Dando Voltas no Ponteiro

4 Capítulo IV – LUGAR NO MEIO DO NADA


Notas iniciais
Eu gosto muito meeesmo desse capítulo e... Eu não tenho muito o que dizer sobre ele, quero que vocês digam. Deixem seu comentário e aproveitem a leitura!

A gente chegou à praia exatamente às 22h00. Hospedamo-nos na cabaninha velha que tinha ali e conversamos e rimos um pouco. Tinha bebida alcoólica dos meus pais, que eles deixavam lá apenas para comemorações importantes. Também tinha um quarto de casal luxuoso e parcialmente empoeirado (porque eu ia lá de três em três semanas), uma cozinha limpa com comida enlatada e mais umas que nós dois trouxemos. A varanda tinha luzes amareladas e uns sofazinhos beges. Pra chegar nessa praia, são umas duas horas de viagem. E vale a pena.

– Então... – Luke começou – Você não me contou nada sobre você ainda.

– Não tem nada sobre mim que precise saber. – sorri.

Contar sobre meus pais agora seria a mesma coisa de dizer “Sinta pena de mim, é a única forma de você sentir algo”. E eu não quero isso. Porque, quando estou com ele, sinto que ele vale a pena. Vale a pena meu mistério, meus enigmas. Ele vale a pena lutar.

– Ah não? Pois eu acho que se você contasse – ele tomou um gole do vinho tinto – seria até um bom começo pra nós dois.

– O que quer dizer?

– O jeito que você me olhou no intervalo, não tinha nenhuma intenção por trás?

Sorri maliciosamente. É claro que tinha. Mas não respondi nada. Só deixei o sorriso e o olhar convidativo responder por mim. E deu bem certo.

Ele se inclinou pra frente, e tocou no meu queixo com o polegar, trazendo-o mais pra perto. Me afastei. Não queria soar fácil demais. Ele me olhou, confuso, e eu comemorei silenciosamente. “É, consegui” pensei, “Agora vai ser bem mais interessante que das outras vezes”.

– Beijo logo no primeiro encontro, na primeira semana? Ah não.

– Olha, eu estou frustrado. – Luke riu, sem graça alguma.

– Tive uma ideia: podemos jogar pedra, papel e tesoura. Se eu ganhar, você dorme na sala. Se você ganhar, pode escolher onde dorme.

Luke venceu o jogo, ele escolheu dormir no quarto dos meus pais e quando eu estava pegando minhas coisas pra dormir na sala ele disse “Pode dormir comigo”. Hesitei por um tempo, mas quando eu olhei pra aqueles olhos azuis eu disse:

– Tudo bem, mas só dormir.

Amanhecemos na antiga cama dos meus pais, com a tênue luz do sol sobre nossos pés. O lençol cheirava a lavanda e era sedoso e macio. Luke estava abraçado ao meu estômago. Estava dormindo bem atrás de mim, como um anjinho. Tentei tirar o braço dele sobre mim, sem o acordar, mas ele me puxou, e sussurrou no meu ouvido:

– Não vai embora ainda. Por favor. – sua voz estava rouca e extremamente grossa.

Virei-me pra olhar aquele rosto. Os olhos dele são bem mais azuis do que eu imaginava. De perto dá pra ver o quão grande são os olhos dele e quanto azul a íris é. É da cor do céu numa tarde ensolarada. Não, melhor ainda. Da cor do mar visto de bem longe. Não chega a ser esse azul. O azul dos olhos dele nunca vai poder ser comparado a nada. Porque não há com o que comparar. São lindos e só. Ele tem lábios finos e convidativos, rosados como uma maçã. Seu nariz é reto e fino e seu rosto oval. Ele tem cabelos parcialmente grandes. São tão pretos que na luz ficam meio azulados, são lisos e ligeiramente bagunçados. E como ele é lindo.

– Fayel? – ele riu – Tá me ouvindo?

– Estou. – sorri, ainda hipnotizada pela beleza irreal dele.

Ele passou os dedos no meu rosto, me fazendo fechar os olhos e sentir o momento.

– Eu não quero ir embora. – o olhei – Vamos ficar Luke?

– Bem que eu queria.

– Podemos ficar. Podemos trazer nossas coisas e morar aqui.

– Morar? – ele olhou para baixo como se estive pensando na possibilidade, então voltou o olhar pra mim e disse – Não posso.

Levantei-me e comecei a caçar uma roupa limpa na minha mochila. E caso ainda esteja com essa ideia na cabeça, não fizemos nada demais. Apenas dormimos juntos, como combinado. Após revirar a mochila, achei uma camisa azul de gola “V” e um short desbotado. Coloquei as roupas ali mesmo e calcei uma sandália rasteirinha que tinha no armário da minha mãe. Minha mãe. Tão linda e tão jovem, ela tinha um ótimo gosto para roupas. A sandália era bege com uns detalhes rosa brilhante. Calçar aquilo me fez lembrar o dia em que ela a comprou. Papai ficou uma fera com o preço dela. Mas logo saímos pra comprar sorvete e tudo ficou bem de novo. Foi um bom dia. Divertimos-nos bastante e eu estava radiante.

Pena que algumas coisas não voltam mais.

– O que foi Fay? Eu fiz alguma coisa?

– Não. Eu só... Tenho que ir ao banheiro. Eu... Eu já volto.

Andei depressa pro banheiro, tranquei a porta e comecei a me encarar no espelho, ficando com vontade de chorar por causa da lembrança. Eu não sei por que, mas ele me faz me sentir vulnerável. E de alguma forma, eu gosto disso.

Lavei o rosto e saí do banheiro. Quando abri a porta, lá estava ele parado na frente da porta com o cenho franzido, com uma linda cara de preocupação. Eu apenas o olhei por um instante e o abracei com força. E ele também me abraçou com força. Acariciava meus cabelos e sussurrava um “Está tudo bem.” Com tanta delicadeza e amor que eu quase me derreti de chorar. Ele me reconforta. Ele me faz sentir numa família de novo. Mesmo sabendo que somos quase estranhos. E que o amor na voz dele não passa de medo por ter supostamente me feito chorar. “Ele está sendo gentil”, pensei. E concordei comigo mesma, porque era de gentileza que eu estava precisando em todos esses dois anos. Uma gentileza que talvez nem Leah tenha me dado. Algo que minha avó me fazia acreditar que eu estava recebendo para me sentir um pouco melhor. Algo que morreu com meus pais.

Me vi de repente na varanda com Luke, tomando um café delicioso feito por ele e contando tudo sobre a minha vida.

– Você deve se sentir ameaçada. – ele falou tocando em meus cabelos enquanto eu bebia o café – Mas não precisa mais. Eu estou aqui. E vou te proteger do que quer que você esteja sentindo medo.

– Agora mesmo, — pus o café na mesa e o encarei – eu tenho medo de nos tornarmos estranhos outra vez.

E me encolhi nos braços deles. Aqueles braços fortes que me passavam conforto com um leve toque.

– Não vamos. – então ele me beijou pela primeira vez. E lá ficamos por um tempo.

Após muito tempo balbuciando canções nos abraços dele, decidi me levantar. Me recompor. Estendi minha mão para ele e por um instante ele não entendeu, mas então a segurou e eu o puxei para a praia.

Subi numa rocha enorme que tinha ali e pulei de cabeça no fundo do oceano, me encontrando com peixes e algas. Quando subi para a superfície Luke estava me encarando assustado.

– Você é louca? Nem colocou um biquíni ou me perguntou se era seguro ou... – o interrompi com uma longa gargalhada, fui nadando até o raso até que consegui ficar de pé. Corri até ele e o abracei.

– Você acha que conhece a praia melhor que eu, seu lerdo?

– Lerdo? – ele deu uma risada debochada e então me deu um beijo.

– Aproveita comigo. – e subi na rocha de novo.

Após mais ou menos uns quinze minutos tomando banho no mar, resolvemos sair e comer alguma coisa. Claro que ele fez seu amado miojo com requeijão para nós. E preciso confirmar: é bom mesmo! Na mesa de jantar, conversamos um pouco de tudo – política, amor, família, religião, estudos, futuro, vida até chegarmos nisso:

– Então Fayel, você tem alguma habilidade?

Parei de comer meu miojo por alguns segundos. Olhei pra ele pensando “Claro. Mas você vai me chamar de louca porque eu simplesmente saio por aí viajando no tempo. E eu não uso maconha pra fazer isso!” Então eu respondo:

– Eu não.

– Ah é? Você tem certeza?

– Sim, absoluta. – sorri.

– Sempre tem algo que as pessoas querem fazer.

– No momento, eu quero entender minha vida.

Minha alma está podre. Eu choro por dentro porque se eu ousar derramar algumas lágrimas as malditas Vozes da Confusão aparecem de algum lugar. Eu tento ser forte. Pensando melhor, eu sou forte. Eu vou à escola, faço as tarefas de casa regularmente, sou simpática com algumas pessoas. Mesmo que esteja tudo uma bosta, eu acabo sorrindo. Porque eu sei que esse sorriso é gratificante pra aqueles que me querem o bem. E bem, gratificante pra mim também por aqueles que querem meu mal.

Acabei o miojo e fui deitar no sofá. Fiquei lá, calada. Esperando um sinal de vida da parte dele. Mas de tanto esperar, acabei dormindo. Eu já devia ter reparado que eu casualmente sonho com o futuro, passado... E deve vez, não foi muito diferente.

Eu estava num colégio praticamente vazio, deviam ter uns 30 alunos e os funcionários. Mais especificamente, na biblioteca da escola. Com tantos adolescentes juntos conversando, aquilo nem parecia realmente uma biblioteca. O foco na verdade, estava em um casal. Uma mulher branca dos olhos verdes e longos cabelos pretos. Quando ela sorria, o homem ao seu lado enrubescia. O homem não era menos bonito. Na verdade, ele era ainda mais. Estava usando jaqueta do time de futebol, o significava que era popular entre os amigos. Ele tinha cabelos loiros e lisos que caiam levemente em sua testa. Grandes olhos azuis e um sorriso perfeito. Uau! E ele era forte também. Com tanto amor no ar quase não percebi que esse sonho (que eu ainda não tenho certeza se era passado ou futuro) estava colorido. A mulher usava uma blusa de manga comprida, verde claro e calças jeans. Carregava muitos livros e o garoto se ofereceu para ajudá-la. Me aproximei para ouvi-los melhor.

– Opa! – ele falou, todo sorridente – Deixe-me te ajudar.

Ela sorriu de volta, fazendo o garoto acanhar-se novamente.

– Não precisa disso, Till. – ela pegou os livros de volta – Eu faço academia.

– Olha, eu estou tentando ser legal. Você tem que me deixar fazer isso! – ele pegou tudo de volta a garota desistiu.

– Tudo bem, sua escolha. Mas são muitos livros e eu não tenho muita certeza se você aguenta!

– Ei! Eu faço parte do time de futebol, huh? – ele disse debochadamente, fazendo a garota abraçá-lo.

– Sabe o que eu acho, Till? – ela o olhou com tanta tenacidade, com tanta graciosidade e delicadeza que eu mesma, se fosse ele, teria desmaiado.

– Hm? – ele enrubesceu novamente, dando um leve sorriso.

– Acho que a gente devia sair. – ela sorriu um pouco mais.

–É? Também acho, Ru. – ele equilibrou os livros numa mão só e a beijou.

Ru. Till. Isso só pode ser brincadeira, aqueles eram meus pais mais jovens. Eu acordei bem transtornada quanto a isso. Já estava tudo escuro e quando levantei pra dar uma olhada na casa, nenhum sinal de Luke.

Ele havia ido embora com suas roupas. Me deixou aqui sozinha enquanto eu dormia. Não me deu nem um tchau. Ah, mas quer saber? Eu não ligo mesmo! Estou melhor sozinha.

Parei na varanda e sentei nos banquinhos. Pousei as mãos sobre o meu rosto e respirei fundo. Estou tão cansada de ver as pessoas esvaindo pelas minhas mãos. O que eu fiz dessa vez? Ah, claro. A história de entender a vida. Só podia ser. Não achei que ele fosse tão frágil em relação a isso. Mas agora tomei uma decisão: Vou arrumar minhas coisas e ir embora e esquecer que isso um dia aconteceu.

Se eu vou trocar uma palavra com ele? De maneira alguma! Mas se ele for falar comigo, aí sim, a coisa vai ficar feia. Eu parto pra a violência. Eu sou assim.

Peguei minhas coisas e fui embora. A viagem normal duraria duas horas se não fosse por um grupo de jovens bêbados me parando na estrada. É, dessa vez eu me dei mal mesmo.

– Para a scooter aí, gostosa! – a risada de um cara alto e moreno do time de futebol de uma escola ecoou.

– Senão o quê?

– Senão paro na tua frente e tu vai ser presa por assassinato! Ou coisa parecida. – uma segunda voz, dessa vez mais clara e familiar falou.

– Você... – espremi os olhos e o garoto veio mais pra perto da luz – Harry?

– Fayel.

Aquele era Harry Jones, o garoto mais popular do colégio. Esse garoto foi afim de mim por um ano e acho que o convenci quando fiquei com Nicolas Hyde. Um cara legal que organiza festas todos os fins de semana. Harry tem lindos olhos azuis e um cabelo escuro, ele é levemente bronzeado e tem o físico mais incrível que você poderia imaginar. Ele é lindo, realmente. O problema dele é que ele é meio lerdo e grosseiro. Aliás, muito lerdo e muito grosseiro. Ele fica andando por aí se gabando por ter pego Candance Johnston no verão passado. Argh, como se isso fosse motivo de grande coisa. A Candance é mais rodada que pratinho de microondas.

– O que ta fazendo aqui com esses garotos? Eles são da nossa escola?

– Não. Mas eu não ligo muito. A gente já... – ele olhou pra trás com cara de quem fez besteira – se divertiu bastante.

– Vocês... – pensei em uma coisa um tanto homossexual e esquisita vindo de Jones, que sempre é tão machista – fizeram algo... Ahn...? – tentei gesticular com as mãos, mas eu não consegui achar nada que fizesse a coisa parece menos estranha.

– Oi? – ele arqueou as sobrancelhas – Não, Fayel! Não né! Eu sou macho, e esses caras também! – eles gritaram todos com aquela voz rouca de bebida. Não pude deixar de sentir o horrível cheiro de álcool. Naquele momento prometi a mim mesma que nunca mais ficaria bêbada em auto-estrada.

– Então... O que fizeram tanto, Harry?

– Queimamos umas casas velhas, pegamos garotas – eles riram – Bebemos muito!

Eu quase duvidei daquilo, mas ao ver suas expressões percebi que era tudo verdade. Ele falou com tanta naturalidade, e eu já tinha entendido que era hora de ir. Aparentemente meu medo ficou estampado na minha cara, porque um cara lá atrás gritou:

– Ah, ela ta com medinho! Fica mesmo, mas fica com medo bem caladinha. Porque a noite vai ser longa, meu bem. – mais garotos foram de aproximando de mim, quando dei um grito e fugi com minha scooter o mais rápido que pude. Infelizmente eles estavam armados e jogaram garrafas quebradas em mim, algumas facas.

Infelizmente uma faca e uma garrafa me atingiram. A faca ficou presa na lateral da minha perna e a garrafa me arranhou nas costas. Sabe a cólica menstrual? Nunca senti tanta falta dela. Mesmo com toda aquela dor, não deixei de acelerar a scooter. Cheguei à cidade por volta de uma hora e vinte e três da manhã. Fui procurar um hospital e quando finalmente o achei, não consegui sair da scooter de jeito nenhum. Parei na frente da porta e comecei a gritar por ajuda porque eu realmente não conseguia mexer minha perna esquerda. Uns enfermeiros chegaram e me puseram cuidadosamente numa maca me perguntando muitas coisas e quase não conseguia distinguir as palavras. Então eu apenas dormi. É, eu dormi de cansaço com uma faca enfiada na perna. E daí?

Quando acordei minha avó estava pegando minha mão com uma cara de decepção. Tentei me levantar, mas a dor nas minhas costas me convenceu a continuar deitada. Minhas pernas foram enfaixadas, mas minhas costas só tinham um curativo pequeno – afinal só havia sido um arranhão.

– Vó? O que aconteceu?

– Tinha uma faca na sua perna, e espero que você me dê uma explicação disso. Acharam seu celular e me ligaram, também.

– Ah. E Daphne?

– Ficou em casa dormindo. – ela segurou minha mão com força – Você está tentando fazer o quê? Se matar, Fay? E depois de tudo que conversamos? Sobre elementos, a Rainha, a importância de você estar viva, de você ainda respirar!

– Eu não ligo pra nada disso. – disse olhando pro nada – Eu só quero que pare.

– Parou. – ela sorriu e foi aí que eu vi que parou mesmo, assim literalmente. Ela estava com olhos negros e tudo estava em preto e branco.

– Eu tenho que parar com isso, como eu volto?

– Não volta até você modificar três coisas.

– Que coisas?

– Eu não sei! É de tua escolha. – a olhei em duvida – Ah, menina! Tu é lenta quando sofre acidente, eu hein! Mexe o lençol, o travesseiro, minha mão.

Fiz tudo que minha vó sugeriu e realmente, as coisas voltaram. É uma pena que tenhamos dormido uns dois segundos, porque o meu batimento cardíaco parou e os enfermeiros vieram correndo.

– Eu estou bem, estou bem.

Fiquei tentando convencê-los uns dois minutos, até que eles finalmente saíram e me deixaram sozinha com minha avó novamente.

Ela me explicou sobre como era importante eu estar viva, porque eu era a razão dessa nova era existir e blá blá blá. Até que ela atingiu um ponto importante na conversa que eu quase deixei passar despercebido.

–... A Rainha dos Elementos, após o roubo do elemento mais poderoso, cuja seu antepassado tenha o feito, decidiu que iria por filhos seus na terra com determinados elementos. Ela os chama de “Protegidos”. Milhares de crianças com talentos especiais nasceram num mesmo dia, mas nenhuma delas durou mais que 4 anos. De séculos em séculos, a Rainha colocava mais Protegidos na Terra, e assim como nas outras vezes, eles não sobreviveram.

– Porque ela decidiu isso? Colocar eles na Terra?

– Porque ela não podia perder mais seus elementos. Então toda vez que um elemento humano morria aqui na terra, ele voltava pra sua fortaleza. Mas neste século ela conseguiu manter apenas quatro filhos mortais vivos. Dizem que os outros morreram por terem tão pouco carinho da mãe tão poderosa. Eles foram apenas esquecidos, enquanto esses outros quatro, por chamarem tanto a sua atenção, receberam conforto e uma vida ótima. Nenhum osso quebrado, nenhuma doença, nada. São praticamente deuses.

– Eles ainda vivem?

– Claro que sim. Creio que estão com 87 anos, por aí.

– É possível... Reuni-los?

– Não! Não. Fayel, não pense nisso. Eles estão espalhados no mundo. Você, para achá-los, demoraria uma vida. – ela me olhou assustada.

– Eu voltaria vó. Eu juro.

– Eu não posso perder minha família outra vez. Eu preciso te manter aqui, segura.

– Eu vou ficar bem.

– Sim, claro. Passou uma noite fora e olha no que deu. – ela apontou para a cama toda. Ela realmente não vai me deixar ir embora.

– Certo vó. Vou dormir um pouco. Vai pra casa, cuida da Daphne. Amanhã ou depois eu volto pra casa.

– Neste caso... – ela hesitou bastante para dizer as palavras – Durma bem.

Sorrimos e ela bagunçou meus cabelos.

– Rebeldia em pessoa você hein?

– Eu te amo, vó.

– Eu também te amo minha garotinha. – ela me deu um beijo na testa e foi embora.

Apenas deitei a cabeça na cama e sonhei.

Notas finais
Nesse capítulo algumas coisas aconteceram bem rápido, mas acreditem em mim, vocês vão amar esse depois que lerem o que acontecer a seguir.