Danger Line
27 Pesadelo.
PESADELO.
Arin’s POV.
- Então você costuma a tocar que tipo de música?
- Rock de modo geral. – dei de ombros. – Dou aulas de bateria também. – respondi a uma das gêmeas Dibenedetto. Eu sinceramente não sabia qual era qual.
- Espera só um momento, por favor... – ela dizia com um sorriso posto nos lábios. – Chelle... Ô CHELLE! – gritava, provavelmente quem seria a Valary.
- O que é?! – uma mulher loura, com o rosto idêntico ao de Valary finalmente se aproximava. Agora eu poderia diferenciar. Valary estava com o cabelo preto, enquanto Michelle com os cabelos louros.
- É que esse rapaz... Arin Ilejay veio pedir para tocar aqui. – dizia Valary, encarando a irmã.
- Ah... – Michelle me olhava da cabeça aos pés. – Pode deixar que eu falo com ele. – a loura apoiava os cotovelos contra o balcão, deixando o decote bem a mostra. – Já tocou em bar antes? – ela disparou em perguntar, enquanto a irmã se afastava.
- Já... – respondi de modo modesto. – Eu também dou aulas de bateria. – eu gostava de deixar isso bem evidente, assim quem sabe eu não conseguiria uma renda extra para juntar passagens para que eu e Lucy finalmente fossemos embora.
- Interessante... – ela suspirava. – Bom, você veio em boa hora... De fato estamos precisando de um baterista...
- O Avenged não toca aqui?! – franzi o cenho.
- Lógico que não! – ela dizia num tom de impaciência, revirando os olhos. – Acorda! Estamos falando do Avenged Sevenfold! Se eles viessem tocar aqui, meu bar viria a baixo! Eu ia ter bastante prejuízo.
- Imagino... – encarei meu redor. De fato aquele bar não era muito grande, mas tinha bastante charme. Vi que uma das janelas estava quebrada. – Bom... Tem muita pancadaria por aqui? – perguntei, encarando a janela.
- Ah... Não... – ela dava uma risada levemente sem graça. – Isso se trata de... Um acidente... Bom, não vem ao caso agora.
- Ah sim...
- Mas e então, gato... Seu sotaque deixa claro que você não é daqui.
- Acusado! – brinquei timidamente. – Eu sou de Londres.
- Londres... – ela abria um sorriso largo. – Que legal! Mas o que você veio fazer aqui na Califórnia? Cansou do frio de lá?
- Bom, lá não é sempre frio... – eu lhe respondia com cautela, a fim de não revelar muito sobre mim, poderia não ser muito seguro.
- Você ainda não respondeu minha pergunta. – ela disparava uma leve risada, mordendo o lábio inferior e me encarando de uma forma estranha.
Tossi alto, tentando desviar daquele seu olhar, e então encarei o chão.
- Bom, vim ganhar dinheiro com música, sabe? Eu gosto muito dessas bandas da Califórnia. – abri um sorriso, tentando ser o mais convincente possível. – Aqui faz mais meu estilo.
Lucy’s POV.
Estava tudo tão quente e estranhamente confortável.
Eu sabia muito bem o que havia acontecido entre mim e Brian, e não posso dizer que eu estava arrependida, embora pensasse constantemente em Arin. Era estranha aquela sensação que ele me provocava, mais quando ele se aproximou de mim, vi que seus olhos não revelavam um jogador, revelavam Synyster Gates.
Abri meus olhos e primeiramente não pude reconhecer onde eu estava. Eu havia dormido tão pesado que provavelmente eu estaria dentro do avião ou coisa parecida.
Espreguicei-me, sentindo minhas costas estralarem. Ao olhar para baixo pude perceber que eu estava vestida apenas com uma camiseta do Avenged Sevenfold.
Cocei a nuca, abrindo os olhos e logo, meu peito disparou de desespero.
Eu conhecia aquele lugar, conhecia aquela porta, aquela cama, aquele quarto...
Saltei de imediato da cama, correndo até a porta.
- SOCORRO! – gritei, espancando-a incansavelmente. – SOCORRO! ALGUÉM ESTÁ ME OUVINDO?! PELO AMOR DE DEUS!
Eu havia ficado tão desnorteada como se tivesse levado uma tijolada na cabeça.
Aquele quarto era o mesmo do qual Brian me manteve trancada há muito tempo.
Abri as gavetas da cômoda apenas para me certificar, e como eu mais temia, haviam os mesmos objetos de sacanagem postos ali.
O que será que Brian planejava? Não era por que ficamos juntos por uma noite que eu teria de voltar a ser sequestrada!
Onde estavam os meninos?
Onde estavam todos?!
- SOCORRO! – tornei a gritar, espancando a porta.
De repente, a mesma se abriu, emitindo um estalo, que pelo susto, recuei os passos, e lá estava ele, Brian, com um sorriso largo estampado em seus lábios.
- Bom dia. – ele entrava, fechando a porta, e trancando-a logo em seguida.
- Pode me explicar o que é isso? – perguntei cruzando os braços e batendo os pés contra o chão. – Você está de palhaçada, não é?! — o desafiei.
- O que vai querer para o café da manhã? – ele tornava a sorrir, ignorando por completo todas as minhas indagações.
- SAIR DAQUI! – gritei.
- Grita. – ele dava de ombros. – Pode gritar o quanto quiser, a banda saiu de férias, o apartamento vai ficar vazio por um longo tempo... Exceto por mim e você. – Brian disparava uma piscadela.
- O que é isso, cara?! – lhe dei um empurrão com toda a minha força, embora parecesse não resultar em nada contra ele. – VOCÊ FICOU LOUCO?! QUAL O SEU PROBLEMA?!
- Simples... Você não vai embora. – seu rosto de repente, estava sério. — Você é minha agora.
- Como assim não vou embora? – senti minhas pernas bambearem. – Que brincadeira é essa?! – minha voz ficava cada vez mais exaltada.
- Acha mesmo que depois de tudo que aconteceu entre a gente eu te deixaria ir embora? – Brian arqueava uma das sobrancelhas, cruzando os braços, enquanto bancava o sínico.
- O que aconteceu entre a gente foi apenas uma fraqueza. – debati, sentindo como se meu peito fosse se abrir de tamanho nervoso.
- O que aconteceu foi o que eu te pedi durante muito tempo... – Brian me encarava seriamente, aproximando-se de mim.
Rapidamente, meti-lhe um empurrão, fazendo-o recuar.
- Você pode fazer o que quiser comigo. – um sorriso maligno se estendia no canto de seus lábios, enquanto ele disparava em um tom de piada.
- Você ficou louco?! – perguntei indignada.
- Louca é você! – ele debatia, tornando a ficar sério. – Demorou tanto tempo pra depois se entregar a mim? E agora quer se fazer de difícil de novo... – Brian revirava os olhos. – Vocês mulheres são todas iguais. – sua voz deixava evidentes resquícios de ódio.
Eu estava incrédula demais para processar respostas rápidas. Ele sabia que eu era feita de carne, aliás, ele é um homem que eu sempre admirei , tanto pelo trabalho, assim como pelo físico. Por mais que eu tentasse negar isso dentro da minha mente, eu sabia que pra mim, ele era o homem mais perfeito que eu já havia visto, não seria fácil...
Vendo ele dizer essas coisas, um buraco grande foi sendo cravado dentro de mim, como se de repente o arrependimento me sucumbisse, fazendo com que eu me sentisse uma suja, tola, desprezível.
Quando dei por mim, havia lágrimas escorrendo pelos meus olhos.
Maldição! Tudo o que eu menos queria era chorar na frente dele.
- Lu... – Brian sussurrava, aproximando-se de mim. – Não fica assim, meu amor... – suas mãos quentes tocavam o meu queixo, conforme eu sentia meu estômago revirar, como quem sentisse nojo de tudo aquilo. — Qual o problema de ficar aqui comigo? Não é assim tão ruim... É?
Disparei um tapa contra sua mão que se aproximava de meu rosto, fazendo-o recuar e me encarar espantado.
- Não... Me... Chame... De... Amor... – disse pausadamente. – Você é um crápula!
- E você sempre me xingando... – Brian me encarava, sem se intimidar.
- Como você se atreve a querer me manter trancada aqui de novo?! Você ficou maluco?! – minha voz ia subindo várias oitavas. – COMO VOCÊ SE ATREVE?!
- Ora! Cale essa boca, Lucy. – ele se aproximava bruscamente de mim, agarrando-me pela cintura, colocando seu rosto tão próximo do meu, que eu podia sentir seu hálito quente assoprar meus cabelos. – Não adianta você negar... – Brian sussurrava, enquanto seus olhos escuros como a noite tragavam meu ar, com aquele jeito tão Brian de me olhar.
Seus passos avançaram, fazendo com que eu consequentemente recuasse, caindo de costas sobre o colchão. Era incrível, pois mesmo com a queda, seu olhar não se desequilibrou, enquanto ele continuava com sua maldição ao sugar todo meu ar, e fazer com que eu perdesse a estabilidade.
- Acha que eu não sei? – ele perguntava, enquanto seus lábios caminhavam até a ponta de meu ouvido, provocando um arrepio em minha espinha. – Acha que eu não sei como seu corpo se arrepia quando eu coloco minha mão por baixo de sua blusa?
E de fato eu senti um arrepio. Aquilo era como uma doença, sem tratamento, em estágio terminal, sem possibilidade de cura. Você se rendia, mesmo que isso lhe faça mal.
Brian esboçava um sorriso no canto de seus lábios, como se estivesse satisfeito com a reação automática de meu corpo.
- Desiste, Lucy... – ele tornava a sussurrar. – Nós dois sabemos que você já perdeu esse jogo há muito tempo...
- ME SOLTA! – disparei, de repente, irritada com tudo aquilo.
Ergui bruscamente meu joelho, acertando-o em cheio na virilha.
Brian se contorcia pela cama, enquanto eu o empurra, tentando me recompor.
Ele, porém, recuperou-se mais depressa, segurando meus braços, de modo que me obrigasse a olhá-lo.
- Já vi que você continua uma levada. – ele murmurava.
- Chega dessa coisa idiota e estúpida! Eu quero sair daqui! Chega!
- Você não pode sair daqui. – ele dizia sério, como se não se importasse com minha opinião ou com o que eu sentia.
- Acabou! O que aconteceu entre a gente não foi nada, não significou nada! ME ESQUECE! – gritei, dando-lhe um forte empurrão.
- VOCÊ QUE PENSA! – sua voz também se exaltava, enquanto ele avançava, fazendo com que eu caísse sentada sobre a cama. – SIGNIFICOU MUITO! Se fosse antes você já teria ido embora, mas agora as coisas mudaram! Você me pertence, Lucy, e isso nunca vai mudar.
- O QUE?! Da onde você tirou que eu te pertenço?! Acha que eu sou um objeto?! Me deixa em paz! Eu te desprezo, eu te detesto! – disparei as palavras uma seguida da outra.
- É uma pena que você pense assim... – ele me olhava como se tivesse ficado desapontado, e então, deu as costas. – Mas isso não muda o fato de que você não vai sair daqui. Dessa vez eu vou fazer as coisas direito, nem Jimmy sabe que você está aqui, nem ninguém... Acabou a palhaçada, Lucy.
Comecei a chorar de tamanho desespero. Eu não conseguia entender como ele poderia ser tão insano de agir comigo daquela forma.
Brian não disse mais nada, simplesmente abriu a porta, retirando-se dela, enquanto meus soluços sobressaltavam pelo som da porta se trancando novamente.
Não... Aquilo não poderia estar acontecendo... Só podia ser um pesadelo.
Notas finais
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