Danger Line
19 Cúmplices
CÚMPLICES.
Lucy’s POV.
Uma turnê com o Avenged Sevenfold. Seria a melhor coisa do mundo para mim. Eu realmente não podia acreditar que aquilo de fato estava acontecendo.
Disparei um “sim” com toda a vontade. Eles abriram um largo sorriso e rapidamente me tragaram para o lado de fora do apartamento.
Já estava na hora de coisas extremamente boas acontecerem comigo desde que eu fui sequestrada por Synyster Gates. Confesso que nem todos os momentos eram desgostosos. Eu tinha o Jimmy para me ajudar a superar tudo, e agora, todos estavam apontando seus dedos em prol de julgar Synyster e eu iria para uma turnê inteira ficar ao lado deles.
Enquanto estávamos indo, Matt deixou bem claro que eu era uma convidada deles e que iriam cuidar muito bem de mim enquanto estivéssemos fora. A primeira coisa que me fariam eram comprar troca de roupas, já que evidentemente eu tinha apenas duas. A minha própria e a que ganhei de Brian.
Toda a equipe era muito receptiva. Ganhei camisetas, cds e dvds autografados, bolsa, all star, óculos, caneca, toalhas... Tudo, tudo do Avenged Sevenfold. Aquilo era simplesmente um sonho que estava sendo realizado.
Brian’s POV.
- Jimmy! – o cutuquei, enquanto caminhávamos carregando nossas malas. – Preciso de ajuda.
- Não, não vou mais acobertar sequestros. – ele dizia sem nem se quer me olhar.
- Ah, pare com isso! – continuei cutucando-o petulantemente. – É necessário.
Jimmy rapidamente brecou os passos e me encarou boquiaberto.
- Como é?! – perguntava ele, incrédulo.
- Lucy está nos EUA ilegalmente, esqueceu? – sussurrei em seus ouvidos.
Jimmy respirou fundo como se tivesse tentando manter a calma para não me disparar um soco na cara. Eu o conhecia muito bem.
- O que você pretende fazer? – ele cruzava os braços, apenas me encarando.
- Bom... – suspirei, criando coragem para dizer aquilo que eu estava prestes, rezando mentalmente para que ele não tivesse um surto. – Tenho clorofórmio.
- O QUE?! – como eu esperava, ele disparou um grito intenso. – VOCÊ FICOU LOUCO?!
- Fala baixo! – debati de imediato, vendo que a nossa equipe nos encarava de olhos arregalados.
- Você ficou louco?! – ele abaixava o tom de voz, porém ainda me encarava com a mesma indignação. – Você vai acabar matando essa menina.
- É pro nosso bem. – respondi em minha defesa.
Jimmy respirou profundamente, olhando para o alto, como se estivesse pensativo. Enquanto isso, fiquei apenas observando sua face se transfigurar conforme ele pensava.
- Desde que você não a faça inalar clorofórmio. – ele dizia, enquanto apontava o dedo indicador contra mim, reprimindo-me.
Apenas assenti.
Tínhamos que colocar logo nosso plano em prática, digo, o meu plano em prática.
Corremos até o banheiro masculino do aeroporto que por sinal, ficava bem ao lado do feminino. Eu sabia que uma hora ou outra Lucy passaria pela gente, afinal, essa era a instrução dos comandantes para que a viagem ocorresse tranquilamente e sem pessoas disputando para usar a cabine.
Jimmy estava parado logo ao meu lado, silencioso. Eu simplesmente não conseguia entender como ele poderia ter pegado tanto carinho pela Lucy. Parecia até que estava gostando dela, mas acho que se fosse isso, ele me contaria. Era meu melhor amigo, e eu sei que ele jamais me deixaria.
Ele me olhava com certa repressão em seus olhos azuis. Eu sabia que na verdade ele era uma pessoa extraordinária e de coração mole. Talvez eu realmente tivesse diversos conflitos mentais, já, que se for para que eu pensasse melhor, Jimmy não estava gostando de Lucy, eu é que estava com ciú... Não, eu não estava com nada, só estava neurótico.
- Ela está vindo. – ele dizia de repente, escondendo-se ainda mais para o lado de dentro da porta.
- Oi Jimmy. – Lucy, porém o havia visto.
Rapidamente lhe dei um cutucão na costela a fim de que ele tomasse alguma atitude.
Desnorteado, ele simplesmente ergueu os braços e acenou.
- Seu amiguinho idiota não está aí com você não, né? – ouvi Lucy dizer.
Idiota?! Como assim ela pode me chamar de idiota? Ela é uma idiota!
Fui protestar, mas Jimmy segurou meu braço, impedindo que eu avançasse.
- Não... – ele dizia sorridente. – Deve estar no avião.
- Ah, menos mal... – ela parecia suspirar e ter ficado mais tranquila. – Eu sei que pode parecer besteira, mas apesar de estar super feliz, estou meio preocupada.
- Por quê? – Jimmy perguntava tranquilamente.
- Bom, eu sei que ele é seu amigo, mas o Brian é um idiota! Ainda não acredito como eu pude ser tão fã dele...
- Você não gosta mais dele? – Jimmy perguntava, fitando-me de relance, enquanto eu podia sentir claramente que ele aplicava ainda mais força contra o meu braço. Minha vontade era de aparecer na frente dela e obrigá-la a me dizer todas aquelas coisas na minha cara.
- Eu ainda admiro o trabalho dele. – a voz dela era tranquila, como se aquilo que ela dissesse vinha de toda sua sinceridade. – Mas ele como pessoa... Francamente. Deve ter um parafuso a menos... Aqueles músicos retardados mesmo, sabe? Tudo neles é pequeno... Caráter, cérebro e pinto.
O QUÊ?! Como ela poderia falar aquilo de mim! Ela ficou louca?!
Senti meu coração disparar. Ela merecia um belo tapa naquela bunda gigante! Ah, essa menina ia se ver só comigo!
Tentei me aproximar, mas Jimmy tornava a me segurar, agora, com as duas mãos.
- O que é isso, Jimmy? – ouvi que Lucy disparava uma leve risada. – Está tremendo todo aí por quê? – ela perguntava.
- Ah... – Jimmy dizia. – Estou com vontade de ir ao banheiro.
- Então vai logo! – ela disparava uma risada calorosa. – Vou aproveitar para ir também.
- Está certo... – Jimmy respondia.
Passou nem se quer meio minuto e logo, Jimmy me empurra mais adentro do banheiro, encarando-me ofegante.
- VOCÊ VIU SÓ O QUE ELA DISSE DE MIM?! – disparei de imediato. – Pinto pequeno? Como assim? Ela nem viu... Só me viu de cueca, não dá pra ter uma ideia dessas só por baixo da cueca...
- Você bem que mereceu ouvir isso tudo, mas parece que só a parte do seu orgulho masculino você ouviu. – ele cruzava os braços, mostrando-se aborrecido. – Não se esqueça que ela também atacou o seu caráter e eu não posso deixar de lhe dar razão.
- Puxa saco... – revirei os olhos.
- Se eu realmente fosse um puxa saco eu não iria estar aqui te ajudando nessa loucura, certo? Então para de ter crise de mulherzinha...
O encarei, disparando uma leve risada. Jimmy logo me encarou, abrindo um belo sorriso. Ele era meu irmão, e sempre iríamos aprontar da mesma forma, juntos, não importando as consequências.
De repente, ouvi os passos do outro lado da parede.
- Acho que ela está saindo. – disparei em dizer rapidamente.
Jimmy e eu nos aproximamos da porta e lá estava Lucy, completamente distraída, afastando-se do banheiro.
Corri, tentando emitir a menor quantidade de ruídos possível, e assim que Lucy foi se virar, notando evidentemente que alguém estava atrás dela, não tive escolha, rapidamente lhe ataquei com um pedaço de pano embebido com clorofórmio, e ela caiu em meus braços.
- BRIAN! – Jimmy dizia em voz alta, parecendo meu pai me dando bronca. – VOCÊ... VOCÊ DISSE QUE NÃO IA...
- Tá, tá... – dei de ombros, colocando-a inconsciente em meu colo. – Ajuda e reclama menos.
Jimmy simplesmente me encarou de modo mortal e respirou profundamente.
- Vai distrair o pessoal. – disse-lhe. – Eu vou levar mais uma mala. – sorri de modo malicioso.
- Nem preciso dizer o quanto eu estou me sentindo culpado por isso, não é? – Jimmy me encarava de modo tristonho e então, delicadamente, passava a ponta de seus dedos contra o rosto de Lucy. – Espero que ela me perdoe.
Simplesmente revirei os olhos. Eu estava pouco me importando com todo aquele sentimentalismo barato. Eu estava fazendo aquilo pela banda, por mim, por todos nós, e inclusive por ela. Se ela fosse descoberta, provavelmente seria deportada do país, e seu sonho de passar uma turnê inteira ao lado dos ídolos simplesmente acabaria.
Jimmy se afastou, e enquanto isso, fui até as mochilas, enquanto ainda a carregava em meus braços. Confesso que me sentia completamente diferente enquanto a levava para longe de tudo e de todos. Seus lábios estavam relaxados e avermelhados, estava tão inconsciente que a minha mente poluída não podia evitar em querer aproveitar disso um pouco.
Assim que me aproximei das mochilas, pousei seu corpo contra o chão, enquanto buscava por uma mala que fosse de tamanho ideal, e então, antes de finalmente fechá-la lá dentro, inclinei o corpo, tocando nossos lábios, sutilmente. Ela nem poderia imaginar que eu a havia beijado.
Era tudo muito diferente quando eu estava sozinho com ela. Era como se todo esse turbilhão de confusão e joguinhos se dissolvesse na minha mente. Senti como se ela fosse a bela adormecida e eu provavelmente a bruxa má, que a manteria rendida em minha torre... Expressão muito gay de se usar, mas eu não me permitiria sentir nada por ela, a não ser a vontade de uma boa noite de puro sexo, drogas e rock n’ roll.
Fechei o zíper, deixando uma pequena fresta aberta para que ela pudesse respirar. Em hipótese alguma eu iria querer cogitar em que ela se asfixiasse de novo. Logo, lembrei-me da imprudência do Senhor Zachary em deixar o forno ligado. Meu coração instantaneamente começou a disparar só de me lembrar da situação. Nunca que minhas pernas tremeram tanto e nunca que meus músculos foram tão desobedientes. Foi como se eu tivesse entrado em curto e toda a adrenalina tivesse me roubado a sanidade.
Essa menina me deixava confuso. Completamente confuso.
Não, eu não estava confuso, estava apenas sentindo pena. Pena de que? Ela estava brincando comigo! Ela era esperta, não uma coitadinha, não uma princesa indefesa.
Segurei a mochila. Não estava tão leve quanto eu pensei que poderia estar, então, rapidamente fui caminhando até o avião.
- Que mala é essa? – ouvi Matt perguntando, surpreendendo-me.
- Que mala? — perguntei de imediato.
- Essa aí atrás. – ele apontava para uma mala preta de rodinhas, absurdamente grande. – Não me lembro de tê-la colocado no carro.
- Ah, é que essa eu peguei daqui... – disse com um sorriso convincente nos lábios. – Está vazia... Quem sabe a gente não resolve fazer umas comprinhas por lá, não é? Digo... Para a Lucy.
- Sei... – Matt me olhou novamente com aquela cara de desconfiado dele. Ele era tão detector de mentiras quanto o Zacky era farejador de comida.
Tudo estava sendo preparado para a viagem, que afinal, seria longa. Eu estava mais é com medo de ser descoberto, mesmo sabendo que isso de fato ia acontecer, mas que fosse enquanto estivermos no ar, sem poder voltar.
Aproveitei que os meninos estavam distraídos demais ao deixar suas poltronas aconchegantes, e então, fechei a porta da cabine do banheiro, a fim de dizer que era Lucy que estava lá.
Não demorou muito para que todos se arrumassem eu seus devidos lugares para que Matt com seu ar de líder, e crise de vocalista, já veio com suas indagações.
- Onde está a Lucy? – perguntou ele.
- No banheiro, senhor! – disse em voz alta como quem imitava um soldado.
- Acho que essa menina está com problemas intestinais. – dizia Zacky.
- É, disso você entende bem, bolotinha. – Jimmy disparava uma risada maldosa.
- Falo aí, pau de cutucar estrela! – ele revirava os olhos.
- Sem a Lucy sentada devidamente vai ser meio difícil a gente decolar logo. – Johnny tornava a dizer.
- Querem que eu veja se ela está bem? – Zacky se prontificava.
- NÃO! – respondi de imediato. – Eu vou... E não se preocupem, vai dar tudo certo com a decolagem.
Fui rapidamente para a parte de trás da cabine e o avião rapidamente começou a balançar, como se estivesse em meio à uma turbulência.
Segurei-me entre o corrimão de ferro que estava pela cabine e logo, o avião erguia seu bico, quando finalmente se estabilizou no ar.
Depois daquilo, tudo havia ficado mais tranquilo.
Suspirei, reconfortando-me, porém, depois de míseros segundos, meu coração já havia disparado novamente.
Vi claramente vários solavancos sendo direcionados contra a mala. Lucy provavelmente havia acordado e meu coração subiu para a minha garganta.
- SOCORRO! – ela gritava.
Senti meu rosto esquentar de imediato, e rapidamente abaixei-me, antes que ela chamasse muita atenção.
- SOCORRO! – ela continuou gritando, enquanto com desespero eu tentava descer o zíper da mochila, mas ele de fato, havia emperrado.
Entrei em pânico. Minhas mãos suavam e parecia que todos meus movimentos simplesmente não se concretizavam. Quanto mais eu tentava libertá-la, mais ela se debatia dentro da mala.
- O que é isso? – vi Johnny se aproximando e logo atrás dele, o Armário, digo, Matt.
Matt encarando-me de modo completamente desconfiado, rapidamente abaixou-se, abrindo a mochila. Para ele havia sido tão fácil libertar Lucy que eu fiquei me sentindo um completo idiota.
- Quantas vezes eu vou ter que repetir que ela é nossa convidada? — ele me encarava com represália.
Abaixei a cabeça, estufando o peito. Realmente, nunca que na minha vida sequestrar alguém havia sido tão trabalhoso.
- A gente não tranca as convidadas dentro de uma mochila!! – Matt exclamava.
Johnny logo disparava uma risadinha.
- Bom, aí depende... – dizia ele de modo malicioso.
- Eu só fiz isso para o nosso bem. – tentei me defender. – Mas olha, ela está bem. – apontei para Lucy.
Ela estava com a cara e as roupas um pouco amarrotadas e os cabelos completamente emaranhados, um pouco pálida, acredito que devido ao susto de ter acordado dentro de uma mochila, mas nada que não fosse muito grave.
- Eu quero ir embora. – Lucy de repente choramingou.
Matt me encarava, enquanto abraçava Lucy e afagava seus cabelos.
- CONVIDADA! – Matt dizia, dando completa ênfase em cada sílaba da palavra.
- Já entendi... – revirei os olhos. – Mas eu seu não fizesse isso poderíamos ter sido presos.
- Como é? – Matt franzia o cenho.
- Lá vem... – Johnny suspirava.
Eu os encarei. Tinha que dizer.
- Tenho alguns documentos da Lucy comigo, mas isso não inclui passaporte.
Matt e Johnny se entreolhavam, boquiabertos.
- Ela viajou ilegalmente? – Johnny murmurava, perplexo demais para deixar sua voz emitir por completo.
- B-bom... – gaguejei, fitando meus pés. – Mais ou menos.
- ESTAMOS FODIDOS! – Matt disparava, soltando Lucy de seus braços. – SOMOS SEQUESTRADORES!
- Ah, gente... – dei de ombros. – Relaxa, ser sequestrador não é assim tão ruim...
De repente, a confusão já estava feita. Jimmy e Zacky iam se unir a nós diante dos guturais de Matt.
- O que foi? – Zacky perguntava, arqueando as sobrancelhas. – Aconteceu alguma coisa?
- Sim... Estamos sequestrando a Lucy. – Johnny dizia com tranquilidade.
- Estamos? – Zacky ainda não compreendia.
- SIM! – Matt parecia ter tido um surto novamente.
Lucy’s POV.
Pode parecer maldade, mas eu estava adorando tudo aquilo. Aquele guitarrista metido a besta tinha mais é que ouvir umas poucas e boas mesmo. Agora só restava eu ser esperta e todo esse joguinho tramado por ele seria invertido.
A confusão era certa. Matt começou a discutir com Brian, enquanto Johnny e Zacky tentavam encontrar soluções.
Era estranho, mas parecia que eu estava despertando o lado maligno dentro de mim do qual eu ainda não conhecia. Agora eu tinha os meninos para me apoiar, e eles não podiam dar nenhum passo em falso se não quisessem prejudicar a banda. Pois é, conviver com Brian, enquanto sequestrada, havia me deixado um tanto cruel e podemos dizer que essa viagem seria a minha revanche.
Droga, eles estavam discutindo com Brian e eu estava assistindo tudo.
Cadê a pipoca?
Notas finais
Mandem reviiiews. *-*
Beeeeijos ♥
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