Dando Voltas no Ponteiro
8 Capítulo VIII - A GAROTA DO CABELO DE 7 CORES
Notas iniciais
Se você não quer uma resposta sarcástica, não me faça uma pergunta idiota. Estava eu, subindo no meu skate, mochila pesada nas costas, com comida, roupa, escova de dente e tudo mais, quando quase atropelo quem? Julie Michelle.
– Está maluca?! – ela me parou no meio da rua, gritando histericamente.
– Não vem me encher agora, Julie.
– Ah é?! E você pode sair atropelando quem quiser, quando quiser agora?
– Olha só, nem tocou em você.
– Ah, mas quem liga?! Tá vendo meu sapato? – olhei para baixo e vi um salto agulha de pelo menos 17 centímetros – Um Louboutin! Isso foi caríssimo! Poderia ter quebrado. Olha só, meu pai conhece bons advogados tá bom?! Vou mandar te pegarem pelo o que você acabou de fazer e... – Cansada de ouvir aquelas baboseiras, deslizei meu skate e fui indo embora – EI! FAYEL VOLTA AQUI! Argh!
Ri enquanto ouvia-a resmungar.
Quando me dei conta estava parada na frente da casa de Luke. Com shorts de couro, blusa branca e a jaqueta jeans amarrada na cintura. Troquei as sapatilhas por botas surradas, pois não queria estragar nada da minha mãe. Eu precisava dar tchau para Luke. Daphne... Ela vai ficar bem se estiver com minha avó. Poderia levá-la, mas ela provavelmente morreria. E eu a quero segura e longe da Rainha. Fiquei parada na frente do portão por 3 longos minutos, pensando na vida. Senti uma lágrima caindo no meu busto e então fui tocada pela realidade. Enxuguei o rosto e toquei a campainha. Pensei “O que estou fazendo?” e quando eu estava indo embora, Luke me apareceu na porta.
– Olá, Fayel. Tudo bem? – ele estava com um olhar que dizia que ele estava prestes a pular no meu pescoço.
– Uh... Ah, me desculpa. Eu só vim me despedir. – minha voz estava embargada, totalmente tomada pelo choro que estava por vir.
– O que houve?
– Ah, nada. Eu só... – levantei o rosto, a lágrimas queriam descer – Estou indo embora, Luke. Achei que precisava me despedir de você.
Silêncio.
– Quando você volta? – sua voz estava baixa.
– Breve. Bem breve.
– Prometa que vai voltar. – pausa – Viva.
Parecia até que ele sabia de alguma coisa.
– Eu vou tentar.
E então o abracei forte.
– Nem acredito que fiquei tão perdidamente louca por esse seu cheiro em apenas uma noite em que estivemos juntos.
Ele me abraçou mais forte ainda.
– Ainda temos tempo de ficarmos mais loucos um pelo outro, sabia? – ele sussurrou em meu ouvido: — É só você ficar aqui... Comigo...
– Como eu queria... – e então virei o rosto.
Beijamo-nos. E teve gosto de ultimo beijo.
Quando o soltei ele disse:
– Desculpe por não ter estado com você.
– Eu te entendo. Mas eu estou voltando, e quando eu voltar, eu te explico tudo que está acontecendo.
– Adeus, Fay.
– Shh... Isso não é um adeus. – ele sorriu – É um até mais.
Sai deslizando no meu skate e fui embora, dessa vez pra contar pra Leah.
E com ela não foi muito compreensível:
– O QUÊ? Isso não devia ter algum planejamento, algum... Plano?
– É... Leah...
– Eu sei, foi pleonasmo!
– Leah, eu tenho que ir.
– Não! – ela se ajoelhou na minha frente – Por favor, não me deixa. Já passamos tanta coisa.
Fiquei em silêncio. Eu não podia esperar a minha alma se desintegrar, eu não podia deixar minha missão não ser feita. Eu não posso deixar que o mundo acabe... Por minha culpa. Já declarei essa guerra, não posso mais voltar atrás. E eu não vou mesmo.
– Já sei! Eu posso ir com você. – fiz que não – Por favor, Fay! Eu te imploro. O que eu vou fazer aqui sem você? Vou ter que voltar a andar com a Candance!
Fiz uma careta e ela riu.
– Não vai coisa nenhuma. Você é popular, Leah. Pode conversar com várias outras pessoas tipo a Dayane.
– Ah, ela é legal mas... Eu gosto mais da minha garota punk dramática. – sorri.
– Dramática? – e ri – Acho até que sou bastante forte.
– Graças a mim! Viu? Não podemos ficar longe uma da outra.
Nos abraçamos por tanto tempo que por um segundo concluí que não queria mais ir embora. Mas a razão ficou.
– Eu vou voltar. – estávamos chorando – Não chora, minha princesa.
Quando nos soltamos, sua maquiagem estava toda borrada, a minha já havia ido embora há muito tempo. Leah soluçava, tremia as mãos e fazia que não com a cabeça compulsivamente.
– Não quero que você vá de jeito nenhum, Fay! Eu to desesperada só de pensar em ficar sozinha aqui.
– Você sozinha? Nunca. Não vai acontecer mesmo.
Ela sorriu fraquinho.
– Já te disse o quanto seus olhos são azuis?
Chorei mais ainda.
– Já disse, sim. – a abracei.
– Eu te amo, Fayel.
– Eu também te amo.
– Vai lá e ganha essa droga de guerra! – ela me soltou e eu vi o quanto ela já tinha perdido na vida. Leah não tem mãe. Ela morreu no seu parto, então digamos que essa seja uma das coisas que nos mantém tão juntas. Além disso, o pai dela trabalha muito e eles quase não se vêem. Ele perdeu muito dos aniversários dela e ela ficava com a avó, até ela ter morrido ano passado. Agora ela passa dias em casa, sozinha. Esperando seu pai aparecer. Às vezes com as empregadas, mas as mulheres não lhe dão atenção. A admiro por ela ter aguentado tudo isso sem parar numa clínica de reabilitação. Leah é vazia por dentro. Assim como eu. Somos como um quebra-cabeça de dois corações partidos. E eu a amo tanto por ela me entender.
– Eu vou sim! Por nós.
Depois disso, fui embora para casa. E esperei Daphne chegar.
– Você vai embora, Fayel? – Daphne me olhou com os olhinhos azuis brilhando. Aquilo amoleceu meu coração. Eu só tenho a ela e à minha avó.
– É por uma boa causa.
– Tipo o que?
Abri a mão e uma bola esfumaçada negra fluiu da palma de minha mão fazendo pirueta em si própria com um tique-taque infeliz. Eu nem sabia que podia fazer aquilo, eu simplesmente fiz.
– Uaaau... – ela olhou admirada, sorrindo de emoção – Você é uma fada!
Eu ri um pouco, quebrando o silêncio que eu tinha criado com minha mente. Acabou ficando um pouco forçado, eu estava meio assustada.
– Não, Daphne. Eu sou um Elemento Perdido. É uma história bem longa... Mas o que você precisa saber é que isso aqui é o tempo. E me pertence. Não posso deixar que uma Rainha má o tome de mim... Ela declarou guerra!
– Sério?! Você vai ser uma heroína, Fay?
– Vou sim. – eu estava amargurada. Como eu poderia deixar minha irmãzinha, sozinha no mundo daquele jeito? “Sozinha não”, pensei “Ela está com a minha avó”.
Mas Daphne apenas sorriu de uma forma adorável.
– Então vai. Arrume um exército de bons soldados e vence isso. Quando voltar, a gente come biscoitinho.
Rimos. Então a abracei e chorei pela terceira vez naquele dia. Como eu odeio despedidas.
– Não chora não, maninha. – ela secou minhas lágrimas e disse, suavemente: — Eu sei que você vai voltar.
– Eu vou sim.
Minha avó apareceu na porta da cozinha com a minha mochila aberta e disse:
– Isso aqui é uma bolsa de viagem decente? Só tem três pares de roupa, algumas calcinhas e dois sutiãs! Fayel achei que você era uma garota.
Eu e Daph nos olhamos e começamos a rir.
Depois de uma hora, eu estava vestindo uma calça jeans rasgada, as mesmas botas surradas, uma bata vermelha e uma jaqueta de couro preta. A minha mochila nas costas estava com bem mais roupas, suprimentos, pastas de dentes, escova de dente, sapatos, dois objetos afiados para a minha proteção e tudo mais. Estava dando um ultimo “adeus” para a minha família quando vi que eram quase cinco horas. Peguei meus óculos Ray-ban, o capacete da minha Scooter, o dinheiro que minha mãe havia deixado pra mim (aparentemente, ela sabia que isso ia acontecer), as chaves e por fim, deixei minha casa com muito receio.
Não precisava de mapa, eu sabia aonde encontrá-la, frequentemente eu tinha visões de onde ela estava, às vezes dormindo, às vezes na cozinha. Sempre em Bristol. Deu mais ou menos cinco horas de viagem. Olhei no relógio. Dez e vinte. Eu estava bastante cansada, mas eu não me importava com isso agora. Parei num restaurante numa cidade que eu sequer sabia o nome. Um tanto encabulada, perguntei para a garçonete:
– Ahn... Poderia me dizer que cidade é esta?
– Wealdstone. – a garçonete sorriu – Está viajando para onde?
– Bristol.
– Não vai demorar muito. Está de carro?
– Não. De Scooter. – e apontei para meu veículo azul na rua.
– Bonita. Segundo o Google, de carro vai demorar 2 horas. Há quantas horas está viajando?
– Cinco. O Google mente.
– A não ser que ele conte Scooter como bicicleta, então seriam 13 horas. – ela pensou.
– Nossa. Como você decora isso tudo?
– Memória fotográfica. Amo o Google.
– Eu vejo. – sorri – Ei sabe me dizer o hotel mais perto daqui? Estou louca para dar uma cochilada.
– Aposto que você nem conseguiu dormir a noite... Não sei se estou certa, mas deve ter um hotel a duas horas de distância daqui.
– Não sabe se está certa? Eu tenho certeza de que está! Ah, seu nome é... Gisele. Gisele, eu estou morrendo de fome de café da manhã... Tem como...?
– Eu posso tentar! Já volto, senhorita.
– Obrigada! – e dei meu melhor sorriso.
Minha cabeça latejava. Eu estava tendo visões constantemente, e eu odeio isso. Principalmente quando não quero tê-las. Quase sempre era Luke morrendo nos meus braços. E eu estava começando a sentir o peso de corpo sobre o meu... E seu sangue escorrer sobre minhas mãos. Então aconteceu de novo: tive mais uma visão.
Dessa vez eu estava num deserto, com roupas mais rasgadas que o normal, ferimentos espalhados por todo o corpo, mancando e com uma espada de prata, linda e pelo visto, muito pesada. Eu a arrastava pelo chão perguntando “Onde você está sua vadia ingrata?!”. Tinha uma garota de cabelos pretos escondida nos arbustos, ferida também, muito sangue escorrendo pela boca, ela tentava me falar alguma coisa, mas nada saia de sua garganta. Ela ergueu a mão, então se ouve um grito. Katherine Woods vinha correndo numa velocidade absurda tentando me avisar para não olhar para trás, então num impulso horrível olhei para trás e acertei o estômago de Luke. Espirrou sangue no meu rosto e Luke caiu, ajoelhado aos meus pés. Fiquei paralisada, mas comecei a chorar. O abracei enquanto ele morria em meus braços, vendo minha alma se desintegrar atrás de mim.
E essa visão durou apenas 30 segundos. 30 segundos dormindo em cima da mesa. 30 segundos com os olhos negros. E trinta segundos para todos virem a minha esquisitice.
– Eu estou bem! Foi só o sono. – me desculpei com as inúmeras pessoas que vieram me socorrer em minha mesa.
Gisele abriu caminho, mandando todos sentarem-se em seus lugares. Quando chegou até mim com café da manhã, sorri.
– Dormiu um pouco sobre a mesa? É normal. – ela deu um sorriso doce – Qual é o seu nome mesmo?
– Fayel Lynch.
– Nome legal. Vou deixar você comer em paz.
– Obrigada, até mais.
Terminei de comer, deixei o dinheiro sobre a mesa e retornei à minha scooter. Após duas horas, encontrei o bendito hotel. Fiz meu registro e quando estava entrando no quarto, senti o celular vibrando no meu bolso da calça. Entrei, coloquei a mochila na cama e peguei o aparelho. A tela piscava “Você tem 1 nova(s) mensagem(s)”. Toquei na tela e fui direcionada à tal mensagem.
“Fayel,
Queria me desculpar por não ter te dito isso antes.
Lembra quando estávamos na quarta série, e você era aquela garota amável de Bristol que sempre que podia vestia vermelho e usava fitinhas no cabelo? Lembra de quando você cantarolava cantigas infantis e lembra que eu era seu parceiro no laboratório de ciências? Eu sempre fazia todo o trabalho, enquanto você cantava. Eu sempre amei seus grandes olhos azuis intensos. Seus cachinhos castanhos que só apareciam nas pontas, das suas sardas... Lembro-me de quando estávamos na oitava série, você virou uma espécie de garotinha popular. Usava blush, batom, rímel e o que fosse para parecer mais bonita pra as garotas. Na quinta série, seu novo parceiro de laboratório era Lupin Montgomery. Um garoto baixinho e gordo, de óculos fundos de garrafa e cabelos lisos que iam até o ombro. Eu sempre odiei esse miserável. Ele te tirou de mim...
Naquele mesmo ano, eu descobri a minha doença terminal: Uma espécie rara de tuberculose. Toda vez que eu tusso, sai sangue e dói meus pés, mãos, ombros e coxas. A temperatura do meu corpo cai de vez em quando, me deixando dependente de cama e muitas cobertas. Não sei se você já reparou, mas na terceira série, eu saía de sala enquanto tossia. Quarta série, eu ia com pelo menos 3 casacos, até nos dias quentes. Levava lencinhos e alguns remédios que de nada adiantaram para mim. Eu sempre soube que estava morrendo. Até que minha mãe resolveu me tirar de Bristol e me levou para Corringham. Não era exatamente uma cidade grande, mas lá tinha o hospital que me faria melhorar. Passei anos sem notícias suas. Então, quando eu estava de passagem para a oitava série, me mudo para Londres. Candance havia conseguido uma bolsa numa escola particular e ela não podia perder a oportunidade. Mas no meio do ano, foi expulsa, pois havia sido vista beijando um garoto do último ano. Foi para a escola pública de Londres e virou a capitã das líderes de torcida. No primeiro ano do Colegial, uma notícia se espalhou na cidade: De que uma garota nova estava se mudando, e pelo visto era muito bonita, pois deixou minha irmã louquinha. Candance planejou vários dias e noites algo que transformaria a vida da tal garota num inferno. Resolveu fazer uma festa e instruir a garota comprar um vestido feio. E aconteceu. Naquela noite eu estava muito mal, vomitava sangue direto e sentia um frio absurdo o tempo inteiro. Enquanto eu estava trancado no meu banheiro, ouvi gritos, choros, e muitas, muitas coisas quebrando no meu corredor. A festa estava rolando. A garota havia sido pega. Só para constar, eu nunca fui a favor do que Candance estava planejando. Até tentei pará-la, mas nada fazia mudá-la de ideia. Ouvi um estrondo vindo da entrada do meu quarto e dei um pulo. Abri a porta do banheiro e então a vi: A garota magra e alta com o vestido rosa brilhante e coladinho. Cabelos longos e castanhos estavam lisos, a maquiagem marcante, como de alguém que foi popular em outra cidade. Os olhos azuis continuaram intensos e inocentes. Não pude deixar de sorrir. Era destino! Eu havia lhe encontrado! Meu amor de infância, adolescência e para a vida toda. Você arqueou as sobrancelhas e me fiz de desentendido. Eu tinha 34 kg. Estava seco. Tirei minha meia lentamente sem que você percebesse e você me levou até minha cama. A dor foi real. As cicatrizes se abriram bruscamente e aquilo doeu como nunca. Sem querer ter feito aquilo, mandei você ir embora. Dois dias após o escândalo, fui mandado para Corringham de novo. Lá eles me deram tratamento pra um rei. Só que sem a minha família.
Dois anos depois eu volto pra Londres. E após oito anos, estou de volta à escola. Tudo era tão diferente, tão esquisito. Eu estava mais forte, praticava esportes constantemente em Corringham. Foi quando eu te vi: Roupas pretas, maquiagem escura e cabelos ondulados e bagunçados. Usava uma bota, short curto, uma camiseta de banda e uma jaqueta de couro. Quando eu estava entrando, você também estava. Todo o mundo te olhou disfarçadamente, mas não é pra menos: Você é uma visão e tanto! E quando eu entrei com a minha irmã, você parou e me observou. Pensei se você estava me reconhecendo daquela noite, ou da terceira série... Enrubesci. Você veio falar comigo e eu demorei pra achar as palavras certas. Quando você me chamou pra ir à praia e matar aula, eu nem pensei duas vezes: Fui correndo pra lá. E aquela noite que eu passei com você, foi a melhor da minha vida. Infelizmente eu tive um ataque e fui levado embora. Você não falou comigo por um bom tempo. E quando fiquei com Julie, quero que saiba que o motivo foi apenas dinheiro. Ela é rica e tem o dinheiro que preciso pro meu tratamento.
Mas eu te amo. Desde sempre. Pra sempre.
Com mais amor do que deveria,
Luke. Xx.”
Terminei de ler o depoimento soluçando.
– O que estou fazendo aqui?
Eu sei que tem Katherine, mas, Luke está morrendo. E eu me machuquei. De verdade. E às vezes, quando isso acontece, algo dentro de mim se fecha. Corri pro banheiro e tomei um banho rápido, abri a mochila e peguei a primeira coisa que parecia um pijama e me joguei na cama. Sim, eu queria ter uma visão. A visão dele. E fiz de tudo pra conseguir.
E deu certo.
Luke estava sentado na mesa da cozinha com uma tigela de cereal. Candance descia as escadas e ela pergunta:
– Não vai para a escola hoje? – Luke fez que não com a cabeça.
– Estou com dor.
Candance ficou calada.
– Pode ir mana. Eu vou ficar bem.
– Onde é a dor?
– Não importa...
– Onde?
Luke suspirou e tirou a camisa. Prendi a respiração, atônita. Candance estava tão apavorada quanto eu. Seu peitoral estava roxo, contraído de dores. Dava pra ver sua dificuldade pra respirar nos seus olhos.
– Vou chamar um médico agora! – Candance tirou da bolsa seu celular e discou o número e começou a pedir ajuda. Luke encostou a mão no rosto, com dores.
– Fayel... Ela... Tá dormindo. – a imagem começou a apagar – Ela tá se mexendo, seus olhos estão se abrindo e estão negros. – ele falava com uma voz calma, como se estivesse... Hipnotizado – Ela acordou e está levantando.
E então a imagem ficou escura de vez.
E o que ele ditou realmente aconteceu: Eu estava me levantando. Disquei seu numero, mas quem atendeu foi Candance.
– O que você quer garota?
– Falar com Luke!
– Ele tá se arrumando pra ir ao hospital!
– Eu tenho que falar com ele, é importante!
– Não enche. – e ela desligou.
Grunhi. Não posso falar com ele. Troquei de roupa e coloquei uma calça jeans skinny, uma blusa do Pink Floyd e um casaco cinza. Peguei o All Star que estava jogado em algum lugar minha mochila e saí do quarto pulando enquanto colocava o tênis. As chaves da minha scooter estavam na recepção, peguei-as e fui embora para o bairro de Katherine.
Assim que encontro seu apartamento, toco a campainha e vejo uma garota com seios fartos, coxas grossas e uma bunda razoavelmente grande. Estava de sutiã preto de renda e short jeans curtinho. O cabelo colorido estava mais bagunçado que o normal, e ela usava um delineador preto nos olhos, sua boca carnuda marcada com a cor vermelha. Unhas enormes e vermelhas dirigiram-se até sua boca, tirando o cigarro e falando com a voz rouca:
– O que você quer aqui?
– Falar com você, Katherine. – ela rolou os enormes olhos azuis da cor do mar.
– É “Kat”! – franzi a testa – Vem, entra.
Entrei e vi seu apartamento, todo cor-de-rosa. As paredes da sala eram brancas com muitos quadros da Barbie durante os anos, o sofá era rosa de couro e a mesa de centro era dourada (seria ouro?), a TV era tela plana de 35 polegadas, sua cozinha que era emendada com a sala, tinha a cerâmica de tonalidade rosa clara, os móveis do cômodo, eram rosa e branco. Sua geladeira? Cheia de fotos dela com um garoto. Cheguei para ver e:
– Esse aqui... É o Lupin? – perguntei a ela.
– Sim. É meu ex-namorado babaca. Mas eu deixo a foto dele aí... Me faz sentir menos sozinha.
– Sim, claro. – fingi que acreditei na história. Me sentei no sofá e olhei a garota vulgar acendendo outro cigarro. Cigarro rosa.
– Fala!
– Seu elemento é a água. – a garota, que antes olhava pra mim ferozmente, procurando quaisquer emoções em mim, ficou estática – Temos que ir embora.
– Como você sabe que eu...? – o cigarro estava caindo de sua boca.
– Eu sou uma de vocês também. – dei de ombros.
– Tem mais?
– Sim. Eu sou o Elemento Tempo.
Ela arqueou as sobrancelhas.
– Tempo? Isso nem é um Elemento.
– Não mais. Foi há muito anos. Então meu antepassado o roubou da Rainha Hercília que decidiu proteger o restante dos Elementos tendo filhos com mortais.
Kat ficou em silêncio por um tempo e então disse:
– O que quer dizer com isso?
– Kat, você tem mãe?
– Não... Meu pai disse que ela morreu no meu parto.
Só levantei a sobrancelhas e sorri.
– Sou filha da Rainha Hercília?
Fale com o autor