Danger Line
3 Algo está errado.
Quando acordei não estava tão mal quanto ontem, mas não conseguia mais dormi.
Resolvi dar uma volta.
Senti uma sensação de Déjà Vu, mas continuei meu caminho, e quando vi já estava no hall de entrada. Olhei para fora e o céu estava lindo e estrelado, acho que nunca tinha visto o céu desse jeito.
Fui para fora e uma brisa gélida soprou agitando o meu vestido.
Fui andando na direção da estufa, mas uma agitação na floresta me chamou atenção, fui andando naquela direção, algo me dizia para dar meia volta e sair correndo, mas a minha curiosidade era muito mais forte, e por esse motivo eu vivia machucada, minhas curiosidades sempre tinham um preço alto, Continuei andando e já estava entrando na floresta quando ouvi um barulho diferente, mas ignorei e continuei a andar, as sombras projetadas pela luz da lua estavam me assustando, mas mantive meu caminho, firme até chegar uma clareira. No meio dessa clareira tinha um lago no centro e algumas flores noturnas espalhadas, era a coisa mais bonita que já vi... Do nada uma sombra passou ao meu lado e eu me assustei indo para o lado e tropeçando em uma raiz e acabei cortando a perna, era um corte feio e parecia profundo, mas logo parei de prestar atenção nisso, pois havia um par de olhos vermelhos me fitando...
Por um tempo eu não consegui destingir o que era, mas depois eu vi, parece que se materializou na minha frente, um lobo do tamanho de um cavalo, com os olhos vermelhos que pareciam ver a nossa alma, enquanto ele avançava lentamente pra mim pude notar que suas patas eram enormes, e seus dentes também...
Ele vinha rosnando baixo em uma espécie de aviso, para que eu saísse dali, e eu o fiz. Levantei-me do chão lentamente e fui andando para trás sem tirar os olhos do lobo, mas ao dar mais um passo encostei-me a algo, ou melhor, em alguém para ser mais exata. Virei sobressaltada para trás e pude ver Paul parado sobre a Luz do luar, ele estava sem camisa, e com uma taça de vinho na mão ele me olhava com um interesse, mas nele havia algo estranho. Tudo bem que ele estava extremamente atraente sob a luz da lua, mas os olhos dele não estavam cinza como o normalmente... Tinham um brilho... Não sei explicar...
— Lana, ma chérie, o que você está fazendo aqui? Por que está tão assustada? — ele me encara fixamente, mas ainda com um olhar calmo.
— Não sei bem te responder isso. — O que eu diria pra ele? Que tem um lobo gigante atrás de nós ou pergunto se ele era cego?
Ele se aproximou de mim ficando a centímetros de distância e fazendo-me sentir o perfume que exalava do seu corpo. Era muito bom! E isso está me distraindo num momento em que eu não posso ficar distraída.
— Você sabe me responder sim. — Ele continuava a me olhar fixamente.
— Não sei. — Insisti na minha resposta, mesmo sem muita firmeza, ele passou o braço pela minha cintura me fazendo olhar em seus olhos que estavam com um brilho avermelhado.
— Não minta pra mim! Por que você está tão assustada? — O aperto de sua mão era tão forte que chegou a me machucar um pouco me fazendo ficar mais assustada, então agora não sei se falo do lobo ou se falo que ele está me assustando. — Anda Lana... Eu estou começando a ficar sem paciência, chérie. O que você viu? — Seu tom era enganosamente calmo até que ouvimos um rosnado e eu me encolhi contra o peitoral dele, mesmo querendo que ele me soltasse.
— Ah foi isso? Como você conseguiu vê-lo? — Ele levantou o olhar para algum ponto atrás de mim
— Como assim? Eu não deveria poder vê-lo? — Perguntei estranhando o comentário.
Ele encostou os lábios nos meus.
— Não. Você não deveria velo chérie, ele deveria estar além das suas capacidades humanas — Ele começou a andar me guiando para algum lugar sem desencostar o corpo do meu basicamente me carregando, minhas mãos estavam espalmadas no seu peito sentindo o movimento dos seus músculos. — Vou te levar a um lugar.
Eu estava ficando assustada e com medo. Nunca tinha visto Paul agir desse jeito. Ele parecia de certa forma... Livre, sem ter que se portar como um cavalheiro à todo tempo, chegava a ser um pouco selvagem, ele estava "lindamente perigoso" e eu sou idiota por pensar assim, eu deveria estar pensando em como me desvencilhar dele e fugir, mas seu aperto era tão firme que eu mal conseguia respirar. Ele me levou até uma espécie de galpão, lá dentro havia coisas muito estranhas, livros com símbolos, vidros com coisas que eu nem parei para entender o que eram.
— Paul onde você me trouxe? — Perguntei meio apreensiva com tudo que estava acontecendo.
— Olha nos meus olhos... — Ele mandou.
— Hã? — Ele conseguiu me confundir
— Olha. — Ele ordenou com tanta firmeza que eu o obedeci.
Eu fitei os olhos dele e estavam em um vermelho vivo lindo e os meus automaticamente ficaram arregalados. Era como se fossem feitos do rubi de sangue mais caro do mundo, tinha tantas nuances de vermelho ali que era impossível não olhar.
— Ma chérie você não vai se lembrar disso certo? — ele sorria graciosamente e meio psicopata agora... Como isso era possível? Eu não sei, mas a essa altura do jogo eu nem questiono mais as coisas que esse homem consegue fazer.
— Sim. — Respondi automaticamente e eu nem queria ter dito aquilo, já que eu tinha tantas perguntas a serem feitas.
— Bom eu te trouxe aqui para te dizer que eu sou um monstro que faz coisas horríveis, mas porque quer ter sua vida de volta, junto com a irmã que também sofre desse mesmo mal. E você, em breve será minha — Ele me apertou um pouco mais e deu um beijo estalado na minha boca. — Lana, mas você já viu muita coisa que não podia ainda, mas eu tenho a solução. — Ele veio até a mim com uma seringa com um liquido estranho dentro e injetou no meu braço, tão rápido que eu mal pude ver seus movimentos. Ele me pegou no colo e deu uma mordida leve no meu lábio inferior. — Bonne nuit chérie. — Ele tinha um lindo sorriso no rosto.
—Paul o que você fez comigo? — Perguntei sentindo meu corpo ficar dormente.
— Nada que mereça sua preocupação amour. — Ele sorriu gentil — Confie em mim!
Senti uma dor incrível na cabeça e senti meu corpo fraquejando e desmaiei.
¨¨¨
Paul
Ela vai me dar trabalho eu sei.... Mas eu a quero mesmo assim, é a segunda vez que ela sai vagando no meio da noite e vê o que não deve. Isso está virando joguinho de gato e rato, mas enquanto os pais dela estiverem sobre meu controle está tudo bem... Josette cuidará bem dos dois irmãos dela.
Eu a coloquei de volta na cama, de onde ela nunca deveria ter saído. Ela dorme tão docemente que eu fico aqui perdido observando, mas eu tenho que voltar a fazer minhas coisas. Não me resta muito tempo e preciso descobrir o motivo de nada que eu de pra ela tem um efeito que dure mais que um dia. Funciona com os pais, os irmãos, mas não com ela. Essa garota realmente é especial como eu previ, mas eu preciso descobrir logo os detalhes ou tudo que estou fazendo vai ser descoberto e ser em vão.
Lana
Acordei hoje com uma sensação muito estranha...
Eu estava tonta, e meu corpo estava muito pesado como se eu tivesse levado uma surra durante a noite. Sei que tem alguma coisa errada acontecendo, mas não sei o que pode ser, abri minhas malas e peguei algumas roupas pra vestir e vi que minhas roupas não são iguais a de Josette, como eu vinha usando ultimamente eram roupas que mulheres não usam... Apesar de ter gostado muito delas, tenho que achar um vestido para mim, fui em direção ao armário e o abri. Tinha alguns vestidos que Josette havia me presenteado, escolhi o preto com azul e comecei o processo de me vestir, ao terminar coloquei meu calçado e desci em direção a cozinha e acabei por encontrar com Paul, que estava sentado com um café a sua frente e lendo um livro grande de capa preta e fazendo anotações em uma caderneta.
— Bonjour mademoiselle... — ele me disse com ar calmo.
— Bonjour monsieur Paul, onde estão todos? — perguntei, pois nesse período do dia sempre havia gente na cozinha.
— Josette levou seus pais e seus irmãos à cidade. — Ele me respondeu foleando o livro.
— Eles voltam logo? — perguntei curiosa.
— Josette enviou-me uma mensagem pelo cavalariço dizendo que eles não voltariam hoje, pois está uma tempestade muito forte e seria perigoso arriscar andar na carruagem, principalmente com Shane com eles.
Assenti com a cabeça.
— Estamos sós, mas não se preocupe chérie, não vou fazer nada que você não queira... — ele tirou os olhos do livro me encarando com aquele sorriso provocante nos lábios.
— Monsieur Paul... — Olhei pra ele incrédula e sentindo meu rosto esquentar.
— Não me venha com essa história de "monsieur Paul, estou ofendida" que você não está... Não é mais uma criança... E sabe o que é bom. — Ele disse plenamente calmo enquanto fazia as suas anotações.
— Isso não é coisa que se diga pra uma moça. — Eu corei.
— Você não é uma moça qualquer. — Eu o encarava pra tentar compreender o que ele estava me dizendo. — E você demonstra interesse em mim chérie.
— Você se acha muito bom né? Pois saiba que não é! Esse seu ego anda muito elevado — Respondi começando a ficar nervosa, mas eu ainda sentia as minhas bochechas coradas o que não dava muito consistência no que eu havia dito sobre ele "não ser tudo isso". — Você não é tão interessante quanto pensa.
— Se eu fosse você não diria isso com tanta certeza! — Ele disse em um tom de aviso. — Não quando seu corpo te trai e me conta a verdade.
— Como assim? — Eu disse irritada e percebi não foi a coisa certa a se perguntar, meu temperamento um dia vai me matar. Ele avançou na minha direção me empurrando contra parede.
— E se eu fosse você não me provocava também! — Ele sussurrou no meu ouvido. — Não é saudável provocar alguém que você não conhece bem, e nem é inteligente. — Ele me disse levemente acusatório se afastando com um mix de ironia e ameaça para mim.
Melhor eu ficar longe dele.
— Monsieur está sendo muito rude Sr. Brown, espero que se mantenha longe de mim. — Eu o encarei nervosa, mas apreensiva.
Sai de lá nervosa escutando os risos debochados dele, nem pude tomar café da manhã como havia planejado e sem tomar meu café eu não sou gente, café é uma das poucas alegrias da minha vida e o Sr. Brown tomou isso de mim. E sim, pra mim ele voltou a ser Sr. Brown, ele machucou meu coração, não se pode separar uma mulher do seu café.
Fui para a sala de estar e parei em frente a janela e sentei em uma poltrona próxima, para ficar observando a chuva. A tempestade estava feia lá fora... Parecia o dia em que chegamos aqui, mas essa lembrança para mim era meio vaga depois de tanto tempo, clarões começaram a iluminar o cômodo e eu me assustei, melhor eu ir para o meu quarto se começar a trovejar eu vou entrar em pânico aqui nesta sala e isso não é bom. Não no meu estado de nervos.
Observando melhor dava para ver sombras lá fora... Formas amorfas que me fizeram apertar os olhos para ver melhor e um raio caiu ali perto, automaticamente eu dei um pulo para traz me desequilibrando quando senti a única pessoa presente na casa me segurar.
— Sempre arrumando um jeito de ficar perto de mim não é mademoiselle Lana? — Paul falou convencido, ele já está passando dos limites como se não houvesse nenhum.
— Saia de perto de mim — Disse enquanto me afastava dele — Não quero você perto de mim! — Sei que soei meio maníaca, mas não me importo, estou absurdamente nervosa com ele. Meu café.
— Você não vai ficar de charme agora, vai? — Perguntou sendo extremamente grosso ao se aproximar e me segurar pela cintura.
— Não estou de charme, você me ofendeu e não me deixou tomar o meu café. — Dei um passo para trás tentando me afastar dele, mas sem sucesso enquanto pensava que talvez eu esteja reagindo de forma exagerada, mas tem alguma coisa nele que está me assustando, deve ser a forma de agir que está muito sínica e nem um pouco cavalheiresca como ele costuma ser.
Um clarão iluminou o rosto dele e seus olhos estavam vermelhos, e ele sorriu maliciosamente. Eu tentei me afastar novamente, mas seu rosto se aproximou do meu de forma perigosa que me deixou tonta e sem conseguir raciocinar direito. Ele roçou os lábios nos meus e passou a língua delicadamente, eu estava enfraquecendo sob o seu toque suave e frio. Um trovão extremamente alto soou do lado de fora que fez com que eu me encolhesse, percebendo a situação que me encontrava eu aproveitei que seu aperto diminuiu e sai andando rápido enquanto vários clarões iluminavam o corredor. Quanto estava correndo senti uma pontada nas costas e do nada comecei a ficar tonta continuei andando pelos corredores da casa, mas comecei a ficar assustada, porque sombras começaram aparecer nas paredes da casa, senti uma mão segurando o meu braço e virei para ver o que era... Para meu susto não tinha ninguém, mas meu braço está com uma mancha vermelha onde eu senti a mão segurando. Um arrepio subiu pela minha coluna e eu quis desesperadamente estar no meu quarto debaixo das cobertas sem contato com o mundo externo, pois ele está me assustando...
Fui pelos corredores procurando a porta do meu quarto, mas eu não conseguia identificar as portas da dos quartos... Para falar a verdade eu não reconhecia mais nada daquela casa.
Isso me assustava.
Entrei em um cômodo que eu nunca tinha entrado sentindo as lagrimas quentes descendo pelo meu rosto. Parecia que eu estava bêbada, as coisas estavam de tamanhos diferentes e pareciam ameaçadoras as estantes cheias de livros, e algumas poltronas, em um canto havia uma porta. Olhei fixamente para a porta novamente e ela estava entreaberta. Barulhos atrás de mim me assustaram me impulsionando para frente e fizeram chegar mais perto daquela porta, meu coração estava extremamente acelerado, eu sentia minhas mãos suando de nervosismo e aquele vestido enorme só cooperava com meu desespero, pois eu não conseguia me movimentar livremente, desejei ter uma daquelas roupas que vi em minhas malas hoje mais cedo.
Uma batida forte na porta.
Alguém começou a abri-la.
Era Paul... Só podia ser ele... Estávamos sozinhos em casa afinal... Não era!?
Mas o que entrou pela porta não era Paul...
Era uma criatura enorme, diferente de tudo que eu já tinha visto. Era um lobo mais estava sobre duas patas e seu dorso parecia de um homem alto. Antes que ele pudesse me ver entrei naquela porta que estava entreaberta e a fechei, me deparei com uma escada enorme em caracol. Comecei a descer apressadamente pois ouvi passos logo atrás de mim.
Desci o mais rápido possível.
E quando cheguei na base da escada vi um corredor com várias portas cromadas, ouvi barulho da porta se abrindo.
Corri.
Corri o mais rápido que eu conseguia, cheguei a uma sala parecida com um laboratório de pesquisa, tive uma sensação que já estive ali em uma outra ocasião que eu não me recordava. As paredes estavam manchadas de sangue e eu podia ver pedaços de corpos espalhados pelo chão, alguns estavam em vidros, me senti completamente enjoada, senti que iria vomitar a qualquer momento. Tomada pelo sentimento de repulsa resolvi sair de perto daquele lugar, saindo pela porta em que havia entrado, senti que alguém me observava, minha vontade era sair correndo a toda velocidade, mas me forcei a manter a calma. Conforme ia andando pelo corredor as paredes manchavam de sangue, olhei para o chão e vi que uma camada fina de sangue lavava o chão por onde eu passava.
Fiquei desesperada.
Comecei a gritar desesperadamente e correr mesmo não tendo noção de onde estava. Todos os poros do meu corpo diziam para sair o mais depressa possível daquele lugar, mas eu estava perdida e não fazia a mínima ideia de como sair dali.
Então senti algo perfurando a minha coluna.
Senti meu corpo pender para traz.
Então apaguei...
¨¨¨¨
No dia seguinte acordei com dor em todo meu corpo minha visão estava meio embaçada. Ergui o braço para coçar meus olhos e vi que estava acorrentada em cima de uma plataforma de mármore sentei e pude ver que minhas pernas e meus braços estavam presos por correntes. E eu estava sobre uma espécie de altar no meio de uma sala obscura onde haviam tochas e desenhos em todas as paredes, não eram bem desenhos, eram mais símbolos que eu não sabia dizer ao certo o que era. Eu tentei me lembrar como cheguei ali, lembro de chuva, raios e trovões, corpos despedaçados e muito sangue, uma crise de pânico, uma gritaria da minha dor e desmaio. Uma meia hora se passou desde que acordei. Estava conformada que ia morrer ali, então entraram cinco pessoas usando mantos negros com capuz encobrindo seus rostos, eles caminharam lentamente e se postaram ao meu redor em um círculo perfeito a pessoa que estava a minha frente retirou o capuz e pude ver que era Paul.
Ele estava mais pálido que o normal e seus olhos estavam diferentes sua íris normalmente cinzentas e brilhantes estavam vermelhas como sangue e onde deveria ser o famoso "branco do olho" estava totalmente preto com algumas veias ressaltando ao redor dos olhos.
— Chérie precisamos conversar um pouco. — Apesar de tudo seus olhos estavam preocupados e cansados.
Como assim "precisamos conversar um pouco"? E eu quero falar com ele? Na verdade, sim. Eu quero respostas! E das boas, ele me deve algumas explicações e espero que seja a coisa mais clara, objetiva e aceitável do mundo para que eu não saia voado daqui direto para polícia. O que provavelmente vai acontecer de qualquer jeito se eu conseguir sair desse lugar.
— Porque eu estou presa aqui Brown? — Perguntei querendo pular no pescoço dele para estrangula-lo.
— Olha, ela está brava, me chamando pelo sobrenome. Já disse para me chamar de Paul. — Ele me falou com desdém. — E você está presa aqui porque o Conselho pediu.
— Que "Conselho"? O que eu fiz de errado para que um concelho me querer amarrada num altar de mármore? — Eu já estava sentindo aquela pontada de pânico, mas meu ódio era muito maior.
— Basta de perguntas garotinha. — Uma voz que eu não conhecia ecoou pela câmara onde eu me encontrava — Vamos contar a você o que está acontecendo e o motivo para você está presa, mas mantenha-se calada.
Fiquei tão chocada com aquele timbre de voz que a única coisa que fiz foi balançar a cabeça em sinal afirmativo, mas por dentro eu estava morrendo de raiva. Quem era ele pra falar comigo desta maneira?
— Paul você conta? — Perguntou outra voz, só que era grave e melodiosa e estava preocupada.
— Conto... Revelem-se rapazes. — Paul disse calmamente. As cinco pessoas tiraram os capuzes e pude ver rosto por rosto que estava ali. O pavor subiu pela minha coluna, porem também havia um mix de empolgação e incredulidade, mas não me expressei de forma alguma, depois de ouvir aquele "mantenha-se calada" eu nem sei mais se quero explicações. Mentira eu quero sim, principalmente depois de presenciar tudo isso. Aquilo era impossível de estar acontecendo... Eu só podia estar delirando. Louca.
— Lana chérie, você vai ajudar a nós do conselho. — Paul sorriu simpático — Como você pode ver não somos pessoas normais. Na verdade, nós nem somos "pessoas", para ser mais direto... Não somos humanos. Preste bem atenção em cada um de nós, pois vamos mudar sua vida... — Ele andou graciosamente até a borda do altar em que eu me encontrava amarrada... — E ouça com atenção o que eu vou te contar em breve, mas antes vou apresentar meus companheiros do conselho... — ele apontou para os homens que me encaravam. — Este que falou com você é o Monsieur Fred Temptingsnow, ele é o Alpha do bando dele. — Fred sorriu para mim exibindo seus caninos com olhar de cachorro pidão, mas aquele lobisomem era extremamente ameaçador e eu comecei a sentir um medo crescente. — Aquele loiro, foi o que me pediu para compartilhar a nossas motivações, ele é o rei dos elfos Lord Calardan — Paul apontou para o lado. Olhei para ele, o elfo era dono de uma beleza de tirar o fôlego, alto com feições felinas e com olhos azuis esverdeados que pareciam uma pedra rara. — O ruivo baixinho é o líder dos anões Sir. Kaylum Toweringoak — Paul moveu os olhos em direção oposta ao do elfo. O anão tinha cara brava que nem fiquei olhando por muito tempo. — E por último o cara que vai te ensinar tudo que você tem que aprender Claude Toadtickler ele é o ancião da sociedade dos magos e bruxas e vai te explicar muita coisa — Ele se aproximou do tal ancião. Ancião? O cara parece ter a idade do Richard! — Mas por hora vou te contar o porquê de tudo isso. Como você já pode notar eu sou um vampiro, mas antes de ser infectado pelo veneno eu era um estudioso, um alquimista para falar a verdade e eu sabia da existência desses seres "diferentes" como eu falava na época, e queria ajudar com um "remédio" digamos assim. Um remédio que combate-se o efeito do veneno vampiresco, mas quando eu tinha a idade do seu irmão me apaixonei por uma moça e ela me seduziu passou uma noite na minha casa, matou meus pais e transformou a Josette enquanto eu sofria a minha transformação.
Seus olhos escureceram pela lembrança e senti tristeza e raiva emanando dele. Senti que ele não estava me contando toda a verdade sobre esses fatos, ocultando seu passado, mas não estou em posição de pedir que ele me conte mais coisas que aparentemente são extremamente pessoais. Apesar da minha curiosidade.
— Desde então minhas pesquisas se intensificaram, principalmente por Josette ela não merecia isso, mas enfim... Você viu meu amigo certo? Naquele dia na floresta o meu lobo infernal... Wolfgang. Ele protege meu laboratório, onde realizo minhas pesquisas e onde eu te levei na noite anterior, Wolfgang é um bastante que eu criei a partir do veneno de vampiro com o "remédio" que eu criei usando a rosa negra que não estava aperfeiçoado e alguns experimentos com alquimia... E é ai que entra o conselho. Quiseram barrar minhas experiências, mas eu tive bons argumentos. E quando eles resolveram me deixar em paz com as minhas pesquisas algo muito pior aconteceu com todos nós. Agora estamos aqui, com um grande problema em mão e concluímos que só com a minha alquimia não teríamos chances de resolve-lo. Nós precisamos de um "q" de magia nisso... E é ai que você entra. — Fiz a maior cara de incredulidade que consegui, e joguei todo meu sarcasmo em cima dele.
— E o que eu tenho a ver com isso, a vida é sua, o problema é seu. E eu não tenho nada de "q" de magia coisa nenhuma. Você pegou a garota errada. Por que não pede ajuda pro Harry Potter ali? — Apontei pro tal de Claude.
— Você não sabe ainda mademoiselle Lana, mas só quem tem poder pra isso é você! Você não conhece a sua linhagem... — O Potter/Claude falou com a maior cara de conteúdo usando um tom explicativo porém gentil que se usa com crianças.
— E também porque não vamos precisar de você somente para isso... — O elfo bonitão falou com um sorriso que eu quase derreti... O Calardan tem seu charme.
Mas o que diabos eu estou pensando enquanto estou amarrada aqui? Se eu pudesse me daria uns tapas, pois eu realmente estou merecendo.
— Tudo bem já chega. — Paul interrompeu o clima que eu estava criando na minha mente no mínimo não lucida — Você vai cooperar conosco Lana?
Olhei no fundo dos olhos dele.
— Claro que não! Pergunta mais idiota. — Respondi rindo como se fosse a coisa mais óbvia do mundo e todos na sala me fitaram com uma cara de "não é possível que essa garota é ingênua o bastante para achar que ela pode se recusar"
— Messieurs posso falar com ela a sós um pouco? — Paul perguntou para o "conselho".
— Tudo bem! Amanhã nós voltamos... De acordo Messieurs? — Perguntou o lobisomem Fred com o tom exasperado na voz.
— De acordo — responderam todos.
— Merci Messieurs, amanhã entro em contato com vocês. — Disse Paul no seu tom odiosamente calmo.
Os quatro saíram da câmara deixando-nos a sós.
Paul se moveu tão rápido que eu não vi quando ele se aproximou, só senti ele jogando o corpo em cima do mel ficando parcialmente deitado sobre mim com uma mão sobre meu pescoço e a outra apoiada no altar de pedra em eu me encontrava.
— Agora a conversa é entre você e eu chérie. — Ele disse num tom baixo, porém ameaçador.
— Me solta. — Tentei me soltar.
— Por que eu faria isso? — Ele me perguntou rindo.
— Já disse que eu não vou te ajudar. — Disse tentando ser firme.
A mão dele forçou mais meu pescoço.
— Chérie, você não tem escolha. — Ele estava perdendo a paciência.
— Como não? — Insisti.
— Você ouviu a parte da história que eu contei que Josette foi transformada também? — ele me perguntou como se estivesse falando com uma criança.
— Ouvi e... — Ele me cortou
—... E onde está sua família agora? — Uma onda de pavor tomou conta de mim e eu tentei me soltar dele, mas quanto eu mais me mexia mais ele me apertava — Sua sorte é que Josette gostou da sua família, seus pais lembram os nossos e seu irmão mais novo é cativante... Já o mais velho está se saindo bem em tentar seduzi-la, mas basta uma ordem do conselho e Josette não terá opção a não ser eliminar sua família... Tanto você quanto eles estão na linha de perigo, e sem seu lugar chérie... — ele aproximou os lábios até a altura da minha orelha deixando seu pescoço exposto para mim — ... Eu colaboraria comigo.
Ele sussurrou em minha orelha e eu na tentativa vã de fazê-lo sair de cima de mim mordi seu pescoço com toda força que encontrei.
Mas ele não se afastou como eu tinha planejado.
Um barulho semelhante um ronronar de gato reverberou por seu peito, e ele começou a rir, o que me fez estremecer e sentir minhas pernas fraquejarem.
— Se você quisesse realmente que eu me afastasse de você não teria me mordido — Ele forçou mais o corpo conta o meu ficando deitado em cima de mim aumentado o aperto da sua mão no meu pescoço — Eu sou um vampiro mon amour... Isso comigo tem efeito inverso...
Quando ele disse isso os pelos da minha nuca se eriçaram como nunca. Porque eu lembrei de todos os livros de vampiro que eu já li na minha vida, então eu percebi que errei bonito, nas minhas escolhas. Ele passou o nariz pela extensão do meu pescoço e pressionou o quadril contra o meu me fazendo sentir partes de seu corpo que eu, naquele momento não queria que estivessem próximas a mim. Eu estava ficando sem fôlego, e mal podia respirar por que sua mão mantinha o forte aperto que me fazia sufocar.
— Chérie você irá me ajudar? Humm?. — Ele deu uma leve mordida no meu lóbulo. — Diga que vai amour. Eu não quero que nada lhe aconteça. — Senti a boca dele sobre meu pescoço e ele começou a mordiscar toda aquela região, foi naquele momento que senti suas presas alongadas e percebi o perigo em que estava.
— Sim. — Respondi quase sem voz pelo seu aperto.
— Fale mais alto mon amour... — Ele apertou mais a minha garganta cravando as unhas ali — Não te ouvi.
Lagrimas escorreram pelos meus olhos com dor, ele estava afundando as unhas na minha pele e eu estava sentindo que elas estavam perfurando meu pescoço.
— Eu vou te ajudar Paul — Disse reunindo todas as forças que tinha para fazer minha voz sair compreensível, mas eu senti minha garganta falhar e doer.
— Agora eu ouvi... E fico muito feliz por isso — Ele levantou a cabeça e me fitou por uns instantes retirando o aperto do meu pescoço — Sabe mon chérie... — Ele levou a mão que estava no meu pescoço à altura de seus olhos e observou meu sangue que escoria entre os seus dedos, ele os aproximou o rosto sentindo o cheiro do meu sangue — Você tem um cheiro ótimo sabia? — ele se acomodou em cima de mim e passou os dedos sujos de sangue nos lábios — E é gostosa também, em todos os sentidos. — Ele arqueou a sobrancelha de forma sexy.
— Da pra sair de cima de mim? — Minha voz estava rouca, eu estava assustada e envergonhada. Meu corpo estava tendo reações que eu não conseguia controlar.
— Não. Está confortável aqui em cima — Ele estava com uma cara sínica enquanto lambia os dedos — Eu devia torna-la minha escrava de sangue... Você é absurdamente saborosa...
— Para de falar de mim como se eu fosse comida — Eu estava inconformada, apesar te todas as emoções conflitantes que estava sentindo.
— Mas você é "comível". — Ele começou a rir
— Para... Essa palavra nem existe. — Ou será que existe e eu nuca ouvi? Estava começando a sentir meu rosto esquentar, eu não estava sabendo o que fazer, eu só me sentia exausta e queria sair dali.
— Não sei, mas no meu vocabulário existe... Olha você ainda está sangrando... — Ele desceu o rosto até meu pescoço e eu senti sua língua passeando por ali, me fazendo sentir arrepios. — Pronto.
— Ai que nojo. — Empurrei ele e me remexi pra ver se ele saia de cima de mim, mas foi completamente inútil, o homem parecia uma pedra em cima de mim.
— Mon amour assim você me ofende, a saliva de um vampiro cura as feridas que fazemos... E se você ficar se mexendo assim vai fazer o "petit Paul" vai quer brincar, mais do que ele já quer! — Ele olhou pra mim com a sobrancelha erguida
— Seu pervertido! — Falei tentando manter a voz firme.
— A culpa é sua chérie... Mas enfim, vamos fazer o seguinte: Vou te soltar, você vai obedecer ao conselho, e vai me ajudar, mas para explicar o tempo que você vai se ausentar você vai virar minha petite amie, coisa que não vai ser tão difícil certo, dar uns beijos, passear de mãos dadas essas coisas....
— Ah, não começa não! — Elevei o tom de voz, mesmo sentindo minha garganta queimar.
— Devo lembrar você como começamos essa conversinha? — Ele indagou com um que de desdém n voz!
— Tudo bem! Não precisa! — Falei lembrando que não foi um começo muito agradável, não que agora esteja sendo, mas pelo menos eu posso respirar.
— Então, vou te soltar... E se você tentar alguma coisa já sabe né... Wolfgang está perto.
— Não vou fazer nada. Eu prometo. — Disse ao lembrar do lobo gigante.
— Boa garota. — Ele sorriu
— Não fale assim. — Retruquei.
— Por quê? — Ele perguntou.
— Porque eu não gosto! — ele riu deliberadamente.
— Ok Mon Petit — Ele saiu de cima de mim e começou a me soltar, quando eu tentei levantar eu quase cai... Fiquei absurdamente tonta e senti Paul me pegar no colo.
— Vou te levar para o seu quarto.
— Merci monsieur, não sei se conseguiria ir andando... — Eu disse num tom ríspido, já que não tinha muitas opções, mas fiz questão de mostrar que eu estava irritada com ele.
— Não você não conseguiria. — Ele afirmou olhando para o nada.
Ele deu um tranco e começou a correr, senti o vento nos meus cabelos... Ele fez várias curvas e do nada senti gotas de chuva molhando meu rosto.
Depois de um tempo senti um tecido macio em baixo de mim e ele me soltou no macio que pude deduzir ser minha cama.
Adormeci
¨¨¨¨
"Eu estava parada olhando para o horizonte quando ouço passos se aproximando... Olho para o lado e vejo o Sr. Brown estendendo a mão para mim e quando estou prestes a segura-la vejo uma multidão se aproximando com tochas acesas e armados vindo em minha direção, olho para direção do Sr. Brown, mas ele não está mais lá.
Perdi minha chance.
Comecei a correr às vezes olhando para traz vendo soldados à cavalo me seguindo prestes a me matar, quando eu novamente olho pra frente vejo um penhasco a minha frente, um enorme abismo negro pronto para me receber, me chamando convidativamente.
Sem olhar para traz eu me lanço pelo penhasco, sei que não há volta, vou caindo sendo engolida pela escuridão a minha volta... Quando olho para o lado vejo os membros do Conselho me fitando como se eu fosse uma coisa de outro mundo e que faria mal a eles.
Olho para o outro lado e vejo Paul observando a minha queda e sorrindo maravilhosamente, tento pedir ajuda, mas ele só me observa. Quando estava prestes a morre ele segurou-me em seus braços me dando um abraço terno. Então tudo some e eu não consigo mais enxergar nada devido a escuridão, eu me dou conta que estou morta."
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