até o quarto de Lana.
— Lana? – Entrei sem bater. Ela estava deitada com um bicho de pelúcia nas mãos e olhava fixamente pra ele.
— Você não pode entrar desse jeito no quarto dos outros. – Ela não me olhava enquanto fala comigo, ela com certeza está envergonhada pelo que aconteceu.
— "Seu quarto" faz parte da minha casa. Entro como eu quiser e quando quiser. – Ela me olhou incrédula. Eu sei que não é assim que funciona, mas provoca-la é divertido de mais, porém eu tenho que parar de provocar essa menina, mas por hora... — E não me olhe assim, vim saber o que você precisava falar comigo. – Fiz minha voz soar entediada, não resistindo a fazer mais provocações.
Ela me avaliou por um momento. Acho que ela nunca havia me visto tão simples assim, então ela me observou de cima a baixo tentando decidir algo em sua cabecinha jovem.
— Bom eu queria saber se vou ir ver Claude de novo? – Ela abaixou a cabeça ao dizer isso.
— Infelizmente vai sim. – Respondi, sem gostar da resposta. — Agora que o seu poder foi desperto você precisa saber domina-lo, porque você pode se tornar perigosa.
— Mas Paul... – Ela fez um olhar sofrido. — Eu não quero machucar ninguém de novo. Sei que quase matei vocês três, eu não me lembro bem, mas eu sinto isso. – Ela estava apavorada e triste e isso mexeu um pouco comigo.
— Eu já estou morto, e eles assumiram os riscos. – Falei sem esboçar emoções, mas eu a entendia.
— Mas não quero te matar OUTRA VEZ! Nem ninguém. Dá pra entender? – Ela fez uma cara de quem estava perdendo a paciência e ao mesmo tempo de choro.
Eu achei extremamente "fofo".
— Olha Lana... O conselho conversou... E Claude disse que aquilo aconteceu porque seus poderes foram liberados de forma abrupta e eles não tinham conhecimento das proporções dele. Claude já está preparando um treinamento adequado pra você. Principalmente por que sabemos que você pode matar com uma incrível facilidade... – seu rosto ficou completamente assustado. — Mas não se preocupe, sempre vou estar lá para você! – Ao falar isso eu esperei ver sua reação.
Ela esboçou um leve sorriso fraco, o que me deixou relativamente feliz, mas não demonstrei, porém ainda assim o medo ainda a dominava. Eu queria poder conforta-la de alguma forma, contudo eu não sabia o que fazer... Passei anos sem me importar com nada nem ninguém, vivendo a maior parte das vezes por instinto e afastando sentimentos... Sinceramente não sei como agir... Melhor eu voltar para o meu quarto.
— Boa noite criança. – Virei e comecei a caminhar para sair do quarto dela.
— Criança? Quantos anos você tem? – Ela me perguntou de supetão, ela nunca antes tinha demonstrado interesse sobre a minha vida.
— Alguns... – Disse me virando para ela novamente e me encostando no beiral na porta.
— Alguns quantos? – Ele me perguntou com curiosidade que estava substituindo o olhar assustado de medo, o que é bom.
— Tenho vinte e cinco anos há mais ou menos uns... Quinhentos ou seiscentos anos. – respondi tentando lembrar ao certo. — Em um certo momento eu parei de contar eu andei um pouco de um lado pro outro sem perceber.
— Nossa... – ela me olhava com surpresa — Você deve ter visto muitas coisas.
— De fato já vi, mas estou com cara de só trezentos, não é? Ainda estou em forma. – Dei uma piscadela rápida e ela riu ficando com as bochechas levemente coradas.
— Seu bobo... Você aparenta ter 25 afinal é imutável! – Ela desviou o olhar
— É verdade. Ou seja, pra mim você é uma criança! – Disse com um sorriso irônico
— E pra mim você é um pedófilo. – Ela disse me devolvendo o sorriso irônico.
— O que significa isso? – Olhei para ela com a cara mais sínica da face da terra.
— Pessoas doentes que gostam de crianças menores de dezoito e cometem crimes abusando delas. – Ela me explicou.
— Você tem mais de dezoito anos, pelo que o sr. Flanders me disse você tem quase 19. E vai me dizer agora, que você foi me espionar, enquanto eu me trocava, é uma criança inocente? – Provoquei-a só porque sou relativamente muito chato.
— Não fui te espionar! – O rosto dela virou um pimentão, provavelmente com a lembrança de ter me visto nu.
— Não? Então porque quando você percebeu que eu te vi, você saiu correndo? – questionei levantando uma sobrancelha.
— Não fiz isso! – A negação dela é bem persistente. Devo admitir.
Ela começou a ruborizar ainda mais, então achei a brecha que precisava... Vou me divertir um pouco, aproveitando pra fazer ela esquecer os medos que sente, porque quando ela entra em discussões comigo ela realmente se concentra, ou pra negar o que digo inventando desculpas ou procurando formas de me ofender e me evitar.
— Você está mentindo! – Recostei no umbral da porta.
— Não estou! – Ela desviava o olhar.
— E esse rubor no seu rosto? E por que você está ficando tensa? Isso são características de quem está tentando mentir... – Ou de quem está com vergonha ou nervoso, mas eu não preciso lembra-la. — Não minta pra mim! Você quer meu corpo, admita! – ela pareceu ficar em choque com o que eu disse.
— Não! Eu... – Mas ela percebeu que me respondeu rápido demais o que me fez sorrir. —... Eu vou sai daqui!
Ela se levantou tentando passar por mim, mas antes que ela chegasse à porta virei para a mesma e a tranquei retirando a chave da fechadura e me encostando nela.
— Paul me deixe sair! – Ela exigiu autoritária.
— Pegue a chave! – Coloquei a chave por dentro da lateral da minha calça.
Ela fez cara de incredulidade, vergonha e raiva ao mesmo tempo.
Eu ri. Sou um filho da mãe, eu não resisto esse tipo de coisa, se bem que com ela eu sou bem controlado, com as outras eu simplesmente fazia o que queria, mas também não é como se a maioria não quisesse o mesmo que eu, porém tem algo em Lana que me faz restringir os meus instintos... Carnais, por assim dizer. Deve ser porque ela é jovem e inocente, mesmo que eu insinuasse o contrario eu sei que ela é ingênua.
— Isso não tem graça. – Ela não sabia o que fazer. Chegava a ser bonitinho.
— Tem sim... – eu realmente estava achando as reações dele adoráveis, deve ser isso que me faz recuar. Ela é totalmente adorável.
— Me dê a chave Paul. – ela deu um passo na minha direção.
— Pega. – Eu gesticulei em frente ao lugar que estava a chave. E ela me olhou com raiva.
Eu tirei minha camisa.
A expressão dela vacilou.
Em segundos eu estava em cima dela.
— Vamos brincar um pouco? – Sorri safado, para provocar mais reações de timidez nela.
— Não! – Ela fechou os olhos.
Continuei sorrindo.
— Nós vamos sim!
Joguei Lana na cama e pulei em cima dela nitidamente brincando com a paciência dela. Obviamente que eu não iria fazer nada – esse é um pensamento bem incomum da minha parte – a brincadeira hoje é apenas pra provocar, só vai acontecer alguma coisa se ela quiser, mas por hora estava muito divertido irrita-la e observar as reações exageradas que ela tem.
Eu não presto, eu sei!
Mas não vou pensar nisso agora.
— Lana por que você está vermelha? – Perguntei com falsa inocência na voz.
— Será que é porque tem um homem seminu em cima de mim? – Ela ainda não tinha aberto os olhos
— Estou incomodando tanto assim chérie? – usei minha melhor voz de desentendido.
— Está! – As mãos dela espalmaram contra meu peito na vã tentativa de me empurrar, mas eu sou muito pesado para ela e estava me forçando contra o seu corpo pequeno.
— Quer que eu saia? – Perguntei desinteressado, forçando meu quadril contra ela.
— Quero! – Ela forçou um pouco mais, porém ela vacilou como se tivesse se lembrado de alguma coisa.
— Mentirosa! – eu não consegui conter meu sorriso.
¨¨¨¨¨
Lana:
Ele sempre sabe quando eu estou mentindo.
Um lado meu não quer que ele saísse, mas o outro sabe que ele tem que sair.
Estou em conflito interno.
E ele está se divertindo porque meu conflito interno está estampado na minha cara, e no meu comportamento de quem quer afastar puxando-o pra mais perto. Pra quem eu estou mentindo? Eu quero que ele fique, que me aperte e tudo mais que eu tenho direito.
— Lana... – Ele me chamou com aquele tom irritante de divertimento.
— Sai de cima... – Reclamei inutilmente e relutantemente, meu tom de voz já tinha mudado para desistência.
— Olha nos meus olhos e repita que quer que eu saia de cima. – Ele deu um beijo no meu pescoço.
Me forcei a abrir os olhos e olhar nos olhos dele
- EU-QUERO-QUE-VOCÊ – ele não desviava o olhar e eu simplesmente estava morrendo de vergonha- SAIA DE CI...
Ótimo, não consegui terminar a frase, porque ele deu aquele lindo sorriso sedutor, ele tinha dentes perfeitos, e mesmo que ele estivesse sem as suas características vampirescas as presas deles eram longas por natureza, ele era muito lindo e ele estava sorrindo daquela forma encantadora só porque ele sabe que a minha vontade é que ele fique, que meu coração está completamente acelerado porque ele é completamente perfeito. E agora ele está rindo em cima de mim, o que me faz sentir o abdômen dele contraindo e relaxando, que está fazendo meu corpo esquentar.
Preciso sair daqui.
Mas eu não quero.
Mas eu preciso e o mais rápido possível, porque já não estou raciocinando direito, meu corpo está tomando conta das coisas por aqui e isso não é um bom sinal, eu acabo fazendo muitas coisas por puro impulso.
— Para de rir de mim e sai daqui! – Eu estava completamente desesperada e tentei me debater, o que foi em vão porque ele é muito mais forte que eu e estava me pressionando contra cama.
— Me derruba daqui que eu saio! – Ele disse bem humorado. – Fiz uma careta feia porque ele só faz isso porque sabe que não vou conseguir derruba-lo
— Prometo não usar a força vampiresca. – Ele disse brincalhão.
— Mentiroso. – Ele me olhou irônico, mas perdendo um pouco o ar de diversão que ele estava mantendo o tempo todo.
— Ao contrário de você eu não minto. – Eu podia sentir a sua respiração bater no meu rosto e pude ver pequenos pontinhos azuis em seus olhos cinza.
— Seus olhos tem pontinhos azuis – observei tentando focar em outro assunto.
Ele sorriu pra mim e aproximou o rosto do meu como se fosse para que eu pudesse enxergar melhor os seus olhos, e roçou levemente os lábios entre aberto nos meus. Eu senti sua respiração quente nos meus lábios e alguns fios do seu cabelo encostavam no meu rosto, eu estava absorvendo cada centímetro do rosto dele com meu olhar. Fitei-o por alguns instantes até perceber que eu estava muito envolvida no momento e então comecei a me debater em baixo dele, e não estava tendo muito progresso, porque mesmo ele não usando sua força vampiresca ele é um homem grande e forte, ele devia ter seus 1,89 ou 1,93 então eu com meus humildes 1,60 não poderia fazer muita coisa contra todo aquele tamanho e massa muscular.
Ele ria dos meus esforços e então rolou na cama comigo me deixando por cima.
— Você não sabe mesmo quando desistir não é Lana? – Ele sorria torto pra mim e levou uma das mãos até minha bochecha e a acariciou.
— Não, eu não sei monsieur. – Ele me segurava firmemente pela cintura para que eu não tivesse como escapar.
— Só não se mexe muito porque assim em mim você vai fazer a chave aparecer sem muito esforço. – O sorriso dele era encantador e eu estava começando a gostar da situação.
— Seu pervertido! – Tentei me afastar empurrando mais por charme, mas não consegui porque com a mão que estava em minha bochecha ele segurou meus pulsos.
Comecei a me debater, mas parei no instante em que senti algo se mexendo em baixo de mim.
Abaixei minha cabeça.
Senti meu rosto enrubescer.
— Ah você vai parar na melhor parte mon ange? – ele ria com a voz rouca tentando manter a voz baixa enquanto ria da minha reação.
— Seu idiota me deixa ir embora! – comecei a me mexer, mas parei na hora que algo entre as minhas pernas pulsou e me lembrou da minha posição.
Okay realmente eu preciso sair dessa situação.
—Não! – ele sorria esperando que eu fizesse algo.
Impaciente ele inverteu nossas posições novamente e sentou cima de mim, prendendo as minhas mãos acima da minha cabeça enquanto imobilizava minhas pernas com as dele. Ele se inclinou e beijou meu pescoço, e foi fazendo trilha até a minha boca e me deu um beijo profundo, forte, pra ser mais exata... Selvagem. Ele segurava as minhas mãos usando apenas uma e com a outra ele percorreu a lateral do meu corpo até a minha cintura e a apertou e começou a me puxar fazendo com que eu me sentasse em seu colo.
Eu cedi.
Acabei entrelaçando as pernas envolta da cintura dele, eu não queria que ele parasse agora, podia sentir todo o sangue do meu corpo pulsando, nós nos apertávamos tanto que parecia que ia me fundir a ele, minhas mãos foram para seu pescoço puxando ele para mais perto, se é que tinha como isso acontecer. Eu sentia a musculatura do corpo dele no meu e isso estava me fazendo perder a cabeça, mas nesse momento eu nem ligava, meu corpo começou a se mover contra o dele por conta própria me fazendo sentir coisas que eu nunca havia sentido antes.
Eu iria me integrar!
Então ele me soltou e gentilmente me afastou.
Tão abruptamente que eu nem acreditei.
— Preciso ir embora! – Anunciou ele categoricamente.
— Hã? – eu perguntei me sentindo confusa e querendo o corpo dele perto do meu novamente.
—Você não me queria aqui chérie... Vou embora. – Ele sorriu pra mim, mas vi que seus olhos estavam com um brilho avermelhado e um pouco relutantes.
Ele pegou a chave e abriu aporta.
— Paul... – Eu chamei seu nome e ele se virou para me encarar
— Até outro dia mon amour. Você me expulsou agora eu estou indo. – ele disse isso em um tom provocador, mas eu pude ver um brilho selvagem em seus olhos, mas mesmo assim ele saiu do quarto me deixando daquele jeito.
¨¨¨¨
Paul:
De onde eu tirei forças para ir embora eu não sei, mas foi muito engraçado e fofo ver a cara de frustração dela, porém agora eu vou ter que me resolver com as minhas próprias frustrações, vou ter que lidar com as consequências dos meu atos, sozinho e creio que vou ter que trabalhar por um bom tempo nisso, porque o que estou sentindo não é comum. Eu nunca fiquei nesse estado por ninguém.
O que essa garotinha está fazendo comigo?
Mas se ela me quiser mesmo, ela terá que confessar.
Em voz alta!
Não ia a deixar usar meu corpo e depois ficar falando "não devia ter feito isso" ou "você me forçou Paul"... Não dessa vez. Está decidido! Se ela me quiser vai ter que pedir e me dar consentimento, mas eu não vou parar de provocar, ela tem que encarar as decisões dela também e eu quero que ela vivencie isso por inteiro. Sem arrependimento, sem jogo de culpa, sem força-la. Hoje ela já deixou claro que também me deseja, então tem que ser bom para nós dois, porque mesmo que eu brinque e a provoque fingindo que eu não me importo, eu me importo sim. A garota mexe comigo mais do que eu gosto de assumir, ela acende meu corpo com uma facilidade absurda.
Amanhã ela tem outra sessão de treinamento, e vamos ter um tempo a sós, eu vou tirar vantagem, se nada extraordinário acontecer, mas agora ela sabe que não pode brincar se não aguenta as consequências, então ou ela deixa claro que não me quer ou ela assume que me quer tanto quanto eu a quero.
[...]
Estamos na casa do Claude para mais uma "aula" da Lana... Ela está absolutamente assustada...
Ela tem medo que possa se descontrolar novamente e machucar os presentes que novamente somos Claude e o Calardan e eu, Calardan sempre está presente, pois o povo belo sempre esteve presente nas magias juntamente com bruxas e magos. Tanto bruxas, quanto magos tem vínculos com seres mágicos, por exemplo a família de Claude em alguma geração antes dele se mesclou com alguma família élfica então sangue magico corre nas veias deles desde então e assim desenvolveram os homens nascem aptidão mágica, já as bruxas algumas mulheres já nascem com inclinações ao místico, a magia e se elas tiverem esse link de sangue com algum povo magico ela fica ainda mais forte. Bruxas são naturalmente mais poderosas que magos. Da mesma forma deve ter acontecido com a família de Lana, mas ainda assim as suas origens eram um mistério para nós.
Os povos mágicos que temos conhecimento são elfos, fadas, ninfas, gnomos, anões, dragões e alguns demônios menores como súcubos e íncubos esses possuem magica real, e alguns deles tem a tendência a se envolver com humanos, demônios maiores até poderiam fazer isso, mas geralmente eles só querem comer as almas humanas então dificilmente alguém que tem relação com eles sobrevive. Agora vampiros, lobisomens, metamôrfos, furries e coisas do tipo são maldições passáveis, que significa que podemos infectar humanos ou apenas nos reproduzir.
Então as origens magicas de Lana são um completo mistério para nós, os motivos pra que ela seja tão poderosa ainda nos intriga. Olhei em sua direção e vi que ela está executando pequenos feitiços, luzes de um azul arroxeado pálido bem bonito estão rodeando as suas mãos e ela está até animada, mas com medo nítido. Sua pulsação acelera toda vez que vai fazer algo novo e sua respiração fica ofegante, mas ela continua a se concentrar e se esforçar pra fazer as coisas.
Mas até que está indo bem, tirando toda essa tensão...
¨¨¨¨
Lana:
Paul está me observando sentado num sofá de couro um pouco mais a frente, sua expressão é indecifrável, mas percebe-se que ele está perdido em pensamentos, nem da pra saber se ele realmente está prestando atenção em mim de fato. Enquanto isso Claude me ensina a materializar coisas, estou tentando fazer uma cópia de Calardan já que estou sem criatividade.
— Tem certeza que não quer fazer uma coisa menor? – Calardan me perguntou, olhando o meu progresso duvidoso.
— Não sei... Eu consigo te visualizar melhor pra tentar criar um clone seu... Não consigo pensar em outra coisa agora – Respondi meio envergonhada.
— Não precisa se envergonhar... – Ele me respondeu sorrindo singelo.
Claude em frente a um livro me advertiu:
— Se concentra Lana ou não vai conseguir fazer uma cópia do Calardan. Ele examinava a tênue luz azul arroxeada que saia das minhas mãos que criava um modelo de Calardan aos poucos, como se fosse uma impressora 3d.
— Desculpe.
— Não precisa se desculpar apenas concentre-se. – Ele sorriu simpático e eu devolvi o sorriso.
Calardan sentou-se em uma cadeira na minha frente para que eu pudesse vê-lo melhor, que modelo incrível que eu tinha, muito melhor que alguns das aulas de arte da escola. Ele fixou os olhos em mim e não moveu um músculo, era incrível como ele ficava imóvel, prestei atenção nas feições dele para tentar reproduzi-las. Acho que não vou conseguir... Ele é bonito demais pra eu recriar, eu vou ter o mesmo bloqueio das aulas de arte.
Vi Calardan levantar uma sobrancelha.
Fiquei alarmada. Será que ele pode me ouvir?
"Sim eu posso!"
Olhei pra ele chocada e acabei tossindo, o que lhe provou um sorriso.
"Se concentre em fazer um clone meu Lana, e não fique com essa cara se não alguém vai perceber."
Desfiz a minha cara de espanto rapidamente e olhei em volta pra ver se não entreguei o que estava acontecendo.
"Como isso é possível Calardan-elda?" Lembrei ao menos de ser respeitosa com ele.
"Você está muito concentrada em mim, acabou fazendo uma conexão mental comigo." Ele me observava com interesse.
"Entendi... eu acho" eu vou ter que me policiar pra não sair fazendo isso com todo mundo.
"Vamos. Eu te ajudo... Vou explicando como você vai me recriar, assim posso te instruir sem que Claude ache que eu estou querendo roubar a pupila dele." ele sorriu simpático, ele poderia ter expressões já que estava de costas para Paul e Claude.
"Obrigada Calardan-elda"
Ele foi me ensinando passo a passo como criar uma cópia dele. Em fim nosso trabalho valeu a pena e além de materialização aprendi a estabelecer conexões mentais com mais facilidade e controlar pra não sair estabelecendo esse contato mental com todo mundo.
— Ficou muito bom, Lana está igualzinho ao Calardan – Claude disse animado.
— Obrigada Claude. – falei sorrindo e orgulhosa do meu trabalho.
"Obrigada mais uma vez Calardan-elda"
"Não foi nada" ele fez uma mesura discreta.
— Veja Paul Lana consegui! – Claude anunciou animado, Paul continuou com seu olhar entediado e nada respondeu ele parecia cansado e irritado.
— O que ele tem Lana? – Perguntou Claude.
— Não sei. – falei entendendo tanto quanto o Claude.
Do nada Paul se levantou e começou a caminhar em direção a porta — Tenho que ir... – Paul informou — Levem-na para casa quando terminarem.
Fiquei pasma com a indiferença dele.
— Já acabamos Paul. – Foi a voz de Calardan que anunciou.
— Ok... Vamos Lana. – Ele continuou caminhando de pressa sem me esperar, inconformada dei um aceno para Calardan e Claude e fui atrás de Paul que já estava bem distante.
Corri até ele, mas ele era rápido demais.
— Paul o que está havendo? – chamei na esperança de que ele desacelerasse o passo.
—Nada só estou entediado. – Ele estava retendo informações.
— Mas hoje eu tive um progresso... – continuei tentando alcança-lo — Não achei que teríamos que voltar tão rápido.
— Nada muito significativo pro seu real objetivo. – ele soltou.
— O que você disse? – eu fiquei inconformada, porque hoje consegui controlar tudo direitinho e não feri ninguém
— Você me ouviu bem! – ele virou e me encarou — Você precisa evoluir mais rápido.
— Então não volte do nada no meio do meu treinamento – rebati.
— Você não precisava voltar comigo. Um dos dois poderia te levar pra casa. – Ele me olhava com a sobrancelha erguida.
Eu fiquei magoada, irritada e com uma pontada de dor de cabeça.
— Porque você está me tratando assim? – eu dei um passo a frente. — Eu não te fiz nada.
— Isso importa agora? – ele colocou os dedos nas têmporas fazendo massagem como se estivesse sentindo dor fechando os olhos.
Olhei incrédula para ele... Fitava-o como se ele fosse uma aberração, como em um momento ele consegue ser agradável e no momento seguinte ser um enorme pau no cu?
— Pare de se concentrar em mim. – ele falou abrindo os olhos com dor aparente.
Achei estranho esse pedido que só me deixou mais irritada do que já estava. Como ele conseguia ser tão estúpido? Assim do nada?
Ele fez uma careta de dor e levou à mão a cabeça.
— Lana para com isso agora! – seu tom ficou sério.
Quanto mais ele pedia mais nervosa eu ficava, quem ele pensa que é para fazer isso comigo? Ele caiu de joelhos na minha frente me encarrando de forma sofrida e tentando se levantar.
O que esse idiota estava fazendo? Parecia sentir muita dor...
¨¨¨¨¨¨
Paul:
Ela não sabia, mas estava me causando dores de cabeça. Pelo jeito quando ela fica nervosa ela usa os poderes sem perceber o que estava fazendo e sem necessariamente usar um feitiço pra isso, era simplesmente puro desejo e emoção, coisas que só pessoas extremamente poderosas conseguiam fazer. Dobrar a magia a suas vontades e emoções não é algo simples e é muito perigoso.
Ela queria de forma inconsciente destruir as barreiras das minhas lembranças e saber o motivo de estar sendo grosso com ela, mal sabia ela que era pura provocação e um pouco de ciúmes, mas eu também não sabia que ele usaria seus poderes recém adquiridos contra mim. Manter ela longe da minha mente era muito cansativa e uma experiência bem dolorosa.
— Lana PARA COM ISSO! – eu não conseguia pedir com educação ou de qualquer outra forma porque a dor que ela estava me causando era tão e nauseante e q mal consigo pensar. Uma nova onda de dor veio e eu percebi que a mente dela estava sendo possuída por raiva.
Isso não é bom.
Por instinto fiquei nervoso também, e também era se como a raiva dela se alguma forma estivesse passando pra mim. Nesse momento queria quebrar o pescoço dela com as minhas mãos, provavelmente é o que ela gostaria de fazer comigo.
Os olhos dela estavam quase virando duas orbitas negra quando eu dei um impulso jogando-a contra o chão, eu precisava para-la de algum jeito pelo bem dela, se eu ficar ferido ela vai se sentir culpada depois, mais do que ela já se sente pelo que aconteceu no dia que despertamos o poder dela.
Ela estava no início da possessão, não estava forte o bastante para me machucar seriamente, mas eu ao contrário dela... Já estava em cima dela com a mão envolta de seu pescoço sufocando-a
Seus olhos brilharam, mas não resistiu a falta de ar.
Desmaiou.
Eu quase estraguei tudo. Eu tenho que me policiar.
Sai de cima dela e a peguei no colo. Então nosso "caso" vai se tornar agressivo? Por mim está tudo bem, violência é extremamente excitante pra mim, todos já conhecem meu terrível histórico, e a confirmação disso está no volume que me incomoda entre as pernas. Quando acordar ela vai ter que resolver isso...
Eu ri com esse pensamento. Quem dera fosse fácil assim...
Vou aproveitar e me divertir um pouco. Como sempre.
Chegando em casa levei ela para o meu quarto e a deitei na minha cama, pedi para Josette que lhe vestisse com uma camisola dela, a mais transparente que tivesse. Ela não concordou muito, mas não podia fazer nada. Fez o que lhe pedi resmungando, falando que eu deveria respeitar mais os sentimentos da Lana e os meus próprios, dizendo que eu deveria ser mais normal, ocasionalmente me dando tapas enquanto me repreendia. Aproveitei que ela ficou mais ocupada e fui ao meu laboratório e peguei algumas correntes e voltei ao meu quarto.
Acorrentei os braços de Lana a cabeceira da cama com uma longa corrente e as pernas coloquei apenas grilhões.
Jossete tem bom gosto para camisolas.
Lana estava com uma branca e transparente.
Linda!
Apaguei as luzes do quarto e iluminei-o com tochas de luzes avermelhadas, alquimia serve para esse tipo de coisas também. Fui tomar um banho e quando voltei, ela ainda estava apagada, coloquei apenas uma calça e sentei na poltrona em frente à cama, peguei ema taça de vinho e fiquei degustando-o e esperando ela acordar.
Eu estou correndo risco que ela use os poderes de novo, mas eu suspeito que em situações constrangedoras e não de raiva são mais seguras.
Vi Lana abrir os olhos lentamente estranhando o Lugar em que ela estava.
— Vejam só quem está abrindo os olhos para mim. – Dei um sorriso de lado.
— Onde eu estou? Em um motel? – Ela disse irônica olhando em volta.
Eu ri dessa comparação. Não sei de onde ela tirou isso.
— Quem escuta até pensa que você já esteve em um... – retribui a ironia —Não, você está no meu quarto... Que está com uma iluminação de um bordel, mas enfim isso não vem ao caso... – Disse meio que rindo, meu humor está muito oscilante hoje.
— O que você vai fazer comigo Paul? – Ela me encarou completamente assustada se dando conta das roupas que estava usando e de que estava acorrentada na minha cama.
— O que você quer que eu faça com você? – Perguntei descarado.
— Paul para de brincadeira... – Ela me olhava séria
— Quem é que está brincando aqui? – Respondi igualmente sério.
— Paul! – ela se mexeu, possibilitando que eu visse boa parte de seu corpo e eu realmente gostei do que vi.
— Não me venha com essa chérie... Você causa essas situações e quer sair impune? – Perguntei ainda num tom sério.
— IMPUNE? SITUAÇÕES? DO QUE VOCÊ TA FALANDO? – Ela gritou nervosa em seguida fechando os olhos para tentar se acalmar — Paul eu não fiz nada pra provocar essa situação.
— Você acha que não, mas fez. – Encarei-a lembrando de hoje à tarde.
— O que eu fiz? – ele perguntou confusa.
— Ficou toda cheia de graça com Calardan, depois que fomos embora você me atacou e merece ser punida por isso.
— O que? Eu NÃO fiquei de graça com ninguém... Desde quando você se importa e tem ciúmes? Porque está parecendo ciúmes. – Ela me encarava com um mix de espanto e humor com a minha declaração — E eu não te ataquei...
— Lana eu me importar ou não... Não vem ao caso... – Desviei o assinto. — E me diga: Qual a última coisa que você se lembra? – olhei pra ela fixamente e ela ficou corada.
— Você me falando pra parar de fazer alguma coisa – ela ficou com ar pensativo — Mas eu não estava fazendo nada e aquilo me enervou.
— Então, ma chérie você de fato perdeu o controle dos seus poderes para a raiva e me atacou, por isso eu estava pedindo pra você não se concentrar em mim, estava doendo bastante seu ataque, eu mal consegui te falar para parar. – eu me levantei e caminhei até a cama e me posicionei deitado em cima dela acariciando a pele da sua coxa. Eu gosto desta posição, gosto de sentir o coração vivo dela acelerar. — Você tentou invadir minha mente de forma inconsciente me causando dores então eu tive q te atacar e sufocar até que você ficasse inconsciente antes que ficasse perigosa. – baixei meu rosto para perto do dela — Você precisa controlar mais a sua raiva mon amour.
Ela estava paralisada tanto pelo que eu dizia quanto pelo que eu fazia, seu rosto estava vermelho de vergonha, mas eu podia ver o fogo em seus olhos, mas lá no fundo vi a tristeza de perceber que acabou me machucando novamente e eu detesto ver esse olhar sofrido nesse rostinho tão adorável, eu não resisti e encostei meus lábios nos dela o que a fez chamar o meu nome gritinho nervoso. Enquanto eu acariciava as marcas que tinha feito em seu pescoço... Nesse jogo de culpa nós estávamos bem equiparados. Eu direcionei meus lábios para o pescoço dela deixando uma trilha de beijos por onde eles passavam, e ela sufocou um gemido inconformado.
Gostei disso, foi um "não quero, mas querendo sim"
— Pas...pas... Ne criez pas. Je suis près de chez vous petite. Ne criez pas.¹* — Disse em francês para confundi-la.
— O quê? – Ela me olhou com uma careta muito cômica ao meu ver.
Coloquei um dedo nos lábios macios dela.
— Shhhiii. – Fiz sinal pra ela se calar com a minha mão livre.
Eu me sentei na cama ao lado dela e a puxei contra meu corpo, deitei a cabeça dela sobre meu peito e fiz carinho nos cabelos dela. Ela estava tensa, muito tensa.
— Paul por que você está fazendo isso? — ela disse apreensiva.
— Calmez... Je ne vais pas faire chose avec vous²* — Respondi ainda em francês pra deixa-la nervosa.
— Você sabe que eu não entendo muito bem francês. Você está fazendo isso pra me deixar nervosa.
— Vous en savez assez. Vous avez seulement à se concentrer.³* — Tentei fazer ela se concentrar e se acalmar.
Ela se acomodou um pouco no meu colo mais ainda estava nervosa... Não sei o que deu em mim, mas eu comecei a cantar pra ela...
"On me dit que nos vies ne valent pas grand-chose,
Elles passent en un instant comme fanent les roses,
On me dit que le temps qui glisse est un salaud,
Que de nos chagrins il s'en fait des manteaux.
Pourtant quelqu'un m'a dit que tu m'aimais encore,
C'est quelqu'un qui m'a dit que tu m'aimais encore,
Serais ce possible alors ?
On me dit que le destin se moque bien de nous,
Qu'il ne nous donne rien, et qu'il nous promet tout,
Paraît que le bonheur est à portée de main,
Alors on tend la main et on se retrouve fou.
Pourtant quelqu'un m'a dit...
Mais qui est-ce qui m'a dit que toujours tu m'aimais?
Je ne me souviens plus, c'était tard dans la nuit,
J'entends encore la voix, mais je ne vois plus les
traits, "Il vous aime, c'est secret, ne lui dites pas
que je vous l'ai dit."
Tu vois, quelqu'un m'a dit que tu m'aimais encore,
Me l'a t'on vraiment dit que tu m'aimais encore,
Serait-ce possible alors ?
On me dit que nos vies ne valent pas grand-chose,
Elles passent en un instant comme fanent les roses,
On me dit que le temps qui glisse est un salaud,
Et que de nos tristesses il s'en fait des manteaux."**
Quando terminei de cantar ela virou-se para mim com dificuldade, pois ela ainda estava amarrada e ficou me encarando. Então eu a soltei das correntes de suas mãos deixando elas livres para que Lana se sentisse confortável. Ela esfregou os pulsos enquanto me olhava. Um milagre ela não ter pelo menos, me amaldiçoado.
— Essa música é muito bonita Paul. – Ela me encarava surpresa e admirada.
— Sim ela é... — Respondi sustentando o olhar dela.
— Sua voz é bonita também... Não sabia que você cantava.
— Não sou um monstro a todo tempo... Só quando você me deixa nervoso. – Respondi categoricamente — Não com você para deixar claro.
Ela me olhou feio e fez bico...
— Não faz bico... – Disse olhando pra boca dela.
— E você não faça essa cara... – Ela falou meio tensa.
— Oi? – Me fiz de desentendido.
— Essa cara de safado... Continua com a cara de quando você estava cantando... Estava mais bonito que o normal... – Ela ficou corada ao falar isso... Eu tive vontade de rir, mas nada fiz.
— E eu estava com que cara? – Perguntei interessado, não percebi que ela tinha me observado enquanto cantava.
— Você estava com uma expressão suave, feliz... Despreocupado. Bem mais bonito. – Ela desviou os olhos enquanto falava.
— Merci... – Dei um leve sorriso para ela.
Nós nos encaramos por um tempo e ela se aproximou de mim devagar... Não me movi. Esperei-a. E ela veio. Meio sem jeito ela se aproximou de mim e tocou os lábios nos meus. Ficamos assim alguns segundos, mas... Eu não sou de ferro.
Acabei sorrindo com esse pensamento...
Mas antes de qualquer reação da parte dela eu puxei-a pela cintura fazendo seu corpo ficar sobre o meu e aprofundei o beijo.
Bom não isso não está saindo como eu planejei, mas, pra mim está bom.
¨¨¨
Lana:
Não sei o que deu em mim...
Ficar em contato visual com ele foi demais pra suportar, parece que os olhos dele me puxavam como imã... Eu estou morrendo de vergonha de ter tomado a iniciativa desse beijo mais sei lá... Por que não?
No momento em que ele me puxou pela cintura pareceu que meu corpo todo ficou mole, e não pude oferecer resistência. Agora estamos aqui, abraçados aos beijos como namorados... Que para minha família realmente somos, mas isso não vem ao caso agora.
Ele me envolvia com seus braços em um abraço forte. Mas cheio de carinho que me fez sentir segura, minha vontade era de nunca mais escapar do aperto dele porque naquele momento estava me sentindo protegida pela primeira vez desde que chegamos a esse lugar. Sentir seu afago no meu cabelo foi a coisa mais reconfortante que senti até hoje...
Minha vontade era que esse momento durasse para sempre.
Paul:
Ficamos com as caricias por um tempo, não sei o que está acontecendo comigo, ela era diferente. Eu vou retirar os grilhões dos seus pés, meu senso de responsabilidade está me matando... Não vou usar métodos grosseiros com ela eu queria que ela se sentisse segura ao meu lado, que ela soubesse que pode ficar tranquila enquanto eu estiver por perto porque eu vou cuidar dela. Eu sou um monstro, mas um monstro educado na maior parte do tempo.
— Chérie? – Chamei a atenção dela.
— Hum... – Ela me respondeu num tom preguiçoso.
— Vou te soltar... – Comuniquei a ela.
Ela me encarou como se não acreditasse no que eu estava falando, mas não tiro sua razão admito que não sou uma "pessoa" estável ou confiável, mas tem que ser assim.
— Por que isso Paul? – Ela me questionou.
— Meu resto de responsabilidade está me incomodando petit amour.
Com um movimento rápido da mão soltei os grilhões de Lana e a coloquei sentada a minha frente.
— Não sabia que você tinha essas coisas – ela esfregava os tornozelos, mas não tentou se afastar de mim.
—Sim eu tenho... E as vezes eu uso... – Me levantei colocando minha camisa e voltei a deitar ao lado dela puxando-a para um abraço que ela não rejeitou — Lana posso te fazer uma pergunta?
— Pode sim Paul...
— Por um a caso o Claude te contou para que ele está te treinando? Ou ele deixou essa tarefa para mim?
— Ele não me disse exatamente Paul... Mas você também não nos dá oportunidade para poder conversar.
— Okay, vou te contar... Não vou entrar em detalhes, mas vou te contar... Já te contaram a profecia? – Perguntei a ela.
— Por cima... – Ela me disse meio insegura.
— Preste atenção... – Me acomodei melhor na cama e fiz ela se encostar em mim e a cobri com o edredom que estava ao nosso lado na cama para que ela ficasse confortável. — No começo eu e o Claude atraímos você e a sua família para uma brecha no tempo com uma mistura de magia e alquimia... Por que existe uma profecia que dizia que você teria o poder de trazer de volta a vida um mal... Para ser mais exato um demônio, o nome dele é Fenriz... – Ela se mexeu como se estivesse incomodada com algo — Quer que eu pare?
— Não... Continua... – ela se aconchegou em mim.
— Okay... – Me arrumei novamente e voltei a narrativa... — Nós não imaginávamos quem passaria pelo portal que abrimos, poderia ser uma pessoa idosa ou uma criança com a idade do seu irmão mais novo, porém o que nós apareceu foi uma família inteira, pela qual eu tomei a responsabilidade de proteger e descobrir quem era a pessoa especial e não foi muito difícil descobrir quem era, já que todos os métodos de manipulação que tentei com você não funcionaram, então descobri quem seria a chave para a libertação de Fenriz – respirei cansado enquanto ela me avaliava. Refletindo sobre o que eu estava falando. — Não pense que estamos ajudando aquele demônio por vontade própria... Ele conseguiu um jeito de aprisionar almas de entes queridos nossos... – Ela me olhou com uma cara meio cética — Lana chérie vamos lá até esses dias você não sabia que era uma bruxa e se está pensando em Josette já te explico...
— Tudo bem Paul, prossiga – ela respirou para se manter concentrada e paciente no que eu dizia a ela.
— Bom, voltando... Ele começou quando sequestrou a alma da filha do Fred, ele foi o primeiro com quem Fenriz fez contato, ele ordenou que Fred espalhasse a notícia que ele voltaria e se vingaria dos descendentes daqueles que formaram a primeira Ordem... A formação original era: O Senhor dos Elfos, O Lider Alpha, O Imperador Dos Bravos, O Mestre Da Ordem Mágica e por fim O Governante Dos Homens. Ou seja... Aqueles que são a nova Ordem que estão tentando reverter o processo de banimento são filhos ou descendentes daqueles que a formaram...
— Existem outras "classes magicas, porque só essas cinco fazem parte da ordem? – ela me perguntou curiosa.
— Cada país tem uma cede da ordem que é composta pelos mais poderosos e numerosos da região. – Respondi simplificando e ela concordou com um aceno de cabeça. — Calardan é novo senhor dos elfos e filho de Hellaio teve a alma de sua rainha Aya tomada. Fred novo líder alpha bisneto de Henri II teve a alma de sua filha Jane, a mais nova levada. Kylum ainda é o imperador dos bravos teve sua xamã e irmã gêmea Keyla foi levada. Claude mestre da ordem magia sobrinho de Orion ficou sem a mãe Madaleine. Já deu pra entender né? – Ela me encarou me forçando a falar sobre a minha parte. — Tudo bem eu falo... E eu que sou bisneto do Conde Brown I, nem sempre fui um vampiro sabe... Tive que suportar ver a alma de Josette levada e ser abusada por aquele demônio até que eu propus o acordo de trazer a descendente de Annabel à bruxa que morreu para prendê-lo em troca ele devolvesse as almas roubadas, mas ele disse que só devolveria a metade de uma até o processo ser concluído e como Josette me ajuda nas pesquisas e não tinha nenhum poder mágico para sobreviver porque ela não mantinha os hábitos de uma vampira, então ela não tinha forças o suficiente para sobreviver por muito tempo, então foi escolhida para voltar. E desde então nós te procuramos! Perguntas?
— Não sei se tenho ainda... É muita informação para absorver... – Ela me disse pensativa.
— Se eu fosse você dormiria um pouco... Quer que eu te leve para seu quarto chérie?
— Eu quero... Preciso pensar um pouco em tudo que você acabou de falar... – Ela me olhou com firmeza enquanto eu a levava para o quarto, ao chegar lá e a coloquei-a delicadamente sobre a cama. — Paul... O que esse tal de Fenriz é capaz de fazer?
— Destruir tudo que você conhece e o que não conhece também. – Respondi sincero.
Ela ficou me olhando preocupada, enquanto ficou sentada de frente pra mim, seu olhar não conseguia desfaçar a tensão e o medo.
— Lana quer que eu pegue seu pijama de bolinhas? – Perguntei para descontrair.
— Hey como você sabe que eu tenho um assim? – Ela me encarava surpresa.
— Sei todas as roupas que você tem! – Sorri para ela na tentativa de distraí-la um pouco.
— Seu pervertido! – Ela retrucou.
— Toujours Chérie... Toujours. – Eu a encarei
Ela riu e se levantou caminhando até a porta do quarto a abrindo de vagar indicando para que eu me retirasse. Eu me levantei e fui caminhando até ela e parando na sua frente, ela sorriu e ficou na ponta dos pés e deu um beijo no canto da minha boca.
— Au revoir Paul. – ela me disse meiga.
Sorri.
Ela retribuiu o sorriso e saiu correndo em direção a própria cama com a camisola esvoaçando com os movimentos leves que ela fazia, eu por minha vez me apressei e voltei para o meu quarto, mas a minha vontade era de dormir com ela nos meus braços, mas ainda é muito cedo para isso. Eu vou tentar ser um homem melhor para ela. Ela é muito jovem e adorável para que eu deixe meu mau humor e desgosto pela vida a estrague.
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