Sobreviventes: 13

POV Murillo

Corri para a minha cabana, eu estava tão distraído pensando na Bessee que no caminho me esbarrei com o Toby e nós dois caímos de bumbum no chão.

— Me desculpe, eu estava distraído... – Toby se levantou e deu a mão para mim para que eu pudesse me levantar também.

— Eu também estava – Justifiquei. Percebi que ele já estava todo limpo com roupas limpas, nada de sangue – Você já tomou banho? – Perguntei.

— Eu tenho pavor de sangue, quando aquilo aconteceu, eu quase desmaiei, fui correndo para o banheiro para me lavar mesmo. Fui um dos primeiros a sair – Ele disse.

— Ah, tudo bem... — Me despedi e continuei andando para a minha cabana, Toby seguiu a direção dele. Entrei em meu quarto e peguei os equipamentos de pesca, voltando o mais rápido possível para o lago.

Bessee ainda estava lá, sempre tão linda, se virou para mim com sua típica cara de estresse e perguntou:

— É esse o seu equipamento de pescagem?

— Não é pescagem, Bessee. É pescaria ou pesca – Expliquei abrindo a minha maleta de iscas.

— O que são esses coisinhas? É de comer? – Ela perguntou se referindo às iscas.

— São as iscas – Falei – Com elas atraímos os peixes para que possamos pesca-los – Coloquei a isca na ponta do anzol e me sentei na margem do rio.

— Isso eu sei, é a vara de pescagem! – Ela falou sorrindo enquanto eu regulava a vara.

— Vara de pesca – A corrigi.

— Tanto faz – Ela se emburrou de novo.

Joguei a linha no rio fazendo uma manobra impressionante a vara.

— Essa vara é a mais moderna no mercado, é uma das melhores – Falei, mas Bessee não respondeu nada.

Ficamos alguns segundos em silêncio até que ela gritou:

— Que tédio! Onde estão os peixes daqui? – Ela mergulhou de vez.

— Bessee! Você pode espantá-los desse jeito! – Alertei quando ela voltou à superfície.

— Eu não vi peixe nenhum... – Mal ela terminou sua frase que algo puxou o anzol.

— Eu sabia! – Gritei, me levantando e fazendo força para pegar o peixe, logo apareceu um belo peixe, aproximei-o de mim com a vara – Isso é...

— Um peixe! – Bessee completou a minha fala após eu ficar um tempo em silêncio.

— Retropinnidae. – Falei – Um peixe meio... Raro. Quer dizer, só tem em poucas regiões da Oceania.

— O que quer dizer com isso? – Logo depois que Bessee perguntou, ouvimos um barulho vindo do lago e um brilho intenso também. Bessee rapidamente mergulhou até lá e quando submergiu de volta, mostrou o celular de Sophia que havíamos jogado lá e obviamente deveria ter parado de funcionar.

— Mas como isso aconteceu? – Perguntei e Bessee nadou até a margem colocando o celular na grama. Pela tela rachada vi que o que estava apitando era um alarme.

“12:00 – Estamos numa ilha da Austrália” Era essa a descrição do alarme, logo o alarme desligou sozinho e o celular apagou, o jogamos de volta no lago, ele não queria mais ligar.

— Devia ser a prova da água – Falei – E até que resistiu bem...

— Ilha da Austrália? – Bessee perguntou me encarando.

Encarei o peixe que eu tinha em mãos:

— Esse peixe... Não lembra o que eu falei? Só encontramos esse tipo na Austrália e na Nova Zelândia. Retropinnidade. – Logo depois coloquei o peixe de volta na água.

— Você quer dizer que realmente estamos numa ilha australiana? – Bessee indagou.

— Tudo indica que sim! Mas como a Sophia descobriu isso? – Pensei por um minuto e logo estalei os dedos – Isso! Ela tinha GPS no celular!

— Mas ela não precisaria de internet pra acessar GTF?

— É GPS... – A corrigi, de novo – E você não se lembra que ela falou que tinha uma rede de wi-fi pública aqui logo no primeiro dia? Ela deve ter descoberto antes de todo mundo.

— E porque ela não falou nada com ninguém? – Bessee perguntou.

— Ela devia não ter certeza de nada e por isso não quis arriscar, talvez estivesse esperando alguma iniciativa do geógrafo... – Falei.

— E o Louis até agora não falou nada sobre nossa localização! Não é ele o geógrafo? Ele já devia ter identificado onde estamos? – Bessee disse irritada.

— Talvez ele não tem certeza como a Sophia não tinha... – Expliquei – Agora isso não explica como que a Sophia sabia que iria morrer e criou um alarme avisando sobre isso...

— Eu sei! – Bessee falou de repente – Quando ela falou mal da diretora daquele jeito, ela sabia que iria morrer, a diretora não iria deixar barato, então quando ela virou de costas, criou o alarme, ela tentou falar com a gente aquela hora, não lembra? Mas a cabeça dela explodiu antes que ela pudesse terminar a frase!

— Bessee, você é uma gênia! – Eu falei lançando o anzol uma outra vez.

— Eu sei, obrigada. – Ela cruzou os braços, convencida.

— Vamos dividir essa informação com o Louis! – Levantei, puxando o anzol de volta e só então percebi que eu havia me esquecido de por a isca.

— Você quem sabe... – Bessee saiu da água, toda molhada, mas já não mais suja de sangue, eu também não estava mais sujo de sangue, pois havia tomado banho no rio também, então seguimos.

POV Amy

Vesti a minha roupa de novo, eu havia acabado de tomar banho e então Florence entrou. Já estávamos íntimas o suficiente para ficarmos nuas uma na frente da outra.

— É tão bom poder finalmente tirar é sangue do meu rosto – Florence falou passando a água do chuveiro no seu rosto para eliminar todas as evidências de sangue.

— Eu vou colocar as roupas sujas pra lavar, tudo bem? – Falei ao terminar de me trocar.

— Leva as minhas, por favor... – Florence pediu.

— Claro... – Peguei tanto as minhas roupas quanto as dela e saí do banheiro. Fui em direção a lavanderia, ao chegar lá a máquina já estava lavando a roupa de outra pessoa, então decidi colocar as minhas roupas e as de Florence num cesto.

Enquanto eu esperava fiquei analisando a lavanderia. Era bem simples, no varal haviam roupas de outras pessoas. Abri um armário e encontrei vários produtos de limpeza.

— Onde está o amaciante? – Falei procurando entre os produtos, até que achei o amaciante, lá no fundo, do lado do cloro, as garrafas eram idênticas e percebi que o que indicava o que era amaciante e o que era cloro eram adesivos fáceis de ser removidos, então decidi pregar uma peça no próximo que aparecesse pra lavar as roupas.

Todos sabem que cloro estraga tecido, então eu troquei os adesivos de cloro e amaciante. Pode parecer maldade, mas num ambiente pesado como o que estamos vivenciando, uma brincadeirinha é até saudável para descontrair. Pelo menos eu penso assim! Espero que a pessoa que seja pega não...

Olhei as roupas no varal, haviam sete roupas, claro sem contar a minha e a de Florence. Oito com a que está na máquina, dez com as nossas. Reparei bem as roupas e descobri que estavam faltando as de Bessee, Murillo, Toby e Iana.

Bessee e Murillo estavam tomando banho no lago, então não iriam lavar suas roupas, e como eu não sabia de quem era a roupa que estava na máquina, Toby ou Iana cairiam na minha pegadinha. Espero que seja a Iana, porque eu a conheço melhor e ela me perdoaria com certeza.

— Oi – Toby apareceu e logo a máquina parou – Eu vim pegar as minhas roupas... Você esperou muito? – Ele disse se dirigindo a máquina de lavar, pegando suas roupas e as pendurando no varal – Pode usar, Amy – Ele falou sorrindo.

Peguei as roupas do cesto e as coloquei na máquina, peguei um pouco do “cloro”, que na verdade era amaciante, e coloquei junto com as roupas. Logo em seguida, Toby saiu.

Saí da lavanderia e fui para a cozinha, lá encontrei Florence que já havia trocado de roupa, ela estava no fogão, cozinhando.

— Amiga, estava esperando por você. – Florence se virou pra mim com um sorriso.

— Florence? Você, cozinhando? – Estranhei – Isso não estraga as suas unhas?

— Pois é, o calor é péssimo pras unhas, mas eu vi isso, achei fácil e decidi fazer de almoço pra gente – Ela explicou.

— E o que você fez? – Perguntei me aproximando do fogão.

— Macarrão instantâneo sabor galinha caipira – Ela falou apontando pra embalagem do miojo em um canto – De agradecimento por você ter levado minhas roupas pra lavar, sei lá, decidi fazer.

— Florence, isso é miojo, é a comida mais fácil de fazer! – Falei.

— Ah, não reclama, tá ganhando comida de graça e ainda vem querer dar nome para o que eu cozinho? Macarrão instantâneo é comida gourmet, sabia? – Ela falou mexendo o garfo na panela com miojo.

— Deixe-me ver isso. – Peguei o garfo da mão dela e mexi o miojo – Já está bom! – Desliguei o fogo — Está a até mole demais... – Falei levantando alguns macarrões do miojo com o garfo.

— Eu já ia desligar... – Florence cruzou os braços.

— Onde está o tempero? – Perguntei.

— Tem tempero aí nos armários – Ela apontou pros armários à minha direita.

— O tempero do miojo, Florence...

— Macarrão instantâneo tem tempero? – Ela perguntou, confusa.

— É macarrão! Cadê o saquinho prata que vem com o miojo?

— Joguei fora. – Florence falou como se não desse importância.

— Você jogou fora o tempero do miojo? – Perguntei a encarando.

— Eu não sabia que era tempero, ok? – Ela falou desviando o olhar – Eu achei que fosse aqueles saquinhos com figurinhas de artistas famosos, até pensei em abrir, mas não temos um álbum aqui.

— Figurinhas, Florence? Figurinhas? – Falei irritada.

Iana saiu do banheiro nesse momento e se dirigiu a cozinha:

— Finalmente limpa do sangue da Sophia – Ficamos em silêncio – Bem... O que vocês estão fazendo? – Ela mudou de assunto rapidamente.

— Estamos fazendo miojo. – Florence explicou.

— Tentando fazer, né? – Falei, ainda irritada.

— Só porque eu joguei o tempero fora sem querer! Imagina se fosse uma figurinha da Taylor Swift, quem iria querer? – Florence falou.

— Eu não estou entendendo mais nada, que figurinhas? – Iana perguntou.

— A Florence achou que o tempero do miojo eram figurinhas e jogou tudo fora. – Expliquei.

— Mas se fossem figurinhas da Taylor Swift era só me dar, eu gosto dela – Iana falou.

— Iana, não tem nenhuma figurinha e nenhuma Taylor Swift aqui! A gente tá falando de tempero de miojo!

— Eu esqueci minhas roupas sujas no banheiro – Iana voltou lá correndo para pegar, não pude segurar a risada.

— O que foi? – Florence me perguntou.

— Eu troquei o cloro pelo amaciante na lavanderia – Falei rindo.

— E daí? – Florence perguntou sem entender.

— O cloro estraga as roupas de qualquer um... A Iana vai usar o cloro achando que é amaciante, coitada! – Ri ainda mais.

— Mas você não colocou cloro nas minhas roupas, não é? – Florence perguntou estendendo o punho pra mim.

— N-Não! – Me afastei – Até porque coloquei as minhas roupas junto das suas na máquina.

— Bom mesmo, ouse estragar as minhas roupas, Amy, e eu seria a próxima assassina daqui! – Ela falou semicerrando os olhos, me ameaçando com o olhar.

— Calma! Eu não fiz nada com você! – Nesse momento Iana apareceu com suas roupas sujas.

— Ei, Iana – Falei – As minhas roupas e as de Florence estão sendo lavadas agora, quando terminar você pode pendurá-las no varal? Eu preciso consertar essa tragédia gastronômica da Florence – A encarei.

— Claro, sem problemas! – Ela falou indo até a lavanderia.

— Que maldade... – Florence fez uma pausa me encarando – Eu gosto disso. – Nós duas rimos.

— Agora pegue o corante no armário de temperos. – Pedi a Florence.

— Corante? – Ela falou abrindo o armário e procurando, então pegou um pote de coentro e me mostrou – É isso?

— Hum... Esquece... Deixa que eu mesmo pego os temperos! – Vai olhando o miojo. – Eu e Florence trocamos os lugares. Preparei o tempero e dividimos o tal macarrão instantâneo, conversamos e rimos bastante, foi ótimo para descontrair. É bom ter alguém pra conversar apesar de tudo de ruim que anda acontecendo.

POV Bessee

Eu e Murillo fomos até a cabana de Louis. Bati na porta e Louis atendeu.

— O que vocês estão fazendo aqui? – Ele perguntou quando viu a gente.

— Podemos entrar? É algo que só você pode saber... – Murillo disse e então ele abriu a porta por completo para que entrássemos, então ele fechou a porta sem dizer mais nada, sentou em sua cama e nos encarou:

— O que querem? – Ele disse, por fim.

— Você já não calculou em que local estamos? – Perguntei.

— Calculei, mas eu não posso revelar. Além de eu não querer encrenca com a diretora – Ele apontou para o colar em seu pescoço – Eu não tenho 100% de certeza sobre o local.

— Nós temos... – Murillo falou sorrindo.

— Vocês sabem onde estamos? – Louis nos encarou com as sobrancelhas arqueadas.

— Numa ilha da Austrália ou da Nova Zelândia. – Respondi.

— Eu desconfiava disso, mas o que lhes deu tanta certeza? – Ele nos perguntou.

— Primeiro o alarme da Sophia no celular dela, o título do alarme era “Estamos numa ilha da Austrália”. – Falei.

— E eu estava pescando e achei um tipo de peixe raro – Murillo falou – Ele só existe nas águas doces da Austrália e da Nova Zelândia.

— Sophia provavelmente viu com o GPS no celular dela quando tinha acesso ao wi-fi Carnac_301, ela não contou pois não tinha certeza da localização e ia contar quando sua cabeça explodiu – Continuei.

— Quando ela percebeu que a diretora a mataria por ter gritado com ela daquele jeito, ela se virou e foi mexer no celular para colocar o alarme para que assim víssemos a teoria dela – Murillo completou.

— E com base nisso vocês têm certeza de que estamos numa ilha da Austrália ou da Nova Zelândia? – Balançamos as cabeças positivamente animados – Concordemos que essa ilha se chame Carnac, ok?

— Existe alguma ilha da Oceania chamada Carnac? – Murillo perguntou animado.

— São muitas ilhas na Oceania, eu não decorei o nome de todas. – Louis explicou – Mas vou trabalhar nisso.

— Não sabe o nome de todas? Você é um super colegial! – Falei – Onde estão os seus mapas?

— Os meus mapas? – Ele desviou o olhar para o armário – A diretora não os colocou no meu quarto – Ele voltou o olhar a nós – O que eu realmente achei estranho, talvez ela não quisesse que descobríssemos onde estamos.

— Faz sentido – Murillo falou.

— E pra que esse equipamento de pesca? – Louis perguntou apontando pras coisas de Murillo.

— Não é pesca, é pescagem. – Falei para Louis.

— Hum... Nós estávamos pescando... – Murillo respondeu.

— Então... Era só isso? – Louis levantou e se dirigiu à porta – Podem ir embora se não têm mais nada a falar.

— É, era isso – Falei olhando para Murillo – Vamos.

Saímos sem dizer mais nada, nem da minha parte, nem da parte de Murillo, nem da parte de Louis, saímos em total silêncio e voltamos para o rio para pescar.

— Pronto, vamos pescar outro peixe! – Ele disse abrindo a maleta de iscas.

— Eu quero tentar pescar! – Falei pegando a vara que ele havia colocado no chão.

— É complicado para iniciantes, mas eu posso te ensinar, se você quiser... – Ele pegou uma isca.

— Tá, eu já sei! – Peguei a isca da mão dele – Preciso colocar isso na âncora da ponta.

— Âncora? Não seria anzol? – Ele indagou.

— Isso! – Coloquei a isca no anzol.

— Agora você tem que fazer o movimento certo... – Ele pegou os meus braços e fez o movimento calmamente para que eu pudesse repeti-lo rápido. Primeiro joga-se os braços pra trás, mas nem tanto e depois os joga de vez para frente.

— Moleza! – Falei. Joguei meus braços pra trás, mas acho que foi com muita força, porque logo o Murillo se jogou para pegar os meus braços e pará-lo.

— Não precisa de tanta força! Assim você vai quebrar a minha vara e custou muito caro! Muito mesmo! – Ele repetiu o movimento calmamente comigo — Acha que é capaz de repetir agora?

— Eu já nasci capaz de tudo. – Dei uma risada de convencimento. Fiz o movimento de novo, dessa vez mais fraco, acho que acertei pois ele não interrompeu em nada. Joguei a vara pra frente com força e a linha caiu no lago e afundou um pouco.

— Parabéns, agora é só esperar um peixe aparecer! – Ele falou.

— E demora? – Perguntei ansiosa.

— Às vezes sim, às vezes não... Peixes são criaturas fascinantes, eu pelo menos os adoro! – Ele deu uma risadinha.

— E o que eu faço quando eu sentir que um peixe apareceu? – Perguntei.

— Puxa a vara enquanto gira essa coisa aqui – Ele apontou pra uma coisa parecida com uma manivela – Não precisa ficar impaciente, na minha primeira vez também demoraram pra aparecer peixes e...

O interrompi de repente:

— Um peixe! – Gritei – Tô sentindo a força! – Puxei a vara com força.

— Gira a coisa, Bessee! Gira! – Girei a manivela e um peixe enorme incrivelmente saltou da água, a linha da vara foi se encurtando até que eu pude ver o peixe de pertinho, ele se debatia pra sair dali, era muito valente.

— Gostei desse peix... – Antes que eu pudesse terminar de falar o peixe pulou do anzol na minha cara. Joguei a vara no chão, e como o peixe era muito forte, eu caí em cima de Murillo que estava atrás de mim e acabou desequilibrando também com o salto inesperado do peixão.

Quando eu vi já havia caído em cima dele, ele estava com o rosto corado, vermelho como um pimentão, e então eu olhei nos olhos dele, bem profundamente, eu nunca havia percebido como ele era tão legal até passar esses momentos com ele. Nossos rostos se aproximaram, foram se aproximando cada vez mais. Como eu detesto enrolação, o beijei logo e ele correspondeu ao beijo, ficamos nos beijando, molhados, deitados na grama durante um bom tempo, abri o olho e o peixe nem estava mais lá, eu um jeito de voltar para o lago.

Paramos de nos beijar quando ficamos sem fôlego.

— Bessee... Eu tô gostando de você... – Ele falou em seguida.

— Sério? – Senti meu rosto corar também e então fiquei sem ação.

— É. – Ele falou somente isso e então demos outro beijo rápido.

Saí de cima dele e me deitei ao lado dele, ele me abraçou com um braço e ficamos junto olhando para o pôr-do-sol, o céu ia escurecendo, e escurecendo...

E toda aquela pescaria me deu um cansaço, olhei para o lado e Murillo estava dormindo, não resisti, acabei dormindo também. O único problema é que meu sono é muito pesado, eu não acordo mesmo que esteja acontecendo o fim do mundo. Bem... Eu desejaria não ter o sono tão pesado.

Pois quando abri os meus olhos, senti a grama molhada, olhei e percebi um líquido vermelho, misturado com algo rosa, um pouco oleoso. Olhei para o lado tentando entender o que aconteceu ou perguntar para o Murillo o que houve e então eu gritei, gritei outra vez, mais do que quando eu descobri o corpo do Colin, eu nem podia acreditar naquela cena!

— M-Murillo... – Gaguejei após gritar e depois ainda gritei ainda mais.

Murillo estava com uma expressão de agonia e dor, olhos vazios e sem vida, sua pele estava fria e suas roupas molhadas de sangue. Murillo estava morto.