Dando Voltas no Ponteiro

18 Capítulo XVII – A PEÇA-CHAVE


Notas iniciais
Que cansativo foi ter escrito o capítulo anterior. Minha vida tá meio corrido e tem sido difícil arrumar tempo pra escrever. Nesse capítulo, eu quero mostrar pra vocês que a nossa protagonista é mais poderosa do que ela pensa que realmente é. E vai dar início a uma coisa que ela desejaria não ter acontecido. Hehehe. Boa leitura!

“I’m learning to walk again; I believe I’ve waited long enough. Where do I begin?” – Foo Fighters (Walk)

Estou há três dias sem falar com Luke. Não que eu não tenha tentado, porque eu tentei bastante. Desisti depois de uma cena constrangedora na frente da escola, na hora da saída em que eu estava o esperando no portão e quando ele saiu, mal olhou para mim e saiu andando.

– Luke, olha pra mim. Conversa comigo, eu... VOCÊ ESTÁ AGINDO COMO UMA GAROTINHA! – berrei e então ele parou e virou o rosto, sério:

– Você desistiu da guerra?

– Não. – respondi.

– Então tchau.

O vi caminhando e num momento de desespero, o agarrei pelo ombro e parei o tempo. Eu sei que havia prometido que não faria mais isso, mas foi a primeira coisa que me ocorreu. Luke ficou estático, mas eu sabia que ele estava ali como meu convidado.

– Por favor, não vá. Eu não posso desistir, você não consegue ver isso? – comecei a falar com ele calmamente, com a cabeça baixa – Não tem como eu ir embora. E se eu morresse seria uma honra pra mim.

– Então me ponha de volta no presente. – ele disse finalmente e assim eu o fiz. Observei Luke ir embora e voltei pra casa.

Agora estou aqui no acampamento, no chalé de Cory, o ouvindo falar sobre a sua vida na fazenda na Grécia. Ele parecia tão empolgado ali, arrumando a cama e exclamando coisas do tipo “na Grécia, meu pai me acordava às cinco da manhã para cuidar das vacas!”, enquanto eu dava um sorriso ou outro, sentada numa cadeira almofadada na diagonal do criado-mudo de sua cama, onde tinha um porta-retratos de Cory com seu pai. Leonidas Adamanto era um homem de 58 anos muito bonito. Cory na verdade, se parecia muito com ele. Leonidas tinha um pouco mais que 1,90m de altura e tinha cabelos louros e cacheados, com traços forte e sexy no rosto. Tinha as típicas rugas da felicidade: perto dos olhos e do lado da boca. Abraçava Cory por cima do ombro, que parecia ter 14 anos na imagem. Cory já era alto na época, com mais ou menos 1,65m. Agora, Cory mede 1,87m. Me pergunto se ele não vai parar de crescer.

– Você ao menos está me ouvindo, Fay?

– Estou. – disse perdida – Sobre a fazenda não é? Um belo lugar deve ser lá.

Ele balançou a cabeça e se ajoelhou na minha frente, segurando minhas mãos.

– Estou perguntando sobre sua vida, meu anjo. – ele disse docemente e então prosseguiu: – Perguntei se você já decidiu se vamos mudar a localização do acampamento, sobre Luke, sobre sua família. Estou perguntando se você realmente quer fazer isso tudo. Você quer, Fayel?

– Eu preciso. – disse sinceramente, mas ele rolou os olhos.

– Não estou perguntando isso.

Suspirei forte e me levantei, largando as mãos de Cory e me direcionando até a porta.

– Eu não tenho escolha, Cory. Eu não sou uma adolescente normal. – abri a porta e saí, desejando que toda aquela confusão parasse.

Sou uma dessas pessoas que não ficam em paz até arrumar uma solução pra tudo. No momento, está tudo uma bagunça. Eu tento conversar com meus amigos, mas as palavras não saem, como se eu estivesse com medo de dizer o que estou pensando. Com medo do julgamento que vou receber e com medo de já saber a resposta. Eu venho tentando esvaziar minha cabeça, mas tudo sempre volta ao que já era. E então sobe a vontade de chorar, a garganta vai ficando apertada. De vez em quando, eu simplesmente paro de me mexer e fico olhando para algum ponto fixo, pensando em como vou superar isso tudo. Pensando quando finalmente as coisas vão melhorar pra mim. Eu não sei o que fazer, dá pra ver isso. Meus soldados estão percebendo e eu não consigo ser uma boa líder. Tento dar ordens, mas ninguém me escuta, pois sou impotente. Kat está tentando muito me fazer sorrir, mas eu acabo sendo rude. Acabo gritando e acabo expulsando aqueles que mais me querem bem.

Eu não sei o que fazer pra parar essa confusão na minha cabeça. Parece que sem Luke, eu estou perdida. Andei até a minha scooter e me sentei lá, jogando as chaves para o alto, e as pegando novamente, repetidamente. Eu queria sair do acampamento naquele instante, mas havia alguma coisa que estava me prendendo. Algum sentimento esquisito. Mais além, consegui ver Kat conversando com Cory, que havia saído imediatamente quando eu disse aquilo. Após ver todos ali, tão relaxados, quis me recolocar como líder novamente. Mesmo com aquela carranca. Me levantei e cheguei perto de Kat, que estava empunhando uma espada.

Olhei para a aljava de flechas que estava jogada ali e as peguei. Por algum motivo, eu estava furiosa.

– Ei, pega isso aqui. – arremessei a aljava nela e ela pegou assustada – Quero ver você treinando como uma caçadora hoje.

Ela estava parada, me olhando enrubescida. E como se estivesse tentando seguir algum script, disse pausadamente:

– Não... Não posso ser uma caçadora com espada?

– Não. – caminhei até o alvo gigante que tinha a uns dez metros de distancia, mais ou menos e apontei para o centro – Quero ver você acertando esse pontinho preto até o final do dia.

– Que pontinho? – via Kat suar frio e o arco em suas mãos tremendo.

– Esse. – peguei um pincel preto e marquei o pontinho dentro do circulo vermelho.

– Certo, eu... Vou treinar.

Apoiei-me na outra perna e a encarei.

– Você está bem, Katherine? – cruzei os braços e percebi que ela estava quase chorando.

– Não consigo ver o pontinho direito.

– Você tem uma boa visão.

Fui embora e pensei em distraí-la no meio do seu treino, aparecendo do nada. Mas, quando eu o fiz, Kat acertou a flecha no alvo de primeira.

– Pronto. – ela falou com a voz tremula, me olhando de esguio.

– Parabéns. – cerrei os olhos e saí sem falar mais nada, não conseguindo entender o que estava acontecendo ali.

Então Cory saiu das florestas, saindo daquele jeito bobão que ele tem. Chegou mais perto, primeiro se certificando se eu estava melhor.

– Como vai o treinamento da figura? – disse ele.

– Começou agora. E você? Ainda não te vi lançando aquelas lanças na floresta.

Ouvi Kat choramingar e então virei o rosto para encará-la, quando ela disse:

– O que é isso, Fayel? O meu sonho. Ele é real. – ela gaguejava e tentava inutilmente segurar o arco, tendo em vista suas mãos suadas – E nem está no tempo certo.

Então me dei conta do que estava acontecendo. Aquela vez que Kat caiu do sono quando a levei numa viagem no tempo pela primeira vez e ela acordou dizendo que havia tido um sonho que não se lembrava. O sonho que eu clareei. E ela estava certa, estava no tempo errado. No sonho fora mencionada uma garota e eu não a conheço. O Elemento do Ar. Significa que estamos fazendo errado. Estamos perdendo nosso tempo aqui.

– Então... Queensland, não é? – Cory que estava calado há pouco tempo, disse ofegante.

– De preferência, amanhã. – disse eu.

Tirei minhas chaves do bolso e corri até a scooter. Avisei que estava indo comprar as passagens e Kat e Cory se adiantaram para pegar o carro. Após toda a correria de comprar as passagens, verificar o passaporte e essas coisas todas de arrumar as malas, finalmente me despedi dos meus dois soldados favoritos e fui dormir.

E sonhei com um recado carinhoso da Rainha.

“Por quanto tempo você acha que consegue fugir de mim, mortal?” ouvi a voz de Hercília ecoar em algum canto da minha mente. Não havia um lugar onde eu estava, só eu parada num lugar branco e frio. Neve. Não havia sinal da Rainha em lugar algum, o que me deixou irritada.

– Me parece que você quem está fugindo.

Ela deu uma risada estrondosa e então disse novamente:

“Meu bem, eu sou tudo isso. Eu estou com você aí” isso não foi lá a melhor coisa que eu ouvi naquele dia.

– Eu posso parecer com medo, Rainha – disse eu, em tom desafiador – Mas eu posso garantir que não estou.

“Bem, seus amigos ficaram apavorados com a visão de hoje. E isso eu posso garantir”.

– O que você quer?

“Quero parar de adiar o inevitável, Fayel Anne Lynch” ela disse e senti um arrepio na espinha.

– Surpresa pra você, Rainha: o Elemento do Tempo aqui sou eu.

E então acordei ofegante. Seis horas da manhã. Bem na hora. Levantei-me da cama, cambaleante, calcei uma sandália de borracha e me arrastei até o banheiro. Apoiei as mãos na pia e me encarei no espelho. Tudo o que consigo pensar é que talvez o inevitável possa ser evitado. Eu sou o Tempo, não é? É algo que eu posso evitar. Eu posso mudar isso antes mesmo que aconteça.

Dei uma boa olhada em mim. E caso eu nunca tenha mencionado minha aparência antes, eu não sou feia. Só não sou a pessoa mais sorridente desse mundo. Tenho os cabelos castanhos ondulados na altura do busto, olhos azuis vivos redondos e marcados com olheiras. Minhas sardas vão de uma bochecha para a outra, fazendo caminho pelo meu nariz fino e arrebitado. Minha boca tem dentes tortos que se recusam a usar ferros. Em geral, eu sou bem bonita se você tirar a carranca e as palavras sujas. 1,68m de altura e um corpo magro. Nunca parei pra fazer uma auto avaliação, mas tudo tem sido tão rápido e de repente. Eu tenho medo de estar fazendo tudo tarde demais. Eu preciso salvar aqueles que eu amo, preciso muito.

Enquanto me olhava no espelho, subiu a sensação de querer chorar lágrimas que não viriam. Sinto que tenho chorado tanto que as minhas lágrimas viraram banais. Sinto como se eu estivesse fazendo drama por pouca coisa. Me sinto banal.

– Fayel, já está na hora. – vovó bateu na porta, me alertando.

Não respondi nada, apenas tomei meu banho, escovei os dentes, coloquei a roupa da viagem e saí. Uma calça jeans escura, blusa preta, jaqueta de couro e o meu amado coturno. Penteei meu cabelo pela primeira vez em muito tempo e saí, com eles molhados. Fui até o quarto de Daph, que estava dormindo e a beijei na testa. Pedi para que vovó a explicasse tudo e que eu voltaria em breve.

Peguei as malas e me despedi de vovó com um abraço apertado e muitos beijos na testa, vindo dela.

– Eu queria pedir perdão, Fayel.

– Vovó, de novo? Já disse que não precisa disso. – vovó tem me pedindo perdão há alguns meses e isso já está ficando repetitivo.

– Preciso sim. Quando sua mãe morreu, você... Você ainda parecia mais forte. Agora, depois de sete ou oito meses, você está tão frágil e apavorada. O natal está chegando e nós nem sabemos o que será de você até lá.

– Eu vou ficar bem, vovó. Eu prometo. – prometi mesmo sabendo que eu poderia estar errada.

Cory apareceu na frente da minha casa com o carro e me ajudou a colocar as minhas coisas no porta-malas – que na verdade era só uma mala pequena com uma dúzia de roupas e dois pares de sapatos – e abriu a porta do carona para eu entrar. Ele passou mais alguns minutos se despedindo da minha avó, já que eles criaram um laço muito forte por ele ser “um garoto adorável, muito doce”, segundo ela. Bem, eu concordo. Cory é realmente uma pessoa muito boa. Qualquer garota teria sorte de se casar com alguém como ele. Qualquer uma inclusive uma garota rebelde de cabelos coloridos e um corpo atraente. Torço por esses dois com todas as forças do meu ser. Mas ela sempre diz a mesma coisa: “Ele não faz o meu tipo”. Ah, irritante. Eu poderia fazê-la gostar rapidinho, mas isso seria trapaça.

– Sua vó está bem preocupada. – Cory interrompeu meus pensamentos de adolescente normal quando entrou no carro e bateu a porta.

– Eu sei disso.

– Eu, como um bom grego que sou a alertei que você é uma heroína.

– Adorável. – parei pra pensar na frase e então perguntei – Por que isso é um alerta, Cory Adamanto?

– Na mitologia que eu sigo com afinco, heróis não tem finais felizes. – arregalei os olhos e o olhei enrubescida – Mas é claro que você vai ter o seu. Porque você é incrível. Não importa o Tempo que leve... Entendeu a piada?

– Entendi. Não teve graça. – ele ria tanto de sua própria piada que me deu vontade de rir também.

E assim foi a viagem: cheia de sorrisos. Cory comprou pacotes gigantes de comida e dizia várias vezes o quanto já estava com saudades de Kat resmungando para todos os lados. Ele nunca precisou dizer que tinha uma queda por ela. Mas enfim, quem não tem uma queda por Katherine Jay Woods? Quando o ouvi falando do quanto ela reclama sobre a organização do acampamento, perguntei:

– Quando vocês vão namorar?

– Namorar? – ele se engasgou com o vento e então limpou a garganta, prosseguindo: – Ninguém aqui vai namorar não. Que loucura.

– Mas você quer, não quer?

Ele olhou pra baixo, vermelho como um pimentão grego. E então deu de ombros, dando um sorriso de lado.

– Se ela quisesse, até casava. Mas eu não faço tipo dela né. – ele rolou os olhos e coçou a cabeça – Eu faço o tipo de todo o mundo!

– Talvez você não esteja fazendo certo.

Então ele parou o que estava fazendo e me olhou de modo interesseiro, de repente.

– Fayel, eu fico com ela ou não? Digo, qual é o meu futuro com ela?

– Não conto.

– Ai meus deuses, eu fico com ela! – exclamou o loiro, urrando de felicidade num avião lotado.

Seriam três ou mais paradas de mais ou menos quatro horas e eu já estava exausta por pensar que ainda estava na primeira. Mas Cory, o otimista, não parava de falar um segundo sequer do quanto ele sentia falta de Kat ou de sua fazenda na Grécia. Ele até me contou de seu sonho de levar Kat para morar com ele no seu terreno. Ah sim, claro que a menina fresca iria adorar morar com vacas e bois. Na Grécia. Até consigo imaginar.

– Cory, cansei de ouvir você falando da Kat. – ele me fitou todo bobo e eu continuei – Você fica parecendo uma menina.

– Estou tentando ignorar o fato de que meu Elemento está a sabem-se lá quantos pés de altura.

Então me dei conta de que ele é da Terra e está num avião. Não pude deixar de rir da situação. Ele estava realmente nervoso, se você parasse para analisa-lo melhor. Suas mãos estavam suando e ele arregalava os olhos tanto como se eles fossem saltar das órbitas. Sem avisar, limpei a mente dele e o fiz relaxar. Em questão de segundos, Cory estava dormindo de tão relaxado.

Foi assim por mais dois voos: ele ficava nervoso, eu limpava a mente dele, ele dormia e eu fazia qualquer coisa para passar o tempo. Menos, é claro, passar o tempo. Adiantar o tempo é perigoso. Você nunca sabe se estará viva para presenciá-lo. Voltar e parar me deixa mais calma, definitivamente.

Quando chegamos à Austrália, era madrugada e nós não sabíamos aonde iríamos dormir. Cory reclamava que devíamos procurar pela garota imediatamente, pois ele estava completamente sem sono. Eu por outro lado, não via a hora de ver uma cama com travesseiros.

O esquema de hospedagem fora o mesmo de quando viajei com Kat para os Estados Unidos: chamamos um táxi, perguntamos onde tinha um hotel barato para uma noite e então ele nos deixou na frente de um hotel luxuoso. Engraçado como são as coisas. Pensei ter dito “barato”.

Cory fez uma cara engraçada e perguntou, querendo rir:

– Nós temos dinheiro para um lugar como esse?

– Receio que não. – franzi as sobrancelhas, irritada – Vamos ter que entrar e perguntar por um hotel barato.

Fui andando na frente e então Cory se adiantou em me puxar e me sacudir.

– Não vou pagar esse mico na Austrália. Não nesse hotel chique! Não vou, não vou, não vou!

**

– Oh, tem o hotel Hank na próxima esquina. – disse a recepcionista sem graça. Bem, acabou que eu arrastei Cory a força e fui perguntar pra a mulher de mais ou menos 32 anos que estava no balcão luxuoso daquele lugar.

– Muito obrigada. – sorri e me virei, encontrando um Cory de braços cruzados e ombros contraídos me encarando feio. Cutuquei seu braço, dando sinal para irmos embora.

Não há muito a que se descrever sobre as situações seguintes: fomos para o hotel; Cory reclamou. Pagamos a estadia; Cory reclamou. Estávamos indo dormir; Cory reclamou. Acordamos... Cory reclamou. Parecia um velho de tanta carranca que ele fazia naquela cara grega retrógrada que ele tem. Estávamos tomando café da manhã quando um barulho alto soou da porta de entrada.

Uma garota adolescente com mais ou menos 1,72m de altura, pele pálida, olhos cinza e cabelos longos e negros olhava o local, procurando alguém. Ela vestia um vestido branco rendado, sujo de terra e estava descalça. Parou o olhar na minha mesa e na de Cory e veio andando, pisando forte, até nós. Apoiou as mãos na mesa e nos encarou com um olhar selvagem:

– Achei vocês! – exclamou a moça – Soube que estão montando um exército.

– S-sim... Quem é você? – Cory gaguejou, mais assustado do que devido a beleza surpreendentemente diferente da menina.

– Sou Lily. Preciso da ajuda de vocês.

Naquele momento, soube que havia encontrado nossa peça-chave. Ou melhor, ela havia nos encontrado. Ao invés de aceitar imediatamente, sorri gentil e a convidei para tomar café com a gente enquanto ouvia sua história:

– Sou Lily West. Tenho 18 anos e sou daqui. Eu sou órfã de mãe, segundo o meu pai. Mas uma vez eu sonhei com ela. Ela era branca e seus cabelos eram neblinas que esvoaçavam para todos os lados. Os olhos acinzentados e usava um vestido longo e branco. Ela me avisou sobre esse... Esse dom que eu tenho de controlar o Ar. – ela nos olhou, esperando alguma reação esquisita vindo da gente, mas estávamos apenas comendo e a observando contar a história – Então eu fui obrigada a sair de casa e arrumar resposta. Os ventos sussurraram para eu encontrar alguém. E esse alguém, Rob, foi meu namorado por alguns anos. E então... – ela engasgou nas próprias palavras.

– Ele morreu...? – Cory perguntou, cautelosamente.

– Eu... O matei sem querer. – Lily massageou as têmporas e então fechou o punho e se socou na testa.

Arregalei os olhos e me engasguei com a comida quando ela disse aquilo. Pode parecer loucura, mas eu meio que a entendo. Viagens no tempo sempre será uma péssima ideia. A perguntei como aquilo aconteceu e então me ocorreu à lembrança de um garoto ruivo morto na floresta. Um Elemento e então um vulto no céu.

– Foi na Inglaterra, não foi? Foi você quem matou o Elemento do Fogo. – a olhei e ela começou a chorar. Começou a chorar uma dor que estava prendendo em si mesma há muito tempo. Afaguei seus cabelos negros e ela permitiu-se a encostar a cabeça no meu ombro.

– Eu não queria... Eu achei que estava tudo bem em mostrar o que eu podia fazer... Não achei que daria errado. – ela me olhou e pude ver o quanto seus olhos estavam cansados.

Cory se levantou e estendeu a mão para a garota.

– Você precisa descansar. Fayel tem umas roupas ali. – então ele sorriu e ela sorriu de volta, segurando sua mão.

Quando ela se levantou, Cory foi surpreendido pelo seu abraço. Ele me olhou sem saber o que fazer e então a abraçou de volta, com medo. Não terminei de comer, só levantei e a acompanhei para nosso quarto. O olhar de Cory dizia a mesma coisa que o meu:

“Estamos indo para o Brasil”.

Notas finais
DESCULPA A DEMORA! Foram 18 dias mais ou menos sem postar, e eu peço as minhas mais sinceras desculpas. To esperando as desculpas de vocês também que prometeram que não abandonariam a fic, e abandonaram. Um pouco de decepção talvez muita. D: Comentem aqui o que acharam do capítulo e o que vocês acham que a Lily vai representar pra nossa protagonista. :D Obrigada por terem lido.