Dando Voltas no Ponteiro

20 Capítulo XIX – MENTES INSANAS


Notas iniciais
Eu tenho que pedir desculpas por estar postando de forma tão desleixada. Eu como autora, reconheço que o rendimento dos capítulos caiu muito. Mas meus leitores precisam entender que criatividade não é uma coisa que sai fácil. Tem sido difícil arrumar ideias, mas é claro, eu venho tentando. Não me abandonem! Obrigada pelo apoio, galera. Boa leitura e aproveitem!

Quando os meus dois soldados acordaram, eu já estava sentada na minha cama, batendo o tampo da garrafa de água descartável que encontrei no freezer na boca, pensativa. Eu havia acordado de madrugada, tomado um banho e fiquei bebendo toda a água do estabelecimento. Eu devia estar com muita vontade de fazer xixi, mas pelo jeito, toda aquela água estava escorrendo pelos meus olhos.

Eu não sei o que deu em mim, honestamente, ando chorando por tudo esses dias. Tenho ficado muito sensível por tudo e por qualquer coisa. No silêncio da madrugada, perto dos meus amigos... Eu não consigo me controlar. Essa sensação de que eu posso errar a qualquer momento está me matando, eu só tenho 17 anos. E eu nem sei se meu aniversário já passou!

Cory olhou para Lily, que estava séria, sem se importar muito e veio correndo até mim. Ele se ajoelhou, segurou minhas mãos e tentou ver meus pulsos, desesperado.

– São os pés. – falei, com a voz falhando.

Entendo porque ele estava preocupado comigo. Um desbotado rastro de sangue se arrasta do chão do banheiro até a minha cama. Choraminguei de dor. A física e psicológica. Eu sinto falta de quando eu conseguia disfarçar.

As Vozes da Confusão no mundo dos mortais também é presente, sendo chamada de “depressão” ou “esquizofrenia”, como eu já havia dito uma vez. Para eles, ela é sempre presente e um parasita: não há uma cura.

Porém, para os Elementos, não passa de um momento muito ruim de fraqueza. Não é só como um dia triste de um adolescente. É um dia triste de um adolescente três vezes pior.

Por outro lado, essas vozes podem ser consideradas uma metáfora: se manter forte o máximo que você puder. Mesmo com o mundo desabando nas suas costas, fique forte. Não ouça essas vozes desmotivadoras na sua cabeça te pedindo para desistir, te pedindo para se maltratar. Você é melhor que elas.

Só que dessa vez elas foram mais altas que minha motivação de continuar forte. Só dessa vez eu desejei que elas calassem a merda da boca. Só dessa vez eu quis pensar com clareza.

Cory se levantou e checou o banheiro. Consegui o ouvir suspirando forte com a cena. Eu havia limpado tudo, é claro. Mas ainda havia pequenas manchas que mancharam o carpete. Havia resquícios do meu próprio sofrimento ali. De masoquismo.

E é claro que ele não ia deixar de comentar:

– Fayel eu não consigo acreditar que você cedeu.

– Não fale como se fosse fácil resistir.

– Não fale como se fosse uma tentação! – ele gritou e eu arregalei os olhos, assustada – Eu esperava mais de você. Você não é só uma líder, Fayel, você é o Tempo! Não é como nós que somos apenas uma parte de um Elemento, você é toda a grandiosidade da coisa. E você sabe disso! Você mais do que ninguém precisa se manter forte e...

– Eu tentei! – dessa vez fui eu quem que gritei – Você acha que eu não tentei me manter forte? Acha que eu estou não estou tentando o suficiente? É uma porra de uma guerra e eu nem sei como vou conseguir reunir Elementos o suficiente a tempo. São apenas crianças! E se eles morrerem lá? Que tipo de segurança eu os estarei garantindo? Eu não sou isso tudo que eles acham. Que vocês acham!

A expressão de Cory suavizou-se e então ele apoiou suas costas na parede, deslizando para o chão, exausto. Então Lily, que não havia dito uma palavra sequer desde então, se manifestou. Limpou a garganta e levantou os braços, balançando-os levemente.

Pude sentir-me mais calma. O ar que estava carregado há uns minutos, estava mais leve e confortável de respirar.

– Vocês estão preocupados demais com isso. A Rainha Hercília não está intencionada em matar seus Elementos. Só a Fayel.

– Isso ajuda bastante. – bufei, irritada.

– E isso significa que ela tem medo de você. – ela prosseguiu, me ignorando completamente – Ela sabe que você ganha. E mesmo se alguns soldados morrerem, eles sabem que é um risco que estão correndo. Eu sei disso, Cory sabe. Não esperamos que você nos proteja. Esperamos que você nos lidere. Esse é o seu único trabalho.

Percebi o quanto eu estou sendo tola. Acabei de achar um Elemento do Ar e já estou me mostrando desesperada para ela. Estou recebendo conselhos de alguém que matou o seu próprio namorado.

Sequei as lágrimas e me levantei, sentindo dor nos cortes. Cory se apressou em me levar no colo até o banheiro para fazer um curativo. Eu disse que não precisava, mas é óbvio que precisava sim. Ele pegou uma maleta de primeiros socorros na mochila dele (ele sempre leva já que eu tenho o costume de me machucar por aí) e pegou a gaze, álcool e algodão. Fez todo o dolorido procedimento e perguntou se eu queria que ele fizesse muletas.

Antes que eu pudesse dizer, muletas de madeiras perfeitas estavam apoiadas na parede. Eu nunca vou entender como ele faz isso. Nem tinha madeira ali perto!

Lily me ajudou a escolher uma roupa e a me vestir. Penteei os cabelos e esperei os dois se arrumarem também. Primeiro Lily, depois Cory. Enquanto Lily usava o banheiro, Cory ficou sentado comigo me perguntando de dois em dois minutos se estava tudo bem comigo, se eu queria alguma coisa, me pedindo para ficar calma e me elogiando. Sendo o amor de pessoa que ele sempre foi. No entanto, tudo o que eu pedi foi um abraço.

Ele se espantou, tendo em vista de que eu nunca o pedi uma coisa dessas. Mas ele quando ele me olhou nos olhos e viu que eu estava suplicante quanto a isso, ele me concedeu esse pedido. E me perguntou:

– Faz quanto tempo que você não fala com Luke?

Dei de ombros.

– Eu não sei. Não sei de mais nada.

– Ao mesmo tentou ligar para ele? – neguei com a cabeça – Ele é seu namorado.

– Ele quer que eu desista da guerra.

– Ele tem medo de te perder.

– Isso é o que ele está tentando fazer. – levantei o rosto para encará-lo – Ele está tentando me perder.

Ele empurrou minha cabeça levemente de volta ao seu peito e afagou meus cabelos, dando beijo uma vez ou outra.

– Luke não seria doido de abandonar alguém incrível como você.

No mesmo instante, Lily abriu a porta do banheiro. Ela vestia uma blusa branca minha e um short azul escuro. Correu para pegar uma sapatilha e penteou os seus longos cabelos negros. Cory se desgarrou de mim e entrou no banheiro sem mais delongas.

– Então... Vocês dois namoram? – Lily me perguntou.

– Huh? – perguntei distraída. Quando então percebi de quem ela estava falando me apressei em explicar: – Não! O Cory é apenas um amigo! Um bom e melhor amigo! Só isso e nada mais.

– Entendo. Você está falando a verdade. – ela parecia aliviada com aquilo. Num ato exasperado, jogou os cabelos negros molhados para trás de suas costas e um barulho pesado ricocheteou em sua pele. Deve ter machucado.

– Estou, é claro. – sorri – Mesmo ele sendo um grego bem atraente...

–... Alguém chamado “Luke” é quem tem sua atenção, não? – ela sorriu com certeza – Eu ouvi.

Joguei um travesseiro nela e ela começou a rir, controlando o ar para revidar. E então estávamos fazendo uma guerra que bagunçou tudo mais ainda. Momentos como esse me fazem pensar que sim, eu sou uma adolescente normal. Tirando o fato de que eu sou o Tempo.

Lily parecia tão feliz naquele momento. Ela tem um sorriso bonito quando ele não está sendo forçado ou amedrontado. Mesmo sabendo que aquele bom humor poderia mudar em instantes, eu me sentia bem com aquele agora. Além do que, eu a tenho em minhas mãos. Já consegui controlar o humor de Kat na vez em que a recrutei. Por que seria diferente agora?

Tudo parecia tão lento e tão rápido naquele momento. A lentidão de estarmos apenas ali, esperando Cory. De ainda estarmos procurando todos os Elementos para então começarmos a guerra. E ao mesmo, a rapidez de do nada estar eu aqui, no Brasil, quando há umas horas estava na Austrália. A rapidez de logo após achar um Elemento, já estou procurando outro. A rapidez de algumas pessoas que achei que nunca poderia começar uma conversa por livre e espontânea vontade e que agora converso como se as conhecesse há anos. Eu não entendo o porquê de mais delongas para começar a procura pelo Elemento Fogo. Na verdade, estou ansiosa para encontrar outro soldado inteligente e amigável.

Em meio à milhões de pensamentos, ouço o barulho da porta e quando sigo o olhar nesta direção, encontro Cory de toalha e cabelos bagunçados. Eu não acredito que ele está mesmo seduzindo Lily. Ele deu um sorriso de canto quando viu a minha expressão de indignação e andou até sua mala, colocando suas roupas rapidamente, fingindo constrangimento. Grego safado.

Quando me virei para olhar Lily, notei que suas bochechas estavam queimando e ela mal conseguia segurar a boca de tão maravilhada com a cena. Não é como se eu pudesse culpá-la, mas mesmo assim, modos são modos.

– Vamos? – chamei, me levantando com a ajuda das muletas – Temos muitas coisas para fazer hoje. E não pretendo fazer um tour.

Cory se virou, ainda colocando uma camisa verde, com a cabeça presa entre a gola com raiva:

– O quê?! Não mesmo! Eu preciso conhecer a capital desse país! – ele terminou de colocar a camisa e pigarreou – Quer dizer, se aqui não tem praia ao menos deve ter outros entretenimentos.

– A menos que você se divirta com políticos... – Lily disse calmamente.

– Não sei se vocês dois estão lembrados, mas estamos correndo contra o relógio aqui! – esbraveei – O único passeio que vamos fazer será de comprar algumas frutas no caminho.

Cory pegou sua mochila, irritado e seguiu para a porta, nos esperando. Apressei-me em pegar minhas coisas e saí com Lily atrás de mim. Nos corredores daquele gigantesco hotel, pessoas nos olhavam estranho provavelmente pensando: “O que três jovens mochileiros estão fazendo num lugar de requinte como este?”. Bem, eu também não sei.

Saímos do hotel tranquilamente e sem nenhuma complicação. De vez em quando, Cory pegava seu celular e tirava umas fotos de coisas esquisitas como: hippies deitados na calçada, árvores recém-podadas, carros que passavam na rua e até mesmo um casal de cachorros que namoravam perto de uma loja. Lily estava sendo um bom Elemento do Ar e ficava avoada, pensando em nada e de vez em quando choramingando. Espero um dia melhorar a dor da culpa que existe nela.

Em seguida, fizemos o combinado e compramos umas laranjas de uns vendedores de beira de estrada no caminho e fomos caminhando até um ponto de táxi. Como eu achei um ponto de táxi nesse lugar imenso eu não sei, mas achei.

Esperamos por cerca de dez minutos pra algum aparecer e então, quando ele se esforçou para entender nossa língua no intuito de perguntar o nosso destino, eu travei. Não havia percebido que não sabia onde esse Elemento podia estar. Então Cory disse num português quase fluente algo que pedi tradução logo após:

– Hospital Psiquiátrico HPAP. É lá que ela está.

– Mais uma garota. – Lily disse baixo, olhando pela janela, cansada. Mais emocionalmente do que fisicamente, pelo o que pude perceber.

– Muito reconfortante pensar que temos alguém louco no nosso exército. – disse e imediatamente me arrependi, prevendo o sermão de Cory.

– O termo correto é deficiente intelectual. E seja menos prepotente, nem ao menos falamos com a moça para você ter tanta certeza de que ela irá fazer parte de um exército.

– Tem razão. Perdão. – me desculpei antes que brigássemos. A última coisa que precisamos no momento é desavença.

Não demorou muito para chegarmos ao tal hospital psiquiátrico. Era um prédio alto e branco com um campo verde bem cuidado o circulando-o. Quando entramos, Cory quem solicitou a visita. Eu me pergunto como ele sabe tanto sobre a moça. Após muitos minutos de espera pela confirmação de permissão, uma mulher de cabelos castanhos veio com uma expressão não muito boa.

Foi então que entendi o plano. Antes que a mulher pudesse falar alguma coisa, parei o tempo. E então andei por cada uma daquelas pessoas, alterando suas vontades e seus pensamentos. Do jeito que eu falo, parece uma coisa fácil isso de alterar as vontades de alguém. Mas não é bem assim.

Para mudar a opinião de alguém, antes você tem que conhecer a pessoa em questão e também, todos os detalhes de tal situação a ser convencida. E isso é realmente cansativo. Principalmente quando você tem que explorar os ideais de uma pessoa hipócrita. E esse hospital estava cheio de pessoas assim.

Eu não posso dizer exatamente quanto tempo passei fazendo aquilo, porque bem, meu Elemento é o Tempo e eu estava confortável com a lentidão e a rapidez que se passava. Quando finalmente voltei ao presente, a mulher mudou de expressão e nos levou até o elevador.

Apertou o botão para o último andar. Levou-nos até o final do corretor e pegou o molho de chaves. Abriu a porta e então pude ver um quarto feito de paredes de plástico, que a mulher apresentou antes de abrir a porta como: “plásticos de engenharia de alta resistência com materiais de poliamida e soluções não inflamáveis”.

No quarto, tinha um corredor que levava até outra porta. Ao abrí-la, – e dessa vez sem uma chave – vejo um quarto com os mesmos materiais e uma cama que não parecia muito confortável. À minha esquerda, tinha uma menina magra e ruiva de costas, pintando numa tela em um cavalete com tintas em bastão espalhadas por toda parte.

– Anna Carolina...? – a mulher disse hesitante – Você tem visitas.

Então ela se virou para nos olhar e pude ver um rosto exausto, dopado por medicamentos fortes. Os olhos castanhos claro estavam marcados por olheiras e arranhões de unhas que foram recentemente cortadas. Os lábios finos estavam secos e inexpressivos, assim como tudo que a envolvia. Seus cabelos lisos estavam presos num rabo de cavalo mal feito, com várias mechas caindo sobre seu rosto.

Então ela deu um sorriso e disse, em inglês:

– Entrem. Pode ir, Márcia. – num gesto ligeiro, Márcia sorriu e saiu do quarto nos deixando sozinha com a ruiva.

– Você não parece perigosa. – Lily se pronunciou pela primeira vez desde que estávamos no carro e ela parecia cansada, como sempre.

– Eu não sou. Eu já fui uma adolescente normal uma vez, assim como vocês. – ela largou os pincéis e se virou para nos olhar.

– Não somos adolescentes normais. – falei.

Ela deu um sorriso debochado e estendeu os braços, apresentando o lugar.

– Bem, você não mora num hospital psiquiátrico num sala à prova de fogo, mora? – imediatamente me calei. Ela definitivamente está pior que todos nós.

Cory andou até a cama dela, passando a mão sobre o material pouco confortável. Ela consegue ao menos ter uma boa noite de sono? Ele deve ter feito a mesma pergunta a si mesmo quando sentou. E então ele perguntou o que nós todos queríamos saber:

– Por que você está internada aqui?

– Eles acham que eu matei a minha família.

Ah. Mas quem nunca machucou alguém que ama nesse exército, não é mesmo? Ao invés de falar isso, eu indaguei incerta:

– E você matou?

– Não. – ela suspirou – Eu os ouvi morrer queimados. Todos eles. Meus pais e meus dois irmãos mais novos.

– Irônico já que você é o Elemento do Fogo. – Lily disse com uma entonação não muita segura.

– Lily! – a repreendi. Ela consegue ser muito rude às vezes.

– Está tudo bem. Eles pensaram quase a mesma coisa.

Então eu fui até ela, me apoiei em minhas muletas e segurei suas mãos geladas e finas. Olhei para seu rosto mais atentamente e entrei em sua mente. Por trás daqueles olhos redondos e cansados, cheios de arranhões e que carregavam efeitos de medicamentos fortes, havia uma garota que lutava pela sua sanidade mental. É uma pena que ela tenha tentado tanto. Agora que a vejo como ela é, reconheço suas feridas, sua dificuldade em arrumar os cabelos e principalmente, sua ligação com a arte de pintar quadros. Eu não havia reparado muito bem o que era assim que entrei, mas era um quadro de cores quentes para todos os lados e quatro linhas pretas se encurvando. Nas extremidades sul da tela, você podia notar com muita dificuldade as marcas de suas mãos, como quem tentava entrar na cena – ou controlar um Elemento que foi a causa da morte de quem um dia a amou.

O que acontece na história de Anna é que ela foi adotada pelos seus pais quando tinha 10 anos. Quatro anos depois, seus pais tiveram mais dois meninos gêmeos que se chamavam Lucas e Thomas. Eles viviam numa casa grande que era cheia de felicidade e amor. Não havia motivos para ela matá-los, assim de repente.

As coisas começaram a desandar quando Anna acorda com sua coberta pegando fogo e o alarme de incêndio disparando. Muito embora a coberta estivesse envolvendo seu corpo por completo, Anna ficou intacta. E então...

– O que você está fazendo?! – Anna me jogou no chão fazendo uma expressão de dor. Eu não sabia que aquilo a fazia reviver as lembranças também.

– Eu não queria te machucar, me perdoe. – eu estava mais assustada do que parecia.

– Se quer saber por que vim parar aqui, me pergunte com detalhes! – ela começou a esfregar as mãos no rosto deixando tudo vermelho.

Assenti e esperei ela começar a se acalmar.

– Depois do meu primeiro incidente com meu Elemento, eu tive um sonho com uma Rainha de Fogo que dizia ser minha mãe. Ela explicou porque aquilo estava acontecendo comigo e então eu acordei. Quando eu acordei, minha casa estava pegando fogo.

– E então eles te internaram. – completei e ela assentiu.

– Mas... Tem uma coisa que eu não entendo: – Cory levantou a mão, perguntando – Todos nós já possuíamos essas habilidades desde que éramos crianças. O que Hercília disse para você?

– Ela disse que Lucas e Thomas não eram os únicos gêmeos da família. Disse que eu tinha um irmão gêmeo, possuidor do Elemento. – ouvi Lily prender a respiração – Mas ele morreu e então essa herança maldita veio para mim.

Parei para pensar em como tudo ali se conectava. O jeito que eu já conhecia Kat antes mesmo de pensar em começar uma guerra. Em como quando Luke ficou preso na minha consciência e eu e Kat fomos para o Maine, nos Estados Unidos e Carter Lancaster nos mostrou o caminho até Cory. Em como Kat e Cory estão conectados um com o outro, tanto que sabiam onde encontrar Lily e Carol. Lily, que matou o irmão de Carol. Carol que está caindo em sua própria desgraça mental pela falha de Lily. Por que isso tudo me parece planejado demais?

Olhei para trás e fui surpreendida pela imagem de Lily chorando em silêncio. Dela com as mãos na boca, prendendo o choro inutilmente já que lágrimas caíam de seus olhos desesperados. Anna me olhou, entendendo pouca coisa.

– Acho que vocês duas tem bastante o que conversar. – Cory se pronunciou, levantando-se e me puxando do chão para me levar pro quarto externo.

Ele fechou a porta sem mais delongas e eu disse:

– Você sabe mesmo qual é a coisa certa a se fazer, não é? – cruzei os braços e então ele me abraçou pela cintura.

– Não é bem assim, Lynch.

– Me parece exatamente dessa maneira. – sorri orgulhosa por ter um amigo de coração bom como o de Cory e o abracei de volta – Você é incrível.

– Nah. Eu não controlo o Tempo.

Ficamos um tempo nos abraçando e então ele me afastou de leve e me perguntou, envergonhado:

– Mas... Você sabe... A Kat andou falando de mim? Sentindo minha falta?

Comecei a rir, pois quase me esqueci da paixão platônica de Cory por Kat. E também porque eu não mexo num aparelho eletrônico desde que cheguei à Austrália.

– Não sei bem. Por que você não liga para ela? Para contar as novidades.

Ele pareceu um pouco indeciso à princípio mas imediatamente pegou o celular do bolso e começou a discar o número da nossa preciosidade colorida.

– Alô? Kat? – ele disse com animação – Achamos nossos Elementos! É, aqui é bem legal...

Parei de ouvir a conversa. Mas não foi porque eu quis. Foi pelo susto. A Rainha Hercília estava na minha frente e dessa vez, não era um sonho.

Notas finais
Eu espero que esse capítulo não tenha parecido muito rápido pra vocês. Porque pra mim pareceu, hehe. Mas eu não consigo achar outra maneira de falar sobre os pontos fortes da fic, senão assim. E também, final de ano, provas e tudo o mais... Não to tendo tempo pra aumentar o conteúdo da história tanto quanto eu pretendia. É isso. Deixem seus comentários e muito obrigada ♥