Danger Line
15 A Verdade.
Notas iniciais
Quero agradecer por todos os reviews que vcs me mandaram, e claro, as recomendações.
Muito obrigada. ♥
Espero que gostem do cap.
A VERDADE.
Brian’s POV.
Eu estava assustado com o rumo de toda aquela história. Sentia como se eu estivesse entrando em um túnel desconhecido e escuro, profundo, sem um fim. Era um poço que me afundaria se eu não me cuidasse devidamente.
Uma lágrima estava caminhando pelo meu rosto. Eu simplesmente não entendi o motivo daquilo, não entendi o motivo de sentir aquele vazio tão dolorido dentro do meu peito. Era como se o ar não conseguisse ser absorvido pelos meus pulmões, eu estava desaparecendo.
Eu ainda podia ouvir seus soluços de dentro do quarto. Só Deus sabia o quanto eu queria atravessar aquela porta e abraçá-la. Era terrível pensar que ela estava assim por minha causa, mas era ainda pior ter que cortar esse meu vício chamado Lucy, abandonar o meu orgulho e... Não, Jimmy não poderia estar certo.
Sequei as lágrimas e então me levantei do chão.
Precisava me afastar dali e esfriar a cabeça.
Todo meu nervosismo estava acumulado dentro de mim e isso fazia com que eu fosse praticamente um monstro com Lucy.
De repente, boa parte da minha vida começou a vagar pela minha mente. Meu namoro com Michelle, a quantidade de groupies que já ficaram trancadas naquele mesmo quarto e Lucy.
Afinal, no que se consistia aquele namoro todo?
Eu tinha que tomar uma atitude, não podia mais continuar com essa vidinha. Querendo ou não, Lucy tinha razão... As coisas nessa vida, a gente precisa conquistar.
Aproveitei que o apartamento estava silencioso. Provavelmente todos aproveitaram o belo dia para andar por aí.
Apanhei o telefone, discando para Michelle.
- Alô? — eu podia ouvir vozes aos fundos de risadas, até mesmo a voz dela parecia estar bem animada.
- Oi Chelle, sou eu. – respondi monotonamente.
- Ah, é você... – sua voz modificava-se completamente, como se ela tivesse ficado completamente desanimada por ouvir a minha voz.
- Está no bar? – perguntei.
- Sim, os meninos estão aqui... Por que você não veio? Estava pensando em te ligar, mas ultimamente você está um pé no saco. – ela dizia com uma voz seca.
- Ah, obrigado pela parte que me toca. – ironizei.
- Você sabe que eu sou sincera, gato... Mas eu gostaria que você viesse.
- Já estou indo... – suspirei.
- Nossa! Sério mesmo? — ela dizia num tom de surpresa. – Ultimamente sou eu quem tenho que ficar implorando para te ver.
- Pois é, milagres acontecem. – revirei os olhos.
- Estou te esperando, amor... Beijos.
- Beijos. – respondi sem ânimo.
Eu simplesmente precisava resolver algumas coisas. Digamos que seria a minha vida.
Apanhei a chave do carro indo diretamente para o Bar Barrab, onde Valary e Michelle eram donas.
Arin’s POV.
- Por que você fez isso, cara?! – Karl gritava, perplexo, enquanto eu socava as minhas roupas dentro da mala. – Você ficou louco?!
- Karl... – encarei-o seriamente, girando o rosto em sua direção. – Esse é o único jeito... A Lucy me ligou, estava chorando, triste... E, aquele cretino teve a coragem de falar comigo!
- Cretino? Que cretino, cara?
- Ora, quem você acha? – revirei os olhos, impaciente. – O Synyster Gates!
- SÉRIO?! – Karl me encarava boquiaberto. – Mas como você fala assim dele, meu? Você não era fã dele?!
- Como que eu vou ser fã de um sequestrador?!
- Exatamente por ele ser um sequestrador que você não deveria ter anulado a denúncia! – Karl me sacudia. – Isso sim é loucura! O Synyster Gates tem realmente a maior cara de quem gosta de ficar aprontando... Sabe-se lá quantas mais outras garotas ele já não sequestrou?! Acorda Arin, o cara é famoso, deve achar que é o centro do mundo!
- Exatamente por isso, Karl. – o encarei com tranquilidade. No fundo, eu realmente sabia o que estava fazendo e aquele era o melhor jeito. – A dignidade da Lucy está em jogo... Acha que a mídia não vai jogar a culpa nela? Afinal, ela foi vista indo para a parte de trás do palco com eles! Eu realmente não confio nas pessoas, sendo assim, eu mesmo vou ter que dar um jeito nisso... Lembre-se, quando você quer algo bem feito, faça você mesmo.
- E acha que indo para a Califórnia sem mais nem menos vai ajudar alguma coisa? – Karl cruzava os braços.
- Exatamente... Nem que eu precise gastar toda a minha poupança para encontrá-la, mas eu te juro... Vou trazê-la de volta.
- Você se preocupa demais com a Lucy, Arin...
- É mais do que isso, Karl... Acho que graças ao que aconteceu... Descobri que a amo.
Brian’s POV.
Chegando lá, vi que Valary e Michelle estavam brincando de fazer malabares com coquetéis.
Matt estava sentando na cadeira logo à frente do balcão, olhando fixamente para sua noiva, com um sorriso extravagante em seus lábios.
Michelle assim que me viu entrando no estabelecimento, disparou-me uma piscadela, enquanto sacodia o tronco.
- Nossa Syn, não esperava te ver aqui. – Matt dizia. – A minha Val é tão linda, não é? – dizia ele imitando uma voz de bebê.
- Matt, toma vergonha na cara! Com essa idade e com esse tamanho falando desse jeito? – Jimmy zombava.
- Nossa! Falou o cara que ainda assiste filme da Disney. – Johnny revirava os olhos.
- Falou o cara que gosta de Lady Gaga. – Zacky zombava.
- Cala a boca, você ainda come Danoninho! Pensa que eu não vi você comendo sopinha das crianças na escola perto de casa? – Johnny gargalhava alto.
Todos começaram a gargalhar. Zacky simplesmente revirou os olhos, fazendo bico.
- Para com isso... A gente te ama, cara. – Jimmy ria, apertando a barriga de Zacky.
- Ah, cala a boca sua vareta, você tem inveja por que eu sou gostoso. – Zacky mordia o seu piercing do lábio inferior. — Eu tenho onde pegar, tá ligado? Cê é puro osso.
- Sim... Tudo que tem mais gordura é mais gostoso. – alfinetei, rindo logo em seguida.
- Ah cala a boca, cabeça de bucha! – Zacky me mostrava a língua. – Chapinha man!
Disparei-lhe um tapa na cabeça.
Enquanto isso a apresentação das meninas continuava.
Valary estava chamando atenção fazendo seus malabares com garrafas de Whiskey.
Michelle de repente, disparou um tapa contra uma das garrafas, fazendo as mesmas caírem e se espatifarem pelo chão.
- CHELLE! Por que você fez isso? – Valary perguntava boquiaberta, enquanto uma de suas mãos saía sangue. – Você fez cortar o meu dedo!
- Ah mana, desculpa... – Michelle fazia um biquinho. – Meninas, limpem essa bagunça! – dizia ela de modo autoritário.
- MEU AMOR! – Matt gritava, correndo até ela. – Você está bem? Meu Deus, que corte horrível! Vem aqui comigo, vamos fazer um curativo nisso.
Valary abraçava Matt, afastando-se para dentro da cozinha do recinto.
Encarei Michelle, vendo que a mesma ia se aproximando com um sorriso nos lábios sem nem ao menos esboçar algum tipo de preocupação pela sua irmã gêmea.
- Como eu sempre digo... – ouvi Jimmy murmurar. – Tem sempre a gêmea boa e a gêmea má. — ele fazia uma voz de drama, como se fosse um interlocutor de novela mexicana.
- Gostou da apresentação? – ela perguntava, indo direto se pendurar em meu pescoço.
- É, tirando o fato de que parece que a sua irmã perdeu um dedo. – disparei ironicamente.
- Ah, ela supera. – Michelle dava de ombros. – Foi um acidente.
- É e você nem para pedir desculpas, né? – encarei-a seriamente.
- Você veio aqui para ficar me dando bronca ou para me ver? – ela revirava os olhos, impaciente. – VAMOS! LIMPEM ISSO LOGO! – ela girava o pescoço para gritar com suas outras funcionárias.
- Na verdade, vim conversar com você. – respondi de modo sério.
Agora, eu via coisas que antes não percebia. Michelle era perversa até mesmo com a sua própria irmã gêmea. Achava que o mundo tinha que viver ao seu redor, como se todos os holofotes da vida tivessem de ser direcionados para ela. Não admitia que nada nem ninguém atrevessem a entrar em seu caminho, além do egoísmo, da falta de modéstia, e da prepotência.
Eu a encarava sem entender da onde vinha aquele amor que eu supostamente sentia por ela.
Independentemente, todo aquele sentimento se desfez com o tempo. A realidade passou a ser revelada e eu percebi que aquela mulher diante de mim não poderia fazer parte da minha vida.
Eu não via sinceridade em seus olhos assim como eu via nos olhos de Lucy.
- A gente se vê, Syn... – ouvi os meninos se despedirem.
Apenas acenei de longe automaticamente, ainda encarando Michelle.
- Vamos nos sentar ali no sofá. – disse.
- Claro gato... – ela dizia colocando a mão na minha bunda, enquanto caminhávamos até o sofá do estabelecimento.
- Pode falar. – Michelle dizia sentando-se e cruzando as pernas, deixando suas belas coxas ressaltarem diante da minissaia.
Sentei-me ao seu lado, tentando ignorar aquela bela visão. Ela pareceu ter percebido meu olhar, e então colocou as pernas sobre meu colo.
- Michelle. – disse seriamente, retirando suas pernas de cima da minha e inclinando o corpo para que assim, pudesse olhar dentro de seus olhos. – Eu estive pensando sobre o nosso relacionamento.
Ela respirou profundamente como se estivesse irritada e então me encarou.
- Pra mim, não existe mais relacionamento. — disparei.
- COMO É QUE É?! – ela dizia com a voz alterada.
- Michelle, já deu o que tinha que dar... Eu... Olha, acho que pela primeira vez na vida serei bem sincero... Eu não sinto mais nada por você.
- VOCÊ FICOU LOUCO?! – ela berrava, levantando-se do sofá e quase saltando em cima de mim.
- Primeiro, sem barraco, aprenda a se controlar.
- AH É?! Então você quer dizer que eu sou descontrolada? É isso, Haner? – ela dizia de modo ameaçador.
- Não, eu quero dizer que eu simplesmente não te amo. – disse de maneira clara e objetiva.
Ela me encarava boquiaberta como se minhas palavras lhe acertassem em cheio como um golpe.
Abria e fechava os lábios por diversas vezes como se tivesse pensando em algo para me dizer.
- E... – continuei. – Não acho mais que faça sentido continuarmos juntos.
- Como assim? VOCÊ QUER TERMINAR COMIGO?!
- Eu não só quero, como VOU TERMINAR COM VOCÊ! – levantei-me do sofá. Odiava quando ela me tratava daquele jeito como se eu fosse algum tipo de brinquedo dela.
- NÃO! Você não vai! – ela debatia, colocando-se na minha frente. – NÃO VAI!
- Pena que você não manda em mim! – disse com um riso maldoso.
- É aí que você se engana... – sendo assim, Michelle apontava o dedo indicador contra o meu rosto, jogando as palavras contra a minha face, enquanto rosto avermelhado encontrava-se com o meu. – Se você pensa que irá conseguir terminar assim tão facilmente, você está muito enganado! Saiba que você NUNCA vai se livrar de mim, entendeu bem? Nunca! Eu vou te infernizar, eu vou destruir com você!
Abaixei a cabeça, lembrando-me dela.
Ela... Lucy.
“Você não conquista um amor de alguém a obrigando ficar perto de você!”
Só agora que eu havia percebido o quanto aquelas palavras eram sábias. Lembrava-me de como ela me dizia aquelas palavras de forma dura, direta, desafiadora.
Abaixei a cabeça, enquanto sua memória tomava conta de minha mente. Era hora de dizer o que estava entalado na minha garganta durante muito tempo.
- Você... Você não conquista um amor de alguém a obrigando ficar perto de você. – disparei, erguendo a cabeça e encarando-a dentro dos olhos. – Não é assim que você conseguirá fazer eu te amar.
A face de Michelle passou de vermelha para verde, e de repente, estava ficando púrpura.
Eu não tinha mais nada para dizer. A verdade era essa: Eu estava de saco cheio dessa vidinha medíocre ao lado de uma pessoa mais ridícula ainda.
Era estranho, mas talvez Lucy estava exercendo influência sobre mim sem eu nem ao menos perceber.
Dei às costas, queria logo sair dali.
- SYN! CUIDADO! – ouvi uma das garçonetes gritarem.
Girei o corpo e pude ver claramente uma das cadeiras do estabelecimento sendo arremessada para cima de mim. Arregalei os olhos, senti meu estômago formigar e abaixei-me rapidamente, em meio a adrenalina.
A cadeira bateu contra o vidro do Barrab, estourando-o em mil pedaços.
Encarei aquela louca, boquiaberto.
- EU TE MATO BRIAN ELWIN HANER JÚNIOR!
Notas finais
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