Danger Line

33 Desprezo.


DESPREZO

Brian’s POV.


Andar de um lado para o outro já não me adiantava mais.

Ela não acordava.


Era terrível lembrar a forma de como ela estava. Completamente fora de si, gritava, me batia, me arranhava, até que por si só desmaiou.

Aposto que ela nunca se quer pensou em passar por algo como aquilo e isso me preocupava.

Sentei-me ao seu lado, vendo que ainda estava completamente desacordada, não pude evitar que meu instinto pairasse sobre minhas entranhas e simplesmente despenquei em carinhos por ela.

Acariciava seus cabelos com delicadeza, como se até tivesse medo em tocá-la demais, talvez isso podería assustá-la, já que ela aparentava bastante traumatizada.

De repente, percebi que suas pálpebras estavam ficando franzidas, como se a mesma estivesse apertando ainda mais forte seus olhos.

- N-não… — ela guaguejava, começando a girar o rosto de um lado para o outro, como se um pesadelo estivesse tomando conta de seu sono. – Tire suas mãos de mim… Tira… N-não… Não, por favor… Não…

Achei melhor acordá-la daquela tortura, ela precisava saber que já estava tudo bem, e que aqueles desgraçados jamais tornariam a colocar as mãos sobre ela.

- Lucy… Acorda, já está tudo bem. – segurei seu rosto com firmeza, porém sem machucá-la. – Lucy, acorda…

Assustada, ela abria os olhos de repente, empurrando minhas mãos de seu rosto, encolhendo-se contra a cabeceira da cama.

Seus ombros tremiam, da mesma forma que seu lábio inferior batia freneticamente com o superior.

- Está sentindo frio? – perguntei com cautela, mas não me atrevi a aproximar, já que ela aparentava evidentemente estar com muito medo.

Lucy apenas negou com a cabeça.

- Quer que eu traga algo para você beber? – perguntei.

Lucy abaixou a cabeça, tornando a negar.

- Quer ficar sozinha? – arrisquei mais uma vez. Odiava vê-la assim, precisava fazer algo por ela.

- Não sei… — ela murmurou. – Eu… Bom… — ela parecia atrapalhada com as palavras. – Se você não tivesse aparecido… Eu poderia estar morta agora ou vivendo um dos piores momentos da minha vida... Prefiro pensar que eu estaria morta.

- Ei! – aproximei-me involuntariamente, porém ela recuou ainda mais. Senti-me estranho, parecia que ao invés de ajudar eu estava lhe fazendo mal. – Não pense numa coisa dessas! Você está viva, nada aconteceu com você, nada! Eu… Eu não deixaria.

- Mas eu voltei a ser sua refém. – ela erguia a cabeça, olhando-me dentro dos olhos. – Mesmo passando por tudo isso você ainda teve a coragem de me trancar aqui de novo…

- NÃO! – protestei. Ela estava certa, não podia deixá-la ir, mas não queria que ela visse os fatos assim, afinal, eu realmente estava preocupado e ela não estava em condições de ir. – Você não entende? Eu não posso te deixar ir embora... Não desse jeito!

- Você tem medo? – seus olhos estavam foscos e vazios, não parecia a mesma Lucy de sempre. – Tem medo que eu te denuncie.

- Talvez. – dei de ombros.

- Mas eu não vou fazer isso. – seus olhos verdes se encontravam com os meus, e eu podia ver a sinceridade diante de suas palavras. – Eu só quero voltar para a minha casa… — de repente, uma lágrima escorreu pelos seus olhos.

- Lucy… Você sabe que eu não deixaria você ir embora assim, nesse estado… E… E eu não quero que você vá.

Lucy apenas se ergueu da cama, caminhando por passos lentos diante todo o perímetro do quarto.

- Você não entendeu ainda? – ela me encarava com os olhos ainda mais sombrios. – Toda a merda que aconteceu comigo até agora foi tudo culpa sua! – de repente, sua respiração havia ficado ofegante. – Eu QUASE FUI ESTUPRADA PENSANDO EM FUGIR DE VOCÊ! Logo você, um homem sem respeito algum por ninguém, que já me manteve refém durante meses… MESES! Ouviu bem?! Que tipo de animal é você?!

- Lucy… Mas… — tentei argumentar, eu realmente não esperava que ela fosse dizer tudo aquilo.

- Eu te desprezo… Brian! – ela dizia meu nome com quem dizia um palavrão. – VOCÊ É UM MESQUINHO, EGOÍSTA…

- Ei! – protestei. – Eu não vou ficar aqui ouvindo você me dizer todas essas coisas! PORRA, EU DEIXEI DOIS CARAS COM A CARA DESFIGURADA NO MEIO DA RUA POR VOCÊ E EU SOU EGOÍSTA?!

- Você só fez isso pra poder me sequestrar de novo! – ela dizia, com os olhos vermelhos e repletos de fúria. – Por que você só pensa em si mesmo e em mais nada.

- Quem disse que eu fui atrás de você por causa disso?! QUEM DISSE?! — alterei meu tom de voz, apesar de fazer o possível para manter a calma.

- E eu preciso que alguém me diga? – ela se aproximava de mim, como se estivesse me desafiando. – Não Brian, eu não preciso… Já está mais do claro pra mim o tipo de pessoa escrota e sem caráter que você é… E pensar que eu já cheguei a te amar… — ouvir aquilo, fez meu coração quase sair pela boca. – Claro, como fã, eu te admirava, mas desde que você cruzou meu caminho, minha vida se tornou um inferno.

Abaixei a cabeça. Não podia acreditar que ela estava me dizendo aquilo depois que eu passei horas e mais horas acordado esperando alguma reação dela. Eu não podia acreditar que ela teria coragem de dizer aquelas coisas sendo que nunca cheguei perto a fazer com ela o que aqueles caras fizeram. Eu podia ter dado em cima dela, beijado-a a força, irritado ela o quanto que fosse, mas nunca, jamais seria violento ao ponto de machucá-la, nem com ela e nem com nenhuma outra mulher.

Ela não podia dizer aquelas coisas de mim, não podia!

- Está fazendo o que aí parado?! – ela cruzava os braços. – Já deu de tirar onda com a minha cara… Vá embora.

- Mas, Lu…

- VAI EMBORA! SOME DA MINHA FRENTE! EU NÃO QUERO TE VER! Se você vai me manter sequestrada, pelo menos não me torture mais!

- Lucy…

- CALA A BOCA. – de repente, ela tornava a cuspir contra meu rosto. Aquela menina estava louca. – DESAPARECE, SEU FILHO DA PUTA, SOME! SOME!

Eu não iria conseguir conversar com ela, pelo menos não agora.

Apesar de eu me manter intacto na sua frente, ninguém melhor do que eu saberia o quanto aquelas palavras haviam me rasgado por dentro. Senti-e um sujo, um verme, pelo menos era assim que ela me fazia sentir.

Não podia dizer mais nada e nem queria… Ela me desprezava, me odiava...

E em pensar que eu fui atrás dela apenas para…

Deixa pra lá.

Arin’s POV.


Eu sentia aquele perfume. Dias já haviam se passado desde que eu entrei naquele quarto. Infelizmente, eu ainda não tive a oportunidade de voltar, ainda mais por que todos estavam ebaforidos com o casamento de Shadows.

Ainda não quis levantar. Dormia com a camiseta de Lucy todas as noites a fim de sentir seu perfume e seu calor através daquela vestimenta.

Eu sentia falta dela e muita.

Já não aguentava mais Michelle no meu pé todos os dias… E…

- Bom dia! – falando no diabo, a própria aparece.

- Oi Chelle, já abriram o bar? – perguntei, escondendo a camiseta em baixo da minha cama.

- Quem disse que vamos abrir o bar hoje? – Michelle franzia o cenho. – Esqueceu que hoje é o casamento da minha irmã?

- Ah é… — revirei os olhos. Estava tão atordoado que eu quase havia me esquecido que o tal acontecimento seria justamente hoje.

O mais engraçado nisso tudo, é que eu simplesmente eu havia sido convidado. A ideia de eu ter ido na despedida de solteiro me interagir com o pessoal havia sido boa, parecia que aos poucos eu conquistava a confiança deles.

- Então eu posso dormir mais, não é? – abri um sorriso.

- Não, antes eu preciso que você faça uma coisa para mim. – Michelle sussurrava, fechando a porta do meu quarto, sentando-se na minha cama. – Olha, eu não sou idiota, eu percebi que você não vai com a cara do Brian.

- Como é? – franzi o cenho. Juro que eu estava fazendo o possível para que ninguém percebesse.

- Ah, eu percebi do jeito que você o encara… — Michelle dava de ombros. – Mas eu estou pouco me fodendo pra isso.

- Ah… — arqueei uma das sobrancelhas. – Então o que você quer que eu faça?

- Quero que você me compre isso. – ela me estendia um pedaço de papel.

Apanhei-o sem hesitar, analisando a letra pequena e redonda.

- Peiote? – franzi o cenho. – Isso não é uma espécie de cacto alucenógeno?

- Você entende bem das coisas… — Michelle me analisava. – Mas é isso mesmo… Pretendo fazer um chá.

- E quem vai ser a vítima desse chá? Imagino que seja seu ex namorado… — disparei uma risada maldosa.

- Garoto esperto… — Michelle se ajoelhava sobre o colchão da minha cama, colocando-se logo a minha frente, tornando a me olhar de forma estranha. – Preciso disso, para hoje.

- Vai dar pra ele durante a festa de casamento? – arrisquei um palpite.

- Acertou. – ela tornava a se aproximar ainda mais de mim perigosamente, enquanto acariciava minha nuca.

Eu sinceramente não esperava por aquilo.

Engoli seco, empurrando-a levemente para que ela se afastasse.

- Tudo bem… Eu compro. – suspirei, erguendo-me da cama.

- Muito obrigada… — Michelle sussurrava em meus ouvidos. – Tenho curiosidade em saber por que você detesta tanto o Syn… — logo, senti seu dedo indicador passeando pelo meu pescoço, invadindo o interior de meu couro cabeludo.

- Simplesmente não gosto. – dei de ombros, virando-me para ela. – Desprezo.

- Sabe, eu sinto a mesma coisa… — ela fechava o punho com força. – Desprezo, por aquele filho da puta brincar tanto comigo.

Abaixei a cabeça. Eu o odiava, mas amava muito mais Lucy ao ponto de simplesmente querer encontrá-la e ir embora.

- Não se preocupe, meu amor… — ela sorria. – Se você me ajudar contra o Syn, você poderá ganhar muito.

Notas finais
Aee pessoal, mais um capítulo rapidinho aí pra vocês, logo tem mais, já já estarei de férias para a minha total alegria. e.e' HISHAISHAISHAISHAIHSIA
Aguardo os reviews. Não deixem de comentar, ein? É sério. :P
Beeeijos ♥