Danger Line
22 Orgulho.
ORGULHO.
Lucy’s POV.
Minha visão girava. Eu estava apenas de olhos abertos e encarando o teto.
Não era possível! Eu simplesmente não havia me lembrado de nada do que havia acontecido na noite passada. Tudo estava escuro como se tivessem batido contra a minha cabeça, fazendo com que eu perdesse os meus sentidos.
Fiquei mais um tempo ali, parada, olhando para o alto, esperando que minha vista conturbada se estabilizasse. Sentia minha cabeça pesada, e sinceramente eu estava com medo de erguer a cabeça e sentir mal estar.
Fazia muito tempo que eu não bebia desse jeito. Normalmente o fazia com Arin, mas aquela tal de caipirinha havia realmente me derrubado.
Estiquei os braços, buscando me espreguiçar, mas assustei-me, sentindo meu coração dar um pulo, assim que senti que meus braços haviam batido em algo.
Temerosa, girei levemente meu globo ocular para o lado direito do meu rosto, vendo que havia uma cabeça provida de cabelos castanhos escuros, enterrada contra o edredom.
De imediato, fui verificar a roupa que eu usava, e apesar de ter ficado muito bêbada, eu sabia que aquela camiseta que me servia como uma camisola, não era minha.
Lembro que era Jason quem estava bebendo comigo.
Céus! Será que ele estava deitado ali? Será que eu fiz algo a mais com ele que não fosse dormir? Será que eu estava grávida? Ele ia assumir o filho? Estou com AIDS?!
Tinha que tirar essa história a limpo, e com um movimento brusco, removi rapidamente o edredom da cabeça desconhecida e com o susto, cheguei até mesmo a achar que não o deveria ter feito.
Não era Jason que estava deitado ao meu lado.
Era Brian.
- SEU VIADO! FILHO DA PUTA! – gritei, disparando-lhe um chute, que o fez cair da cama.
- FOGO? ONDE? ONDE?! – ele gritava desnorteado.
- SEU APROVEITADOR, VIADO, GAY, LÉSBICO, DEMENTE! – continuei disparando minha fúria.
- Tem macarrão? – ele perguntava com a voz tranquila, evidentemente grogue de tanto sono.
- Eu não acredito que você foi capaz de fazer isso! – levantei-me da cama, puxando seus cabelos, obrigando-o a se levantar.
- AI! AI! AI! – ele gritava, segurando minha mão, como se tentasse diminuir a força que era exercida contra o seu couro cabeludo. – Ficou maluca, menina?
- Você que é um tarado sexual maníaco! – continuei atacando. – Não pense que você pode se meter comigo, viu? Viu? Eu sou uma máquina de matar!
Ele apenas de encarava, com as sobrancelhas arqueadas. Seus cabelos estavam bagunçados, e ele me olhava com uma carinha de sono que fez com que eu me sentisse levemente confusa, mas isso não era motivo para eu dispersar minha fúria.
- Você ficou doida? – ele tornou a dizer com um sorriso no canto dos lábios.
- O QUE VOCÊ ESTAVA FAZENDO DORMINDO DO MEU LADO?! – gritei o mais alto que pude. – Essa camiseta por um acaso é sua?! – senti meu coração bombear ainda mais rápido.
- É minha. – ele cruzou os braços. – Se quiser, pode ficar para você.
- Lembrança da sua violação contra a minha pessoa? – cruzei os braços, enraivecida.
- O que você acha que eu fiz com você? – ele dizia como se tivesse me desafiando.
- COMO SE ATREVE A PERGUNTAR UMA COISA DESSAS?! – corri rapidamente em sua direção, disparando-lhe com o punho contra seu estômago, e ele simplesmente se desequilibrou, caindo sentado sobre a cama.
Ele me olhava com uma expressão de piada, abrindo uma grande gargalhada.
- Você é uma piada mesmo... Tolinha. – ele sorria, despreocupado. – Pergunta para os meninos como é que você estava ontem...
- Eu dei em cima de você? – perguntei temerosa.
- Exatamente... – ele dizia com seriedade.
Brian’s POV.
Ela parecia um tanto chocada. Certamente não esperava que eu lhe confirmasse aquilo. E de fato, eu estava mentindo.
Nada havia acontecido entre a gente. Eu apenas fiquei tomando conta dela durante toda a noite, e simplesmente peguei no sono, mas isso simplesmente ia contra ao que eu faria normalmente.
- E a gente... – ela gaguejava, evidentemente incrédula.
- Claro que sim. – disparei uma risada calorosa. – Da melhor maneira possível! Você até disse que se arrependeu de ter demorado tanto tempo e que eu sou uma máquina do sexo.
- VOCÊ ESTÁ MENTINDO! – seu tom de voz havia aumentado bruscamente. – ISSO É MENTIRA! – ela parecia com aquelas crianças sendo contrariada. – QUE NOJO! EU NÃO FICARIA COM VOCÊ NEM BÊBADA! PARA DE MENTIR!
- Pois é... Aceite os fatos. – dei de ombros.
Seu rosto rapidamente havia ficado em chamas. Parecia um tomate fresco, enquanto caminhava em minha direção, tornando a me socar.
Pisando fundo, ela ia se aproximando da porta do quarto e se retirou.
Rapidamente, caminhei logo atrás dela.
Fomos até a cozinha, onde os meninos já estavam se empanturrando de comida para o café da manhã.
Zacky estava de cara feia, e ao analisá-lo, pude entender claramente o porquê. Seu prato estava repleto de folhas de alface, assim como os de Johnny, que sorria despreocupado, enquanto Matt, logo á frente dele, estava com um waffles enorme, cheio de cobertura, comendo, deliciando-se ao ponto de lamber os dedos. Jimmy, para variar, estava bebendo, logo cedo.
Assim que adentramos a cozinha, todos, sem exceção, giraram seus rostos para nós, e logo, entreolharam-se maliciosos.
- Como os pombinhos passaram a noite? – Jimmy perguntou de modo maldoso, encarando-me como se fizesse questão de me alfinetar, porém mal sabia ele, que estaria alfinetando Lucy.
- Cala a boca. – ela disparou contra ele mal humorada, aproximando-se dos waffles de Matt, apanhando-os todos de uma vez só, metendo-os dentro da boca.
Matt arregalou os olhos, evidentemente sem entender nada, e logo, fez um bico, e tornou a encarar seu prato, agora vazio.
- Ei, Lucy, era brincadeira. – Jimmy franzia os lábios, encarando-me pela sua visão periférica. – O que foi? É a ressaca de ontem? Se for, relaxa, andando com a gente você vai se acostumar com essa sensação, rapidinho.
- Pior do que eu vocês não estão. – Zacky grunhiu tão mal humorado quanto Lucy. – Não são vocês que além da ressaca, estão passando fome. – ele encarava Johnny.
- Quando você se pesar, vai até se masturbar pensando em mim. – Johnny dizia despreocupado.
Zacky apenas fez uma careta, encarando o baixinho.
Sentei-me ao lado de Matt, enquanto todos me encaravam, como se esperassem que eu dissesse alguma coisa.
Lucy, assim que passou por mim, enquanto segurava uma xícara de café, fez questão de dar uma cotovelada bem na minha cabeça, e então, sentou-se ao lado de Johnny.
- Vocês dois sumiram ontem... – dizia Johnny, fazendo com que eu entendesse o motivo de eles me encararem tanto. Aqueles caras eram um bando de maliciosos, eu sabia muito bem o que eles estavam pensando.
- Eu me lembro da Lucy gritando por um patinho amarelo. – Jimmy disparava uma risada alta. – Eu adoro patos.
Lucy apenas ficou em silêncio, virando todo o conteúdo de sua xícara goela abaixo.
- Eu não lembro direito do que me lembro... – Jimmy encarava a mesa, pensativo. – Acho que antes de cair dormindo no sofá, eu vi a Lucy e o Syn... Isso foi depois do pato.
- COMO ASSIM?! – ela perguntava evidentemente repleta em desespero.
Arregalei os olhos, rezando internamente para que Jimmy simplesmente se esquecesse da minha crise de enfermeiro.
- Ah, nem lembro. – ele disse em seguida, dando uma risada descontraída para o meu alívio.
Depois que comemos, fomos arrumar nossas coisas para seguirmos viagem. Agora, os shows finalmente começariam e não teríamos descanso durante muito tempo.
Por um lado, eu estava feliz em ter provocado Lucy. Era uma das coisas mais divertidas de se fazer, apesar de ela parecer querer me odiar, mas confesso que talvez essa viagem seria repleta de lamentações se ela não estivesse ali conosco. Provavelmente eu teria ficado preocupado em como ela estaria em nosso apartamento, se estava bem, se fugiu... Ela ali conosco simplesmente fazia com que eu me sentisse ainda mais perto dela, mesmo que fosse implicando e brigando, era bem melhor do que ela simplesmente viver me ignorando.
Sei que minha maneira de pensar era bem estranha, na verdade, nem eu mesmo entendia, só sabia que meu coração apitava toda vez que eu a via, como se tivesse a necessidade de me aproximar dela custe o que custar.
Arin’s POV.
Califórnia fazia um calor infernal. O pouco dinheiro que eu tinha já estava acabando e eu ainda não tinha um plano de como iria conseguir salvá-la daquele filho da puta.
Precisava arrumar um emprego, só assim para conseguir manter as diárias do hotel meia boca que consegui.
Fazia muito tempo já em que eu estava pensando em dar uma passada nos bar onde as gêmeas Dibenedetto eram donas. Um tal de Barrab.
Talvez lá, eu conseguisse um emprego e quem sabe, aproximar-me da maneira mais eficaz dos Avengers.
Por diversas vezes tentei ligar novamente no celular de Lucy, na esperança de que aquele sequestrador de quinta falasse comigo, porém o aparelho acusava apenas como fora da área e aquilo já estava me dando nos nervos.
Lucy’s POV.
Eu ainda não conseguia acreditar que eu devia ter bebido tanto ao ponto de ir para a cama com Brian. Aquilo era impossível!
Sentia-me suja, e obviamente que ele me olhava com um sorriso vitorioso como se finalmente tivesse conseguido o seu propósito.
Durante a viagem, os meninos brincavam de tomar tequila e ver quem conseguia se equilibrar dentro do ônibus sem usar nada como apoio. Jimmy já havia batido três vezes a testa contra o chão e ainda continuava firme e forte tentando derrotar Matt que por mais que bebia, parecia que nada surtia efeito naquele monstro enorme.
Eu estava debruçada contra a janela vendo a imagem borrada passar. Meus pensamentos voavam tão longe que eu mal conseguia rir de todas as gracinhas que Zacky e Johnny tentavam fazer para que eu ficasse melhor.
- Você não está bem mesmo, não é pequena? – Johnny perguntava, colocando seu rosto de frente com o meu.
- Pequena... Olha só quem fala. – Zacky o cutucava.
- Cala a boca, bola de basquete. – ele grunhia. — Ignore o Zacky, Lucy, ele é tonto mesmo.
Dei uma leve risada ao vê-los discutir.
- Ae! Um sorrisinho! – Johnny comemorava.
- Acho que somos bons nisso... – Zacky concluía. – Poderíamos fazer apresentações de Stand Up por aí nas horas vagas.
- Foco na Lucy, bobão. – Johnny estralava os dedos. – O que houve? Por que não vem tomar tequila com a gente?
- O Brian está lá. – revirei os olhos. – Não quero vê-lo em pintado de ouro!
- Não acho que ele pintado de ouro seria muito bonito. – Zacky dava uma risadinha travessa.
- O que aconteceu entre vocês? – Johnny revirava os olhos, ignorado Zacky.
- AH! – ouvimos de repente um grito.
Olhei assustada para o corredor do ônibus e lá estava Jimmy de novo.
- Vareta, desiste, eu sou mais forte. – Matt se vangloriava.
- Esses seus músculos devem estar absorvendo todo o álcool, não é possível! – Jimmy resmungava, tentando se levantar do chão.
Ignorando aquela pequena algazarra, voltei minha atenção para os meninos.
- Não contem para ninguém, ouviu bem? – sussurrei, encarando-os seriamente. – O Brian me disse que eu e ele dormimos juntos... Digo, não bem apenas dormindo, entende?
- Tá, vocês transaram. – Zacky dizia de modo direto. – E então?!
- NÃO! Eu não fiz nada disso com ele! – debati relutante. – Eu estava bêbada, eu nem lembro do que aconteceu, e então eu preciso de ajuda de vocês para descobrir se isso é realmente verdade.
- Certo. – Johnny suspirava. – Vamos para as pistas. Você acordou pelada?
Senti meu rosto corar, aqueles caras eram muito diretos.
- Não. – mesmo assim, respondi. – Eu acordei com a camiseta do Brian.
- Ele estava pelado? – Zacky perguntava disparando uma risada maliciosa.
- NÃO! – disse, tentando afastar algumas visões da minha mente. – Não, ele estava com a mesma roupa de ontem, eu acho.
- Então vocês não transaram. – Zacky concluía, coçando o queixo. – Se vocês tivessem dormido juntos, como você diz, ele não teria acordado de roupa, ainda mais a mesma de ontem...
- Além de que, eu conheço o Syn, eu sei que você pode estar com muita raiva dele e tudo mais, mas ontem, eu lembro de ter visto claramente ele cuidando de você, já que você estava uma bêbada varrida.
- Ah é? – perguntei confusa. – Mas ele me disse que...
- Olha, o Syn só transaria com você naquele estado, se ele também estivesse bêbado. – Zacky dizia seriamente. – Juro para você que ele não está com bafo de bebida, e eu manjo muito disso de cheiros.
- Lógico, é uma porpeta faminta! – Johnny alfinetava.
- Sério... – Zacky disparava um tapa contra Johnny. – O Syn não se aproveitaria de você naquele estado, ele é muito gay, não seria capaz de fazer isso... Mas...
- Mas o que?! – olhei aflita para Zacky, com medo do que viria em seguida.
- Ele é capaz de mentir sim, sobre essas coisas.
Senti meu peito se apertar em meu interior.
AQUELE BRIAN FILHO DA PUTA!
Como ele mentiu daquele jeito pra mim? Passei longas horas de tortura interior, me sentindo como uma qualquer TUDO POR CULPA DELE!
Ah! Ele ia ver só...
Agora sim, não tem mais jeito!
Ele vai saber quem é Lucy Dartagan!
Notas finais
Não deixem de comentar, sim?
Vou aproveitar para fazer uma pesquisa de Ibope (deixando claro que isso não vai interferir na fic, é só pa satisfazer minha curiosidade).
Lá vai.
Quem deve ficar com Lucy Dartagan?
[1] para Brian
[2] para Arin.
Uhules!
Beeeijos e boa noite. ♥
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