Danger Line
4 Sequestro.
Notas iniciais
SEQUESTRO
Lucy’s POV
Eu estava realmente assustada.
Minhas mãos tremiam impossibilitando que eu abraçasse meus próprios joelhos enquanto me encolhia contra a cama pensando em algo que eu pudesse fazer.
Se eu tivesse entendido bem, eu havia sido sequestrada por Synyster Gates, pelo menos, sequestro implica o ato de manter a pessoa presa em um lugar sem o consentimento dela.
Agora tudo fazia sentido. O remédio para que eu dormisse, o quarto estranho sem janelas, a porta trancada, o fato de ele vir trazer comida para mim... Quem diria que um guitarrista famoso se prestasse a esse tipo de coisa?
Lágrimas de repente começaram a escorrer pelo meu rosto. Afinal, estava completamente assustada. Acabava de quase ser abusada, estava presa, sem nem se quer saber onde estava e completamente impedida de pedir socorro.
Todo aquele sonho, realmente estava bom demais para ser verdade.
Encostei a cabeça na cabeceira da cama, enquanto meus pensamentos viajavam alto com o medo da falta de conhecimento do que seria de mim.
Longe do Arin... Eu simplesmente não conseguia parar de pensar nele. Com certeza, ele estaria completamente preocupado comigo.
De repente, ouvi a porta se abrindo estrondosamente.
- Trouxe seu jantar. – dizia Synyster de um modo brusco, como se estivesse realmente aborrecido comigo. Não era pra menos, eu havia rasgado a pele dele numa simples mordida. Sendo assim, ele abandonou uma badeja em cima da cômoda que ficava ao lado da cama.
- Eu deveria agradecer? – ironizei, irritada, não me importava se ele estivesse irritado comigo ou não.
- Deveria comer. – ele retrucava minha maneira de lhe responder.
- Onde é que eu estou? – ergui a cabeça, encarando-o seriamente.
- Não tenho que te responder nada. – ele dava de ombros. – Aliás, sua mordida me machucou.
- Não estou nem aí. – dei de ombros, apanhando o prato e comendo.
Percebi que ele ficou me encarando com alguns instantes.
Abaixei a cabeça tentando desviar daqueles seus olhos.
- Espero que não esteja pensando em me atacar de novo. — disse sem olhá-lo.
Synyster disparou uma risada calorosa.
- Com você dando ideia fica meio difícil resistir à tentação. – ele suspirava. – Bom apetite.
Preferi não responder. Estava irritada demais para conseguir lhe dizer alguma coisa.
Sendo assim, ouvi seus passos se afastarem e a porta finalmente se fechando.
Irritada, arremessei o prato repleto de comida contra a porta. Pude ver claramente a porcelana se desfazer com o golpe.
Nenhuma garota em sã consciência espera ser sequestrada pelo seu ídolo e ainda quase sofrer um abuso!
Arin’s POV.
- Você os viu? – perguntei ao segurança. – Tem certeza de que era ela?
- Tenho sim. – o homem assentia. – Loira, cabelos bem longos e lisos... Estava rindo e entrou no carro com eles... Aquele carinha do cabelo comprido, que toca a guitarra listradinha, sabe?
- O Synyster Gates. – revirei os olhos.
- Isso, ele mesmo... Bom, ele estava abraçando ela... Nem dei bola, parecia uma groupie mesmo.
- Acontece que a Lucy não é nenhuma groupie. – respondi entredentes, tentando fazer de tudo para me acalmar. – Ela é simplesmente uma fã que estava muito interessada em conhecer a banda.
- Groupie. – o segurança dizia descaradamente, dando de ombros. – Olha cara, eu vi essa menina entrando na van com eles por vontade própria! Vai ver se ela está lá no hotel com eles, sei lá... Se bem que... – o homem esticava a manga do paletó, olhando no relógio. – Acho que uma hora dessas, eles já saíram de Londres.
- Será? – perguntei coçando a nuca. – E você sabe em qual hotel eles estavam hospedados?
- Provavelmente no Milestone Hotel. – o homem dizia tranquilamente.
- Está bem... Obrigado. – afastei, correndo, até minha picape. Se eu desse sorte, provavelmente Lucy ficou dormindo por lá até tarde, os caras foram embora e deixaram as coisas pagas.
Apesar de fazer de tudo para pensar positivo, sentia como se um vazio intenso estivesse cravado dentro do meu peito.
Lucy tinha que estar lá.
Brian’s POV.
- Meu Deus! – ouvi Jimmy exclamar logo às minhas costas. – Que cratera é essa no seu ombro?!
- Ela me mordeu. – respondi de má vontade, enquanto que fazendo caretas, colocava uma compressa com gelo por cima do ferimento. – Essa menina é louca!
Jimmy me ouvir falar, apenas arqueando uma das sobrancelhas.
- É sério! – quis dar ênfase naquilo que eu afirmava. – Eu fiz tudo o que ela queria...
- Como você sabe que fez tudo o que ela queria? – Jimmy cruzava os braços, como se tivesse desconfiando dos meus dons sexuais.
- Bom, primeiro, ela está vestida com uma camiseta da banda, shorts curtinho, meia rastão e coturno! Esse tipo de groupie que tem cara de santinha e se veste assim, são as piores! Acontece que eu coloquei uma trilha sonora bem gostosa... Scream. — retruquei, como se tivesse contado uma vitória, apesar de ter saído ferido nessa primeira batalha.
- SCREAM?! HÁ HÁ HÁ HÁ! – Jimmy começou a gargalhar. – Você tentou seduzir uma garota com Scream?!
- Bom, eu cheguei mostrando um pouco do meu corpo e eu vi da forma que ela me olhou... Ela gostou, sabe? Daí eu não quis perder tempo... Ela começou a se debater e eu pensei que ela só estava querendo de fazer de difícil, e então ela pegou e me deu essa baita mordida que quase arranca a minha pele!
- Olha cara, você já parou para pensar que possivelmente ela não é nenhuma groupie? – Jimmy se aproximava de mim, encarando-me como se quisesse me dar lição de moral. — E ela não quase arrancou a sua pele, ela de fato ARRANCOU.
Revirei os olhos.
- É sério cara... Lembre-se de que todos nós também conversamos com ela depois do show... É uma garota simpática, inteligente, meiga, eu sinceramente não acredito que ela goste dessas coisas... Ela não ficou se atirando pra cima de ninguém.
- Será? – franzi o cenho.
- Sim, ela parecia saber tudo sobre a gente! E ela dizia com uma inocência tão bonita... Sério cara, esquece. Essa tal de Lucy não deve gostar mesmo dessas coisas, é só uma fã... Devolve ela, Syn.
Suspirei, de má vontade. Eu não tinha intensão nenhuma em devolvê-la. Não era toda vez que eu tinha sorte de pescar uma garota realmente bonita, além de todos os quesitos que o próprio Jimmy citou.
- E então? – ele parecia insistir em uma resposta minha.
- Vou tentar mais uma vez...
- Brian... – ele dizia como se fosse meu pai me reprimindo. – Cara, eu sei que isso é só uma brincadeira para você, mas se a justiça ficar sabendo disso vão te acusar de sequestrador! Além de que os meninos podem descobrir, você nunca deixou uma fã presa lá naquele quartinho por tanto tempo!
- Tá, tá, eu sei, eu sei. – respondi impaciente. – Vou tentar de novo... Se ela não gosta de coisas selvagens, talvez eu possa fazer algo mais romântico essa noite.
- Essa noite? – Jimmy franzia o cenho, e logo arregalava os olhos como se estivesse perplexo comigo. – Cara você vai deixar ela mais um dia presa lá?
- Vou. – dei de ombros. – Mas não se preocupe, se tudo der certo, eu a devolvo... Vou fazer dessa vez algo bem romântico, já que ela é tão meiga assim como você diz, mas eu vou precisar da sua ajuda.
- Ai meu Deus. – Jimmy fechava os olhos. — Não quero compactuar com o demônio.
- Olha... Preciso que você tire os meninos daqui hoje... Sei lá, vão pra algum barzinho, dar uma volta, não sei.
- Sabe que se eu combinar com eles de sair o Matt vai chamar a Val e consequentemente sua namorada vem.
- Ah, inventa alguma desculpa, só não fala que eu estou doente se não ela vai querer vir aqui cuidar de mim. – revirei os olhos.
- Syn, isso não vai dar certo. – Jimmy balançava a cabeça negativamente. – Você sabe que eu sempre te apoio em tudo, mas isso já é loucura.
- Eu vou tentar só mais dessa vez. – disse com bastante com convicção para que ele não tornasse a tentar me convencer do contrário. – Sei lá, fala pros meninos que você quer sair para uma noite só de macho e que eu briguei com a Michelle e precisava ir conversar com ela... Assim eles não as chamam e não vão ficar insistindo para que eu vá.
- Tudo bem... – Jimmy suspirava. – Mas precisa me prometer que vai tentar mais essa noite e mesmo se não der certo, devolve.
- Tá, tá.
Ouvi Jimmy suspirar alto como se não quisesse acreditar nas minhas palavras. E ele tinha razão mesmo de não acreditar. Afinal, não era qualquer menina que viria me mordendo e sairia ilesa nisso. Não mesmo.
- Mas antes, vamos para o hospital dar um ponto nessa mordida aí... — Jimmy dizia com tranquilidade.
Sendo assim, coloquei um curativo por cima da mordida e tomei um analgésico. A dor que eu estava sentindo não era brincadeira e com certeza eu iria me lembrar dessa Lucy o resto da minha vida. Algo me dizia que a mordida deixaria uma cicatriz bem forte implantada por cima da minha pele alva e sedosa..
Troquei de roupa, enquanto saía com Jimmy para ir ao pronto socorro e depois ao supermercado. Precisava comprar algumas coisas românticas para hoje à noite.
Lucy’s POV.
Andava de um lado para o outro, sem parar.
Não sabia dizer que eu estava sentindo ódio ou medo, mas aquela brincadeira toda já havia perdido a graça.
Simplesmente não entendo essa necessidade dos famosos em ter essa manias completamente estranhas.
Isso me fez lembrar das exigências completamente peculiares que os artistas tinham com relação ao seu camarim ou da maneira que seus empregados deveriam tratá-los.
Não que eu achasse que com o Avenged Sevenfold fosse diferente, mas eu não conseguiria imaginar nenhum deles sequestrando fãs por aí.
Disparei um chute contra a porta e não ouvi nenhum barulho como reação.
Na verdade, fazia um tempo já que o lugar estava silencioso. Não ouvia mais barulho de panelas se batendo, ou então coisas caindo pelo chão, gritos, risadas escandalosas. Será que eu estava sozinha?
Lembrei-me do grampo de cabelo que eu havia encontrado debaixo da cama. Não que eu fosse especialista em destrancar portas com um simples grampo, mas se nos filmes eles conseguiam... Por que eu não?
Apanhei o grampo, enquanto me aproximava lentamente da fechadura. Era estranho, mas mesmo acreditando que eu estava sozinha, não queria emitir nenhum tipo de ruído que me acusasse.
Fechei um dos meus olhos, enquanto metia o outro aberto, próximo ao buraco da fechadura. Eu podia enxergar o outro lado. Não tinha nada, apenas uma parede branca.
Ajoelhei-me, colocando a ponta do grampo dentro do buraco da fechadura. Vagarosamente, tentei encaixar o grampo com o formato daquele orifício. Algo me dizia que abrir uma porta com um grampo não era lá algo muito fácil de fazer.
Não me dei por vencida. Apesar de estar bastante irritada, dei um nó nos meus próprios cabelos, formando um coque, para que as madeixas não me atrapalhassem.
Continuei analisando bem a fechadura. Aquilo tudo tinha que ter alguma lógica, ainda mais por que a fechadura não parecia ser muito nova.
Tentei abrir um pouco o espaçamento do grampo, colocando-o novamente por dentro da fechadura. Senti como se finalmente eu tivesse encaixado as peças, e então, girei lentamente o grampo, quando de repente, ouvi um click.
Aquele barulho fez com que meu coração disparasse instantaneamente.
Eu estaria livre?
Apoiei o trinco, puxando-o para baixo.
A porta se abriu.
Simplesmente não me hesitei e dar o fora daquele quarto.
Percebi que eu estava em um corredor. Era escuro e estreito.
Olhei para o lado direito e lá estava o final do tal corredor, sendo assim, obviamente que caminhei para o lado esquerdo.
Caminhei alguns passos em meio à penumbra que se formava devido a pouca luz do local.
Finalmente, eu havia me aproximado de uma porta de plástico de correr. Empurrei a mesma para o lado, deparando-me com diversas caixas e outro cômodo ainda mais escuro e sufocante.
Arregalei os olhos. Não tinha a mínima ideia de onde eu poderia estar.
Aproximei-me de uma das caixas e vi que estavam repletas de comidas e alguns aparelhos para cozinhar facilmente.
Dei de ombros, já que aquilo se parecia mais com algum tipo de dispensa.
Vi que havia uma porta logo no final do pequeno quarto. Sem hesitar, abri.
Logo, senti algo úmido bater contra meu rosto. Olhei para o alto e pude perceber que era uma mísera calça jeans recém-lavada presa do varal.
Abaixei-me, afastando-me dela.
Era uma lavanderia. Uma bela lavanderia que desmistificava toda a umidade e feiura dos cômodos anteriores.
O chão era revestido por um piso gelado de um granito completamente escuro, enquanto as paredes eram revestidas por azulejos brancos, com algumas pastilhas em preto para deixar a decoração mais interessante.
O lugar era aberto, arejado e com uma enorme janela.
Ao me aproximar da mesma, vi que estava em um lugar bem alto. Então eu estava em algum tipo de apartamento.
A lavanderia tinha ainda mais coisas do que aquele meu mísero apartamento com o Arin. Lavadora, secadora, passadeira a vapor... Alguém aqui realmente não gostava de gastar tempo lavando e passando roupas.
Sendo assim, atravessei a lavanderia, indo até a cozinha. Era ainda maior.
Acredito que só a cozinha junto com a lavanderia poderia ser já o tamanho do meu apartamentinho.
Apesar de grande e arejada, estava uma zona! Comida no chão, pratos revirados dentro da pia, geladeira entreaberta gastando energia à toa. Fui até lá, fechando-a devidamente.
Havia pizza ainda dentro da caixa, mordida pela metade e abandonada ali.
Aquilo tudo realmente estava de cabeça para baixo, além do insuportável cheiro de homem que invadia a minhas narinas.
Fui até a sala, ficando boquiaberta com o tamanho da mesma. Aquele apartamento era enorme de acordo com as minhas referências. Tinha um Xbox 360 e um Playstation 3 na enorme estante que estava encostada na parede junto da TV igualmente enorme.
Tudo era muito bonito se não fosse pela bagunça em que aquilo estava.
Revirei o pescoço, buscando encontrar algo que pudesse me ajudar, e lá estava um telefone.
Corri até a mesinha que estava perto de uma das janelas, sentando-me, ligando imediatamente para o celular de Arin.
“Esta chamada só é permitida com o código de área.”
Franzi o cenho, confusa. Código de área?
Senti um aperto forte em meu peito. Talvez eu estivesse longe demais de casa.
Precisava testar.
Disquei o código de alguma operadora, o código de área internacional, sim, eu estava realmente com suspeitas de que estava longe demais, e por último o código da cidade seguido pelo número do celular de Arin.
Fechei os olhos, rezando mentalmente para que as minhas suspeitas estivessem erradas.
A ligação se completou e começou a chamar.
Senti minhas pernas tremerem de tamanho desespero. Onde mais eu poderia estar?!
- Alô? – ouvi a voz de Arin fazendo meu coração disparar instantaneamente.
- ARIN! – gritei de imediato.
- LUCY! PORRA, ONDE VOCÊ ESTÁ MENINA? Eu estou te procurando que nem louco!
- Arin... Arin, me escuta... E-eu fui sequestrada pelo Synyster Gates!
- O que?! – sua voz subiu uma oitava, ficando completamente aguda e logo ouvi suas gargalhadas. – Lucy, conta outra... Acha mesmo que eu vou acreditar que o Synyster Gates te sequestrou?
- Arin, é sério! Por favor, acredite em mim!
- Olha Lucy, essa brincadeira já perdeu a graça, vê se aparecesse logo que amanhã tem aula... Pelo menos agora eu sei que não aconteceu nada de grave com você... Sequestrada, há, há... Essa foi boa, estou te esperando. Beijos.
- ARIN! ARIN! ARIN! – gritei, irritada. Ele havia desligado o telefone.
Suspirei, irritada, batendo o telefone contra a base.
De repente, ouvi a porta se abrindo.
Pensei em correr, mas era tarde demais.
- LUCY?! O QUE ESTÁ FAZENDO AQUI?!
Notas finais
Queria pedir por favor para deixarem seus reviews com suas opiniões, são realmente muito importantes pra mim.
Espero que estejam gostando e por favor, acompanhem!! HISAHISAHISAHISHAISA
Enfim, beeeijos. ♥
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