Dançando com o Mal

5 Capítulo 4 - Cheiro De Mofo


Joyce acordou num pulo. Estava deitada numa cama de casal e estava com uma toalha na cabeça, que caiu quando levantou. Sua respiração estava ofegante e ela não reconheceu o lugar em que estava. Era quarto marrom, parecia chique, as paredes eram de madeiras e haviam móveis decorados também. Dois criados mudos estavam de cada lado da cama. Joyce parou por um segundo e respirou, respirou fundo. Tentou levantar da cama mas quase caiu, sorte que no instante da queda de jogou de volta em cima da cama. Olhou para o corpo e viu que estava de camisola. Começou a se desesperar. Estava apagada não podia saber o que fizeram com ela. Ela escuta passos de alguém subindo uma escada. Rapidamente volta a posição antes de acordada.

— Você acha que ela vai ficar bem? — um homem jovem, aparentemente da mesma idade que Joyce falou. A porta foi aberta e alguém entrou.

— Não sei, acho que ela já está aqui tempo demais. — uma voz arranhada de idoso o seguiu.

— Me desculpe se ela estava quase morrendo e teve que ficar aqui. — a voz responde agressiva.

— Humpf! Mulheres adoram um drama, nem deve estar mal. Deve estar dormindo. Mulher preguiçosa. — seu inglês era tão grosseiro quando ele mesmo.

— Como alguém pode fazer drama durante 4 dias deitada numa cama?

— Não me interessa. Se ela ficar mais tempo aqui vai morrer do lado de fora, não dentro da minha casa. — o velho respondeu, enquanto saiu do quarto. Joyce permaneceu quieta, apenas ouvindo a conversa. Havia ficado espantada com a duração de seu desmaio. Aquilo era péssimo. O pior era que ela sequer sabia o que haviam feito com ela. Eles a viram nua, ela estava inconsciente. Não tinha como confiar. Joyce apertou o lençol em baixo das cobertas e escutou passos novamente, se aproximando da cama. De repente mais passos ecoaram por toda a casa, mas dessa vez foram passos rápidos e ansiosos.

_ Mamãe?

Joyce explodiu de alegria ao ouvir a voz da filha. Jogou o desfalece no lixo e se sentou a espera da filha, a garotinha correu e pulou em cima da cama, as duas se envolveram num abraço.

— Achei que você nunca mais ia acordar. — a garotinha apertou com mais força.

— Eu te falei que ia ficar tudo bem, boba.

—Cora saiu correndo do banheiro gritando que você desmaiou, todos ficaram preocupados. — o homem falou. Joyce finalmente direcionou o olhar para ele, era Alec, o mesmo homem que a havia ajudado no avião.

—Obrigada.

— De nada. — ele sorriu. O coração de Joyce se esquentou.

— Mamãe, mamãe a gente precisa ir tomar banho de piscina! — Cora gritou pulando na cama. Joyce ficou confusa.

— O que?

— Ela está falando da Ilha Sunshine, o hotel de lá tem uma piscina mas também tem a praia. Lá raramente chove então vocês podem aproveitar muito. — Alec explicou enquanto pegou uma jarra de água no criado mudo.

— Você sabe muito dessa ilha. — Joyce retrucou.

— É o que estava nos banners no aeroporto. Só que tem um problema…

— 200 dólares. — o velho apareceu na porta e cortou Alec.

— O que? — Joyce indagou.

— 200 dólares de barco, 400 de avião. — o velho continuou.

— Temos que pagar o transporte até a ilha. — Alec explicou.

— Isso é ridículo.

— Ridículo é trabalhar de graça, mulher preguiçosa.

Joyce ficou possessa e se levantou da cama, mas suas pernas falharam e ela caiu no chão. O velho riu e Alec a ajudou a se levantar.

— Não precisamos ir agora, você ainda precisa se recuperar totalmente. — Alec suspirou e a colocou na cama.

— Merda.

— Mamãe, olha a boca! — Cora brigou com a mãe.

— Desculpe, filha. — Joyce esboçou um sorriso, orgulhosa.