Danger Line
8 Vingança.
VINGANÇA
Brian’s POV
Eu estava mais tranquilo agora. Sabia que Lucy havia se rendido a mim pelo menos por alguns instantes.
Dessa vez, ficou ainda mais claro para mim que ela estava apenas tentando ser forte diante de seus próprios desejos, mas algo me dizia que eu estava próximo de desfazer o seu muro de ferro.
- Onde você estava? – de repente ouvi a voz de Michelle.
Arregalei os olhos. Não esperava que todos já estivessem aqui.
- Eu te fiz uma pergunta! – ela insistia ditatorial como sempre.
- Eu ouvi. – revirei os olhos. – Eu fui buscar cerveja na dispensa, mas eu esqueci que já tinha colocado tudo na geladeira. – sorri, tentando ser convincente.
— Ah sim... – ela abriu um sorriso, como se de repente o general que habitava nessa tornasse a ser simplesmente Michelle, e então, ela se aproximou de mim, enganchando seus braços por trás da minha nuca. – Estava com saudades de você, meu amor. – Michelle tocava seus lábios nos meus.
- Também. – respondi naturalmente, sem muita emoção.
- A Val me disse que já faz um tempinho que vocês voltaram de turnê... E você nem pra me ligar né? – ela resmungava e fazia bico.
- É a vida. – respondi simplesmente, tirando seus braços que me prendiam.
- Syn, não faz assim! – Michelle ainda vinha atrás de mim, segurando-me pelo braço, impedindo com que eu me retirasse da cozinha. – Foi você que preferiu fazer aquele acordo estúpido! A gente se trai, mas continuamos juntos! O que foi, não aguenta o tranco? — ela ria de modo maldoso.
- Não é tão estúpido assim já que ambos desejamos nos chifrar mutuamente. – sorri de modo irônico, enquanto a encarava.
- Tudo bem. – ela respirava fundo. – Não precisamos discutir isso aqui e não agora... Eu estava com saudades de você. – ela tornava a sorrir e me abraçar.
- Todo mundo já chegou? – perguntei, cortando aquela farsa ridícula.
- Por enquanto somente eu e a Val... – ela me abraçava ainda mais forte.
Confesso que eu sentia um pouco de falta dela. Era bom saber que não importavam as merdas que eu fazia, ela estaria sempre ao meu lado no final. Era uma zona de conforto e um ponto de fuga caso tudo desse errado. Sei o quanto era egoísmo pensar assim, mas eu não via outra forma de pensar.
- Nós poderíamos aproveitar que o Matt e a Val estão ocupados demais e que os meninos estão lá no vídeo game, não acha? – ela mordia os lábios, passando suas mãos novamente por trás da minha nuca, acariciando meus cabelos.
Ela sabia muito bem que aquele era meu ponto fraco.
Fechei os olhos e senti seus lábios prensarem contra os meus.
Assustei-me com o que veio de repente em minha mente: O rosto de Lucy.
Senti meu coração saltar como se eu não estivesse beijando minha própria namorada, mas sim, a garota eu mantinha trancada apenas por diversão.
- MICHELLE, PARA! – afastei-me dela, de repente. Não queria pensar nessas coisas. Isso simplesmente não era para estar acontecendo.
- O que foi? – Michelle se afastava de mim, franzindo o cenho. – Virou a virgem indefesa agora, foi? – ela disparava um riso sarcástico.
- Não... – disse sério, até sério demais, afastando-me dela, apoiando-me contra a pia da cozinha. – Os... Os meninos podem nos ver.
- Ah... – ela disparava uma risada alta, aproximando-se novamente de mim. – E desde quando isso foi problema pra gente, hein? Já se esqueceu de quando nós fizemos no ônibus, enquanto todo mundo estava dormindo? – Michelle continuava se aproximando, como se realmente estivesse a fim de me provocar.
- Er... Vamos para a sala? – perguntei, afastando-me dela.
- Mas Syn...
- NOSSA! Eles estão jogando Call of Duty! – saí correndo, como uma noiva em fuga.
Assim que cheguei à sala, estavam realmente jogando o tal jogo. Jimmy, Zacky e Johnny.
- AFF SEU GORDO DO CARALHO! – ouvi Johnny gritar e seu personagem morrer. – Nossa, filho da puta!
- Toma essa, anão de jardim! – ouvi Zacky retrucar com uma risada maléfica.
- As bonitinhas aí podem parar de brigar, por que ninguém pode comigo! – ouvi Jimmy gargalhar. — Eu tenho as granadas!
Sendo assim, o personagem de Jimmy simplesmente arremessou uma granada contra os de Johnny e Zacky.
- PALITO DE DENTE FILHO DA PUTA! – os dois gritavam em coro.
- TOMEM ESSA! – Jimmy gargalhava ainda mais.
- Ei, vou jogar! – aproximei-me deles, sentando-me ao lado de Zacky.
- Só não vai desligar o vídeo game por que está perdendo. – dizia Zacky, a fim de me provocar. — Você sempre faz isso. — ele revirava os olhos.
- Eu nunca fiz isso. – tentei me defender.
- Não... Imagine... – Jimmy ironizava, revirando os olhos. — "Ah meu, não vale, só o meu controle que está ruim, assim eu não vou jogar". — ele afinava a voz, como se estivesse me imitando.
- Syn, você bem que podia aproveitar um pouco comigo... – ouvi Michelle resmungando e se sentando ao meu lado.
Suspirei, relutante. Odiava aquela sensação de ela querer ficar me obrigando a fazer o que ela queria com suas chantagens emocionais.
Preferi ignorar, mas ela parecia completamente insistente.
Passava as mãos pelas minhas coxas, enquanto eu me atentava ao jogo. Sentia suas mãos atravessando o tecido de minha camisa, enquanto arranhava levemente as minhas costas.
Afastei-me novamente, quando para a minha salvação, ouvi a campainha da porta.
- Devem ser as meninas. – disse, erguendo-me do sofá. – Eu atendo.
- Oi Len. – sorri, vendo Leana, sorridente e carismática como sempre, encarando-me do outro lado da porta.
- Oi Syn... – ela dizia animada, aproximando-se de mim e me cumprimentando com um beijo no rosto e um abraço.
- MINHA BETERRABINHA SILVESTRE! – ouvi os gritos de Jimmy, e logo, ele surgiu correndo, abraçando Leana, suspendendo-a do chão, girando-a no ar... Céus, quanta viadagem.
- Que saudades de você, minha varetinha atômica sensual! – Leana gargalhava, distribuindo-lhe beijos.
Por alguns instantes, eu fiquei como uma perfeita estátua, vendo-os ali, rindo, cantarolando, dizendo aqueles apelidos completamente bregas um ao outro. Eu nunca tive aquilo, nunca tive aquela intimidade com alguém. Não que eu sentisse falta, mas pelo menos alguma vez na vida eu gostaria de experimentar essa sensação.
Logo Gena e Lacey chegaram e poderíamos dizer que a festa estava completa.
Divertia-me em ver Gena e Zacky disputando no vídeo game. Ela sempre perdia e depois acabava ameaçando jogar fora a pizza de Zacky, e ele era praticamente obrigado a deixá-la vencer as partidas.
Johnny e Lacey ficavam mais bêbados do que eu e Jimmy juntos! Colocaram música alta, enquanto se espalhavam pela casa.
Já havia cerveja espatifada por todo o canto, e o cheiro de pizza inundava a casa.
Lucy’s POV
Aquele som estava ensurdecedor. Será que eles já estavam tão bêbados que não perceberam que estava focando Celine Dion?
- YOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOU’RE HEEEEEEEEEEEEERE, AND NOTHING I FEEEEAR!
- CALA A BOCA, JOHNNY, ESSA É A MÚSICA DA TAYLOR SWIFT! – ouvi a voz de Jimmy gritar. Estava completamente desconexa e desafinada. Com certeza já estariam completamente bêbados. — Musa do funk!!
- LOGICO QUE NÃO! É DO TITANIC! – ouvi o Shadows gritando. – Ê, OTÁRIO! NÃO CONHECE OS CLÁSSICOS! Meu filme preferido!
Revirei os olhos, enquanto ouvia toda aquela baderna.
No meio de todo aquele alvoroço, muito dificilmente que a minha pequena vingança surtisse algum tipo de efeito, afinal, eles estavam tão bêbados que nem iriam se importar, mas eu sinceramente, não perderia nada tentando.
Brian’s POV.
Estava me sentindo tonto. Não era possível que a minha vida estava tão porcaria que meu estágio de bêbado alegre estava passando para pinguço abandonado.
Cambaleando, caminhei até a cozinha, a fim de pegar um copo com água.
Aproximei-me da pia, apanhando um copo de vidro, quando de repente, senti uma mão quente guiar o copo na direção correta do bebedouro.
- Você bebeu demais, Syn... – ouvi a voz de Michelle às minhas costas.
- E quanto é que eu não faço isso? – disparei uma risada sarcástica.
- Olha Syn, nós precisamos conversar. – Michelle suspirava, encarando-me seriamente. – Já vi que você ainda está muito chateado comigo.
- Chelle, não quero falar disso agora. – debati, sentindo minha cabeça girar.
- Mas você vai ter que me ouvir. – ela me empurrava contra a pia da cozinha, aproximando seu corpo do meu.
Estava séria, realmente entendi que ela queria conversar comigo. A diferença era que além de bêbado, não queria ouvir suas desculpas, suas conversas sem sentido, culpando-me sempre de tudo e simplesmente não me deixava em paz.
- Eu sei que você ficou muito chatedo comigo, mas Syn, quando eu estava com ele, eu só conseguia pensar em você! – ela segurava em meus braços, aproximando nossos rostos e me fitando atentamente. — E eu duvido que você pensa em mim quando está com elas.
- Chega… Eu não quero falar disso… — debati, afastando-me dela. – Já foi o suficiente você ter me humilhado ficando com outro na nossa cama. – suspirei. – Eu estou de saco cheio… Você é tão hipócrita! Eu era realmente apaixonado por você! EU TE AMEI!
Lucy’s POV.
Eu havia me libertado novamente utilizando um grampo de cabelo.
Eu realmente estava decidida a aparecer na frente de todos e informar que Synyster Gates simplesmente havia me sequestrado.
Estava irritada demais com ele, e agora, Synyster saberia que eu era muito pior como adversária.
Passei pela dispensa, conforme eu ia me aproximando da lavandeira. De lá, pude ouvir claramente vozes exaltadas, como uma discussão.
Sinceramente, não esperava por aquilo, então, caminhei com passos lentos, tentando ser completamente silenciosa, colocando a orelha sobre a porta.
- Chega, vai ficar gritando isso mais quantas vezes? – ouvi a voz de uma mulher. Ela parecia realmenete irritada.
- Até que você entenda que eu não sou nenhuma marionete. – ouvi a voz de Synyster.
- Olha, eu já admiti que eu errei, ok? Fiquei com outro sim, mas eu já disse que eu só pensava em você!
- Você ainda não entendeu que o problema é a sua hipocrisia! Olha Michelle, não sou eu, não sou você… A gente só não terminou se não a mídia ia ficar em cima e você sabe que eu não tenho saco pra isso… Mas para de fingir que você sente alguma coisa por mim! Já vi várias mensagens no seu celular falando do meu dinheiro, do meu isso, do meu aquilo… Quer que eu te dê grana pra você sumir de uma vez da minha vida?!
Ouvia aquela discussão, boquiaberta. Não pensei que Brian Elwin Haner Junior poderia ser traído pela Michelle Dibenedetto. Aquilo tudo era tão improvável que eu sentia como se estivesse em um seriado, vendo meus personagens preferidos em sua vida real. Era completamente estranho. Quem teria coragem de traí-lo?! Embora eu não quisesse nada com ele e achasse uma tremenda petulância ele querer me manter sequestrada, sabia o quanto ele era lindo… Embora, as aparências não sejam tudo.
- Cala a boca, seu filho da puta, resolveu me humilhar agora? – a voz de Michelle ainda parecia exaltada.
- Você quem quis conversar sobre algo extremamente desagradável no meio da festa… A culpa não é minha. — ouvi uma risada debochada vindo de Synyster.
- Acho bom você ficar na sua, ou eu acabo com a sua reputação de guitarrista perfeito e sensual! – pude perceber que a voz de Michelle ficava cada vez mais ameaçadora.
Ouvia tudo com atenção, sentindo-me completamente atraída na curiosidade em saber em que se consistia o relacionamento deles.
Sentei-me da máquina de lavar, enquando continuava ouvindo a discussão.
- Você é baixa. – ouvi Synyster debatendo.
- Se você pensa que vai escapar de mim assim tão facilmente, saiba que está completamente enganado… Aquelas suas fãs de merda que ficam babando em você, simplesmente terão de que contentar de que você é meu… Então não se anima muito achando que pra mim aquele nosso acordo tem algum tipo de validade, e eu acho bom você começar a exercer o seu papel de namorado corretamente, antes que eu destrua a sua vida.
- Você já está conseguindo aquilo que quer. – ouvi a voz de Synyster levemente abalada, e confesso que aquilo me cortou o coração.
- Ótimo… - ela também dizia de uma forma como se também estivesse ferida com aquela conversa. – Você também destruiu a minha vida.
- VOCÊ É RIDÍCULA! — ouvi que Syn havia dado um berro.
Arregalei os olhos e de repente, a máquina de lavar começou a trupicar.
Assustada, sem esperar por aquilo, disparei um gritinho instantâneo.
- O que foi isso? – ouvi a voz de Michelle.
Senti meu coração saltar. Eu realmente queria que ela me visse, e assim poderia me vingar de Synyster Gates, mas algo dentro de meu peito palpitava que aquio não seria correto, pelo menos não naquele momento.
Rapidamente, corri até a dispensa.
- QUEM ESTÁ AÍ?! – ouvi a voz de Michelle logo às minhas costas.
Senti minhas pernas bambearem. Eu não queria que ela me visse, não diante daquela situação.
No fundo, eu não queria que Synyster Gates me odiasse.
Notas finais
Espero que tenham gostado e aguardo ansiosamente pelos reviews. (:
Um ótimo 2012 para todos.
Beeeijos ♥
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