DanganRonpa: Death and Despair
7 Noite de diversão

Sobreviventes: 11
POV Iana
Após a execução de Toby, todos voltaram às suas cabanas. Eu não consegui dormir, e os poucos momentos em que cochilei foram horríveis. Tive pesadelos tenebrosos. Já havia ocorrido o segundo assassinato nessa ilha e por qualquer descuido meu, eu poderia ser a próxima! Acordei em péssimo estado, levantei e fui para a sala de jantar.
Lá encontrei Amy, Florence e Taylor, eles estavam sentados na mesa conversando:
— Bom dia... – Falei, me juntando a eles na mesa, sentando ao lado de Taylor.
— Bom dia – Taylor falou de volta.
— Iana, você já conversou a Bessee? – Amy perguntou.
— Com a Bessee? Ah, não... Acabei esquecendo – Falei que esqueci, mas só vi a Bessee no momento da execução de Toby e não achei que seria o melhor momento para convidá-la.
— Eu não vi a Funy desde o Julgamento Escolar! – Florence resmungou.
— Queria participar, ando totalmente entediado nesses últimos dias, apenas lendo mais e mais livros de informática e me afundando na cama – Taylor revirou os olhos e colocou uma colher açúcar na xícara de café que estava a sua frente.
— Porque você não faz uma noite dos garotos? – Amy sugeriu – Assim como estamos fazendo essas reuniões das meninas. Ontem, eu, Florence e Amy combinamos de chamar Bessee, Funy e Mishonni para a noite das garotas.
— Ninguém viria para uma noite dos garotos! – Taylor disse virando a xícara de café na boca – O que ficaríamos fazendo? Vendo revistas pornôs e falando do tamanho dos peitos das meninas? Dispenso. Quero meu notebook de volta.
De repente Mishonni abriu a porta da sala de jantar e entrou, calada.
— Mishonni, você pensou no que eu disse? – Amy perguntou.
— A reunião? – Ela andou até a mesa e ficou em pé nos olhando – Não vou poder participar, me desculpem...
— Por quê? – Amy perguntou curiosa.
— Eu e o Justin, nós vamos... Vamos sair. – Ela passou a mão no cabelo e desviou o olhar.
— Sair? – Amy ergueu uma das sobrancelhas. Eu confesso que também estava curiosa, para onde eles sairiam nesta ilha?
— É, sair. Vou tomar meu café agora, tudo bem? – Mishonni se dirigiu rapidamente à cozinha sem falar mais nada.
— O que foi isso? – Amy disse rindo.
— Eles estão se amando. – Taylor bebeu mais um pouco do café.
— Confesso que sempre shippei... – Florence riu.
— Sempre chupou? – Indaguei.
— Ship-pei! De shippar! Vocês vivem em que década? – Ela cruzou os braços – Significa que eu torcia pelo casal.
— Mas era óbvio que iria tomar esse rumo... Eles ficaram bem íntimos desde o primeiro dia... – Amy falou.
Levantei da mesa e falei:
— Eu vou ir procurar a Bessee, tudo bem? Vou ver se ela já acordou.
— Mas você nem tomou café. – Florence fez gestos de dúvida com a mão.
— Eu estou sem fome, desculpem. – Saí apressada da cozinha.
Eu estava querendo voltar à minha cabana, eu estava com muito sono, mas no caminho acabei encontrando Bessee indo para a sala de jantar, então a parei.
— Ei, Bessee – Chamei e ela voltou sua atenção a mim – Eu, Amy e Florence estamos planejando uma noite das garotas, vamos comer salgadinhos e conversar sobre assuntos variados.
— Legal. – Ela falou sem que eu pudesse terminar minha frase e continuou andando, mas continuei ainda assim:
— Queríamos saber se você quer se juntar a nós.
Ela deu meia-volta ficando de frente pra mim e então disse:
— Estão me convidando para uma noite das garotas? – Ela soltou uma longa risada em seguida – Desculpem, mas mesmo se eu quisesse participar, eu já tenho planos para hoje.
— Planos? – Perguntei.
— É, planos. – Ela fez pausa – Eu vou malhar. E eu só gosto de malhar nua e sozinha no meu quarto. Aceito essa noite das garotas se quiserem ver o meu belo corpo feminino suar. – Ela mostrou seus músculos do braço.
— Não, obrigada. – Virei de costas e continuei o meu caminho, ela fez o mesmo.
Entrei em minha cabana e fui dormir. Deitei na cama, fechei os olhos, rolei para a direita, para a esquerda, até que finalmente consegui adormecer.
Foi um sono profundo, muito bom, eu estava realmente precisando, já que passei a noite em claro.
Acordei de repente quando alguém bateu na porta da minha cabana, abri os olhos vagarosamente e comecei a pensar que foi um sonho quando bateram novamente, levantei, bocejei, e fui até a porta, descalça.
Abri a porta. Era Amy, ela estava com um prato de macarronada.
— A Bessee não vai para a noite das garotas. – Ela falou.
— É, eu a chamei mais cedo. Que horas são? – Perguntei ainda sonolenta.
— Quase duas horas da tarde... – Amy disse me entregando o prato de macarronada – Seu almoço, você não apareceu, ficamos preocupadas.
— Eu estava dormindo, estava com muito sono, não consegui dormir direito essa noite. – Justifiquei.
— Entendo... – Ela entrou na minha cabana e fechou a porta – Coma, está gostoso.
— Ah, claro... – Fui até a cama e coloquei na boca uma garfada da macarronada, realmente estava deliciosa – E a Funy? – Questionei – Ela vai?
— Vai sim. – Amy respondeu – Ela vai levar também suas coisas de cabeleireira e vai fazer penteados incríveis na gente!
— É uma oportunidade de conhecê-la melhor – Falei comendo mais macarrão.
— Sim, a Florence disse que vai preparar alguns looks especiais para nós desfilarmos com os penteados – Ela sorriu – Não vão ser apenas salgadinhos e conversas sobre meninos.
— Onde vai ser?
— Como vamos mexer com cabelo e vamos trocar de roupa, decidimos fazer no banheiro feminino. Aparece lá por volta das sete horas, tudo bem? – Ela respondeu.
— Claro. Obrigada pelo macarrão, está delicioso.
— Não foi nada. – Ela sorriu, simpática. Confesso estar muito ansiosa para esta noite das garotas, especialmente porque vamos ter a presença de Funy, a pessoa mais quieta daqui, quero muito saber quem ela é e ver os seus talentos como cabeleireira.
POV Taylor
Noite dos garotos, elas disseram. Não acho que daria muito certo, mas em razão dos grandes tédios que andam rodeando o meu eu, decidi tocar no assunto com Louis que estava presente na cozinha no momento em que eu preparava algo pra almoço.
— Aqui está muito monótono, não acha?
— O que quer dizer? – Ele perguntou arqueando uma sobrancelha.
— Pensei em fazermos uma noite dos garotos para reunir melhor o pessoal – Respondi – Talvez nos aproximando melhor, os assassinatos não ocorram mais.
— Uma boa ideia, mas duvido que alguém aceite. – Ele falou – As meninas também estão fazendo uma noite das garotas, não é?
— Como você sabe?
— Eu ouvi. – Ele disse virando-se para um armário e pegando uma caixa de biscoitos.
— Sério? – O observei por um tempo – Mas caso ocorra, você iria?
— Conte com a minha presença. – Ele abriu a caixa e pegou um cookie de chocolate – Tem o Bruce, o William e o Justin.
— Justin não pode ir. – Falei – Ele vai ter um encontro com a Mishonni.
— Impressionante como mesmo com um jogo que gira em torno de assassinatos, as pessoas conseguem arrumar tempo para namorar... – Ele pegou outro cookie de chocolate.
— Você não tem interesse por ninguém daqui? – Perguntei, curioso.
— Não. – Ele pegou outro cookie – Sabe o que eu acho?
— O que?
— Esse tempo todo que estamos conversando, você se esqueceu de ligar o forno para cozinhar sua comida. – Ele pegou um prato, colocou cookies e guardou a caixa de novo. Liguei o forno, me sentindo um pouco burro.
— Desculpe, estou um pouco atônito sem o meu notebook nesses dias... – Justifiquei, mesmo sendo uma desculpa completamente esfarrapada.
— Sei. – Ele se dirigiu à porta da cozinha – Eu vou falar com o Bruce, você fala com o William, vamos ver quem aceita participar dessa nossa noite dos garotos...
— Tudo bem. – Eu disse e ele saiu com o prato de cookies. Eu realmente espero que isso dê certo, não estou nem um pouco a fim de continuar no tédio.
Cozinhei minha comida e fui para a sala de jantar almoçar. William apareceu de repente e estava indo para a cozinha quando o chamei:
— Ei, William! – Ele parou e virou-se para mim – Eu e Louis vamos fazer uma noite dos garotos hoje, para interagirmos e nos conhecermos melhor. Você gostaria de participar?
— Sim. – Ele falou, de repente Bruce e Louis adentraram a sala de jantar, Louis ainda com cookies em seu prato.
— O Bruce topou, o William também? – Ele perguntou. Confirmei com a cabeça – Ótimo, aonde vamos nos reunir?
— Acho que na cabana de alguém... – Falei.
— Pode ser na minha – Bruce disse.
— Ótimo. – Sorri.
— Vocês poderiam aparecer lá às sete horas. – Bruce olhou para todos nós, que confirmamos.
— Alguém poderia ficar responsável por fazer a comida? – Louis perguntou – Quero dizer, não podemos ficar com fome...
— As meninas também vão fazer comidas, é uma boa ideia. – Concordei.
— Meninas? – Bruce cruzou os braços.
— É, as meninas também vão fazer uma noite das garotas, daí que eu tirei a ideia – Respondi.
— Eu fico responsável. – William disse.
— Que ótimo! Se continuarmos nos aproximando assim, talvez os assassinatos nem existam mais daqui a um tempo. – Louis sorriu e então todos retribuímos o sorriso, com exceção de William, que continuou quieto no seu canto.
POV Iana
Após comer e conversar um pouco com Amy, ela me falou:
— Nós queríamos que você fizesse os salgadinhos para hoje, tudo bem? É porque você é a melhor de nós na cozinha, sabe?
— Não, sem problemas! Logo vou pra cozinha começar a fazer. – Respondi.
— Porque não vamos agora? – Ela levantou da cama puxando a minha mão.
— Ah, tudo bem! – Peguei o prato e saí com Amy. Fomos para a cozinha, e eu coloquei o prato na pia para lavar.
— Eu vou lavar a louça e você prepara as coisas. – Amy disse correndo para a pia.
Comecei separando os ingredientes para cupcakes deliciosos que aprendi a fazer com a minha avó.
De repente William entrou na sala, em silêncio e foi até o meu lado, começando a pegar alguns ingredientes no armário também. Curiosa, perguntei:
— Vai cozinhar, William?
— Vou. – Ele respondeu, friamente, pegando uma tigela.
— Mas qual ocasião o fez vir cozinhar? – Questionei novamente, ainda mais curiosa agora.
— Noite dos garotos.
— O Taylor resolveu fazer? – Amy falou enquanto lavava a louça.
— Sim. – Ele respondeu. Foi até a geladeira e pegou quatro ovos, em seguida os quebrou na tigela.
— Que bom, é ótimo ficarmos mais unidos em tempos como estes! – Peguei todos os ingredientes e os coloquei no balcão, em seguida fui até a geladeira e peguei três ovos.
Quando fechei a porta da geladeira, percebi que o painel de energia ficava ali na cozinha, bem do lado da geladeira.
— Não sabia que o painel de energia da ilha ficava aqui... – Falei, voltando para preparar meus cupcakes.
Passamos a tarde toda fazendo cupcakes e salgadinhos, conversávamos poucas coisas. Depois que Amy terminou de lavar a louça ela foi ajudar a mim e a William no preparo das comidas. Quando eu finalmente tirei a última fornada de cookies do forno, olhei o relógio.
— Meu Deus, já são cinco e meia!
— Daqui a pouco é a nossa reunião, vamos! – Amy falou indo em direção à porta da cozinha.
— O que vamos fazer com essa comida? – Peguei tudo o que já tinha preparado e tentei juntar em um único lugar da cozinha para não ocupar tanto espaço.
— O William olha pra gente...
— Eu já estou de saída. – William disse, já guardando os ingredientes que havia pegado.
— Então deixa tudo aí mesmo, não acho que vá aparecer alguém para comer tudo. Vamos, precisamos nos arrumar! – Amy puxou meu braço e saiu comigo cozinha a fora, deixando William sozinho lá.
— Pra que essa pressa toda? – Perguntei quando chegamos à cabana de Amy.
— Eu vou fazer uma apresentação de dança – Ela abriu a porta da cabana e nós duas entramos – E eu pedi para a Florence limpar o banheiro pra gente.
— A Florence? Sério? – Ri.
— Sim, mas como eu sei que ela nunca faria isso, eu pedi para a Funy ajudar ela, ou pelo menos lembra-la de ir. – Amy foi até o seu armário e pegou algumas roupas de balé.
— Nunca vi você dançando... – Comentei.
— Nunca dancei para outras pessoas aqui, só quando eu estava sozinha – Ela fechou a porta do armário e abraçou a roupa – Dançar me deixa feliz!
— Animais me deixam feliz... – Abri um sorriso.
POV Mishonni
Eu iria ter um encontro com o Justin nessa noite e chamei a Florence para que me ajudasse com alguma roupa. Ela estava sentada na minha cama, e eu mostrando a ela as roupas que eu tinha no armário.
— O que acha dessa? – Mostrei um vestido branco.
— Você vai casar ou se encontrar com o Justin? Por favor... Continuo achando essa blusa azul a melhor opção.
— Mas eu não gosto de azul... – Justifiquei.
— Mishonni, você não precisa gostar de azul – Florence pegou a blusa e andou até mim – Imagina, uma noite fria, você opta por cores frias, este azul escuro está perfeito! Azul significa tranquilidade, serenidade, harmonia! Você vai demonstrar que é uma pessoa calma e o Justin como escritor deve preferir pessoas calmas... Há quem diz também que azul é a cor da realeza. O azul estimula a criatividade, já pensou o Justin escrever um romance sobre vocês dois? Qual o seu signo?
— Peixes – Eu disse mesmo já convencida de usar a blusa azul.
— Peixes, magnífico! Sabe o que quer dizer? – Ela nem esperou eu dar uma resposta – O azul é uma das cores que combinam com os piscianos... Agora vamos decidir o que você vai usar por baixo... Precisa ser uma cor forte e que chame a atenção!
— Eu tenho alguns shorts... – Falei procurando os shorts no armário.
— Isso, um short branco.
— Branco? Você falou para não usar branco! – Peguei o short branco que eu tinha.
— Eu falei para não usar o vestido branco, short branco é ideal! O azul é uma cor monótona e sonolenta, pode estragar o seu encontro se não for combinado corretamente – Ela pegou o short das minhas mãos de repente – Ah, o branco... Paz, pureza, alegria! É perfeito, vai por mim!
Florence me entregou o short de volta e foi em direção à porta.
— Aonde você vai? – Perguntei.
— Eu preciso ir limpar o banheiro para a noite das garotas, fiquei com a pior tarefa, acredita? – Ela saiu do quarto, sem dar mais nenhuma palavra. Estou muito ansiosa para esse encontro.
POV Iana
Passou rápido, logo era hora de ir para a noite das garotas! Que animação! Eu e Amy fomos juntas, quando chegamos ao banheiro, vimos Florence e Funy terminando de arrumar o banheiro. Havia uma bandeja com alguns salgadinhos num banquinho e uma garrafa de vinho ao lado, elas deviam ter pegado.
— Vocês chegaram? – Florence cruzou os braços emburrada – Depois que a gente termina de limpar tudo. Não precisa mais, amores, podem voltar.
— Florence! – Amy a repreendeu.
— Eu vou esquentar o resto dos salgadinhos e organizar as outras comidas para trazer tudo pra cá. – Falei dando meia-volta para sair.
— Me espera, eu preciso ir pegar as roupas para melhorar o look de vocês – Florence foi até a mim e então observou as minhas roupas – Está deplorável, vocês precisam de ajuda, vamos.
— Eu vou pegar o meu kit de cabeleireira – Funy foi até nós.
— Enquanto isso eu vou tomar um banho na banheira e me preparar para a apresentação – Amy disse tirando a roupa e entrando na banheira.
Eu, Florence e Funy saímos. Fechamos a porta. Decidi ir para as cabanas com as meninas se elas me ajudassem a levar o resto das comidas para o banheiro, como elas aceitaram, eu fui. Na cabana de Florence, ela pegou suas roupas e então fomos para a cabana de Funy, onde ela pegou o seu kit de cabeleireira.
No caminho, passamos pela cabana de Bruce, estava com a porta aberta. Bruce, Taylor, William e Louis estavam dançando ridicularmente enquanto William tocava alguns instrumentos, as coisas que William fez estavam ali também.
Vimos Justin batendo na porta da cabana de Mishonni e ela saindo com uma roupa linda.
— Ela está usando a roupa que eu recomendei – Florence sorriu – Mas por outro lado o Justin tá um horror, eu daria um fora nele se fosse a Mishonni.
— Vamos logo, Florence! – Falei.
Passamos também pela cabana de Bessee, e quando passamos pela porta, ela abriu de repente. Bessee saiu de lá completamente suada e só de toalha, ela pareceu levar um susto quando nos viu.
— Ufa, são vocês! Ainda bem que decidi vestir toalha, imagina se eu saio da cabana nua e são os meninos... – Ela comentou.
— E pra onde ia? – Perguntei.
— Eu estava indo pegar um copo de água na cozinha, e vocês? – Ela disse fechando a porta da cabana.
— Vamos pegar as comidas que fiz para a noite das garotas – Respondi.
— Da próxima eu vou participar... – Ela falou e então saímos, as quatro andando para a cozinha. Finalmente tudo e todos estavam em paz! E isso me deixava tão feliz e aliviada!
POV Taylor
Eu e William havíamos ido pegar a comida que ele havia feito na cozinha. Ele havia feito um bolo de laranja que aparentava estar simplesmente delicioso, eu estava carregando um boleiro com o mesmo. William levava colocava alguns pratinhos e garfinhos de plástico numa sacola para ficar mais fácil de transportar.
— William, o que você mais fez? – Perguntei, e ele simplesmente apontou para uma forma com biscoitos de vários sabores, chocolate, morango, limão e outros que eu não consegui identificar, e em vários formatos: círculo, triângulo, lua, bonequinho, estrela, etc. — As outras coisas são das meninas? – Perguntei novamente e ele só assentiu com a cabeça.
Houve um silêncio entre eu e ele, é realmente manter uma conversa com alguém que simplesmente não conversa! Mas logo pude ouvir pessoas conversando, vozes que se aproximavam. Bessee, Florence, Iana e Funy adentraram a cozinha.
— Olá. – Falei.
— Vocês vieram pegar as comidas de vocês também? – Iana perguntou e eu respondi positivamente.
— Funy, você pode fazer um favor pra gente? – Leva o seu kit de cabelereiro e as roupas que eu trouxe para o banheiro e espera a gente lá, eu vou pegar as comidas com as meninas, ok?
Funy simplesmente pegou as roupas da mão de Florence e as carregou junto de sua maletinha laranja para o banheiro feminino.
— William, você poderia fazer o mesmo? Leve os biscoitos para a cabana do Bruce, e já, já, eu vou com os bolo, ok? O Louis já está lá, me esperem. – O orientei, e em pouco tempo, William levou a sacola com os pratos e os garfos e uma pequena bandeja com os biscoitos.
Logo, fiquei sozinho na cozinha com Bessee, Iana e Florence.
— Ah, obrigado por terem sugerido a noite dos garotos, eu achei que ninguém ia aceitar, mas as coisas parecem ter melhorado bastante entre nós desde que a ideia foi discutida. – Comecei a falar — Até o William que era um pouco mais afastado, resolveu ajudar e veio cozinhar por conta própria, é incrível esse sentimento! Parece que finalmente encontramos a esperança aqui, a esperança de que talvez os assassinatos parem definitivamente e que nos unamos como uma turma!
— Não nos agradeça, a ideia foi da Amy – Iana disse.
— Mas eu aceito ficar com o crédito, de nada. – Florence sorriu pegando uma garrafa de refrigerante.
— Sentimos o mesmo, a Funy também era tão afastada e hoje ela vai fazer penteados novos na gente!
— Só em você e na Amy, não é? – Florence pegou uma das mechas de seu cabelo – Porque o meu cabelo é perfeito, ninguém toca nele, já não posso dizer a mesma coisa de vocês.
— Nossa, Florence, obrigada. – Iana falou em tom sarcástico.
— Que bom que estão conseguindo todos se aproximar mais, eu me sinto até um pouco arrependida de não participar, mas... – Bessee fez uma pausa e deu um sorriso – Malhar é a minha vida. – Ela exibiu seu bíceps direito e então foi em direção à geladeira, e a abriu para pegar a garrafa de água.
POV Bruce
— Louis, que bom que você achou esse balde no banheiro, agora podemos jogar basquete! Vou ensinar a vocês as melhores jogadas! – Joguei a bola de basquete no balde, então me virei para Louis, sentado na cama – Quer tentar?
Antes que Louis pudesse responder, bateram à porta e eu fui atender. Era William, ele entrou sem falar nada e colocou a bandeja de biscoitos sobre a cama, ao lado de Louis, então abriu a sacola e entregou um prato para Louis e outro para mim, ficou com mais dois na mão, em silêncio.
— Onde está o Taylor? – Louis perguntou, pegando um dos biscoitos e mordendo.
— Está vindo. – Ele respondeu, puramente.
— Mas porque não veio com você? – Louis perguntou novamente terminando de comer o biscoito.
— Está conversando com as meninas na cozinha. – E então, William sentou na cama e pegou um biscoito também. Obviamente, não perdi a oportunidade e peguei um, como os outros. Estávamos esperando Taylor, pacientemente chegar com o bolo de laranja, quando, do nada, a energia foi embora.
A cabana se tornou uma completa escuridão, e, combinado ao fato de estar de noite, numa ilha, sem eletricidade alguma, eu não conseguia ver nem a minha mão, à minha frente.
— E-Estão todos aí? – Perguntei, aflito, tentando tocar em algum deles.
— Sim. – Louis e William responderam simultaneamente.
— O que aconteceu? – Perguntei.
— A energia deve ter ido embora, parece que a nossa pequena festinha acabou. – Louis disse, senti que ele estava se levantando quando finalmente consegui tocar em seu ombro.
— Vamos à cozinha, o padrão de energia fica lá, talvez houve algum problema. – William sugeriu. E essa foi a maior frase dita por ele desde que a noite começou.
Saímos da cabana, com cuidado, pé após pé, a luz da lua e das estrelas iluminavam o local um pouco mais, mas ainda assim era muito difícil de ver.
Conseguimos chegar à sala de jantar, só conseguíamos ouvir vozes vindo da cozinha.
— Vamos para a cozinha, tem alguém lá. – Louis disse, e rapidamente fomos para lá.
Quando chegamos, ouvimos:
— Quem chegou aí? – Era a voz de Bessee.
— Eu, o Louis e o William. – Respondi.
— O que aconteceu para que a energia caísse? – Taylor perguntou.
— Precisamos olhar, o painel de energia fica aqui na cozinha. – Era a voz de Iana.
De repente, nossos ouvidos foram preenchidos por um som horrível: alguma coisa de vidro quebrando, seguidamente de um ensurdecedor grito de agonia, dor e desespero. E quando o primeiro grito se cessava, ia ficar mais baixo, a ponto do silêncio reinar no local, um segundo grito entrou em ação, mas esse era um grito apenas de desespero, não havia dor, muito menos agonia nele. Quando o segundo gritou acabou, percebemos que o primeiro também havia acabado, e agora só ouvíamos suspiros altos e prolongados.
— O que foi isso? – Ouvi alguém falando enquanto chorava.
— P-Precisamos ver! – A voz de Bessee ecoou, parecia atônita.
— Como se está tudo escuro? – Taylor quase gritou.
E, do nada, as luzes, se acenderam. Os suspiros continuavam, e o rosto de todos estava apavorado e confuso.
Naquela sala estavam eu, Bessee, Florence, Iana, Louis, Taylor e William. Sete pessoas, sem entender nada, uma olhando para outra, quando finalmente, alguém resolveu tomar uma atitude em meio a tanto desespero:
— Rápido, gente! – Iana se dirigiu à porta da cozinha – Alguém pode estar em perigo.
E logo, todos saímos da cozinha e fomos para a sala de jantar, procurando por algo. Mishonni e Justin adentraram a porta da sala de jantar, em seguida.
— O que aconteceu? O que foram esses gritos? – Mishonni perguntou assustada, Justin parecia mais ainda, estava pálido.
— As únicas que não estão aqui são Amy e Funy... – Justin disse arrumando o óculos no rosto e analisando todas as pessoas ao redor.
— Elas estão no banheiro! – Florence gritou e se dirigiu rapidamente à porta do banheiro feminino, e ao entrar, ela caiu de joelhos, tapando a boca com a mão para evitar gritar, seus olhos estavam arregalados, ela estava quase chorando, estava pálida e suando.
Aos poucos fomos entrando, um por um. E a cena foi chocante.
Na banheira estava Amy, com a cabeça reclinada para trás. Mas a banheira não estava cheia de água, estava cheia de sangue e Amy tinha cortes por todo o seu corpo. Ao seu lado, estava Funy, com uma garrafa de vinho quebrada na mão, chorando, com os cabelos bagunçados e com a maquiagem borrada.
Funy aproximou a garrafa de vinho de seu pescoço, enquanto todos a encaravam e enquanto ela encarava a todos, desesperada, e num movimento rápido, ela passou a garrafa por seu pescoço de vez e caiu no chão, o sangue jorrava e jorrava de seu pescoço e ela foi gritando e se agonizando, até que lentamente parou de gritar. A cena foi essa.
Agora tínhamos um cadáver na banheira e um cadáver no chão do banheiro. Uma garrafa de vinho quebrada e cacos espalhados por todo o lugar, uma bandeira com salgadinhos jogada no chão, banhadas pelo sangue de Funy que se espalhava por todo o banheiro e que se misturava com o vinho derramado no chão, próximo à banheira, daquela garrafa quebrada. A única janela no banheiro deixando passar a luz da lua que era refletida em todo aquele sangue derramado.
Estava tudo planejado para que fosse uma noite pacífica e harmoniosa, todos estavam unidos, se conhecendo melhor e eliminando diferenças, mas isso tinha que acontecer. Outro assassinato tinha que acontecer. Quando um pequeno raio de esperança passa dentre as nuvens cinzas carregadas de terror, o tempo nubla de novo. Quando achamos que algo pode melhorar, tudo é consumido pelo próprio e mais mortal desespero. Parece que aconteceu de novo.
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